quarta-feira, 11 de abril de 2012

E os patinhos?

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Primeiro, os mais fracos. Depois, o resto.

É assim a cultura da morte.

Quando não começa logo desumanizando povos e pessoas (como “inferiores” ou “inimigas da liberdade”), alimenta a agressividade humana contra um alvo provisório, pintando-o como inútil, descartável, ou mesmo uma ameaça ao bem-estar.

Em “A insustentável leveza do ser”, Milan Kundera narra como os russos fomentaram o extermínio de pombos e cachorros durante a ocupação da então Tchecoslováquia para, um ano depois, apontar para o seu verdadeiro alvo: o homem.

“(...) os jornais, o rádio, a televisão, só falavam nos cachorros que sujavam as calçadas e os jardins públicos, ameaçando a saúde das crianças, cachorros que não serviam para nada e ainda tinham que ser alimentados. Fabricou-se uma verdadeira psicose (...)”.

Os fetos “anencéfalos” do Brasil petista são como os cachorros da Tchecoslováquia comunista: não servem para nada e ainda têm de ser alimentados. O STF, assumindo o papel do Congresso com a cumplicidade dos fabricantes de psicose e o incentivo de organismos internacionais, veio mostrar o quanto eles sujam as calçadas e os jardins uterinos, ameaçando a saúde mental das mamães.

A ministra Rosa Weber defende que “a sociedade” estabeleça quais as “capacidades físicas e psíquicas mínimas que permitam ao indivíduo ser considerado humano”. Por sociedade, entenda-se o STF. Pelo resto, que os anencéfalos são os cachorros tchecos, e que o STF ainda vai analisar, com “o óculos da ciência”, se os outros fetos com má-formação são os pombos; os bem formados, os passarinhos; os recém-nascidos, os pintinhos; e nós, os patinhos boiando na lagoa.

Quando a ciência antecipar se nossos filhos terão a aparência do Brad Pitt ou do relator Marco Aurélio Mello, e a inteligência de William Shakespeare ou de Rosa Weber, fiquemos tranquilos: o divino STF do estado laico nos dirá em quais casos eles serão humanos; e em quais serão motivos evidentes de “tortura psicológica” e “tragédia pessoal”, cabendo a toda mãe insatisfeita tentar de novo, até ter certeza de que dará à luz (rezemos) um Brad Shakespeare ou um William Pitt.

[Se, nos EUA, a venda controlada de maconha “medicinal” multiplicou as receitas médicas falsas em 15 estados, e no Brasil a autorização da Justiça para um só médico paulista abortar um feto "anencéfalo" em 1992 já gerou uma busca desenfreada por alvarás, não é tampouco improvável que essa legalização específica do aborto resulte na maior incidência de “anencefalia” da história humana, e que a solução mais prática para a fraude generalizada seja então a legalização irrestrita. Mas cogitar isso só pode ser coisa de crentes fanáticos, alheios à visão prática e científica da realidade.]

Para Teresa, personagem de Kundera, o verdadeiro teste moral da humanidade são as relações com aqueles que estão à nossa mercê, que não representam força alguma. [Ela se referia aos animais. Eu me refiro aos fetos “anencéfalos”.] “É aí que se produz o maior desvio do homem, derrota fundamental da qual decorrem todas as outras.”

Em nome do “direito das mulheres”, o STF impõe a derrota fundamental, abrindo precedente para todas as outras. A aprovação da “antecipação terapêutica do parto” é a antecipação legal de uma cultura da morte, na qual a população psicótica é a vítima emocional dos abortos físicos que pratica.

Façam filhos, crianças. Não há riscos, nem sofrimentos. Ao menor sinal de defeito, passem a faca com carinho.

[E os patinhos? Qué, qué...]

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Leia também [o melhor texto já escrito no mundo sobre a] Lógica do abortismo, de autoria do filósofo Olavo de Carvalho:

"O aborto só é uma questão moral porque ninguém conseguiu jamais provar, com certeza absoluta, que um feto é mera extensão do corpo da mãe ou um ser humano de pleno direito. A existência mesma da discussão interminável mostra que os argumentos de parte a parte soam inconvincentes a quem os ouve, se não também a quem os emite. Existe aí portanto uma dúvida legítima, que nenhuma resposta tem podido aplacar. Transposta ao plano das decisões práticas, essa dúvida transforma-se na escolha entre proibir ou autorizar um ato que tem cinqüenta por cento de chances de ser uma inocente operação cirúrgica como qualquer outra, ou de ser, em vez disso, um homicídio premeditado. Nessas condições, a única opção moralmente justificada é, com toda a evidência, abster-se de praticá-lo. À luz da razão, nenhum ser humano pode arrogar-se o direito de cometer livremente um ato que ele próprio não sabe dizer, com segurança, se é ou não um homicídio. Mais ainda: entre a prudência que evita correr o risco desse homicídio e a afoiteza que se apressa em cometê-lo em nome de tais ou quais benefícios sociais hipotéticos, o ônus da prova cabe, decerto, aos defensores da segunda alternativa. Jamais tendo havido um abortista capaz de provar com razões cabais a inumanidade dos fetos, seus adversários têm todo o direito, e até o dever indeclinável, de exigir que ele se abstenha de praticar uma ação cuja inocência é matéria de incerteza até para ele próprio. (...)"

(Olavo de Carvalho, Lógica do abortismo)

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Um comentário:

  1. Excelente post. Fora a decisão errada do STF, o autor toca num ponto muito importante: O STF fazendo leis, o que deveria ser função exclusiva do legislativo. O STF deveria meramente decidir quando uma lei viola a constituição. É por isso que ninguém no STF é eleito: ele não existe para fazer leis. O judiciário 'ativista', fazedor de leis, tem sido uma ferramenta da esquerda para contornar os representantes do povo quando estes não promovem a agenda a elite esquerdista. Esta aberração do judiciário começou nos EUA e o Brasil vem copiando. Ninguém no STF é eleito e essa turminha agora tem gigantesco poder sobre o Brasil. O brasileiro não se dá conta que é a nova ditadurazinha da esquerda, já implementada.

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