quarta-feira, 27 de outubro de 2010

A obra-prima petista

Se Steven Spielberg tem Tom Cruise, o PT tem Edinho Silva. Cada um lidera a divisão pré-crime de sua época. Tom Cruise, em Washington, 2054. Edinho Silva, em São Paulo, 2010. O presidente do PT paulista antecipou o roteiro de Minority Report 2. Se, no filme de Spielberg, o criminoso é preso antes de cometer o crime, na campanha eleitoral petista a vítima é culpada antes de sofrê-lo. Lula, o Filho do Brasil? Que nada! O PT é capaz de tramas muito melhores para levar o Oscar.

Dias após militantes petistas agredirem José Serra com um rolo de fita crepe, a equipe de Edinho Silva registrou, na Polícia Civil, um boletim de ocorrência de preservação de direitos. O objetivo é evitar que o partido seja responsabilizado por eventuais tumultos causados por “falsos” militantes petistas infiltrados nos próximos atos de campanha do PSDB. De quem veio a denúncia? Marilena Chaui. Se Tom Cruise tem os paranormais precogs para prever assassinatos, Edinho Silva tem a militante da USP Marilena Chaui para prever conspirações tucanas.

Os paranormais de Tom Cruise trabalham juntos e conectados, flutuando num tanque de fluido nutriente. Os paranormais do PT trabalham juntos e conectados, afogados num tanque de ideias marxistas e gramscianas. Os paranormais de Tom Cruise se chamam Dashiell Hammett, Arthur Conan Doyle e Agatha Christie, em homenagem aos famosos escritores de mistério. Os paranormais do PT se chamam Marilena Chaui, Frei Betto e Emir Sader, cujas obras consistem em esconder os criminosos até o último capítulo, inclusive.

Quando os paranormais de Tom Cruise vislumbram crimes futuros, os nomes da vítima e do criminoso aparecem escritos cada qual numa pequena esfera, como duas bolinhas de bingo sorteadas. Os paranormais do PT simplificam a previsão, sorteando sempre a mesma bolinha para ambos os papeis. Se, a partir dos nomes, a equipe de Tom Cruise vai às ruas prender os pré-criminosos, a equipe de Edinho Silva vai à Polícia Civil garantir-lhes um salvo-conduto. Se o crime acontecer? Bingo! Prendam as vítimas.

O escritor e enciclopedista Diderot dizia que “toda a verdadeira poesia é emblemática”. Ao condensar num só boletim de ocorrência a autoridade ilimitada que se arroga o partido, seu papel de representante de um futuro pelo qual jamais terá de responder, sua inocência prévia incondicional, sua inversão moral, temporal e da relação entre criminoso e vítima, o roteiro de Minority Report 2 constitui-se uma das grandes obras de arte petistas de todos os tempos. Seu alcance simbólico é maior que o do mensalão, ainda que sua popularidade jamais lhe chegue aos pés.

Da mesma maneira que o PT usa o e-mail da Petrobras, o sistema de som da Eletrobras e os jornais da CUT para pedir votos para Dilma Rousseff, sugiro que faça como o coprodutor de Guerra ao Terror Nicolas Chartier e comece a pedir votos por e-mail para os membros da academia americana. Lula, o Filho do Brasil já era. Eu quero ver Dilma Rousseff ao lado de Edinho Silva no palco do Kodak Theater, dizendo que o Oscar de Melhor Filme é “uma questão muito importante”.

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