sábado, 21 de abril de 2012

Enfim, um BBB a ser visto

Vitória é a protagonista do meu reality show favorito.

Ela dorme esparramada. Espreguiça-se. Rola na cama. Tenta engatinhar. Ouve música. Passeia no parque. Brinca no balanço. Alonga na bola. Toma banho. Geme com cafuné. Sorri durante os parabéns pelos seus 2 anos. E dá impulso com os pés para deslizar o skate pelo corredor.

Cada vídeo dura em média 1 minuto, e este último é o mais radical. Nunca imaginei que alguém "sem vida" ou com uma "sobrevida vegetativa" andasse de skate. Mas Vitória anda. Devagar, é verdade. Mas talvez melhor que os ministros do STF. Basta o pai encostar o pezão em seu pezinho que ela o empurra com força e... vruuum!

Sua mãe, Joana Schmitz, é autora do blog "Nossa amada Vitória de Cristo". Em uma tripla crítica à reportagem do site G1 sobre Vitória, ao diagnóstico à distância do Sr. Thomas Gollop (da USP) e ao comentário de um leitor do seu blog, ela dá uma aula imperdível de jornalismo, medicina e internet.

Joana aponta, inclusive, o mais velado dos preconceitos: o de que "essa mãe é uma ignorante que está (...) inventando que sua filha 'vegetativa' reage a estímulos e tem vontades". O ódio aos valores cristãos, aponto eu, tem este efeito prático na moralidade comum: quanto maior o gesto de doação e abnegação, mais ele é aceito como sintoma de ignorância, de loucura, para não dizer de pura otarice.

É por isso que os abortistas são os primeiros a disseminá-lo. Não se sacraliza o alívio imediato sem se destruir a eterna fonte do amor ao próximo.

A existência de Vitória de Cristo pode até ser um peso. Mas só para aqueles cujas tentativas de desumanização dos anencéfalos ("sem informação, sem base, sem escrúpulos e sem respeito") não suportam um contraexemplo vivo.

Para os pais, Vitória é apenas filha - e seja inteira, sem braço, sem perna ou sem calota craniana nem couro cabeludo, filha é filha.

Os fetos que supostamente se tornariam Vitórias têm hoje menos direito à vida que os demais. É um escárnio à Vitória. Uma distinção moral e juridicamente repugnante.

Mas ela, como qualquer menina de sua idade, felizmente não está nem aí.

E, vruuum, desliza pelo corredor.


Mais vídeos de Vitória - AQUI.
Sobre o aborto, leia também: E os patinhos?, Mães mimadas e O golaço de Peluso.

2 comentários:

  1. Que lindo, Felipe Moura... Eu também sou completamente apaixonada por esse bebezinho, já assisti esse vídeo do skate umas 400 vezes ! É repugnante, mesmo, alguém achar que a vida de um bebê como a Vitória tem menos valor do que qualquer outra. Abre precedentes perigosos, faz vida e morte conviverem lado a lado, pacificamente, e não em lados opostos, como deveria ser.

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  2. O caso desta criança é o mais eloquente alerta de que não devemos confiar cegamente naquilo que se chama "conhecimento científico". Se consultados antes, cientistas diriam que Vitória levaria uma vida vegetativa, sem a mínima possibilidade de interação com o meio ambiente. Mas esta criança mostrou que a ciência sabe pouco, sabe pouquíssimo a respeito do real papel do encéfalo, já havendo sinais extremamente contundentes de que a própria consciência não depende do cérebro. Vitória não apenas interagia, como mostrava sentimentos idênticos aos de outras crianças. Sim, é possível viver com o encéfalo altamente comprometido, mas não é possível viver sem ética.

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