sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

A indignação dos alienados

Ancelmo Gois publicou em sua coluna de 1 de dezembro uma homenagem aos terroristas de esquerda mortos na luta pela implantação de uma ditadura comunista no Brasil. Não com essas palavras, claro. Para ele, eram todos “militantes políticos”.

O jornalista e editor Carlos Andreazza comentou a fraude no facebook. Eu “curti” e aproveitei para indicar o texto “Comunistas na chefia”, de Olavo de Carvalho. É sempre perigoso fazer isso. O Brasil – sobretudo nas redes sociais – dispõe de um exército de especialistas na “não-leitura” de Olavo de Carvalho. Normalmente, algum deles aparece. Foi o que aconteceu. Então tratei de me divertir.

Desde o Ancelmo Gois até minha última mensagem para o feicebuquiano O. S. (cujo nome omito por pura generosidade), a sequência obedece a um padrão bastante comum: 1) a mentira jornalística; 2) a refutação intelectual; 3) a indignação alienada; 4) a análise da alienação; 5) a agonia analfabeta; 6) a caridade da educação; 7) a agressão sonsa; 8) o deboche final; 9) o despertar da consciência.

Segue a sequência completa para quem quiser um retrato da mentalidade reinante no país. Ficou grande, eu sei, mas convém registrá-la. O item mais importante deve ser o 4. Volto na nota de rodapé com um vídeo bastante educativo – exemplo para todos que defendem (ou atacam) causas sem conhecimento de causa –, cuja divulgação se faz fundamental no combate à indignação dos alienados brasileiros.

1) A mentira jornalística
 

2) A refutação intelectual 

Carlos Andreazza

A propósito da coluna de Ancelmo Gois de hoje...

Nada tenho contra homenagens a mortos, respeito a dor da perda, e considero asqueroso que o Estado tenha torturado e matado cidadãos brasileiros. Desprezo, porém, a mistificação e a mentira: MR8, VPR, PCdoB, ALN e VAR-PALMARES jamais reuniram "militantes políticos"; eram, isto sim, grupos guerrilheiros-terroristas, que combateram, armados [assassinaram dezenas de pessoas inocentes], a ditadura militar, mas não - nunca! - em luta pela democracia e pela liberdade, antes em busca de instalar aqui uma outra ditadura, a comunista, aquela dos vagabundos sanguinários Stálin e Trotsky.

Leiam os manifestos e documentos dessas organizações. Não se encontra, nem deturpado, um só valor da democracia. Esses homens e mulheres lamentavelmente mortos não são heróis nacionais [...]

Não há virgem neste puteiro.

Carlos Andreazza

Há outra farsa nesta placa, que sugere que os dois mil indigentes encontrados ali tenham sido vítimas da ditadura. Ainda hoje, por falta de estrutura e grana, centenas de pessoas são enterradas, diariamente, como indigentes, em cemitérios não-oficiais.

Felipe Moura Brasil

“(...) a ditadura brasileira, por execrável que fosse em si mesma, era um preço módico a pagar pela eliminação da ameaça comunista (...) Não temos o direito de falsificar toda a memória histórica de um país só para continuar dando a impressão de que éramos lindos. (...)” (Olavo de Carvalho - http://www.midiasemmascara.org/artigos/desinformacao/12617-os-comunistas-na-chefia.html)

3) A indignação alienada 

O. S. 

a ditadura brasileira foi um preço módico??? das duas uma, ou vc não sabe o q é módico, ou é um retardado mental

4) A análise da alienação 

Felipe Moura Brasil

Eis aí a mentalidade esquerdista sintetizada em um peido verbal: 1) preguiçoso e avesso à leitura, o sujeito nem se dá ao trabalho de conferir o texto indicado, onde encontraria a resposta prévia para a sua previsível indignação de ignorante, desprovido do senso das proporções; 2) manipulador, destaca a expressão "preço módico" de seu contexto comparativo real, para - passando ao terreno do significado vocabular - dar a impressão de que ignoramos as atrocidades da ditadura brasileira, quando, na verdade, apenas demonstramos o quão branda ela foi quando comparada às ditaduras comunistas, modelo pelo qual lutavam os terroristas de esquerda no Brasil; 3) autoritário, xinga de antemão quem discorda dele, mesmo que sua opinião seja baseada no completo e voluntário desconhecimento do assunto, incluindo aí a argumentação adversária; 4) afetado de superioridade, questiona nosso conhecimento linguístico, enquanto gasta 3 interrogações para mostrar sua indignação moral e nenhum ponto final em respeito às normas gramaticais. Este último item, aliás, é bastante representativo da mentalidade esquerdista que assola o país: o excesso de indignação moral movido pelo mais profundo desprezo ao conhecimento.

5) A agonia analfabeta 

O. S. 

mentalidade esquerdista? atualiza seu dicionário, o que eu disse nada tem a ver com esquerda, direita, se é q esses termos maniqueístas servem pra significar algum pensamento de fato... vc fez uma citação (que como toda citação já vem carregada com a história do autor do texto). eu sou aveso a leitura, só pq não me dei ao trabalho de ler o artigo - então saiba que ao destacar um texto, a primeira ideia do que vc pretende dizer com isso, está contida no citado, depois aprofunda-se. Não acho q o comunismo era uma saída, nem mesmo uma opção para o Brasil - tanto que não fiz comentário à colacação do andreazza. Agora, é extrema ingenuidade sua, achar que a comparação entre a ditadura militar e um governo comunista que só existiu de vislumbre na luta armada (que só surge com o golpe, deixemos isso bem claro) através da frase - "a ditadura brasileira, por execrável que fosse em si mesma, era um preço módico a pagar pela eliminação da ameaça comunista", mesmo com o execrável, não quer no fim das contas dizer, "dos males o menor", quando na verdade - sem ditadura (exilios, torturas e assassinatos oficiais) é impossível saber que rumo político tomaria o estado nacional. Xinguei sim, porque acho um absurdo completo a ideia de que "a ditadura militar não foi tão ruim assim". Quanto à parte gramátical... minhas reticências sem ponto final)

O. S. 

ah, e esqueci de colocar. O autor do texto não justifica o módico, só o mantém em suspensão para uma suposta explicação (o que já deixa bem claro que é um termo muito complicado para qualquer aspirante a intelectual jogar no facebook para impressionar os amigos...)

6) A caridade da educação 

Felipe Moura Brasil

Com direita, o que este sujeito disse nada tem a ver, de fato. Com esquerda, só uma cabeça alienada ou corrompida pela própria propaganda esquerdista pode negar que tenha. Seu discurso é o subproduto feicebuquiano de 40 anos de falsificação histórica promovida no Brasil pela intelectualidade e pela imprensa esquerdistas, ambas devotas diretas ou indiretas de Antonio Gramsci - aquele que propunha exatamente isso: a tomada de poder através da "ocupação de espaços" nos canais de cultura e da disseminação exclusiva de ideias que favorecessem o Partido.

Mas vamos lá:

1) "toda citação vem carregada com a história do autor do texto" é uma frase que aparece aí para: a) desmerecer o autor (no caso, Olavo de Carvalho), independentemente do conteúdo da citação e do texto; e b) justificar sua "não-leitura" do texto em função de seu desprezo pela pessoa do autor;

2) "avesso" se escreve com 2 esses;

3) o sujeito tenta colocar em mim a culpa de sua "não-leitura", dizendo que "a primeira ideia" do que pretendo dizer (vou ignorar a vírgula entre o sujeito e o verbo) "está contida no citado, depois aprofunda-se", como se aprofundar-se não fosse o papel dele antes de repudiar o conteúdo que recomendei; ou seja: para ele, minha indicação de leitura teria de conter toda a argumentação do texto em si (isto é, todo o texto), caso contrário respostas alopradas (como a dele) estão mais do que justificadas;

4) a guerrilha comunista começou no Brasil em 1961, dirigida e financiada desde Cuba, como comprovam o depoimento dos próprios guerrilheiros, registrado em livros de autores simpáticos ao esquerdismo, como Denise Rollemberg e Luís Mir; de modo que apresentar a guerrilha retroativamente como reação ao golpe de 1964 - e não como a sua causa - é uma das maiores e mais bem-sucedidas fraudes da esquerda brasileira, aqui repetida não sei se pela má-fé deliberada dos militantes ou se pela ignorância voluntária de um imbecil juvenil;

5) quando se detecta o surgimento e o progresso de um câncer, com todos os sintomas vindo à tona, não se espera que ele cause a morte ou um sofrimento terrível para dar início ao seu combate, ainda que este seja doloroso, afinal "a comparação da gravidade relativa dos males, da qual a esquerda nacional hoje foge como o diabo da cruz, é uma exigência incontornável e a base de quase todos os diagnósticos e decisões", como bem escreveu Olavo de Carvalho; de modo que dizer que "é impossível saber que rumo político tomaria o estado nacional" é papo de quem nunca estudou ciência política nem o contexto real da época, e deixaria o câncer comunista crescer à vontade, patrocinado pela ditadura genocida cubana;

6) "gramatical" não tem acento;

7) o texto e a simples advertência de Olavo de Carvalho no "PS", além de toda a sua obra (que o sujeito certamente não leu), já são suficientes para explicar o uso da expressão "preço módico", que, ademais, nada tem de complicado, a não ser para uma cabeça entupida de propaganda esquerdista; que, para coroar toda a sua participação, dá como prova do uso inapropriado do termo a sua própria incapacidade de compreendê-lo, além, é claro, da preguiça de estudá-lo mais a fundo. Não me surpreende que uma mentalidade assim deformada só possa conceber o meu combate à manipulação esquerdista como uma tentativa de "impressionar os amigos". Tudo que existe acima disso é algo que o esquerdismo sempre tratou de destruir.

7) A agressão sonsa 

O. S.

além do entupimento de termologias bobas anti-esquerdistas (que não me dizem absolutamente nada - me são indiferentes e só parecem reforçar seu status de skinhead praiano, ah, e também não me intimido com suas observações leitura de professora colegial de português, e sei o quanto eu li e a qualidade do que li) e digressões retóricas, não vi nenhuma colocação favorável à promoção da ditadura militar à salvadores do futuro sombrio do brasil.

8) O deboche final 

Felipe Moura Brasil

Para encerrar: 1) “termologia” (ou termofísica) é aquela parte da Física que estuda o calor; de modo que o sujeito certamente quis dizer “terminologia”, embora não tenha especificado qualquer uma que eu supostamente teria utilizado, porque passar do específico para o geral é uma forma de fugir do tema em questão e partir para a rotulação pessoal, como ele sempre faz, naturalmente; 2) se a “termologia” me faz um “skinhead praiano”, porém, só pode ser por causa do calor...; 3) faltou um “de” em “observações leitura”; 4) nós dois sabemos, de fato, o quanto o sujeito leu (quase nada) e a qualidade do que leu (nenhuma); 5) em “promoção da ditadura militar à salvadores”, não há acento grave e, em lugar de “salvadores”, o certo seria “salvadora”, porque se refere à ditadura, e não aos militares; 6) a ditadura militar surgiu como reação à guerrilha e certamente foi um mal muito menor do que uma ditadura comunista, como a que os terroristas de esquerda tentavam nos impor; o resto – este papo de “salvadores do futuro sombrio” – eu deixo para todos aqueles que, como este sujeito, precisam salvar a própria inteligência das trevas esquerdistas. Boa sorte!

9) O despertar da consciência 

O. S. 

é,essa do termologia foi foda msm...

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NOTA DE RODAPÉ: Este vídeo, sim, merece ser divulgado. Marcos Palmeira, Juliana Paes e Maitê Proença têm muito a aprender com ele. Seus assessores de imprensa, também. Os alunos da CAL, do Tablado e do Wolf Maya, idem. Os feicebuquianos, principalmente. Sua exibição deveria ser diária no Projac; obrigatória na Aula 1 de qualquer cursinho de atores; e permanente na página inicial do facebook. Se todos fizessem uso habitual da resposta de Billy Bob Thornton sobre o movimento Occupy Wall Street, seríamos um país mais adulto. Desde Elvis Presley, em 1972, não se via no mundo artístico tamanha consciência. Eis, enfim, um ator que conhece o seu papel.


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