terça-feira, 7 de junho de 2011

Afogar é preciso

[Também publicado no Jornal da OAB - Tribuna do Advogado -, que me convidou a escrever sobre tortura e violação de soberania para sua edição de junho. O artigo é de 25 de maio, mas esperei sair a publicação oficial, antes de colocá-lo no Blog. Segue aí.]

Chame de tortura ou “técnicas incrementadas de interrogatório”, o fato hoje indiscutível é que a simulação de afogamento (“waterboarding”) funciona. Aplicada em Khalid Shaikh Mohammed e outros dois terroristas, em período limitado - os meses posteriores aos atentados de 11 de setembro de 2001 -, ela rendeu “informações de alto valor”, permitindo “uma compreensão mais profunda da Al-Qaeda”, como até Dennis Blair, Diretor de Inteligência Nacional do governo Obama, admitiu em 2009, muito antes de a morte de Bin Laden reacender o debate.

Em treinamento, milhares de militares americanos já haviam sido amarrados a uma prancha, com os olhos tapados e um pano enfiado na boca, e sufocados com o despejo de água no rosto. A CIA submeteu Mohammed a isso 183 vezes. Depois de dias, ele dedurou um tal de Hambali, cuja captura permitiu aos EUA desmontar uma célula de 17 membros da Jemmah Islamiyah, que planejava uma “Segunda Onda” de atentados na Costa Oeste. Não se sabe quantas vidas foram salvas. O motivo: Obama prefere omitir os documentos da CIA que nos ajudariam a esclarecer.

Tudo bem. A caça a Bin Laden demonstrou, mais uma vez, a eficácia dos métodos de interrogatório de Bush, dos quais saiu parte das informações sobre o mensageiro do terrorista. Com três diretores da CIA - incluindo o atual - revelando essa origem, só restou à Casa Branca, dessa vez, minimizar sua importância, alegando a multiplicidade de fontes de inteligência que, somente combinadas, conduziram ao sucesso da operação. Um típico desmentido que nada desmente. Mesmo que não tenham sido decisivas – e tudo indica que foram -, o fato de as informações terem sido úteis não pode ser ignorado.

Com o equipamento, o contingente e, claro, as pistas da Era Bush, o governo Obama violou o espaço aéreo do Paquistão, agiu sem o seu consentimento e executou Bin Laden desarmado - como se isto fosse mais humano que simular o afogamento de um preso. Em guerra, porém, contra organizações supranacionais, que não distinguem civis de combatentes e transformam qualquer lugar num campo de batalha com suicidas voluntários, os EUA fizeram o que tinham de fazer. Nenhum terrorista tem o direito de matar 3 mil inocentes e depois ficar “de autos” – como criança em pique-pega - num país que o acoberte. E nem mesmo o “waterboarding” é mais imoral do que permitir novos atentados.

Contra o terror, afogar é preciso.

Por Felipe Moura Brasil 

http://felipemourabrasil.blogspot.com

Um comentário:

  1. Parabéns pelo corajoso artigo, que só agora li.

    A validade de simular afogamentos ou colocar cachorros para rosnar na frente de assassinos reais ou potenciais, para salvar milhares de pessoas, é muito mais delicada do que faz crer a internacional jornalista com choros histéricos, se não afetados.

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