terça-feira, 16 de outubro de 2012

Sonetinho a três

[Publicado originalmente no facebook - aqui.]

Quando o escritor em mim se recupera
Da análise de temas atuais,
É o poeta que em vão se desespera
Como se dele eu nem lembrasse mais.

Poucas coisas lhe são tão infernais
Quanto a prosa que logo se apodera
Das paixões e questões sentimentais
Por cujo monopólio ele se esmera.

Despreza no analista a mira estreita;
No escritor, a extensão e a voz afeita
Muito mais à razão que aos sentimentos.

"É poeta, pudera! Tem rancores!",
Justificam em verso os prosadores
No tumulto mental dos meus talentos.

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Felipe Moura Brasil é autor do Blog do Pim, onde suas vozes de poeta, escritor e analista político e cultural convivem em perfeita loucura.

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