sexta-feira, 12 de novembro de 2010

O facebook, a micareta e o Brasil

Em 2003, Mark Zuckerberg invadiu o sistema de Harvard - onde estudou - para ver a ficha das mocinhas. Descobrir nomes, fotos e currículos era um privilégio de prodígios da informática. Mais tarde, com a ajuda do brasileiro Eduardo Saverin, Zuckerberg criou o facebook, onde, além dos dados pessoais, as mocinhas publicam espontaneamente se estão solteiras ou casadas, que tipo de homem desejam, quais os seus galãs preferidos, e outras intimidades de espantar terapeutas e namorados.

Eu tenho uma tese sobre as micaretas quase tão real quanto a história do facebook. Em resumo: um sujeito queria beijar mocinhas no meio da rua, não conseguia, e inventou a micareta. Minha versão, se não é exatamente a verdadeira, é bem melhor do que ela, porque eleva o criador (Dodô? Osmar?) ao status de gênio. De um jeito ou de outro, a possibilidade do beijo virou chamariz desses eventos, onde até as mocinhas se sentem à vontade para agarrar desconhecidos no meio da rua.

O italiano Antonio Gramsci criou o Brasil de hoje exatamente como Zuckerberg criou o facebook, e o criador da micareta (não fui eu, mas obrigado) criou a micareta: gerando um ambiente onde aquilo que só se conseguia à força viesse espontaneamente, sem que ninguém se desse conta. Se Zuckerberg conquistou os segredos das mocinhas e o inventor da micareta os seus beijos, os cadernos de Gramsci ensinaram à esquerda brasileira a conquistar os votos “espontâneos” que elegeram três vezes o PT.

Depois de 30 anos “ocupando espaços” nas artes, na educação, no jornalismo, nas editoras, no show business e nos demais centros disseminadores de ideias, a esquerda gramsciana transformou o Brasil num imenso facebook; numa imensa micareta. Da mesma forma que mocinhas e rapazes tornam públicos os seus desejos, e consomem corpos estranhos como quem vai à feira, os brasileiros entregam o país a um partido que não conhecem senão pela história narrada por seus próprios militantes disfarçados.

Essa história exclui as Farc, que respondem por boa parte dos nossos 50 mil homicídios por ano, e cujos narcoterroristas acabam de saudar em nota “oficial” a eleição de Dilma Rousseff e “sua pública convicção da necessidade de uma saída política para o conflito interno da Colômbia”. Isto significa que eles confiam em Dilma (que já empregou na Secretaria de Pesca a mulher de um de seus líderes) para ajudar a promovê-los de sequestradores, torturadores e assassinos a representantes democráticos legítimos.

O episódio não só confirma a minha tese, como também deixa clara a única diferença entre o facebook, a micareta e o Brasil. O novo filme sobre Mark Zuckerberg mostra que você não faz 500 milhões de amigos sem criar alguns inimigos. A nota “oficial” das Farc mostra que você não mata 50 mil brasileiros por ano sem criar alguns amigos.

A micareta?

Ah. Você não beija 50 mocinhas numa noite sem beijar alguns trocinhos.

2 comentários:

  1. Muito bom! Até que fim, texo inteligente de um Brasileiro.

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