terça-feira, 30 de outubro de 2012

Contra a cafonice

[Crônica publicada originalmente no facebook - aqui.]

Benditas sejam as moças de vestido sem brilhos, ombreiras e tantos babados; sem cintos de couro, barbante, metal, muito menos fivela; e jamais embaladas a vácuo, pois que a sensualidade está no detalhe do tecido que roça o corpo em movimento, nunca no grude integral ao corpo estático.

Benditas sejam as moças de calça jeans e blusinha branca ou preta, sempre básicas por ruas e bares - como aliás pedem as ruas e os bares, seja nas calçadas da Pavuna ou do Leblon -, e quiçá de alcinha, como quem dá de ombros aos excessos da moda e leva o sorriso à frente da roupa.

Benditas sejam as moças que não saem para tomar um chopinho como quem vai para um casamento, e nem vão para um casamento como quem vai para um Halloween.

Benditas sejam as moças capazes de colocar um shortinho e um par de sandálias, e descer em 5 minutos se o homem diz que está passando na portaria, conscientes de que nada é mais elegante que uma mulher despojada e segura de si.

Benditas sejam as moças atléticas, que, ao se vestirem, buscam mais suavizar seus atributos - para fugir à vulgaridade das periguetes turbinadas - do que ocultar seus defeitos - pendurando a saia nos seios, por exemplo, para encobrir a bunda faltante - e ainda dispensam a mão na cintura para tapar o pneuzinho no álbum de fotos.

Benditas sejam as moças aptas a andar e sambar de salto, porque é o samba que dá a medida - mesmo que a ocasião não obrigue ao samba - da altura que uma mulher pode ter.

Benditas sejam as moças que se sabem bonitas, pois nada é mais feio que uma moça bonita que tenta, à força de maquiagens e demais pilantragens, ser aquilo que, sem elas, já é.

Benditas sejam as moças de bolsas funcionais e discretas, daquelas que jamais atrapalham o abraço, nem substituem a lanterna em caso de apagão.

Benditas sejam as moças leves e práticas, que não se deixam transformar em bonecas russas ou árvores de Natal, daquelas que, de tantas camadas (de peças e cosméticos) e enfeites (como colares, pulseiras, braceletes, brincos, pingentes e anéis), um homem precisaria de dois ou três Dias de Reis para desmontar.

Benditas sejam as moças curiosas, inquietas e interessadas, que enxergam além das próprias mães e miguxas, sabendo que o senso estético vem do berço e do ambiente, mas, como tudo o mais, pode ser desenvolvido com a ampliação do imaginário e a elevação do espírito, através de um conhecimento que não é servido no Open Bar.

Benditas sejam as duas ou três moças que sobraram por aí, imunes ao império da cafonice não (só) pela sorte de terem tido bons exemplos ao seu redor, mas (também) porque, diante do acesso ilimitado aos bens de consumo, conservam o desejo quase extinto de ser muito mais do que os prazeres e lazeres que podem gozar ou consumir.

Benditas sejam as moças que são.

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Felipe Moura Brasil é autor do Blog do Pim e nunca viu tantas "árvores de Natal" no Rio de Janeiro.

[Veja a repercussão desta crônica - aqui.]
[Leia também a crônica da azaração na internet - Flertes virtuais]

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Garibaldo e Funga-Funga

[Publicado originalmente no facebook - aqui.] 
[Também publicado no site Mídia Sem Máscara - aqui.]

Notícia do dia 24 de outubro no Globo Online:

"Em apenas 48 horas, Obama estrela eventos em oito estados". Isso mesmo: "estrela eventos". Um popstar. Na foto, "Obama sorri diante de eleitora vestida de Garibaldo, de ‘Vila Sésamo’".

Notícia do dia 24 de outubro nos Estados Unidos:

E-mails mostram que governo Obama foi informado do ataque terrorista em Benghazi (e do grupo responsável por ele) ainda durante o ataque, não tomou atitude alguma para salvar vidas e depois mentiu a respeito.

Isso mesmo: Barack Obama deixou americanos serem mortos. Isso mesmo: culpou um vídeo do YouTube por mais de uma semana, mesmo sabendo qual era o grupo responsável. Sim: prendeu o autor do vídeo.

Quer mais detalhes? Ok.

Duas horas após o início do ataque terrorista, a Casa Branca foi informada por e-mail do que estava acontecendo. O ataque durou 7 horas. Os EUA dispõem de tropas - na Itália, por exemplo - capazes de chegar ao local em até 1 hora. Dois dos americanos mortos foram assassinados nas horas finais do ataque. O governo Obama poderia tê-los salvo. Por incompetência ou por colocar a política à frente da defesa, nada fez.

No terceiro e último debate, Mitt Romney criticou Obama pelo estado atual da Marinha, cujo número de navios foi reduzido, comprometendo a segurança da população. Obama o ironizou, dizendo que a Marinha também tem hoje menos cavalos e baionetas, e nem por isso está mais fraca. "Nós temos essas coisas chamadas porta-aviões, onde os aviões pousam. Temos esses navios que vão por debaixo d'água, os submarinos nucleares." Provocou risos entre muitas criancinhas, embora não entre os oficiais das Forças Armadas, não só porque ainda usam 419.155 baionetas no Exército e 195.334 na Marinha, como também porque Obama cortou US$ 400 bilhões em gastos do setor, que, se nos tempos de Eisenhower a Lyndon Johnson foram de 10% do PIB, hoje não passam de 4,7%.

Mesmo assim, de fato, "nós temos essas coisas chamadas porta-aviões", de onde aviões americanos podiam ter decolado para dar uma ajudinha aos diplomatas da embaixada em Benghazi e onde os aviões - imagine - podiam ter pousado em seguida, com os pilotos comemorando o fato de não estarem mais montados em seus cavalos.

Assim como você e eu faríamos, no entanto, o governo Obama não deu a menor pelota para o e-mail com o assunto "Benghazi Shelter Location Under Attack CBU". Talvez até o tenha marcado com uma estrelinha para ler depois da novela. Quer dizer: é como se o Batman não atendesse ao holofote ou ao telefone vermelho por ter mais o que fazer na Bat-Caverna. Com a diferença, claro, de que você, eu e o Batman não fomos eleitos nem somos pagos para ler os e-mails mais aborrecidos e tomar as devidas providências imediatas.

Que um governo assistencialista até a medula coloque a culpa do déficit público nos gastos militares, mesmo quando reduzidos percentualmente a menos da metade de outras épocas, é compreensível (e Arnaldinho Jabor que o diga). Que, para isso, tenha de fingir que ataques terroristas, quando muito, são coisas que dão e passam como um resfriado, sem deixar maiores sequelas, também. Que a imprensa mundial encubra a consequência mortal da política islâmica, digo, externa de Obama e continue culpando os investimentos bélicos de George W. Bush pela crise da economia, mais ainda.

Mas que você, leitor, acredite mais nas ironias e afetações de superioridade de Obama do que nos fatos e documentos sempre ocultados por Globo Online e companhia, aí já é um sinal de que nunca assistiu à Vila Sésamo.

Isso mesmo: se o tamanduá Funga-Funga é o amigo imaginário do pássaro Garibaldo, a estrela de eventos Barack Obama só pode ser o Funga-Funga da imprensa.

Com a diferença, claro, de que Funga-Funga fica deprimido quando os adultos não acreditam, digamos, na pessoa dele; Obama, mais esperto, fica irônico.

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Nota de rodapé 1: Donald Trump ofereceu US$ 5 milhões para a instituição de caridade que Obama escolher, caso ele traga a público seu histórico escolar e seu passaporte. Como Obama reagiu? Ironizou Trump, claro: "Isso tudo começou quando estávamos crescendo no Quênia. Tínhamos constantes disputas no futebol, ele não era muito bom e ficava ressentido. Quando finalmente nos mudamos para os EUA, achei que isto teria acabado." Por que Obama fez isso? Porque não pode mostrar seus documentos. Se mostrar, terá de responder: 1) como entrou na Indonésia quando o ingresso de americanos era proibido - ou seja: terá de explicar se tem outra nacionalidade ou dupla nacionalidade, estando em ambos os casos impedido de ser presidente dos EUA; 2) como ganhou a bolsa Fulbright para alunos estrangeiros no Occidental College - ou seja: terá de explicar se é estrangeiro ou se falsificou o documento para ganhar a bolsa.

Em todo caso, não perca no Globo Online de 25 de outubro:
"Trump e eu crescemos juntos no Quênia, brinca Obama".

Nota de rodapé 2: "The nation - ME"... Assim disse Obama, em seu momento Luís XIV ("O estado sou eu") no último debate, deixando escapar quem afinal Funga-Funga pensa que é.

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Pós-escrito no facebook - AQUI.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

A "mãe" de Obama

[Publicado originalmente no facebook - aqui.] 
[Também publicado no site Mídia Sem Máscara - aqui.]

No primeiro debate, Obama estava sem o papai-teleprompter e a mamãe-imprensa. No segundo, o papai ficou em casa, mas a mamãe veio, de mamadeira e tudo.

Seu nome: Candy Crowley. Emprego: jornalista da CNN. Função (teoricamente) no debate: moderadora. Vamos entender o que ela aprontou? Vamos!

O assunto da vez era o ataque ao consulado dos EUA em Benghazi, na Líbia, que resultou na morte de 4 americanos - incluindo o embaixador Christopher Stevens -, para os quais o governo Obama não fornecera o reforço de segurança solicitado.

Obama disse a Romney: "No dia seguinte ao ataque, governador, eu estive em Rose Garden, e eu disse ao povo americano e ao mundo que nós iríamos descobrir exatamente o que aconteceu, que este foi um ato de terror."

Romney perguntou se Obama estava mesmo afirmando que, no dia seguinte, chamou o ataque de "ato de terror", o que, na verdade, ele e sua equipe (Hillary Clinton, Susan Rice, Jay Carney e companhia) demoraram 14 dias para fazer, preferindo antes culpar um vídeo crítico ao profeta Maomé no YouTube e prender o seu autor. (No Planeta Obama, não repare, um vídeo "hediondo" e "ofensivo" justifica um ataque homicida.)

E agora? Quem poderia defender o Obaminha, flagrado na mentira em rede internacional? Mamãe Crowley, claro. Num ato de terror jornalístico, ela confirmou que ele chamara sim de terrorismo, naquele dia, o ataque em Benghazi.

"Pegue a transcrição", disse Obama. E tchurum: Crowley sacou a transcrição de debaixo da mesa. Isso mesmo: a transcrição do discurso estava lá, prontinha para atender ao chamado, ainda que não necessariamente para ser lida.

(Lembra quando Tom Cruise usou a simples presença no tribunal de dois oficiais de uma base aérea para pressionar Jack Nicholson em "Questão de honra" e depois admitiu a Kevin Bacon que eles nada teriam a dizer? Pois é.)

Qualquer ser alfabetizado que leia a transcrição verá que Obama falou em terrorismo uma única vez, em termos genéricos, quando lembrava também o 11 de setembro:

"Nenhum ato de terror vai jamais abalar a determinação desta grande nação" e blá-blá-blá.

Dizer que isto é o mesmo que chamar especificamente o ataque em Benghazi de "ato de terror" é como dizer que chamei Obama de Tom Cruise neste texto, só porque o nome está ali em cima.

Mamãe Crowley, depois do debate, ainda tentou explicar sua intervenção em favor do presidente como "uma coisa natural que saiu", dizendo que só queria seguir adiante, como se o assunto já tivesse rendido o bastante, e que ela mesma falou na hora que Romney estava certo na maior parte, apenas achou que ele escolhera as palavras erradas (o Jabor, imagino, deve saber que palavras foram essas). Nada grave, em suma. Só um obamismo natural...

Que mal há em evitar o vexame de Obaminha quando está todo mundo olhando e alinhavar umas desculpas sonsas quando a maioria já voltou à vida normal? Isso aí rende até prêmio na mídia esquerdista. No Brasil, Candy Crowley ganharia uma coluna semanal e já estaria cogitada para uma vaga na ABL.

Nem Hillary Clinton assumindo a responsabilidade pela segurança em Benghazi botou a mão, digamos, no fogo por Obama tão prontamente quanto ela.

O presidente pode ficar tranquilo. O que não falta é gente para limpar a sua, digamos, barra quando ele expõe a sua obra de 4 anos no governo dos EUA e grita por telepatia:

"Manhêêê! Cabei!"

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Nota de rodapé 1: Que Obama se saia melhor (do que ele mesmo, diga-se) num debate de respostas ao público do que em outro de confronto direto com o adversário (elevando o tom e a veemência após ser tido como apático), é algo evidente e previsível. Que a imprensa esquerdista veja nisso uma vitória dele sobre Romney, também. Mas que ela ignore que, quando confrontado, Obama precisou de uma ajudinha materna na mentira, aí... é "uma coisa natural".

Nota de rodapé 2: Fazer-se de ofendido quando criticado por omissões que resultaram em mortes comove muita criancinha. Mas o luto pessoal não pode jamais camuflar a irresponsabilidade de um presidente.

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Felipe Moura Brasil é autor do Blog do Pim e recomenda Candy Crowley para o Globo Online, o site oficial de Obama no país.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Mais um rap do Arnaldinho

[Publicado originalmente no facebook - aqui.]
[Também publicado no site Mídia Sem Máscara - aqui.]

Arnaldo Jabor, o rapper do colunismo, publicou no Globo de terça-feira, 16 de outubro de 2012, mais um rap digno do Prêmio Militante Juvenil (ou Mirim) internacional. Desiludido com o PT, ele precisa de uma esquerda para chamar de sua e uma direita imaginária para xingar à vontade. Por isso adora os Estados Obâmicos Unidos.

Tio Pim seleciona as considerações mais relevantes do "texto" - e pede ao menino de 71 anos que se explique, embora saiba que, na imprensa brasileira, qualquer um escreve o que quer.

1 - Barack Obama perdeu o primeiro debate porque acreditou, ingenuamente, que "ideias verdadeiras impressionam os eleitores americanos".

TIO PIM: Quais "ideias verdadeiras"?

2 - Mitt Romney ganhou porque soube mentir "para os 60 milhões de imbecis que elegeram o Bush".

TIO PIM: Quais foram as mentiras?

3 - Mitt Romney tem uma equipe de "fascistas inteligentíssimos, como Karl Rove".

TIO PIM: Qual é a relação de Karl Rove com o fascismo? Por que o termo se aplica?

4 - Osama Bin Laden levou os republicanos a provocar a crise mundial da economia, saindo-se, de certo modo, vencedor.

TIO PIM: Qual é a sequência de ações individuais e grupais que produziram esse efeito? Quais documentos a comprovam? O aluno Arnaldinho leu o livro "Rules for radicals", do mentor de Barack Obama, Saul Alinsky, publicado em 1971, mas cujas ideias já vinham influenciando toda uma geração de militantes revolucionários? Leu o documento dos estrategistas de esquerda Richard A. Cloward e Frances Fox Piven, publicado em 2 de maio de 1966, que, inspirado em Alinsky, ensinava como produzir "uma profunda crise financeira e política" através de "um esforço maciço para recrutar os pobres e colocá-los nas listas de previdência", exatamente como o grupo de ativistas de Obama veio a fazer?

5 - Os republicanos "negam a existência do século XX, da ciência, da arte, da política, da filosofia. Negam Marx, Freud, Picasso, renegam Darwin e seus macacos".

TIO PIM: Quais declarações de republicanos evidenciam tal "negação"? O que significa, por exemplo, "negar o século XX"? Apontar o extermínio de 200 milhões de pessoas nos regimes comunistas? O que significa "negar Marx"? Apontar a consequência prática de suas ideias? O que significa "renegar Darwin"? Citar o próprio Darwin quando ele celebra a liquidação sistemática de povos inteiros?: "Olhando o mundo numa data não muito distante, que incontável número de raças inferiores terá sido eliminado pelas raças civilizadas mais altas!" Lindo, não?

6 - Os republicanos "são contra todas as conquistas do pensamento contemporâneo: contra a sexualidade antes do casamento, o aborto, o homossexualismo".

TIO PIM: O homossexualismo foi uma conquista do pensamento contemporâneo, Arnaldinho? E o que significa para você "ser contra" alguma coisa? Proibi-la e não estimulá-la - sobretudo entre crianças -, por exemplo, é tudo igualmente "ser contra"? Há mais coisas entre o Céu e a terra do que ser contra e a favor supõe?

7 - Para o individualismo americano, "os pobres são vagabundos que fracassaram na vida".

TIO PIM: Quem é esta pessoa malvada chamada "o individualismo americano", que tem esta visão alucinada dos pobres? Quais declarações deste sr. Individualismo evidenciam isso? Oferecer oportunidades aos pobres (para que fiquem - imagine, Arnaldinho - ricos!) em vez de torná-los eternamente dependentes do Estado para o governante tirar proveito eleitoral disso é o mesmo que chamá-los de vagabundos fracassados?

8 - Se Romney for eleito, voltará "uma máquina que paralisa o presente num passado eterno, para impedir um futuro que lhes fuja do controle".

TIO PIM: Que máquina é esta, Arnaldinho? O Delorean?

9 - "Os republicanos não têm mais nada a aprender; eles moram na certeza, na eternidade, exatamente como os suicidas de Osama."

TIO PIM: Entender o presente e o passado para evitar as desgraças confirmadas pela experiência é não ter mais nada a aprender? Mais do que isso: é o mesmo que exterminar americanos inocentes para impor o seu fanatismo ao mundo? O que significa "aprender" para você, Arnaldinho? Recusar a certeza sobre o passado conhecido em nome da dúvida sobre o futuro hipotético?

10 - "Como os islamitas, o grande desejo" dos republicanos "é a cultura da morte, a destruição de todas as conquistas progressistas dos anos 1960 e 70: liberdade, antirracismo, direitos civis".

TIO PIM: Liberdade foi uma conquista progressista, Arnaldinho? Qual é o capítulo do seu livro de história que mostra isso, hein?

11 - O Islã jamais aceitará a globalização e o indivíduo, e o Ocidente está cada vez mais perto do irracionalismo e da vingança.

TIO PIM: A legítima defesa e a autopreservação são irracionais, Arnaldinho? São gestos de "vingança"? Os americanos devem negociar com aqueles que os exterminam? Nada de matar quem nos mata! Vamos só morrer! Senão Arnaldinho fica bravo. É isso? E qual seria a solução? A revolução islâmica dentro dos EUA, sob comando de Barack Hussein Obama?

12 - Se Romney for eleito, "os filhotes de Bush terão completado a obra de sua anomalia mental feita de fanatismo religioso, complexo de Édipo e rancor contra as 'elite' que sempre o desprezou".

TIO PIM: Fanatismo de qual religião? Romney é mórmon. Onde está o complexo de Édipo, doutor? E rancor contra as "elite" não é exatamente a base de todo o marxismo que você adora?

Ok. Tio Pim entendeu tudo. Se Romney for eleito, o mundo está acabado. Os republicanos malvados vão acabar com o sexo livre, o aborto, vão promover ataques suicidas a torto e a direito contra gays, negros e aquela gente inocente da Al-Qaeda que só quer matar em paz. Será o fim de todos os prazeres progressistas.

Boa, Arnaldinho. Vai ganhar um 3,5 no boletim.

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Felipe Moura Brasil é autor do Blog do Pim e já avaliou outros raps de Arnaldinho em artigos como O demônio favorito de Arnaldo Jabor e Das metáforas de Jabor.

Sonetinho a três

[Publicado originalmente no facebook - aqui.]

Quando o escritor em mim se recupera
Da análise de temas atuais,
É o poeta que em vão se desespera
Como se dele eu nem lembrasse mais.

Poucas coisas lhe são tão infernais
Quanto a prosa que logo se apodera
Das paixões e questões sentimentais
Por cujo monopólio ele se esmera.

Despreza no analista a mira estreita;
No escritor, a extensão e a voz afeita
Muito mais à razão que aos sentimentos.

"É poeta, pudera! Tem rancores!",
Justificam em verso os prosadores
No tumulto mental dos meus talentos.

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Felipe Moura Brasil é autor do Blog do Pim, onde suas vozes de poeta, escritor e analista político e cultural convivem em perfeita loucura.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

A nudez de Obama

[Publicado originalmente no facebook — aqui.]
[Também publicado no site Mídia Sem Máscara - aqui.]

Tire o papai-teleprompter. Tire a mamãe-imprensa. Coloque um adversário preparado. Pronto. Você acaba de descobrir quem é Barack Obama.

Foi assim no debate da semana passada. Um massacre de Mitt Romney. Os americanos viram: 67% deram a vitória ao candidato republicano no levantamento da CNN. De 8 pontos atrás nas pesquisas, Romney passou para 4 à frente, segundo o Pew Research Center.

Vale a pena assistir no YouTube. Depois de 4 anos, o presidente mais superprotegido da história universal — aquele que fomenta a crise econômica para tirar dela o proveito político, deixando 63 milhões de americanos dependentes da ajuda governamental — finalmente ficou nu.

Não podendo gritar "Racista!", "Homofóbico!" e "Matador de velhinha!", como fazem seus propagandistas, teve de distorcer as propostas do adversário com a sonsice impostada e robótica que lhe fez a fama.

Atribuiu-lhe um plano de cortar US$ 5 trilhões de impostos e, mesmo desmentido, insistiu na mentira, levando Romney a dar uma resposta para a posteridade:

"Mr. President, you're entitled, as the president, to your own airplane and to your own house, but not to your own facts."
(Sr. Presidente, você tem direito, como presidente, ao seu próprio avião e à sua própria casa, mas não aos seus próprios fatos.)

Atribuiu-lhe, também, a redução dos impostos pagos pelos americanos de alta renda e, mesmo desmentido, insistiu mais uma vez na mentira, levando Romney a dar mais uma resposta para a posteridade:

"Look, I got five boys. I'm used to people saying something that's not always true, but just keep on repeating it and ultimately hoping I'll believe it — but that is not the case, all right?"
(Olha, eu tenho cinco filhos. Estou acostumado com pessoas dizendo algo que nem sempre é verdade, mas que simplesmente continuam repetindo e, finalmente, esperando que eu vá acreditar — mas não é o caso, certo?)

All right. Certo. Mas agora, caindo nas pesquisas, o que Obama está fazendo?

Em primeiro lugar, o que não fez no debate: piadinhas — como, por exemplo, a do pássaro Garibaldo, da Vila Sésamo, que seria "demitido" por Romney, disposto a cancelar a verba destinada ao canal público PBS para cortar gastos do governo.

[Isto, aliás, me lembrou outro seriado. No episódio "The Comeback", de Seinfeld, o barrigudinho careca George Costanza só consegue pensar em uma boa resposta à provocação de um colega de trabalho muito depois da reunião, de modo que passa dias obcecado pela oportunidade de "dar o troco". Obama é o George Costanza do debate eleitoral. No dia seguinte, tem sempre pronta a piadinha que não veio na hora. (Com a diferença, claro, de que George ao menos a pensou sozinho.) Imagino como está ansioso para "dar o troco" no dia 16.]

Em segundo lugar — agora de longe, como prefere — Obama está insistindo novamente na mentira, como se o Mitt Romney do debate não tivesse sido o mesmo Mitt Romney da campanha — o que, de certo modo, é verdade. Romney estava muito melhor.

Obama, por outro lado, era exatamente o mesmo. Sempre foi assim. Falsifica as ideias do adversário com a mesma naturalidade com que falsificou seus próprios documentos.

Só que, dessa vez, estava sem papai e mamãe.

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Nota de rodapé 1: Al Gore, em seu momento Dunga, culpou a altitude de Denver pelo mau desempenho de Obama. É a primeira vez, sem dúvida, que o Messias têm problemas com as alturas.

Nota de rodapé 2: A Venezuela chegou ao fundo do poço. Os Estados Unidos, ainda não.

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Felipe Moura Brasil é autor do Blog do Pim e se diverte com a decepção da imprensa esquerdista — uma espécie mais antiga de facebook — diante do verdadeiro Barack Obama.

Pós-escrito de 11/10/2012:

Na Venezuela, o fiscal do partido de Chávez vota junto com o eleitor: http://oglobo.globo.com/mundo/como-se-vota-na-venezuela-6361244

Nos EUA, os funcionários de Obama ajudam o eleitor a votar 2 vezes: http://www.projectveritas.com/node/147

Lula - criador do Foro de São Paulo, a entidade que comanda a revolução continental - estava certo:

É "democracia até demais".