domingo, 30 de setembro de 2012

Mais um roedor da glória

[Publicado originalmente no facebook - aqui.]
[E no blog do Reinaldo Azevedo, na Veja.com - aqui. Sempre uma honra.]

Se você ainda se espanta quando mentem a seu respeito, distorcem suas palavras, insinuam intenções ocultas nas suas atitudes e reduzem o seu trabalho àquilo que gostariam que ele fosse só para poder falar mal com mais propriedade, chegou a hora de você conhecer os professores dessas pessoas. Aqueles que inoculam no ambiente cultural os vícios que as alimentam.

O mais novo deles é Bernardo Mello Franco, jornalista da Folha de S. Paulo que, sob o pretexto de resenhar o livro “O País dos Petralhas II: O inimigo agora é o mesmo”, de Reinaldo Azevedo, acabou fazendo uma brilhante resenha de suas próprias qualidades morais. Eu as descreveria aqui se o argentino José Ingenieros já não as tivesse descrito no emblemático livro “O homem medíocre”:
“O verdadeiro crítico enriquece as obras que estuda e, em tudo o que toca, deixa um rastro de sua personalidade. Os criticastros, que são, por instinto, inimigos da obra, desejam diminuí-la, pela simples razão de que eles não a escreveram. (…) Têm as mãos travadas por fitas métricas; seu afã de medir os outros corresponde ao sonho de rebaixá-los até a sua própria medida. (…) Quando um grande escritor é erudito, reprovam-no como falto de originalidade; se não o é, apressam-se a culpá-lo de ignorância. Se emprega um raciocínio que outros usaram, denominam-no plagiário, embora assinale as fontes da sua sabedoria; se omite a assinalação, acusam-no, por serem vulgares, de improbidade. Em tudo encontram motivo para maldizer e invejar, revelando a sua antipatia interna.”
No Brasil, se um verdadeiro crítico, como Reinaldo Azevedo, responde a seus detratores, os “criticastros”, como Bernardo Mello Franco, reprovam-no pelas “balas” de um “fuzil sem piedade”. Se é implacável em seus argumentos, condenam seus “insultos”. Se escreve sobre os mais variados temas, apressam-se a culpá-lo de motivações eleitorais. Se analisa a fala de um ministro da Educação quando ainda ministro da Educação, apontam seu apoio ao adversário do ex-ministro na campanha atual por uma prefeitura. “Em tudo encontram motivo para maldizer e invejar, revelando a sua antipatia interna” — condição sine qua non, aliás, para a ideológica, partidária ou de aluguel.

Bernardo Mello Franco é um inimigo da obra “O País dos Petralhas II” e tentou rebaixá-la, bem como ao autor, até a sua própria medida. Esse rebaixamento encontra eco em corações ressentidos do talento alheio, renovando a cultura da inveja e da maledicência, já tão tradicional no país. É por isso que o desgosto dos “roedores da glória”, como também os chamava José Ingenieros, é sempre o maior elogio que alguém pode receber. Ninguém precisaria enganar o público para falar mal de uma obra ruim.

Leiam Reinaldo Azevedo, senhores! Bernardo Mello Franco não gostou.

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Abaixo, o convite para o lançamento no Rio. Estarei lá.



quarta-feira, 5 de setembro de 2012

A praia de Freixo

Uma introdução a outras leituras...
[Publicado originalmente no facebook - aqui.]
[E, para minha imensa honra, no blog do Reinaldo Azevedo, na Veja.com - aqui.]

Se você não faz a menor ideia do que é o socialismo, faça como os feicebuquianos: escolha um candidato socialista.

Você será bem-vindo no grupo dos descolados, recebido com tapinhas (em todos os sentidos) no Posto 9 de Ipanema, e ainda poderá assistir ao marinista Caetano Veloso e ao petista Chico Buarque juntos - o que é o mesmo que... o mesmo.

Se você não sabe qual partido levou São Paulo ao caos com a greve do metrô, se não conhece seu desapego às instituições, nem seus ídolos, muito menos a ficha de seu fundador Achille Lollo na Itália; ou se acha que um candidato está livre de seguir o partido, aproveite.

Este é aquele grande momento em que você pode se sentir mais engajado, mais "cidadão", mais Wagner Moura!, mais aliviado do sentimento de culpa de ser rico num país de pobres - que precisam de um apoio inteligente e embasado como o seu.

É hora de você mostrar que tem a cultura vasta de 1 (hum) filme (!), que você compreendeu sua mensagem política subliminar, e sabe quem é aquele personagem heroico na vida real, como sabia onde estava o Geninho no desenho da She-Ra.

Você aprendeu que de nada vale ser incorruptível se o "sistema" não funciona, então eis a sua chance de mudar o "sistema", e transferir de vez ao Estado as suas obrigações morais, em nome da sua própria liberdade.

Vote em um candidato que se recusa a fazer "alianças espúrias", limitando-se a receber apenas o apoio do Partido Comunista (!) Brasileiro e de gente de alto calibre como Leonardo Boff e Frei Betto, cujos méritos Fidel Castro não hesitaria em exaltar.

Seja um jovem indignado, um playboy engajado, um artista militante, e ajude este "novo" herói socialista de Ipanema e Leblon a disseminar a "esperança" e fazer a sua "Primavera Árabe", como ele disse, na campanha eleitoral do Rio de Janeiro.

Se você não sabe o que é, nem em que resultou até agora a Primavera Árabe, este é mesmo o seu candidato.

O candidato da moda.