segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Sobre armas, lágrimas e parasitas

[Notas e textos publicados originalmente no facebook. Links nos títulos.]

A arma do choro [14/12/2012]

Rubem Fonseca escreveu - não sei mais onde - que secar os olhos com as mãos é coisa de fingidor: quem chora de verdade assoa o nariz. Lembro-me disso toda vez que vejo Obama enxugando lágrimas na TV, com o nariz intacto.

[Ver: http://video.foxnews.com/v/2036348319001/obama-our-hearts-are-broken-today; http://www.youtube.com/watch?v=pBK2rfZt32g]

Sua suposta emoção após o massacre na escola de Connecticut é uma arma. Uma arma pronta para ser usada pela propaganda desarmamentista de seu partido, que massacrará mais uma vez os neurônios da humanidade, refém de uma imprensa que lhe sonega todas as notícias de mortes evitadas pela posse legal de armas de fogo.

[Ver: http://www.felipemourabrasil.com.br/2011/04/pontualidade-do-nosso-atraso.html; e http://www.felipemourabrasil.com.br/2011/04/o-monopolio-das-vaginas.html]

Enquanto o país está de luto diante dos cadáveres de dezenas de crianças e uma porção de adultos (e os pais com um medo cada vez maior de deixar os filhos irem para a escola), o governo que já se autorizou a mandar matar e prender qualquer cidadão americano prepara mais uma campanha para tirar seus últimos meios de defesa contra bandidos e atiradores, sejam eles civis ou oficiais.

Este homem, senhoras e senhores, que enxuga lágrimas diante das câmeras, é o mesmo que quer isso.

Ou a humanidade se toca, ou será tarde para assoar o nariz.


A escola de Obama [15/12/2012]

Primeiro o choro, depois o pedido de "ações significativas". Isto é Obama, aproveitando-se da tragédia para provocar outras maiores ainda, desarmando a população civil. Ele sabe que funciona, como já demonstraram Hitler, Castro, Stalin, Kadafi, Mao, Pol-Pot, Kim Jang Il e demais especialistas. Sua campanha está pronta. Sempre está. (E é sempre necessário investigar se o atirador foi cooptado pelos agentes dela.) Os revolucionários não se satisfazem com a vulnerabilidade das escolas. Querem transformar o país inteiro em uma delas, infantilizando seus cidadãos.

O parasita voltou [15/12/2012]

"O Pim acredita que a paz e a harmonia entre os homens virá no momento em que a população inteira estiver armada."

Isto é um parasita semianalfabeto tentando traduzir o que eu penso, para poder me atacar com mais propriedade na minha página. Como se eu fosse louco o bastante para acreditar que ele mesmo deveria ter uma arma.

"Aí sim os assaltantes temerão o lar da sagrada família, que estará a salvo de estupradores e delinqüentes [sic]."

Isto é um parasita anticristão tirando uma conclusão caricatural de sua própria premissa. Como se o porte legal de armas, fator, sim, de dissuasão ou de possível interrupção da ação de criminosos, fosse também garantia total de "paz e harmonia"; de "salvação" da "sagrada família".

"Finalmente, todos se respeitarão, pois a iminente ameaça de ser morto a tiros por seu vizinho ou concidadão ligará o alerta moral de todos nós."

Isto é um parasita semianalfabeto tentando estender seu raciocínio desgovernado para a esfera moral, à base de um recurso literário — a ironia — que está a anos-luz de sua capacidade. Como se a possibilidade de ser morto a tiros ligasse o "alerta moral" das pessoas de bem, e não simplesmente o alerta de risco dos criminosos (aqueles tipos que fazem o que estão a fim, nem aí para a moral e as leis, sejam elas de armas ou qualquer outra coisa).

"O amor pregado por Jesus será então verdadeiro, pois, se quebrado, este que o fizer será meritoriamente assassinado por quem se sentir lesado..."

Isto é um parasita anticristão debochando do amor de Nosso Senhor Jesus Cristo (ao que só me restaria mandá-lo tomar no cu), enquanto tenta mais uma vez estender a responsabilidade dos criminosos às pessoas de bem. Como se o direito destas à legítima defesa contra aqueles significasse o direito de assassinar quem quer que "quebre" o amor pregado por Cristo. Em outras palavras: como se um criminoso fosse apenas um pecador qualquer que, assim como os demais, deveria ser morto pelos fiéis ortodoxos que se sentirem lesados por seus atos. (A propósito: com "meritoriamente", o parasita quis dizer "merecidamente"; a menos, claro, que ele veja algum mérito em ser assassinado por quem é fiel ao amor de Cristo.)

"Uma população armada é calma e pacífica. O clima é tranquilo; as ruas são pacatas."

Isto é o parasita anticristão e semianalfabeto em seu arremate generalista e caricatural, que, com pretensa ironia, mais uma vez não distingue os criminosos das pessoas de bem (o que é mesmo impossível para cabecinhas relativistas), preferindo unir todo mundo sob o nome de "população", para então induzir com mais eficácia a plateia ignorante a acreditar que uma população armada se mata mais do que uma população desarmada, isto é, que o porte legal de armas pelos cidadãos de bem aumenta o número de assassinatos, exatamente o contrário do que aconteceu em praticamente todos os estados americanos onde o porte foi permitido — e onde o clima e as ruas são, ao menos, mais tranquilos e pacatos do que antes. (Não vou indicar de novo meus textos nem a bibliografia imensa a respeito, porque é inútil apontar provas a quem não quer fazer o esforço de conhecê-las; e quem quer, obviamente, já fez.)

Que um parasita de atenção venha cavar um espacinho na página alheia para fingir que existe, é mesmo de sua natureza. Que seus miguxos venham em bando curti-lo para tentar mostrar pelo número o que não conseguem pelo raciocínio, também. Que essa gente sanguessuga não compreenda sequer o que escreve e ainda queira afetar indignação ou superioridade moral e intelectual à base de sarcasmo juvenil, igualmente. Mas que outros feicebuquianos caiam no engodo, incapazes de distinguir as elipses e manipulações de sua linguagem tosca, é prova de que o analfabetismo funcional, ao contrário do porte legal de armas, sempre reforça a delinquência.

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Felipe Moura Brasil é autor do Blog do Pim e fica constrangido de ser tão amado por parasitas que não largam do pezinho de sua página.


Manual de etiqueta virtual [17/12/2012]

Quando um parasita de atenção entrar pela enésima vez na sua página para falar mal de você, dirigir-se diretamente aos leitores que você conquistou, falsificar as suas palavras e denegrir a sua religião, faça-lhe carinho. Caso contrário, as almas sensíveis do facebook dirão, com seu peculiar senso de justiça, que a grosseria é sua.

Não ouse dissecar o discurso do parasita para alertar os não parasitas contra o engodo; nem demonstrar seu semianalfabetismo presunçoso de quem não entende o que lê, nem o que escreve, e ainda quer traduzir o que você pensa; muito menos comentar, de passagem, que, para a ofensa "em domicílio", com o agravante da heresia, só restaria mesmo - caso você ainda se dirigisse a um parasita incurável - um palavrão bem aplicado.

Não, meu caro amigo, não faça isto. Coloque a polidez acima da integridade da fé, ignorando os exemplos bíblicos. Esqueça Mateus 23, onde Jesus Cristo xinga 16 vezes os escribas e fariseus. Esqueça São Paulo, São João, São Gregório de Nazianzo, São Nicolau, São Bernardo, São Bernardino, Santa Catarina de Sena e demais santos xingadores dos "parasitas" de seu tempo, e deixe-se guiar pela afetação de escândalo sacrossanto de feicebuquianos fiéis à doutrina do politicamente correto.

Contrarie a lição de São Tomas More e conceda ao seu Lutero virtual a honra imerecida de responder suas baixezas com puras contestações eruditas. Atire na lixeira da mesa de trabalho as recomendações de São Josemaría Escrivá: "A solução é esta: primeiro, pedir a Deus por eles e desagravar; depois, ir de frente, varonilmente, e empregar 'o apostolado dos palavrões'." Não! Nem cogite tamanha desfeita. Vá de costas, delicadamente, e empregue, ao invés disso, o apostalado das boas-vindas, o repertório da complacência, o dicionário das nádegas oferecidas.

Só assim você estará excluído daquele "nós" da pergunta de São João Crisóstomo (que você tampouco precisará fazer aos seus leitores): "Se, porém, eles pelas obras profanam a fé e não se escondem, cobertos de vergonha, debaixo da terra, por que se irritam contra nós, que condenamos com palavras o que eles manifestam com ações?"

Não condene, ora! Não permita que os anjos da guarda dos parasitas, aqueles que chamam a agressão em domicílio de "discordância" ou "crítica", e a reação a ela - mesmo que descritiva - de ofensa, lamentem que alguém como você, com tantos recursos intelectuais, recorra - mesmo que por hipótese - a um expediente tal como o "apostolado dos palavrões" - mesmo que alguns dos maiores intelectuais e santos de toda a história humana tenham não apenas recorrido a ele, mas pregado a sua importância.

[Em hipótese nenhuma ouse recomendar o palavraeado dessa turma em http://advhaereses.blogspot.com.br/2010/09/xingando-com-os-santos.html e http://www.midiasemmascara.org/artigos/cultura/12262-concurso-santo-palavrao-o-premio-e-meu.html, porque os seres sensíveis poderão se escandalizar.]

Não, meu caro amigo, não permita o lamento deles, caso contrário, assim como veem ofensa onde há descrição, verão raiva onde há responsabilidade, ignorância onde há conhecimento, bitolação onde há justamente aquilo que eles - tão acomodados aos padrões de conduta de sua tribo - nunca tiveram: a abertura para o aprendizado histórico, o desejo de educar a si mesmos antes de educar os outros.

Debata respeitosamente com o parasita e eles o aplaudirão. Admirarão sua delicadeza de trato e pensamento. Terão em alta conta a sua disponibilidade para responder aos milhares de comentários e agressões subsequentes, como sempre fazem o parasita e seu bando de miguxos quando conseguem a sua atenção. É a melhor maneira de você escapar daquela censura de intolerante, "feita pelo medíocre a todos os que pensam solidamente", como descrevia o filósofo Ernest Hello. "Quem não sabe desprezar não sabe respeitar", dizia Nietzsche, mas agora, em nome do respeito, sinta-se proibido de mostrar o seu desprezo.

Eis a regra: não use armas de fogo verbais contra parasitas heréticos, nem armas de fogo reais contra terroristas e psicopatas. Desarme-se de vez, meu caro amigo - como fizeram as vítimas dos maiores ditadores genocidas sob o entusiasmo daqueles que, como hoje, não viam nisto nada de mais - e finalmente você receberá, com honras e "curtidas", o certificado de bom-mocismo feicebuquiano.

Em tempos de relativismo moral, quando o mal se torna inconcebível e o bem uma questão de delicadeza, nada mais chique do que ser um idiota.

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Felipe Moura Brasil é autor do Blog do Pim e acha muito divertido que, neste momento, parasitas de toda espécie estejam sofrendo daquela ânsia quase incontrolável de parasitar mais um pouquinho.


[Leia também: O cúmplice Niemeyer; A tolerância de Dilma.] 

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Raras exceções

[Crônica publicada originalmente no facebook - aqui.]

Se você é inteligente, você é metido, segundo os burros.

Se você é bonito, você é idiota, segundo os dragões.

Se você estuda alguma coisa, você é nerd, segundo os ignorantes.

Se você mantém um corpo atlético, você é fútil, segundo os caídos.

Se você tem pudor, você é careta, segundo os depravados.

Se você tem senso de humor, você é cafajeste, segundo os polidos.

Se você cuida da pele, você é fresco, segundo os carcomidos.

Se você cultiva a simplicidade, você é deselegante, segundo os embonecados.

Se você trabalha muito, você não curte a vida, segundo os incapazes.

Se você tem ambições acima do dinheiro, você é imaturo, segundo os dinheiristas.

É por essas e outras que eu digo:

Se existe uma minoria no país da acomodação, é a dos belos e inteligentes, atléticos e estudiosos, pudorosos e bem-humorados, bem-cuidados e simples, responsáveis e perseverantes na luta por um ideal.

Aquele seletíssimo grupo de pessoas prendadas, inquietas e sinceras consigo mesmas que têm a coragem de romper as imagens padronizadas que a cultura as convida a encarnar e, assim, buscar a perfeição, conciliando uma variedade de qualidades e valores dispersos, sem se deixarem paralisar pela caricatura que deles fazem os fingidos, sempre movidos por preconceitos bocós de tribo, preguiça inconfessada ou inveja pura.

Normalmente, as pessoas mais completas são as mais disputadas para um relacionamento sério, o que transforma boa parte delas em pessoas tremendamente enroladas, sem a menor ideia do que escolher diante de tantas opções e facilidades. Aos poucos, em vez de procurarem orientação fora do seu círculo imediato e aprenderem a nomear seus conflitos mais íntimos com as ferramentas de linguagem que o dialeto das tribos não dá, elas também vão se mediocrizando ou se acanalhando junto à massa recalcada e deixando aquele seletíssimo grupo ainda menor.

Em favor do fingimento geral, abrem mão da própria personalidade — e dão início ao processo de embarangamento físico e/ou mental.

É uma pena. Quem condensa em si mesmo os melhores elementos de uma cultura eleva a cultura pela força do exemplo. Quando essas exceções humanas são raras ou já não existem, todos se satisfazem em ser apenas um estereótipo falando mal de outro.

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Nota de rodapé: Se você é um relativista para quem “todo es igual, nada es mejor” e “cada um é feliz a seu jeito”, vá ser igual e feliz na sua página, ok?

[Ou leia isto.]

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Felipe Moura Brasil é autor do Blog do Pim e deseja que você seja melhor em 2013.

[Veja a repercussão desta crônica - aqui.]

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Veta, papai! Veta, mamãe!

[Crônica publicada originalmente no facebook - aqui.]
[Outras recentes: Corações corrompidos; Contra a cafonice; O espírito de peguete] 

Quer escrever o nome do seu galã favorito entre suspiros e coraçõezinhos, fazer montagem da imagem dele chamando você pelo celular, postar foto abraçada com ele, com o poster ou com o boneco dele, ou com os pezinhos dele na calçada da fama, e fazer da seção de comentários um salão de cabeleireiro? Ok!

Quer suspirar por ele no meio do chat ou do papo ao vivo com seus pretendentes do sexo oposto, como se fosse a coisa mais natural do mundo? Ok!

Quer pegar geral no meio da pista em todos os eventos e falar da pegação em linguagem cifrada, entre risos? Ok!

Quer dar selinho em todas as miguxas e montar um mosaico no instagram? Ok!

Só não me diga, meu bem, que você também quer namorar e casar...

Ou papai e mamãe não ensinaram que homem não confia - nem deve confiar - em mulher despudorada? (Tá sem freio? Abre a porta do carro e pula, minha filha.)

Nesses tempos anticristãos de confissões públicas, emancipação feminina, delinquência emocional e consumismo até humano, ninguém mais se dá conta da própria depravação, nem tem a menor ideia das suas consequências nas relações amorosas e familiares.

Que certas moças troquem de peguete com as miguxas como quem troca de bolsa e depois ainda analisem em conjunto - como os moços nem imaginam! - qual é melhor e maior, no todo e nas partes, na textura e na funcionalidade, aí já é prova de que chegamos ao fim da intimidade sexual, seja a própria ou a alheia.

Faz tempo que o cuidado deles em falar delas supera de longe o delas em falar deles, tanto privada quanto publicamente.

Resta saber até quando eles vão se sujeitar a isso.

De minha parte, só sei que, enquanto os cariocas se mobilizam contra a redistribuição dos royalties do petróleo gritando "Veta, Dilma!", eu me mobilizo contra o despudor generalizado das feicebuquianas (de todos os níveis sociais e educacionais) gritando:

"Veta, papai! Veta, mamãe!" Onde andam vocês, afinal?

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Felipe Moura Brasil é autor do Blog do Pim, onde já dizia seu personagem Juveninho: "Quando a mulher abandona o pudor, mais cedo ou mais tarde todo homem a abandona."

[Posts exclusivos no facebook: Felipão e o país da demeritocracia; Quanto tempo você dedica?; Israel x Hamas; Rubinho Barrichello; Sobre a saída de Mano Menezes; Luis Fernando Verissimo; Oscar Niemeyer; A discordância pública não justificada; Silicone]

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Os Brasis americanos

[Publicado originalmente no facebook - aqui.] 
[Também publicado no Mídia Sem Máscara - aqui.]

Eu tento esquecer as eleições dos EUA, mas elas não me deixam, o que posso fazer? Senão eu, quem vai informar vocês dos suspeitíssimos resultados em favor de Obama, após o término da contagem em cada estado? Arnaldinho Jabor? Jorge Pontual? Globo Online?

Das 66 zonas eleitorais da Filadélfia, Obama obteve mais de 97% dos votos em 20; 99% ou mais em 6, incluindo uma vitória por 9.955 votos a 55(!) de Mitt Romney; e, em 59(!) seções de até 1000 eleitores, Romney não obteve 1 (hum!) voto sequer. Somando essas 59, Obama chegou a 19.605 votos contra 0 (zero!) do adversário republicano.

Em algumas áreas centrais de Illinois, os totais de votos foram semelhantes aos da Filadélfia. Das 50 zonas de Chicago, Obama obteve 98% ou mais em 10; sendo 99% em 6. Em Ohio, estado decisivo na eleição, o caso foi ainda mais aberrante. Em 44 distritos de Cleveland, chegou a 99,8%. Em mais de 100 seções do Condado de Cuyahoga, Obama venceu com uma contagem superior a 99%, sendo que em mais de 50 Romney recebeu no máximo 2 (dois!) votos, incluindo as 16 onde seu nome saiu com um redondíssimo 0 (zero!). E acredite: Romney venceu em algumas seções em Cuyahoga. Isso mesmo: o candidato que ZEROU em muitas, VENCEU em outras, em áreas próximas.

Em 2 condados de Ohio - assim como em 10 do Colorado -, o número de votantes excedeu o da população com idade para votar, chegando milagrosamente a 104% e 109% do número de eleitores registrados. (Muitos votantes não só de Ohio, mas também de Nevada, Texas e Carolina do Norte reclamaram ainda que, quando selecionavam Romney nas máquinas de touch-screen, o "X" era marcado em Obama.) Isto sem contar outros 31 condados que passaram de incríveis 90%, sendo a média nacional pouco superior a 70%.

Não vou nem falar dos fiscais republicanos expulsos dos locais de votação na Filadélfia, da parede de uma seção pintada de Obama, das cédulas negadas aos militares da ativa, das doações estrangeiras ilegais à campanha democrata; muito menos repetir que o "presidente" só venceu onde não foram exigidos documentos com fotos e que ele mesmo, quando diretor do Project Vote da ACORN, empenhou-se em afrouxar as exigências, como se elas desestimulassem os votos em geral, e não os votos ilegais.

Nem ditadores como Saddam Hussein, Mahmoud Ahmadinejad e Hugo Chávez obtiveram 99% ou 100% dos votos nas urnas de seus países, como bem lembrou o radialista Rush Limbaugh, mas ninguém melhor do que Obama, lembro eu, o presidente que se autoriza por lei a mandar prender ou matar qualquer cidadão americano e que não é incomodado pelos jornalistas quando deixa morrerem quatro no exterior, representa o progresso: o progresso definitivo das ditaduras.

Enquanto a imprensa e os próprios conservadores se limitam a atribuir a reeleição do "presidente" a fatores demográficos, estratégicos, financeiros e até tecnológicos, e o Partido Republicano vai dando mais uma de PSDB em matéria de complacência masoquista, os matemáticos hão de concordar comigo: ou houve fraude em Ohio, Colorado, Illinois, Filadélfia e companhia, ou só brasileiro vota por lá.

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Nota de rodapé: As declarações de Paula Broadwell, biógrafa e amante do agora ex-diretor da CIA, David Petraeus, de que o anexo da agência no consulado em Benghazi havia sido usado como prisão secreta de dois membros de milícias líbias e que o ataque terrorista ao prédio era parte de um "esforço para resgatá-los" nem precisam ser confirmadas para que se possa tirar delas duas lições básicas, além da obviedade de que Obama tem muito mais motivos do que parece para continuar empurrando o episódio com a barriga e a lábia, mesmo após as eleições. São elas: 1) nunca conte segredos de Estado à sua amante; 2) a imprensa mundial de hoje só atenta minimamente para fatos relevantes quando eles vêm embrenhados em escândalos sexuais.

"A verdade é filha do tempo", dizia Santo Tomás de Aquino. Mas agora os tempos são outros. Para os jornalistas atuais - quando muito -, a verdade é filha do adultério.

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Felipe Moura Brasil é autor do Blog do Pim e acredita que só há um jornalismo sério no mundo: o das amantes.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Ídolos de província

[Publicado originalmente no facebook - aqui.]

Se as defesas de Espanha, Holanda e Alemanha fossem iguais à do Palmeiras [ou do Flamengo, ok], eu também veria no ataque do Fluminense uma nova Era para o futebol brasileiro e em Fred um novo Bebeto, um novo Romário.

Mas a falta de cobertura, de responsabilidade, de solidariedade, de inteligência,
de técnica de desarme - de tudo, enfim, que seria necessário para evitar o gol do adversário -, é o fator mais característico e cômico do nosso futebol, que há pelo menos 10 anos nada mais faz senão fabricar ídolos de província, tanto mais criadores de uma ilusão coletiva em relação a sua deles excepcionalidade (desfeita de 4 em 4 anos para surpresa dos provincianos) quanto mais especializados em furar defesas furadas.

Agora que a publicidade garante suas fortunas em território nacional, onde têm também garantida a bajulação da mídia, da torcida e da mulherada, bem como a tolerância com seus excessos alcoólicos e demais fanfarrices, muitos já não veem sequer motivo para arriscar a sorte na Europa, onde tantos falharam em meio a um futebol de verdade.

É o desafio pessoal reprimido em favor da segurança, do comodismo e da esbórnia brasileira, sempre com o incentivo de boa parte dos nossos jornalistas. Basta o jogador declarar amor ao clube e ao país, e pronto: transmuta-se a covardia em desapego material, o abandono dos ideais em gesto nobre de maturidade, a opção pela mediocridade em fidelidade à família, aos amigos, à torcida... à pátria! - aquela mesma que sempre decepcionam quando ela mais precisa de seus talentos desenvolvidos.

No mesmo dia em que o Fluminense ganhou o tetracampeonato brasileiro, Pelé pediu a Neymar, no Domingão do Faustão, que ficasse por aqui com a gente, "entende"? Mas que o maior jogador de todos os tempos (depois de Zico, claro) ficasse por aqui quando ainda existia futebol é coisa bem diversa de Neymar ficar pedalando nas Avenidas Brasil de times "grandes" (ou "enormes") de várzea.

O Brasil, até pouco tempo atrás, era apenas o asilo para ex-ídolos - nacionais e internacionais - já incapazes de acompanhar a qualidade e o ritmo europeus, seja pela idade, pela vida desregrada, ou pelos dois. Mas, como tudo que é Brasil sempre pode piorar, hoje qualquer jogador razoável, de qualquer idade, está satisfeitíssimo em fazer sucesso no asilo - exatamente como o playboy que pega 5 coroas no Baile das Encalhadas e acha que está abalando.

Um país que corrompe assim seus ideais de grandeza será, quando muito, um país de pernas-de-pau.

Um país, enfim, onde até o Fluminense é tetracampeão.

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Felipe Moura Brasil é autor do Blog do Pim e adora recolocar as coisas nos seus devidos lugares.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Coisas incríveis... acontecem

[Publicado originalmente no facebook - aqui e aqui.]
[Também publicado no Mídia Sem Máscara - aqui.]

Enquanto isso, no mundo encantado do Globo Online:

"Obama chora ao agradecer voluntários de sua campanha"

E não é para menos, não é?

De 104 a 140% das respectivas populações votantes de 10 condados do Colorado votaram. Isso mesmo: houve mais votos do que gente disponível. Isso que é povo engajado! http://www.redstate.com/2012/09/04/colorado-counties-have-more-voters-than-people/

"Obama chorou ao afirmar que estava orgulhoso da equipe e brincou dizendo que o grupo 'é muito melhor' em cumprir metas do que ele foi quando era ativista em Chicago."

É verdade! Obama foi muito bom em recrutar os pobres e colocá-los nas listas de previdência para fomentar a crise econômica pela qual ele responsabiliza George W. Bush. Foi muito bom também, quando diretor do Project Vote da ACORN em Chicago, em registrar - imagine! - o maior número possível de eleitores do Partido Democrata, tão legais quanto ele... - e sempre de acordo com a Estratégia Cloward-Piven, da qual se beneficia até hoje.
(Resuminhos aqui: http://traducoesessenciais.blogspot.com.br/2009/01/notas-da-traduo-1-procurei-ser-o-mximo.html; e aqui: http://www.olavodecarvalho.org/semana/090305dc.html).

Mas - que se saiba -, o "presidente" nunca chegou a 140% de si mesmo! A rigor, segundo os peritos que avaliaram sua "certidão de nascimento", nem a 100%, não é? http://www.wnd.com/2012/11/win-or-lose-obama-was-not-and-is-not-the-president/; http://www.wnd.com/files/2012/11/monckton_affidavit.pdf

"- Estou muito orgulhoso de todos vocês. O que vocês fizeram estará nos livros de História e as pessoas estudarão isso - disse o presidente, limpando lágrimas discretamente."

Os livros de história que nos aguardem! Já estamos aqui estudando o milagre da multiplicação de eleitores e a arte de ser reeleito apenas pelos condados que não exigem foto! http://www.wnd.com/2012/11/did-this-dirty-trick-get-obama-elected/

Teremos ainda um capítulo especial sobre o alívio de garantir por mais 4 anos o imenso aparato que protege o "presidente" contra as leis de seu próprio país.

"- Estou absolutamente confiante de que todos vocês irão fazer coisas incríveis em suas vidas."

Disso não resta a menor dúvida! Hugo Chávez que se cuide. Em breve, chegaremos aos 200%!

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Nota de rodapé 1: Eu não avisei - 1 mês antes - que era "democracia até demais"? http://www.facebook.com/felipe.m.brasil/posts/10151311311871874

Nota de rodapé 2: Obama limpa lágrimas quase tão "discretamente" quanto o Globo Online lhe oferece o lencinho...

Pós-escrito 1: Obama entrou na fase Lula. Agora chora de gratidão a seus militantes, enquanto, diante dos mortos pela sua omissão, não derrama uma lágrima sequer.

Dize-me por quem choras e eu te direi quem és.
 

Pós-escrito 2: Candidatura de Wallim Vasconcellos à presidência do Flamengo é impugnada porque ele não tem 5 anos ininterruptos como sócio do clube.

Barack Obama, com certidão de nascimento falsa, cartão de Social Security falso, alistamento militar falso e uma porção de eleitores com documentos falsos ou sem foto, ou sem documentos, foi reeleito presidente dos EUA.

Os adversários de Wallim, como se vê, são muito mais implacáveis que os de Obama. 

E o mundo anda tão de cabeça pra baixo que até o Flamengo aplica lei com mais rigor que os Estados Unidos.

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Felipe Moura Brasil é autor do Blog do Pim e avisa que é mais fácil o Flamengo ser campeão brasileiro que Jorge Pontual e Arnaldo Jabor darem essas notícias na TV Globama...

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Corações corrompidos

[Publicado originalmente no facebook - aqui.]

Eles querem mulheres lindas e gostosas. Elas querem homens ricos, de preferência do mercado financeiro.

Eles foram feitos para elas. Elas foram feitas para eles.

Ambos se consomem para garantir a vida de lazeres e prazeres que os seduziu desde a juventude.

Elas ganham roupas, joias, jantares, viagens, carros e apartamentos.


Eles ganham sexo e prestígio entre seus semelhantes.

Elas fingem que os amam e que eles bastam. Eles pensam que as amam e acreditam.

Nenhuma novidade. Apenas o bom e velho casamento da beleza com o dinheiro.

Cada um garantindo o passaporte para seus objetos preferidos.

E, no entanto, "cada um" é muita gente. Muito mais a cada dia.

Quanto mais o consumo e a tecnologia avançam, maior o número de deslumbrados.

Quanto mais o ambiente cultural provincianiza a mente humana, mais se estende a caipirice.

Elas já não são apenas as mulheres sem perspectiva ou iniciativa, encaminhadas até pelos pais aos bem-sucedidos.

São também as bem formadas, educadas, com emprego e capacidade de escolha.

Eles já não são apenas os idiotas endinheirados.

São também os razoavelmente inteligentes, com vivência, experiência e discernimento.

Quanto mais ambos se deixam engolfar nesse processo, menos se dão conta de estarem nele.

Cresce o fingimento. Cresce o cinismo. Vazam os desejos reprimidos.

E hoje, para o bem ou para o mal, não faltam canais por onde eles possam vazar...

O que falta em um relacionamento se encontra, mais cedo ou mais tarde, na rua, na academia, no trabalho, na internet - e se mantém via whatsapp, messenger, facebook.

O conteúdo. O senso de humor. A afinidade das almas.

A possibilidade de algo ser mais profundo, divertido e elevado do que o jogo de aparências em que se meteram, inertes.

Aparecem, então, as dúvidas. As angústias de quem, sendo ao menos capaz de conceber um amor maior, pondera se vale a pena abrir mão da conveniência em favor dele.

E, como um rolo compressor contra a inquietude, cada vez mais a conveniência vence. Seja na fidelidade à superficialidade, seja na superficialidade da traição.

Em tempos de permissividade e abundância, o luxo esmaga o espírito - e até os bons corações se corrompem.

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Felipe Moura Brasil é autor do Blog do Pim e nunca viu tanta dondoca de Louis Vitton com mauricinho de polo listrada no Rio de Janeiro.

[Veja a repercussão desta crônica - aqui.]
[Outras crônicas recentes: Contra a cafonice; Flertes virtuais]

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Os vingadores

[Publicado originalmente no facebook - aqui.]
[Publicado no Mídia Sem Máscara, em versão adaptada e mais completa, aqui.]

Se o Super-Obama tivesse feito o furacão Sandy dar meia-volta com um sopro (ao melhor estilo General Zod), já seria de uma patetice vexaminosa encobrir com 1 (hum) gesto heroico 4 anos de desastres econômicos e, digamos, diplomáticos em seu governo, incluindo as negações de socorro às vítimas do ataque terrorista em Benghazi, as duas semanas de mentiras a respeito e o acobertamento mantido para não atrapalhar a reeleição.

Mas tentar encobrir esses 4 anos pintando uma atuação espetacular contra o furacão, na última semana de campanha, quando os americanos sobreviventes passaram mais de 5 horas na fila do combustível e milhares deles, especialmente em Nova York e Nova Jersey, entraram em desespero sem água, sem energia e morrendo de frio, aí é coisa que só a imprensa esquerdista pode e sabe fazer.

"Obama foi show na reta final, diante do furacão, isso vai ajudar", escreveu o correspondente obamista da TV Globo nos EUA, Jorge Pontual, em seu diário de torcedor, digo, twitter. Obama é sempre "show" para os nossos jornalistas, mesmo quando o caos se instala dentro ou fora de seu país, deixando um rastro de vítimas fatais.

É por isso que, a cada vez que um feicebuquiano grita "Go Obama!", não consigo deixar de pensar nos gestos heroicos da imprensa brasileira, que, diariamente, faz um furacão de notícias americanas darem meia-volta com um sopro.

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Arnaldo Jabor, nada tendo a acrescentar ao nada, reutiliza hoje seu rap obamista de semanas atrás, copiando e colando uma porção de parágrafos, sem avisar ao leitor e, imagino, ao editor, se é que existe algum em O Globo.

Ok. Na verdade, ele acrescenta um ou outro trecho - o que, em seu caso, é sempre um decréscimo -, dando ao rap recauchutado o título de "Hoje é dia de rock". Por diversão, comento aqueles trechos - e somente aqueles - em que a demência ideológica tem alguma utilidade elucidativa.

1. Se Obama pediu que seus eleitores votassem por "vingança", ninguém melhor do que Arnaldinho para traduzir de quem eles se vingam: "Se Obama ganhar, (...) teremos a felicidade de ver a derrota das famílias gordinhas dos boçais da direita, os psicopatas sorridentes de dogmas, seus hambúrgueres malditos, seus churrascos nos jardins e nas cadeiras elétricas (...), tudo sob um inferno de cânticos evangélicos e música country". Eu, que não sou gordinho nem como hambúrguer, já preparei meu "sorriso de dogma", meu jardim e meus playlists do Jotta A. e da Dolly Parton para alegrar Arnaldinho. Vou ver se seu ídolo, Fidel Castro, me aluga a cadeira elétrica, já que ele sempre preferiu "el paredón".

2. Arnaldinho continua: "não veremos mais os meninos mortos voltando do Iraque como sanduíches embrulhados para viagem". É verdade (até porque Saddam Hussein está morto, graças a George W. Bush, esta "força do mal"...). Agora vemos embaixadores e oficiais mortos voltando de Benghazi embrulhadinhos para Obama, que preferiu deixá-los para trás a dar na vista que a Al-Qaeda, que ele dizia ter dizimado, ainda está a pleno vapor. Se Bush era, para Arnaldinho, a "crueldade em nome da bondade", Obama seria o quê? A "crueldade em nome da política"?

3. Não, não. No Planeta Jabor, Obama é "um homem sério e culto", "um líder capaz de se haver com a complexidade política da época atual", "uma espécie de síntese de virtudes políticas que almejamos: tolerância, inteligência contra a mentira, pela superação da guerra partidária, contra os lobbies, contra a tirania do petróleo, contra o efeito estufa". Se Arnaldinho se esforçasse só um tiquinho para justificar cada elogio com as ações correspondentes, eu até respiraria fundo para refutar um por um. Mas aí não seria Arnaldinho, não é? De modo que, muito embora tentado a comentar o item "contra o efeito estufa" como uma das "virtudes políticas que almejamos", vou me limitar, preguiçosamente, a compartilhar um videozinho que mostra um pouco deste "líder" que luta seriamente "contra a mentira"...

Vença quem vencer, todo dia é dia de desmascarar os "vingadores".

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Felipe Moura Brasil é o "psicopata" autor do Blog do Pim e, contra Obama, votaria até em Arnaldinho Jabor, com Jorge Pontual de vice.


Pós-escrito:
[Comentários publicados no facebook durante e após a apuração dos votos.]

1)

Não se comenta outra coisa nos EUA: se Mitt Romney tivesse insistido, como Felipe Moura Brasil, no assunto de Benghazi, teria vencido de lavada.

2)

Nada é mais humilhante para mentes brasileiras que a matemática das eleições americanas.

3)

Mais 4 anos de golfe na Casa Branca.

4)

Eu, Al-Qaeda e Putin estamos satisfeitíssimos com a vitória de Obama. Nosso trabalho fica bem mais fácil e divertido.

5)

Sempre que faz bem à imagem, Obama tem uma foto prontinha para divulgar.

Mal garantiu a vitória, apareceu abraçado a Michelle, com um fundo celestial. Quando Bin Laden morreu - graças a todo o investimento bélico de Bush -, Obama apareceu no Situation Room, supostamente acompanhando a operação. Quando o furacão Sandy veio em plena campanha eleitoral, apareceu lá de novo discutindo respostas. Quando 4 americanos foram mortos em Benghazi... Ah, aí não. Nada de flashes. Será que foi o fotógrafo quem faltou nesse dia?

****

Ok, ok. Ninguém quer saber se o sujeito deixou gente morrer, mentiu e empurrou o caso com a barriga para não compremeter a reeleição. Ele imposta bem a voz. Ele faz garrinha com a mão enquanto discursa. Ele mantém o queixo erguido e alterna o olhar entre ambos os lados da plateia. Obama é "show". E ainda - imagine - tem esperanças para dar e vender, como mostrou no discurso da vitória. É só confiar nele. É só confiar na imprensa. É só confiar no governo. É só esquecer os últimos 4 anos.

Os EUA têm muito a comemorar. Com sorte, Obama vem ao Rock In Rio 2013 e ainda estreia o nosso campo olímpico de golfe.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Melhor sim, e daí?

[Publicado originalmente no facebook - aqui.]

Sempre que se critica qualquer coisa no Brasil - até a cafonice patente de uma geração mentalmente anestesiada por ideais publicitários de beleza e sofisticação -, aparecem os relativistas, com pretensa fofura e ilusão de superioridade, gritando "viva as diferenças!", "não existe melhor nem pior!", "cada um é feliz como prefere!", para então saírem seguros de terem desconstruído uma crônica em dois ou três peidos verbais.

O relativismo, esta doença da alma imposta em 1968, é isso: a intolerância à distinção e à divergência, em nome da tolerância à diversidade. Equipara-se tudo que é mau, feio, falso, ordinário, vulgar e estúpido, quando não criminoso, a tudo que é bom, belo, verdadeiro, elevado, genial e sublime, quando não as próprias bases morais e intelectuais da civilização. E ai do "preconceituoso" que os diferencie e hierarquize de novo...

Neste mundinho - construído por intelectuais e professores militantes - onde o nivelamento por baixo é inevitável, não só um funk dos MCs Naldo e Marcinho têm valor idêntico à obra de Platão e Aristóteles, como a vulgaridade de uma periguete turbinada e a elegância de uma moça simples dividem o mesmo patamar estético. Tudo não passa, afinal, de uma diferença de "estilos".

Se há quem goste de ambos, por que um seria melhor do que o outro, não é mesmo? A pergunta poderia ser igual em relação a bandidos e heróis: se há quem goste de ambos - e o que não falta é "Maria Fuzil" -, por que um seria melhor do que o outro? Da mesma forma: se há quem goste de gente burra, por que os inteligentes seriam melhores?

À geração feicebuquiana, para a qual ser "curtido" é o único critério de julgamento, o fator legitimador das condutas e o máximo a que a alma humana aspira, esses "raciocínios" soam ainda mais arrebatadores. Se é verdade, pois, que ambientes virtuais libertam as mentes inquietas da manipulação da grande mídia e das instituições de ensino, também o é que acentua em mentes escravas o que elas têm de pior: a carência afetiva, o pavor do isolamento, a busca da aprovação, a afetação de bom mocismo.

Em nome da "felicidade" alheia - que nada tem a ver com a história -, algumas menininhas saem em defesa de padrões estéticos que rebaixam até a maneira como elas mesmas são vistas pelos homens. (Ou será moralismo dizer que a proliferação das periguetes contribui para a visão da mulher como um objeto descartável, para mero usufruto sexual?)

Longe de mim julgar o caráter ou a honra de alguém pelas roupas que veste, mas, como dizia Leonardo Da Vinci, "a simplicidade é o último grau de sofisticação"; e, quando a sociedade perde de vista este grau ou, mais grave ainda, a própria noção da existência de graus, é porque o fingimento pomposo - independentemente do jeito peculiar de cada um - já assumiu o seu posto, criando essas monstruosidades, vulgares ou não, que a gente vê em bares, festinhas e álbuns, tanto mais cafonas quanto mais dividem o estojo de maquiagem com as miguxas.

É dever do escritor dizer, a seu modo, que as moças podem e devem ser muito melhores do que isso.

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Felipe Moura Brasil é autor do Blog do Pim e, como todo homem, também precisa proteger as mulheres de si mesmas.

[Veja a repercussão deste artigo - aqui.]

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Contra a cafonice

[Crônica publicada originalmente no facebook - aqui.]

Benditas sejam as moças de vestido sem brilhos, ombreiras e tantos babados; sem cintos de couro, barbante, metal, muito menos fivela; e jamais embaladas a vácuo, pois que a sensualidade está no detalhe do tecido que roça o corpo em movimento, nunca no grude integral ao corpo estático.

Benditas sejam as moças de calça jeans e blusinha branca ou preta, sempre básicas por ruas e bares - como aliás pedem as ruas e os bares, seja nas calçadas da Pavuna ou do Leblon -, e quiçá de alcinha, como quem dá de ombros aos excessos da moda e leva o sorriso à frente da roupa.

Benditas sejam as moças que não saem para tomar um chopinho como quem vai para um casamento, e nem vão para um casamento como quem vai para um Halloween.

Benditas sejam as moças capazes de colocar um shortinho e um par de sandálias, e descer em 5 minutos se o homem diz que está passando na portaria, conscientes de que nada é mais elegante que uma mulher despojada e segura de si.

Benditas sejam as moças atléticas, que, ao se vestirem, buscam mais suavizar seus atributos - para fugir à vulgaridade das periguetes turbinadas - do que ocultar seus defeitos - pendurando a saia nos seios, por exemplo, para encobrir a bunda faltante - e ainda dispensam a mão na cintura para tapar o pneuzinho no álbum de fotos.

Benditas sejam as moças aptas a andar e sambar de salto, porque é o samba que dá a medida - mesmo que a ocasião não obrigue ao samba - da altura que uma mulher pode ter.

Benditas sejam as moças que se sabem bonitas, pois nada é mais feio que uma moça bonita que tenta, à força de maquiagens e demais pilantragens, ser aquilo que, sem elas, já é.

Benditas sejam as moças de bolsas funcionais e discretas, daquelas que jamais atrapalham o abraço, nem substituem a lanterna em caso de apagão.

Benditas sejam as moças leves e práticas, que não se deixam transformar em bonecas russas ou árvores de Natal, daquelas que, de tantas camadas (de peças e cosméticos) e enfeites (como colares, pulseiras, braceletes, brincos, pingentes e anéis), um homem precisaria de dois ou três Dias de Reis para desmontar.

Benditas sejam as moças curiosas, inquietas e interessadas, que enxergam além das próprias mães e miguxas, sabendo que o senso estético vem do berço e do ambiente, mas, como tudo o mais, pode ser desenvolvido com a ampliação do imaginário e a elevação do espírito, através de um conhecimento que não é servido no Open Bar.

Benditas sejam as duas ou três moças que sobraram por aí, imunes ao império da cafonice não (só) pela sorte de terem tido bons exemplos ao seu redor, mas (também) porque, diante do acesso ilimitado aos bens de consumo, conservam o desejo quase extinto de ser muito mais do que os prazeres e lazeres que podem gozar ou consumir.

Benditas sejam as moças que são.

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Felipe Moura Brasil é autor do Blog do Pim e nunca viu tantas "árvores de Natal" no Rio de Janeiro.

[Veja a repercussão desta crônica - aqui.]
[Leia também a crônica da azaração na internet - Flertes virtuais]

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Garibaldo e Funga-Funga

[Publicado originalmente no facebook - aqui.] 
[Também publicado no site Mídia Sem Máscara - aqui.]

Notícia do dia 24 de outubro no Globo Online:

"Em apenas 48 horas, Obama estrela eventos em oito estados". Isso mesmo: "estrela eventos". Um popstar. Na foto, "Obama sorri diante de eleitora vestida de Garibaldo, de ‘Vila Sésamo’".

Notícia do dia 24 de outubro nos Estados Unidos:

E-mails mostram que governo Obama foi informado do ataque terrorista em Benghazi (e do grupo responsável por ele) ainda durante o ataque, não tomou atitude alguma para salvar vidas e depois mentiu a respeito.

Isso mesmo: Barack Obama deixou americanos serem mortos. Isso mesmo: culpou um vídeo do YouTube por mais de uma semana, mesmo sabendo qual era o grupo responsável. Sim: prendeu o autor do vídeo.

Quer mais detalhes? Ok.

Duas horas após o início do ataque terrorista, a Casa Branca foi informada por e-mail do que estava acontecendo. O ataque durou 7 horas. Os EUA dispõem de tropas - na Itália, por exemplo - capazes de chegar ao local em até 1 hora. Dois dos americanos mortos foram assassinados nas horas finais do ataque. O governo Obama poderia tê-los salvo. Por incompetência ou por colocar a política à frente da defesa, nada fez.

No terceiro e último debate, Mitt Romney criticou Obama pelo estado atual da Marinha, cujo número de navios foi reduzido, comprometendo a segurança da população. Obama o ironizou, dizendo que a Marinha também tem hoje menos cavalos e baionetas, e nem por isso está mais fraca. "Nós temos essas coisas chamadas porta-aviões, onde os aviões pousam. Temos esses navios que vão por debaixo d'água, os submarinos nucleares." Provocou risos entre muitas criancinhas, embora não entre os oficiais das Forças Armadas, não só porque ainda usam 419.155 baionetas no Exército e 195.334 na Marinha, como também porque Obama cortou US$ 400 bilhões em gastos do setor, que, se nos tempos de Eisenhower a Lyndon Johnson foram de 10% do PIB, hoje não passam de 4,7%.

Mesmo assim, de fato, "nós temos essas coisas chamadas porta-aviões", de onde aviões americanos podiam ter decolado para dar uma ajudinha aos diplomatas da embaixada em Benghazi e onde os aviões - imagine - podiam ter pousado em seguida, com os pilotos comemorando o fato de não estarem mais montados em seus cavalos.

Assim como você e eu faríamos, no entanto, o governo Obama não deu a menor pelota para o e-mail com o assunto "Benghazi Shelter Location Under Attack CBU". Talvez até o tenha marcado com uma estrelinha para ler depois da novela. Quer dizer: é como se o Batman não atendesse ao holofote ou ao telefone vermelho por ter mais o que fazer na Bat-Caverna. Com a diferença, claro, de que você, eu e o Batman não fomos eleitos nem somos pagos para ler os e-mails mais aborrecidos e tomar as devidas providências imediatas.

Que um governo assistencialista até a medula coloque a culpa do déficit público nos gastos militares, mesmo quando reduzidos percentualmente a menos da metade de outras épocas, é compreensível (e Arnaldinho Jabor que o diga). Que, para isso, tenha de fingir que ataques terroristas, quando muito, são coisas que dão e passam como um resfriado, sem deixar maiores sequelas, também. Que a imprensa mundial encubra a consequência mortal da política islâmica, digo, externa de Obama e continue culpando os investimentos bélicos de George W. Bush pela crise da economia, mais ainda.

Mas que você, leitor, acredite mais nas ironias e afetações de superioridade de Obama do que nos fatos e documentos sempre ocultados por Globo Online e companhia, aí já é um sinal de que nunca assistiu à Vila Sésamo.

Isso mesmo: se o tamanduá Funga-Funga é o amigo imaginário do pássaro Garibaldo, a estrela de eventos Barack Obama só pode ser o Funga-Funga da imprensa.

Com a diferença, claro, de que Funga-Funga fica deprimido quando os adultos não acreditam, digamos, na pessoa dele; Obama, mais esperto, fica irônico.

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Nota de rodapé 1: Donald Trump ofereceu US$ 5 milhões para a instituição de caridade que Obama escolher, caso ele traga a público seu histórico escolar e seu passaporte. Como Obama reagiu? Ironizou Trump, claro: "Isso tudo começou quando estávamos crescendo no Quênia. Tínhamos constantes disputas no futebol, ele não era muito bom e ficava ressentido. Quando finalmente nos mudamos para os EUA, achei que isto teria acabado." Por que Obama fez isso? Porque não pode mostrar seus documentos. Se mostrar, terá de responder: 1) como entrou na Indonésia quando o ingresso de americanos era proibido - ou seja: terá de explicar se tem outra nacionalidade ou dupla nacionalidade, estando em ambos os casos impedido de ser presidente dos EUA; 2) como ganhou a bolsa Fulbright para alunos estrangeiros no Occidental College - ou seja: terá de explicar se é estrangeiro ou se falsificou o documento para ganhar a bolsa.

Em todo caso, não perca no Globo Online de 25 de outubro:
"Trump e eu crescemos juntos no Quênia, brinca Obama".

Nota de rodapé 2: "The nation - ME"... Assim disse Obama, em seu momento Luís XIV ("O estado sou eu") no último debate, deixando escapar quem afinal Funga-Funga pensa que é.

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Pós-escrito no facebook - AQUI.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

A "mãe" de Obama

[Publicado originalmente no facebook - aqui.] 
[Também publicado no site Mídia Sem Máscara - aqui.]

No primeiro debate, Obama estava sem o papai-teleprompter e a mamãe-imprensa. No segundo, o papai ficou em casa, mas a mamãe veio, de mamadeira e tudo.

Seu nome: Candy Crowley. Emprego: jornalista da CNN. Função (teoricamente) no debate: moderadora. Vamos entender o que ela aprontou? Vamos!

O assunto da vez era o ataque ao consulado dos EUA em Benghazi, na Líbia, que resultou na morte de 4 americanos - incluindo o embaixador Christopher Stevens -, para os quais o governo Obama não fornecera o reforço de segurança solicitado.

Obama disse a Romney: "No dia seguinte ao ataque, governador, eu estive em Rose Garden, e eu disse ao povo americano e ao mundo que nós iríamos descobrir exatamente o que aconteceu, que este foi um ato de terror."

Romney perguntou se Obama estava mesmo afirmando que, no dia seguinte, chamou o ataque de "ato de terror", o que, na verdade, ele e sua equipe (Hillary Clinton, Susan Rice, Jay Carney e companhia) demoraram 14 dias para fazer, preferindo antes culpar um vídeo crítico ao profeta Maomé no YouTube e prender o seu autor. (No Planeta Obama, não repare, um vídeo "hediondo" e "ofensivo" justifica um ataque homicida.)

E agora? Quem poderia defender o Obaminha, flagrado na mentira em rede internacional? Mamãe Crowley, claro. Num ato de terror jornalístico, ela confirmou que ele chamara sim de terrorismo, naquele dia, o ataque em Benghazi.

"Pegue a transcrição", disse Obama. E tchurum: Crowley sacou a transcrição de debaixo da mesa. Isso mesmo: a transcrição do discurso estava lá, prontinha para atender ao chamado, ainda que não necessariamente para ser lida.

(Lembra quando Tom Cruise usou a simples presença no tribunal de dois oficiais de uma base aérea para pressionar Jack Nicholson em "Questão de honra" e depois admitiu a Kevin Bacon que eles nada teriam a dizer? Pois é.)

Qualquer ser alfabetizado que leia a transcrição verá que Obama falou em terrorismo uma única vez, em termos genéricos, quando lembrava também o 11 de setembro:

"Nenhum ato de terror vai jamais abalar a determinação desta grande nação" e blá-blá-blá.

Dizer que isto é o mesmo que chamar especificamente o ataque em Benghazi de "ato de terror" é como dizer que chamei Obama de Tom Cruise neste texto, só porque o nome está ali em cima.

Mamãe Crowley, depois do debate, ainda tentou explicar sua intervenção em favor do presidente como "uma coisa natural que saiu", dizendo que só queria seguir adiante, como se o assunto já tivesse rendido o bastante, e que ela mesma falou na hora que Romney estava certo na maior parte, apenas achou que ele escolhera as palavras erradas (o Jabor, imagino, deve saber que palavras foram essas). Nada grave, em suma. Só um obamismo natural...

Que mal há em evitar o vexame de Obaminha quando está todo mundo olhando e alinhavar umas desculpas sonsas quando a maioria já voltou à vida normal? Isso aí rende até prêmio na mídia esquerdista. No Brasil, Candy Crowley ganharia uma coluna semanal e já estaria cogitada para uma vaga na ABL.

Nem Hillary Clinton assumindo a responsabilidade pela segurança em Benghazi botou a mão, digamos, no fogo por Obama tão prontamente quanto ela.

O presidente pode ficar tranquilo. O que não falta é gente para limpar a sua, digamos, barra quando ele expõe a sua obra de 4 anos no governo dos EUA e grita por telepatia:

"Manhêêê! Cabei!"

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Nota de rodapé 1: Que Obama se saia melhor (do que ele mesmo, diga-se) num debate de respostas ao público do que em outro de confronto direto com o adversário (elevando o tom e a veemência após ser tido como apático), é algo evidente e previsível. Que a imprensa esquerdista veja nisso uma vitória dele sobre Romney, também. Mas que ela ignore que, quando confrontado, Obama precisou de uma ajudinha materna na mentira, aí... é "uma coisa natural".

Nota de rodapé 2: Fazer-se de ofendido quando criticado por omissões que resultaram em mortes comove muita criancinha. Mas o luto pessoal não pode jamais camuflar a irresponsabilidade de um presidente.

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Felipe Moura Brasil é autor do Blog do Pim e recomenda Candy Crowley para o Globo Online, o site oficial de Obama no país.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Mais um rap do Arnaldinho

[Publicado originalmente no facebook - aqui.]
[Também publicado no site Mídia Sem Máscara - aqui.]

Arnaldo Jabor, o rapper do colunismo, publicou no Globo de terça-feira, 16 de outubro de 2012, mais um rap digno do Prêmio Militante Juvenil (ou Mirim) internacional. Desiludido com o PT, ele precisa de uma esquerda para chamar de sua e uma direita imaginária para xingar à vontade. Por isso adora os Estados Obâmicos Unidos.

Tio Pim seleciona as considerações mais relevantes do "texto" - e pede ao menino de 71 anos que se explique, embora saiba que, na imprensa brasileira, qualquer um escreve o que quer.

1 - Barack Obama perdeu o primeiro debate porque acreditou, ingenuamente, que "ideias verdadeiras impressionam os eleitores americanos".

TIO PIM: Quais "ideias verdadeiras"?

2 - Mitt Romney ganhou porque soube mentir "para os 60 milhões de imbecis que elegeram o Bush".

TIO PIM: Quais foram as mentiras?

3 - Mitt Romney tem uma equipe de "fascistas inteligentíssimos, como Karl Rove".

TIO PIM: Qual é a relação de Karl Rove com o fascismo? Por que o termo se aplica?

4 - Osama Bin Laden levou os republicanos a provocar a crise mundial da economia, saindo-se, de certo modo, vencedor.

TIO PIM: Qual é a sequência de ações individuais e grupais que produziram esse efeito? Quais documentos a comprovam? O aluno Arnaldinho leu o livro "Rules for radicals", do mentor de Barack Obama, Saul Alinsky, publicado em 1971, mas cujas ideias já vinham influenciando toda uma geração de militantes revolucionários? Leu o documento dos estrategistas de esquerda Richard A. Cloward e Frances Fox Piven, publicado em 2 de maio de 1966, que, inspirado em Alinsky, ensinava como produzir "uma profunda crise financeira e política" através de "um esforço maciço para recrutar os pobres e colocá-los nas listas de previdência", exatamente como o grupo de ativistas de Obama veio a fazer?

5 - Os republicanos "negam a existência do século XX, da ciência, da arte, da política, da filosofia. Negam Marx, Freud, Picasso, renegam Darwin e seus macacos".

TIO PIM: Quais declarações de republicanos evidenciam tal "negação"? O que significa, por exemplo, "negar o século XX"? Apontar o extermínio de 200 milhões de pessoas nos regimes comunistas? O que significa "negar Marx"? Apontar a consequência prática de suas ideias? O que significa "renegar Darwin"? Citar o próprio Darwin quando ele celebra a liquidação sistemática de povos inteiros?: "Olhando o mundo numa data não muito distante, que incontável número de raças inferiores terá sido eliminado pelas raças civilizadas mais altas!" Lindo, não?

6 - Os republicanos "são contra todas as conquistas do pensamento contemporâneo: contra a sexualidade antes do casamento, o aborto, o homossexualismo".

TIO PIM: O homossexualismo foi uma conquista do pensamento contemporâneo, Arnaldinho? E o que significa para você "ser contra" alguma coisa? Proibi-la e não estimulá-la - sobretudo entre crianças -, por exemplo, é tudo igualmente "ser contra"? Há mais coisas entre o Céu e a terra do que ser contra e a favor supõe?

7 - Para o individualismo americano, "os pobres são vagabundos que fracassaram na vida".

TIO PIM: Quem é esta pessoa malvada chamada "o individualismo americano", que tem esta visão alucinada dos pobres? Quais declarações deste sr. Individualismo evidenciam isso? Oferecer oportunidades aos pobres (para que fiquem - imagine, Arnaldinho - ricos!) em vez de torná-los eternamente dependentes do Estado para o governante tirar proveito eleitoral disso é o mesmo que chamá-los de vagabundos fracassados?

8 - Se Romney for eleito, voltará "uma máquina que paralisa o presente num passado eterno, para impedir um futuro que lhes fuja do controle".

TIO PIM: Que máquina é esta, Arnaldinho? O Delorean?

9 - "Os republicanos não têm mais nada a aprender; eles moram na certeza, na eternidade, exatamente como os suicidas de Osama."

TIO PIM: Entender o presente e o passado para evitar as desgraças confirmadas pela experiência é não ter mais nada a aprender? Mais do que isso: é o mesmo que exterminar americanos inocentes para impor o seu fanatismo ao mundo? O que significa "aprender" para você, Arnaldinho? Recusar a certeza sobre o passado conhecido em nome da dúvida sobre o futuro hipotético?

10 - "Como os islamitas, o grande desejo" dos republicanos "é a cultura da morte, a destruição de todas as conquistas progressistas dos anos 1960 e 70: liberdade, antirracismo, direitos civis".

TIO PIM: Liberdade foi uma conquista progressista, Arnaldinho? Qual é o capítulo do seu livro de história que mostra isso, hein?

11 - O Islã jamais aceitará a globalização e o indivíduo, e o Ocidente está cada vez mais perto do irracionalismo e da vingança.

TIO PIM: A legítima defesa e a autopreservação são irracionais, Arnaldinho? São gestos de "vingança"? Os americanos devem negociar com aqueles que os exterminam? Nada de matar quem nos mata! Vamos só morrer! Senão Arnaldinho fica bravo. É isso? E qual seria a solução? A revolução islâmica dentro dos EUA, sob comando de Barack Hussein Obama?

12 - Se Romney for eleito, "os filhotes de Bush terão completado a obra de sua anomalia mental feita de fanatismo religioso, complexo de Édipo e rancor contra as 'elite' que sempre o desprezou".

TIO PIM: Fanatismo de qual religião? Romney é mórmon. Onde está o complexo de Édipo, doutor? E rancor contra as "elite" não é exatamente a base de todo o marxismo que você adora?

Ok. Tio Pim entendeu tudo. Se Romney for eleito, o mundo está acabado. Os republicanos malvados vão acabar com o sexo livre, o aborto, vão promover ataques suicidas a torto e a direito contra gays, negros e aquela gente inocente da Al-Qaeda que só quer matar em paz. Será o fim de todos os prazeres progressistas.

Boa, Arnaldinho. Vai ganhar um 3,5 no boletim.

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Felipe Moura Brasil é autor do Blog do Pim e já avaliou outros raps de Arnaldinho em artigos como O demônio favorito de Arnaldo Jabor e Das metáforas de Jabor.

Sonetinho a três

[Publicado originalmente no facebook - aqui.]

Quando o escritor em mim se recupera
Da análise de temas atuais,
É o poeta que em vão se desespera
Como se dele eu nem lembrasse mais.

Poucas coisas lhe são tão infernais
Quanto a prosa que logo se apodera
Das paixões e questões sentimentais
Por cujo monopólio ele se esmera.

Despreza no analista a mira estreita;
No escritor, a extensão e a voz afeita
Muito mais à razão que aos sentimentos.

"É poeta, pudera! Tem rancores!",
Justificam em verso os prosadores
No tumulto mental dos meus talentos.

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Felipe Moura Brasil é autor do Blog do Pim, onde suas vozes de poeta, escritor e analista político e cultural convivem em perfeita loucura.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

A nudez de Obama

[Publicado originalmente no facebook — aqui.]
[Também publicado no site Mídia Sem Máscara - aqui.]

Tire o papai-teleprompter. Tire a mamãe-imprensa. Coloque um adversário preparado. Pronto. Você acaba de descobrir quem é Barack Obama.

Foi assim no debate da semana passada. Um massacre de Mitt Romney. Os americanos viram: 67% deram a vitória ao candidato republicano no levantamento da CNN. De 8 pontos atrás nas pesquisas, Romney passou para 4 à frente, segundo o Pew Research Center.

Vale a pena assistir no YouTube. Depois de 4 anos, o presidente mais superprotegido da história universal — aquele que fomenta a crise econômica para tirar dela o proveito político, deixando 63 milhões de americanos dependentes da ajuda governamental — finalmente ficou nu.

Não podendo gritar "Racista!", "Homofóbico!" e "Matador de velhinha!", como fazem seus propagandistas, teve de distorcer as propostas do adversário com a sonsice impostada e robótica que lhe fez a fama.

Atribuiu-lhe um plano de cortar US$ 5 trilhões de impostos e, mesmo desmentido, insistiu na mentira, levando Romney a dar uma resposta para a posteridade:

"Mr. President, you're entitled, as the president, to your own airplane and to your own house, but not to your own facts."
(Sr. Presidente, você tem direito, como presidente, ao seu próprio avião e à sua própria casa, mas não aos seus próprios fatos.)

Atribuiu-lhe, também, a redução dos impostos pagos pelos americanos de alta renda e, mesmo desmentido, insistiu mais uma vez na mentira, levando Romney a dar mais uma resposta para a posteridade:

"Look, I got five boys. I'm used to people saying something that's not always true, but just keep on repeating it and ultimately hoping I'll believe it — but that is not the case, all right?"
(Olha, eu tenho cinco filhos. Estou acostumado com pessoas dizendo algo que nem sempre é verdade, mas que simplesmente continuam repetindo e, finalmente, esperando que eu vá acreditar — mas não é o caso, certo?)

All right. Certo. Mas agora, caindo nas pesquisas, o que Obama está fazendo?

Em primeiro lugar, o que não fez no debate: piadinhas — como, por exemplo, a do pássaro Garibaldo, da Vila Sésamo, que seria "demitido" por Romney, disposto a cancelar a verba destinada ao canal público PBS para cortar gastos do governo.

[Isto, aliás, me lembrou outro seriado. No episódio "The Comeback", de Seinfeld, o barrigudinho careca George Costanza só consegue pensar em uma boa resposta à provocação de um colega de trabalho muito depois da reunião, de modo que passa dias obcecado pela oportunidade de "dar o troco". Obama é o George Costanza do debate eleitoral. No dia seguinte, tem sempre pronta a piadinha que não veio na hora. (Com a diferença, claro, de que George ao menos a pensou sozinho.) Imagino como está ansioso para "dar o troco" no dia 16.]

Em segundo lugar — agora de longe, como prefere — Obama está insistindo novamente na mentira, como se o Mitt Romney do debate não tivesse sido o mesmo Mitt Romney da campanha — o que, de certo modo, é verdade. Romney estava muito melhor.

Obama, por outro lado, era exatamente o mesmo. Sempre foi assim. Falsifica as ideias do adversário com a mesma naturalidade com que falsificou seus próprios documentos.

Só que, dessa vez, estava sem papai e mamãe.

*****

Nota de rodapé 1: Al Gore, em seu momento Dunga, culpou a altitude de Denver pelo mau desempenho de Obama. É a primeira vez, sem dúvida, que o Messias têm problemas com as alturas.

Nota de rodapé 2: A Venezuela chegou ao fundo do poço. Os Estados Unidos, ainda não.

*****

Felipe Moura Brasil é autor do Blog do Pim e se diverte com a decepção da imprensa esquerdista — uma espécie mais antiga de facebook — diante do verdadeiro Barack Obama.

Pós-escrito de 11/10/2012:

Na Venezuela, o fiscal do partido de Chávez vota junto com o eleitor: http://oglobo.globo.com/mundo/como-se-vota-na-venezuela-6361244

Nos EUA, os funcionários de Obama ajudam o eleitor a votar 2 vezes: http://www.projectveritas.com/node/147

Lula - criador do Foro de São Paulo, a entidade que comanda a revolução continental - estava certo:

É "democracia até demais".

domingo, 30 de setembro de 2012

Mais um roedor da glória

[Publicado originalmente no facebook - aqui.]
[E no blog do Reinaldo Azevedo, na Veja.com - aqui. Sempre uma honra.]

Se você ainda se espanta quando mentem a seu respeito, distorcem suas palavras, insinuam intenções ocultas nas suas atitudes e reduzem o seu trabalho àquilo que gostariam que ele fosse só para poder falar mal com mais propriedade, chegou a hora de você conhecer os professores dessas pessoas. Aqueles que inoculam no ambiente cultural os vícios que as alimentam.

O mais novo deles é Bernardo Mello Franco, jornalista da Folha de S. Paulo que, sob o pretexto de resenhar o livro “O País dos Petralhas II: O inimigo agora é o mesmo”, de Reinaldo Azevedo, acabou fazendo uma brilhante resenha de suas próprias qualidades morais. Eu as descreveria aqui se o argentino José Ingenieros já não as tivesse descrito no emblemático livro “O homem medíocre”:
“O verdadeiro crítico enriquece as obras que estuda e, em tudo o que toca, deixa um rastro de sua personalidade. Os criticastros, que são, por instinto, inimigos da obra, desejam diminuí-la, pela simples razão de que eles não a escreveram. (…) Têm as mãos travadas por fitas métricas; seu afã de medir os outros corresponde ao sonho de rebaixá-los até a sua própria medida. (…) Quando um grande escritor é erudito, reprovam-no como falto de originalidade; se não o é, apressam-se a culpá-lo de ignorância. Se emprega um raciocínio que outros usaram, denominam-no plagiário, embora assinale as fontes da sua sabedoria; se omite a assinalação, acusam-no, por serem vulgares, de improbidade. Em tudo encontram motivo para maldizer e invejar, revelando a sua antipatia interna.”
No Brasil, se um verdadeiro crítico, como Reinaldo Azevedo, responde a seus detratores, os “criticastros”, como Bernardo Mello Franco, reprovam-no pelas “balas” de um “fuzil sem piedade”. Se é implacável em seus argumentos, condenam seus “insultos”. Se escreve sobre os mais variados temas, apressam-se a culpá-lo de motivações eleitorais. Se analisa a fala de um ministro da Educação quando ainda ministro da Educação, apontam seu apoio ao adversário do ex-ministro na campanha atual por uma prefeitura. “Em tudo encontram motivo para maldizer e invejar, revelando a sua antipatia interna” — condição sine qua non, aliás, para a ideológica, partidária ou de aluguel.

Bernardo Mello Franco é um inimigo da obra “O País dos Petralhas II” e tentou rebaixá-la, bem como ao autor, até a sua própria medida. Esse rebaixamento encontra eco em corações ressentidos do talento alheio, renovando a cultura da inveja e da maledicência, já tão tradicional no país. É por isso que o desgosto dos “roedores da glória”, como também os chamava José Ingenieros, é sempre o maior elogio que alguém pode receber. Ninguém precisaria enganar o público para falar mal de uma obra ruim.

Leiam Reinaldo Azevedo, senhores! Bernardo Mello Franco não gostou.

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Abaixo, o convite para o lançamento no Rio. Estarei lá.



quarta-feira, 5 de setembro de 2012

A praia de Freixo

Uma introdução a outras leituras...
[Publicado originalmente no facebook - aqui.]
[E, para minha imensa honra, no blog do Reinaldo Azevedo, na Veja.com - aqui.]

Se você não faz a menor ideia do que é o socialismo, faça como os feicebuquianos: escolha um candidato socialista.

Você será bem-vindo no grupo dos descolados, recebido com tapinhas (em todos os sentidos) no Posto 9 de Ipanema, e ainda poderá assistir ao marinista Caetano Veloso e ao petista Chico Buarque juntos - o que é o mesmo que... o mesmo.

Se você não sabe qual partido levou São Paulo ao caos com a greve do metrô, se não conhece seu desapego às instituições, nem seus ídolos, muito menos a ficha de seu fundador Achille Lollo na Itália; ou se acha que um candidato está livre de seguir o partido, aproveite.

Este é aquele grande momento em que você pode se sentir mais engajado, mais "cidadão", mais Wagner Moura!, mais aliviado do sentimento de culpa de ser rico num país de pobres - que precisam de um apoio inteligente e embasado como o seu.

É hora de você mostrar que tem a cultura vasta de 1 (hum) filme (!), que você compreendeu sua mensagem política subliminar, e sabe quem é aquele personagem heroico na vida real, como sabia onde estava o Geninho no desenho da She-Ra.

Você aprendeu que de nada vale ser incorruptível se o "sistema" não funciona, então eis a sua chance de mudar o "sistema", e transferir de vez ao Estado as suas obrigações morais, em nome da sua própria liberdade.

Vote em um candidato que se recusa a fazer "alianças espúrias", limitando-se a receber apenas o apoio do Partido Comunista (!) Brasileiro e de gente de alto calibre como Leonardo Boff e Frei Betto, cujos méritos Fidel Castro não hesitaria em exaltar.

Seja um jovem indignado, um playboy engajado, um artista militante, e ajude este "novo" herói socialista de Ipanema e Leblon a disseminar a "esperança" e fazer a sua "Primavera Árabe", como ele disse, na campanha eleitoral do Rio de Janeiro.

Se você não sabe o que é, nem em que resultou até agora a Primavera Árabe, este é mesmo o seu candidato.

O candidato da moda.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

O clubinho dos socioditadores

[Também publicado no Mídia Sem Máscara, com meu Soneto do estudante sério.]

Quando um presidente que transgride a lei é destituído com base na Constituição, como Fernando Lugo no Paraguai ou Manuel Zelaya em Honduras, aqueles tão ou mais transgressores em seus países saem logo em sua defesa, vociferando contra o “golpe” e aplicando sanções.

É um show de ataque histérico preventivo, com o objetivo declarado de desencorajar ações do gênero no continente. O lema é: “Se eu faço o mesmo que ele por aqui, melhor defendê-lo lá, para evitar que façam comigo o que fizeram com ele.”

A manifestação de lealdade entre os transgressores da lei, principalmente quando agentes de uma mesma ideologia ou estratégia de poder continental, é, senão maior, mais imediata que a dos homens comuns, porque os primeiros, justamente em função do medo constante de serem pegos, têm um ímpeto de autopreservação muito mais alerta do que os segundos ante qualquer ameaça, por menor e mais indireta que seja.

Dilma, Correa, Morales, Kirchner e Chávez (que cortou o fornecimento de petróleo ao Paraguai) não precisaram ler aquele célebre poema do pastor Martin Niemöller para sair em defesa de cada vizinho antes que eles mesmos sejam levados pelas forças inimigas. Reconhecem à distância um risco às suas transgressões, porque sabem que seus inimigos são os reacionários que ignoram a imunidade ou o direito à impunidade que eles se arrogam, com a cumplicidade da imprensa sonsa ou de aluguel.

Nas Américas, Congresso bom é o comprado, e Judiciário bom é o que leva pelo menos 7 anos para julgar, como mostra o mensalão; de modo que, quando um amador como Lugo permite uma derrota tão rápida e fulminante (por 39 votos a 4 no Senado), os companheiros profissionais ficam enfurecidos, porque não dá nem tempo de enviar Lula para trocar uma palavrinha com os juízes responsáveis...

O continente é hoje um clubinho de socioditadores esquerdistas, dispostos, de todo modo, a retaliar, com bola preta no Mercosul e na Unasul, os países onde sua liderança criminosa esbarra na coragem de uns poucos vigilantes. Acusando-os de não darem a Lugo o direito de defesa (como se a celeridade do processo de impeachment, prevista na Constituição paraguaia, fosse prova de golpismo) e, ao mesmo tempo, negando-lhes este mesmo direito, eles seguem à risca, pela enésima vez, a máxima de Lênin: “Xingue-os do que você é, acuse-os do que você faz.”

O Brasil petista só respeita uma soberania: a ideológica - e não se mete em assuntos internos de outros países, desde que sejam países parceiros, claro. Não reclama de “ruptura democrática” nos pescoços dos homossexuais enforcados e exibidos em guindastes pelo governo do Irã, nem de “golpe de Estado” nas eleições fraudadas por Ahmadinejad; nem de “precedente perigoso” quando Correa e Chávez prendem, multam e exilam os jornalistas independentes do Equador e da Venezuela, fechando canais de TV; muito menos cobra “o devido processo legal” quando os irmãos Castro prendem dissidentes, deixam morrerem de fome, ou mandam fuzilar os que tentam fugir de sua ilha. (Ao contrário, dá a Raúl mais US$ 523 milhões em linha especial de crédito, elevando o financiamento brasileiro a Cuba para US$ 1,37 bilhão.)

Mas ai do Paraguaizinho, ai dele!, que ousa reagir depois que os sem-terra locais, vulgo carperos, protegidos pelo presidente, matam 7 policiais e 10 camponeses... Aí, pouco importa se os “compañero” infernizavam e expulsavam de sítios e fazendas até produtores rurais brasileiros, vulgo “brasiguaios”, com invasões e quebra-quebras - que Dilma, informada há muito tempo, preferiu ignorar -, e menos ainda se estes apoiam, aliviados, o novo governo. A regra petista é clara: ninguém tem o direito de interromper um massacre, nem aqui nem no Iraque.

Aqui, a não ser pela intervenção de uma oposição imaginária, ele de fato não será interrompido. Dilma e Lula nem precisam pedir moderação ao MST em invasões e quebra-quebras em Eldorado dos Carajás, no Pará, muito menos às Farc no fornecimento de drogas para o mercado da morte. O ímpeto de autopreservação do brasileiro é o mesmo do de um suicida em queda livre. No país dos 50 mil homicídios anuais, dos quais nem 10% são esclarecidos, não só não passa pela cabeça do povão e das elites que o PT, há 10 anos no poder, possa ter algo a ver com isso, como já vigora, na prática, senão o direito, ao menos a liberdade para matar.

Entre as vítimas, 17 a mais, 17 a menos, ninguém notaria a diferença.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Soneto do estudante sério

(Felipe Moura Brasil)

para Olavo de Carvalho
[que comenta em 2 vídeos abaixo]

E agora que eu li tanto, tantas obras
De autores tão malditos, quanto pude
Receio não haver nem mesmo sobras
Das minhas vis paixões de juventude.

Quão falso era meu mundo, e amiúde
Com quanta prontidão lhe fiz as dobras
Na ânsia de manter minha atitude
Imune a todo tipo de manobras.

Fui tolo, como assim o é quem pensa
Não ser manipulado pela imprensa
Em todas as questões da vida humana.

Ninguém recebe alta desse hospício
Sem auto-humilhação, sem sacrifício
De sua cabecinha provinciana.

******

[Publicado originalmente no facebook - aqui]
[Também no Mídia Sem Máscara, junto com O clubinho dos socioditadores.]

Pós-escrito 1 [via facebook]

Para minha imensa honra (e "enooooorrrme satisfação"), o Prof. Olavo de Carvalho, o maior filósofo brasileiro, comentou, elogiou e recitou ontem o meu "Soneto do estudante sério" em seu sempre esclarecedor programa de rádio, True Outspeak. O trecho vai dos 4min35 aos 9min55. (...)


Pós-escrito 2:

Olavo de Carvalho voltou a falar do autor deste Blog no programa True Outspeak de 26 de setembro de 2012, aos 27 minutos. Segue o vídeo:


segunda-feira, 28 de maio de 2012

O espírito de peguete

[Veja também: Da arte de educar bocós; Por onde Ronaldinho deve sair; Palmada & Pedofilia; Mulher é foda?; Ler é chato?; Por que você não bebe?]

Há 40 anos, Meira Penna já observava a cisão do homem brasileiro em formas ambivalentes: de um lado, a imagem feminina grosseira, vulgar e sensual, projetada sobre a prostituta e a amante; do outro, a Urânia etérea e pura, que projetará sobre a Mãe de seus filhos.

Em outras palavras: o homem brasileiro vive dividido entre a mulher boazinha e a mulher boazuda. Quando casa com uma, trai com a outra. (E, quando casa com a outra, não demora muito a ficar solteiro de novo).

Unir as pontas parece impossível. Desejar uni-las é entrar numa saga sem fim. "Não se pode querer tudo", dizem os conformados. Conformados, geralmente, em trair suas esposas - ou em viver a eterna poligamia dos solteiros.

O Rio de Janeiro tem um papel fundamental nessa cisão. Paraíso praiano, tropical e liberal, exporta ao resto do Brasil o seu culto à beleza e ao corpo, macaqueado, então, pela caipirada do país inteiro da maneira mais esdrúxula.

Nosso ambiente visual urbano, limitado à Natureza e ao consumo, não estimula ninguém a se elevar intelectualmente. Se, na Europa, a presença física do esplendor artístico em obras-primas, monumentos e museus, em contraste com as propagandas do dia, já institui automaticamente na vida mental a diferenciação do essencial e do irrelevante; aqui, para onde olhamos, vemos apenas as paisagens, os letreiros e as bundas, normalmente umas dentro dos outros.

Somos bombardeados por "gente bonita" e sarada o tempo todo, o que nos torna cada vez mais exigentes em termos de aparência (a rigor, reféns dos "belos") e, ao mesmo tempo, absolutamente imersos no irrelevante, incapazes de identificar o que é melhor e o que é pior, o que dura e o que não dura - numa inépcia que nivela tudo por baixo e que caberia à classe intelectual compensar, não estivesse ela, hoje, reduzida à militância política.

O valor da beleza é tão alto no mercado, e tão baixo o estímulo à inteligência, que a administração do capital erótico virou a maior vocação nacional, com destaque, entre as mulheres, para dois tipos básicos: as pirainhas, que se emprestam a todos, mas só se vendem para os ricos; e as princesinhas ou bonequinhas, que, desprovidas de curiosidade e iniciativa, estão sempre avaliando para qual adulador concederão passivamente os seus atributos.

O rancor das mulheres menos bonitas ou preguiçosas em relação às belas ou boazudas se manifesta, por outro lado, em uma aversão desmedida ao culto à beleza e ao corpo, como se o cuidado com a aparência (e o vigor e a saúde) fosse sinônimo de burrice e vulgaridade, e elas tivessem mais o que fazer em vez de, por exemplo, frequentar academias. Querem ser amadas pelo que são, mas esquecem que também são o seu corpinho caído.

Homens imbecis, há muitos, sim. Mas boa parte das mulheres insatisfeitas finge não notar que a liberdade sexual, à medida que facilita a conquista do beijo e do sexo casuais, também eleva o nível de exigência (de ambas as partes) para uma relação de compromisso. (E também, diga-se, rebaixa o nível de exigência para o beijo e o sexo, gerando paixões descabidas e inevitavelmente frustrantes entre pessoas que pouco ou nada têm a ver uma com a outra.)

Boa parte dos homens livres simplesmente não quer trocar a sua coleção de peguetes - atuais e vindouras - por qualquer uma, porque sabe, consciente ou inconscientemente, que a escolha não se sustentará, e a poligamia, muito embora abjeta, é moralmente preferível - e menos arriscada - na solteirice que no casamento.

Não basta a mulher ser boa. É preciso ser boazuda. Não basta ser boazuda. É preciso ser boa. Por boa, entenda-se a mulher com um nível similar de educação, sinceridade, caráter, bom humor, graça, interesse, papo e desenvoltura. Por boazuda, entenda-se a mulher minimamente bela, gostosa e sensual para o padrão dos seus desejos.

Tão trágico quanto a futilidade masculina é o espírito de peguete que assola as brasileiras, com seus perfis jamais mesclados de amante ou de mãe dos filhos.

Que ninguém é perfeito, todo mundo sabe. O problema básico da vida amorosa no Brasil é que ninguém tenta sequer ser o bastante para a pessoa com a qual deseja viver para sempre.

Mesmo, é claro, que ainda nem a conheça.