segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

O Oscar Teen 2011

Como faço todo ano (há cerca de 1 ano), comentei com muita preguiça o Oscar no Twitter. Com apresentação de James Franco e Anne Hathaway, a cerimônia ficou bastante coerente com a atual produção cinematográfica no mundo. Eis os comentários:

[Pim] Socorro. A tradução simultânea do Oscar já começou.

[Pim] Repórteres do Oscar fazem perguntas enviadas pelo Twitter aos atores. A interatividade é mesmo a solução para o jornalismo...

[Pim] Não assisti a filme algum indicado ao Oscar, de modo que posso comentar a cerimônia com muito mais propriedade que Rubens Ewald.

[Pim] O principal recurso dramático de James Franco, ator indicado ao Oscar, é o ar "tô nem aí", que a indústria adolescente acha o máximo.

[Pim] O verdadeiro Oscar hoje é o Emmy, o prêmio da TV americana. O cinema está tão adolescente que a última sessão devia ser às 18 horas.

[Pim] "Cisne Negro" - eu soube - é sobre uma bailarina que precisa tocar umazinha pra se tornar uma grande artista. Um drama, sem dúvida.

[Pim] Juveninho manda apelo: "Morenas do mundo inteiro, por favor! Não se inspirem na maquiagem dessas celebridades! Não é legal! Obrigado."

[Pim] Depois de vários prêmios adolescentes, sai Oscar para Christian Bale. Num filme com Mark Wahlberg, porém, qualquer um parece um gênio.

[Pim] 2 prêmios de Som para os melhores DJs dos filmes. Deviam reclamar dos exibidores, que insistem em colocar cadeiras na pista de dança.

[Pim] Tava demorando! Obama aparece em vídeo, assim como quem não quer nada, fazendo uma gracinha. É o merchandising esquerdista no Oscar.

[Pim] É uma tremenda injustiça que James Franco concorra ao Oscar de Melhor Ator, e Barack Obama não.

[Pim] E o Brasil perde mais uma vez o Oscar com o seu sintomático "Lixo extraordinário".

[Pim] Billy Cristal está envelhecido, de modo que me faz sentir velho. E, em poucos segundos, ele dá alguma graça a este Oscar adolescente.

[Pim]
Se você é um ator de Malhação, calma que ainda há esperanças: James Franco - imagine - já fez um filme com Robert De Niro.

[Pim] O Oscar está igual à Copa do Mundo. Chegamos às etapas principais, e ainda há um monte de candidatos pequenos...

[Pim] Não é irônico que Natalie Portman receba grávida um Oscar por uma personagem que precisava se masturbar para virar uma grande artista?

[Pim] O inexpressivo James Franco e a histérica Anne Hathaway são o retrato do cinema teen: para qualquer lado, sempre exagerado... e falso.

[Pim] Vence "O Discurso do Rei", talvez porque, em vez de zero ou 1, tenha 2 atores de fato: Colin Firth (também vencedor) e Geoffrey Rush.

[Pim] Nada mais coerente que o Oscar Teen 2011 terminar com um coral adolescente. Só faltou a Whoopi Goldberg de maestra.

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Pim no Oscar 2010 - AQUI.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Juveninho e os estereótipos voluntários

[Ouça mais histórias de Juveninho - AQUI.]



Juveninho não bebe. Juveninho gosta de samba. Ninguém entende como alguém pode gostar de samba e não beber ao mesmo tempo. Contraria, segundo Juveninho, a ordem bocó das coisas, de acordo com a qual só se pode transitar em determinado grupo uma vez que se absorvam dele também os vícios. A vida amorosa de Juveninho é o testemunho diário da incapacidade das morenas (loiras, ruivas, mulatas...) de contrariar a ordem bocó das coisas. De cada tribo, ele diz, elas têm sempre de absorver o pior.

Juveninho está calejado. Não mais se deslumbra com a beleza das moças, embora lhes dê a chance de surpreendê-lo. E elas surpreendem. Estão sempre aquém do pouco que Juveninho espera. As morenas da praia fumam maconha; as da academia veem BBB; as patricinhas trocam a academia pela maquiagem; as intelectualizadas trocam a academia pelos pêlos; as interioranas são terrivelmente cafonas; as bem-sucedidas perdem toda a molecagem; as médicas e engenheiras nada sabem para além de medicina e engenharia; as mais belas, quando muito, têm uma amiga mais simpática, inteligente e feia; e todas, segundo Juveninho, numa doce ilusão de personalidade, ainda acham que os homens têm de gostar delas como elas são.

Dá vontade, mas não: Juveninho não vai se trancar em casa e conversar apenas com as orelhas dos livros. Não quer ser um daqueles eruditos que “leram até ficarem burros”, como escreveu Schopenhauer. O intelectual não é um isolado, ele repete. Aprendeu com Sertillanges: “Se a solidão vivifica, o isolamento paralisa e esteriliza”. Com Vitor Hugo: “À força de ser alma, cessa-se de ser homem”. Com Goethe: “O talento se aprimora na solidão, o caráter na agitação do mundo”. Com Montaigne: “todos os lugares lhe serão estúdio: pois a filosofia (...) tem o privilégio de imiscuir-se por toda parte”. Imiscuir-se é mesmo com Juveninho. Por todas as tribos, ele se imiscui atrás de uma morena que as transcenda.

No verão, Juveninho é figurinha fácil até nas festinhas pop da cidade: no Morro da Urca, no MAM, na Marina da Glória, no Píer Mauá, e onde mais houver espaço e matéria prima abundantes para a sua filosofia, apesar da garrafa d’água a 6 reais. Para Juveninho, a função do escritor no Brasil é manter a sobriedade em meio à histeria. E Juveninho leva sua função ao pé da letra. O único gargalo admissível para o álcool, ele diz, é o lábio suculento de uma morena transcendental. De preferência: de vestido amarelo e florzinha nos cabelos. Só não sabe, Juveninho, o que veio primeiro: se foi o estilo “vestida a vácuo”, ou se foi o vácuo mental produzido pelas Ladies Gaga da cultura pop. O certo é que o traje predominante nas festinhas da cidade nunca lhe pareceu tão coerente.

Se as moças se vestem com um tantinho mais de naturalidade no carnaval diurno dos blocos, isto se deve tão somente à inclemência do Sol - o melhor estilista do universo, na opinião de Juveninho. Porque basta entrar no facebook de cada uma, ele diz, para se dar conta do tamanho do monstro que elas podem se tornar à noite. Amoldadas pela moda e pelas tribos para caber em roupas e perfis que, segundo Juveninho, só emagrecem seus espíritos, elas hoje, cada vez mais cedo, colocam saltos, batons, cigarros, peitos e drogas na mesma sacola de supermercado, e saem cantando alegremente: “Rah, rah, ah, ah, ah/ Roma, roma, ma/ Gaga, ooh la la/ Want your bad romance”. Ufa, diz Juveninho. Estranho seria se ainda quisessem um “good romance”.

Os amigos, por incrível que pareça, compreendem a tragicomédia juveniniana. Não o chamam de preconceituoso, nem rancoroso, nem arrogante. Acham, ao contrário, que Juveninho tem tudo para encontrar a morena transcendental nos blocos ou festinhas pop da cidade. Das duas, uma (ou duas): ela estará linda e radiante, nos braços de um maridão de dois neurônios; ou tão completa e graciosa quanto só a distância pode assegurar. Dizem que o destino de Juveninho é a paixão mortal pela mulher do próximo (do próximo homem, do próximo país ou do próximo planeta), ou a paixão pedófila pelas fãs da Lady Gaga. Mas que a tribo de Juveninho tende a ser a dos titios, que vão descendo de geração em geração até levarem toco das filhas dos amigos. E eles já deixaram claro: nenhum quer Juveninho como genro.

Juveninho ignora. Não discute sobre Carlotas e Lolitas com quem não leu Goethe nem Nabokov. Sabe, porém, que jamais se mataria por uma Carlota alheia, se, como o jovem Werther, encontrasse uma Mademoiselle de B... pelo caminho. Que, no fundo, Juveninho deseja apenas uma “amável pessoa, que, não obstante as formalidades e o ar empavesado daqueles com quem vive, conserva muita ingenuidade”. (Ok, ele admite: tem de ser gostosa). Muito antes de ler Schopenhauer, Juveninho já descobrira no livro do mundo que “a ingenuidade atrai, enquanto a artificialidade causa repulsa”. Mais vale uma morena de alma aberta ao aprendizado, ele diz, do que outra irremediavelmente viciada nas condutas e opiniões de sua tribo. Em outras palavras, também de Juveninho: antes as canárias que as pavoas.

Transitar em diversos meios, lugares, épocas (e morenas), absorvendo o melhor de cada, sempre foi a filosofia de Juveninho. E, enquanto as morenas do Brasil tiverem o sincero e provinciano desejo de se tornar um estereótipo, dizem as boas línguas que Juveninho continuará free-lancer.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

A estreia de Ronaldinho Gaúcho

Isso mesmo: quando me falta assunto (ou tempo), falo de futebol. Comentei ao vivo, no Twitter, Flamengo 1 x 0 Nova Iguaçu, o primeiro jogo do mais novo percussionista da Portela com a camisa rubro-negra. Eis a transmissão completa:

[Pim] Um passe errado, 2 faltas mal batidas e uma rasteira no adversário. Ronaldinho Gaúcho, até aqui, faz o Nova Iguaçu parecer a Holanda.

[Pim] Eu entendo Ronaldinho Gaúcho. Com todo esse caos no Egito, é difícil pensar no Nova Iguaçu...

[Pim] E Thiago Neves, visivelmente, não quer tocar para Ronaldinho Gaúcho! Finalmente, um Flamengo desunido!

[Pim] Marquinhos é o Sneijder do Nova Iguaçu. Se tivesse um Robben a quem servir, já teria furado essa baba da zaga do Flamengo...

[Pim] Ronaldinho, enfim, entra em campo e dá um passe de letra. O campeonato de várzea do Rio de Janeiro vive o seu auge!

[Pim] Ronaldinho pedala, pedala e... erra o passe. Em seguida, erra outro. E agora... Outro. É melhor que jogue só de letra.

[Pim] Ronaldinho olha para um lado, toca para o outro e... Erra. Não é melhor que comece olhando para o mesmo lado?

[Pim] A barriga de Ronaldo, do Corinthians, inflacionou tanto o mercado que ninguém repara na de Ronaldinho Gaúcho. Mas ela está ali.

[Pim] E o juiz marca impedimento de Ronaldinho. Depois, Ronaldinho é desarmado pela zaga do Nova Iguaçu, que não tem Robben, mas tem Kuyt...

[Pim] O goleiro espalma uma falta de Ronaldinho, e a imprensa já prepara as manchetes: "Ronaldinho brilha na estreia".

[Pim] Nova Iguaçu, fechadinho, joga quase como um time europeu. O Flamengo, incapaz de furar a retranca, joga como um time brasileiro...

[Pim] Ronaldinho, anulado pelo Nova Iguaçu, erra mais uma enfiada de bola. Time do Flamengo não tem ideia de como abrir uma retranca.

[Pim] Fim de primeiro tempo. Os marqueteiros de Ronaldinho - os mesmos de Dilma - avisam que ele não vai falar no intervalo. Mas ele fala.

[Pim] Ronaldinho, diria Dilma, foi a "prioridade central" do Flamengo no primeiro tempo. A prioridade secundária, por enquanto, é o gol.

[Pim] Marquinhos, o Sneijder do Nova Iguaçu, dá um balão em Williams, e é como se dissesse: "Só não tô ganhando porque falta o Robben".

[Pim] Começa o segundo tempo no Engenhão, e o destaque continua o mesmo: o belíssimo uniforme laranja fosforescente do Nova Iguaçu.

[Pim] Maldonado e companhia, ao contrário da zaga adversária, não conseguem marcar sem fazer falta. Nova Iguaçu começa a "gostar do jogo"...

[Pim] Wanderley entra no Flamengo e, nem aí para Ronaldinho, chuta a gol. Uma raridade nesse jogo.

[Pim] Botinelli desperdiça um contra-ataque porque resolveu tocar para... Ronaldinho.

[Pim] Williams erra mais um passe para... Ronaldinho.

[Pim] A "prioridade central" continua atrapalhando a "prioridade secundária". Só Wanderley e Thiago Neves já tentaram chutes bisonhos a gol.

[Pim] Ronaldinho dá uma solada grosseira no adversário, e Luiz Roberto diz: "Tá com vontade, o Ronaldinho". O fato: devia ter sido expulso.

[Pim] Flamengo depende de Léo Moura, o único que consegue penetrar na área do Nova Iguaçu. Se chutasse a gol em vez de rolar, seria melhor.

[Pim] Thiago Neves, desaparecido em campo, acaba de perder uma bola "de graça". E, pouco depois, isola um chute... Wanderley é a esperança.

[Pim] Nova Iguaçu, cansado, começa a abrir espaços. Flamengo, exausto, recusa.

[Pim] Léo Moura mostra que está ligado no Twitter e, finalmente, chuta a gol com perigo.

[Pim] Os passes errados no ataque, a afobação dentro da área e os chutes bisonhos a gol por parte do Flamengo lembram o Brasil de Dunga.

[Pim] Gol do Flamengo. E de quem mais poderia ser? Wanderley, o independente, após rebote do goleiro em passe errado de Thiago Neves.

[Pim] Ronaldinho ainda erra um drible antes do fim do jogo, mas a torcida o aplaude loucamente. Um grande incentivo ao seu carnaval.

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