terça-feira, 27 de novembro de 2012

Veta, papai! Veta, mamãe!

[Crônica publicada originalmente no facebook - aqui.]
[Outras recentes: Corações corrompidos; Contra a cafonice; O espírito de peguete] 

Quer escrever o nome do seu galã favorito entre suspiros e coraçõezinhos, fazer montagem da imagem dele chamando você pelo celular, postar foto abraçada com ele, com o poster ou com o boneco dele, ou com os pezinhos dele na calçada da fama, e fazer da seção de comentários um salão de cabeleireiro? Ok!

Quer suspirar por ele no meio do chat ou do papo ao vivo com seus pretendentes do sexo oposto, como se fosse a coisa mais natural do mundo? Ok!

Quer pegar geral no meio da pista em todos os eventos e falar da pegação em linguagem cifrada, entre risos? Ok!

Quer dar selinho em todas as miguxas e montar um mosaico no instagram? Ok!

Só não me diga, meu bem, que você também quer namorar e casar...

Ou papai e mamãe não ensinaram que homem não confia - nem deve confiar - em mulher despudorada? (Tá sem freio? Abre a porta do carro e pula, minha filha.)

Nesses tempos anticristãos de confissões públicas, emancipação feminina, delinquência emocional e consumismo até humano, ninguém mais se dá conta da própria depravação, nem tem a menor ideia das suas consequências nas relações amorosas e familiares.

Que certas moças troquem de peguete com as miguxas como quem troca de bolsa e depois ainda analisem em conjunto - como os moços nem imaginam! - qual é melhor e maior, no todo e nas partes, na textura e na funcionalidade, aí já é prova de que chegamos ao fim da intimidade sexual, seja a própria ou a alheia.

Faz tempo que o cuidado deles em falar delas supera de longe o delas em falar deles, tanto privada quanto publicamente.

Resta saber até quando eles vão se sujeitar a isso.

De minha parte, só sei que, enquanto os cariocas se mobilizam contra a redistribuição dos royalties do petróleo gritando "Veta, Dilma!", eu me mobilizo contra o despudor generalizado das feicebuquianas (de todos os níveis sociais e educacionais) gritando:

"Veta, papai! Veta, mamãe!" Onde andam vocês, afinal?

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Felipe Moura Brasil é autor do Blog do Pim, onde já dizia seu personagem Juveninho: "Quando a mulher abandona o pudor, mais cedo ou mais tarde todo homem a abandona."

[Posts exclusivos no facebook: Felipão e o país da demeritocracia; Quanto tempo você dedica?; Israel x Hamas; Rubinho Barrichello; Sobre a saída de Mano Menezes; Luis Fernando Verissimo; Oscar Niemeyer; A discordância pública não justificada; Silicone]

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Os Brasis americanos

[Publicado originalmente no facebook - aqui.] 
[Também publicado no Mídia Sem Máscara - aqui.]

Eu tento esquecer as eleições dos EUA, mas elas não me deixam, o que posso fazer? Senão eu, quem vai informar vocês dos suspeitíssimos resultados em favor de Obama, após o término da contagem em cada estado? Arnaldinho Jabor? Jorge Pontual? Globo Online?

Das 66 zonas eleitorais da Filadélfia, Obama obteve mais de 97% dos votos em 20; 99% ou mais em 6, incluindo uma vitória por 9.955 votos a 55(!) de Mitt Romney; e, em 59(!) seções de até 1000 eleitores, Romney não obteve 1 (hum!) voto sequer. Somando essas 59, Obama chegou a 19.605 votos contra 0 (zero!) do adversário republicano.

Em algumas áreas centrais de Illinois, os totais de votos foram semelhantes aos da Filadélfia. Das 50 zonas de Chicago, Obama obteve 98% ou mais em 10; sendo 99% em 6. Em Ohio, estado decisivo na eleição, o caso foi ainda mais aberrante. Em 44 distritos de Cleveland, chegou a 99,8%. Em mais de 100 seções do Condado de Cuyahoga, Obama venceu com uma contagem superior a 99%, sendo que em mais de 50 Romney recebeu no máximo 2 (dois!) votos, incluindo as 16 onde seu nome saiu com um redondíssimo 0 (zero!). E acredite: Romney venceu em algumas seções em Cuyahoga. Isso mesmo: o candidato que ZEROU em muitas, VENCEU em outras, em áreas próximas.

Em 2 condados de Ohio - assim como em 10 do Colorado -, o número de votantes excedeu o da população com idade para votar, chegando milagrosamente a 104% e 109% do número de eleitores registrados. (Muitos votantes não só de Ohio, mas também de Nevada, Texas e Carolina do Norte reclamaram ainda que, quando selecionavam Romney nas máquinas de touch-screen, o "X" era marcado em Obama.) Isto sem contar outros 31 condados que passaram de incríveis 90%, sendo a média nacional pouco superior a 70%.

Não vou nem falar dos fiscais republicanos expulsos dos locais de votação na Filadélfia, da parede de uma seção pintada de Obama, das cédulas negadas aos militares da ativa, das doações estrangeiras ilegais à campanha democrata; muito menos repetir que o "presidente" só venceu onde não foram exigidos documentos com fotos e que ele mesmo, quando diretor do Project Vote da ACORN, empenhou-se em afrouxar as exigências, como se elas desestimulassem os votos em geral, e não os votos ilegais.

Nem ditadores como Saddam Hussein, Mahmoud Ahmadinejad e Hugo Chávez obtiveram 99% ou 100% dos votos nas urnas de seus países, como bem lembrou o radialista Rush Limbaugh, mas ninguém melhor do que Obama, lembro eu, o presidente que se autoriza por lei a mandar prender ou matar qualquer cidadão americano e que não é incomodado pelos jornalistas quando deixa morrerem quatro no exterior, representa o progresso: o progresso definitivo das ditaduras.

Enquanto a imprensa e os próprios conservadores se limitam a atribuir a reeleição do "presidente" a fatores demográficos, estratégicos, financeiros e até tecnológicos, e o Partido Republicano vai dando mais uma de PSDB em matéria de complacência masoquista, os matemáticos hão de concordar comigo: ou houve fraude em Ohio, Colorado, Illinois, Filadélfia e companhia, ou só brasileiro vota por lá.

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Nota de rodapé: As declarações de Paula Broadwell, biógrafa e amante do agora ex-diretor da CIA, David Petraeus, de que o anexo da agência no consulado em Benghazi havia sido usado como prisão secreta de dois membros de milícias líbias e que o ataque terrorista ao prédio era parte de um "esforço para resgatá-los" nem precisam ser confirmadas para que se possa tirar delas duas lições básicas, além da obviedade de que Obama tem muito mais motivos do que parece para continuar empurrando o episódio com a barriga e a lábia, mesmo após as eleições. São elas: 1) nunca conte segredos de Estado à sua amante; 2) a imprensa mundial de hoje só atenta minimamente para fatos relevantes quando eles vêm embrenhados em escândalos sexuais.

"A verdade é filha do tempo", dizia Santo Tomás de Aquino. Mas agora os tempos são outros. Para os jornalistas atuais - quando muito -, a verdade é filha do adultério.

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Felipe Moura Brasil é autor do Blog do Pim e acredita que só há um jornalismo sério no mundo: o das amantes.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Ídolos de província

[Publicado originalmente no facebook - aqui.]

Se as defesas de Espanha, Holanda e Alemanha fossem iguais à do Palmeiras [ou do Flamengo, ok], eu também veria no ataque do Fluminense uma nova Era para o futebol brasileiro e em Fred um novo Bebeto, um novo Romário.

Mas a falta de cobertura, de responsabilidade, de solidariedade, de inteligência,
de técnica de desarme - de tudo, enfim, que seria necessário para evitar o gol do adversário -, é o fator mais característico e cômico do nosso futebol, que há pelo menos 10 anos nada mais faz senão fabricar ídolos de província, tanto mais criadores de uma ilusão coletiva em relação a sua deles excepcionalidade (desfeita de 4 em 4 anos para surpresa dos provincianos) quanto mais especializados em furar defesas furadas.

Agora que a publicidade garante suas fortunas em território nacional, onde têm também garantida a bajulação da mídia, da torcida e da mulherada, bem como a tolerância com seus excessos alcoólicos e demais fanfarrices, muitos já não veem sequer motivo para arriscar a sorte na Europa, onde tantos falharam em meio a um futebol de verdade.

É o desafio pessoal reprimido em favor da segurança, do comodismo e da esbórnia brasileira, sempre com o incentivo de boa parte dos nossos jornalistas. Basta o jogador declarar amor ao clube e ao país, e pronto: transmuta-se a covardia em desapego material, o abandono dos ideais em gesto nobre de maturidade, a opção pela mediocridade em fidelidade à família, aos amigos, à torcida... à pátria! - aquela mesma que sempre decepcionam quando ela mais precisa de seus talentos desenvolvidos.

No mesmo dia em que o Fluminense ganhou o tetracampeonato brasileiro, Pelé pediu a Neymar, no Domingão do Faustão, que ficasse por aqui com a gente, "entende"? Mas que o maior jogador de todos os tempos (depois de Zico, claro) ficasse por aqui quando ainda existia futebol é coisa bem diversa de Neymar ficar pedalando nas Avenidas Brasil de times "grandes" (ou "enormes") de várzea.

O Brasil, até pouco tempo atrás, era apenas o asilo para ex-ídolos - nacionais e internacionais - já incapazes de acompanhar a qualidade e o ritmo europeus, seja pela idade, pela vida desregrada, ou pelos dois. Mas, como tudo que é Brasil sempre pode piorar, hoje qualquer jogador razoável, de qualquer idade, está satisfeitíssimo em fazer sucesso no asilo - exatamente como o playboy que pega 5 coroas no Baile das Encalhadas e acha que está abalando.

Um país que corrompe assim seus ideais de grandeza será, quando muito, um país de pernas-de-pau.

Um país, enfim, onde até o Fluminense é tetracampeão.

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Felipe Moura Brasil é autor do Blog do Pim e adora recolocar as coisas nos seus devidos lugares.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Coisas incríveis... acontecem

[Publicado originalmente no facebook - aqui e aqui.]
[Também publicado no Mídia Sem Máscara - aqui.]

Enquanto isso, no mundo encantado do Globo Online:

"Obama chora ao agradecer voluntários de sua campanha"

E não é para menos, não é?

De 104 a 140% das respectivas populações votantes de 10 condados do Colorado votaram. Isso mesmo: houve mais votos do que gente disponível. Isso que é povo engajado! http://www.redstate.com/2012/09/04/colorado-counties-have-more-voters-than-people/

"Obama chorou ao afirmar que estava orgulhoso da equipe e brincou dizendo que o grupo 'é muito melhor' em cumprir metas do que ele foi quando era ativista em Chicago."

É verdade! Obama foi muito bom em recrutar os pobres e colocá-los nas listas de previdência para fomentar a crise econômica pela qual ele responsabiliza George W. Bush. Foi muito bom também, quando diretor do Project Vote da ACORN em Chicago, em registrar - imagine! - o maior número possível de eleitores do Partido Democrata, tão legais quanto ele... - e sempre de acordo com a Estratégia Cloward-Piven, da qual se beneficia até hoje.
(Resuminhos aqui: http://traducoesessenciais.blogspot.com.br/2009/01/notas-da-traduo-1-procurei-ser-o-mximo.html; e aqui: http://www.olavodecarvalho.org/semana/090305dc.html).

Mas - que se saiba -, o "presidente" nunca chegou a 140% de si mesmo! A rigor, segundo os peritos que avaliaram sua "certidão de nascimento", nem a 100%, não é? http://www.wnd.com/2012/11/win-or-lose-obama-was-not-and-is-not-the-president/; http://www.wnd.com/files/2012/11/monckton_affidavit.pdf

"- Estou muito orgulhoso de todos vocês. O que vocês fizeram estará nos livros de História e as pessoas estudarão isso - disse o presidente, limpando lágrimas discretamente."

Os livros de história que nos aguardem! Já estamos aqui estudando o milagre da multiplicação de eleitores e a arte de ser reeleito apenas pelos condados que não exigem foto! http://www.wnd.com/2012/11/did-this-dirty-trick-get-obama-elected/

Teremos ainda um capítulo especial sobre o alívio de garantir por mais 4 anos o imenso aparato que protege o "presidente" contra as leis de seu próprio país.

"- Estou absolutamente confiante de que todos vocês irão fazer coisas incríveis em suas vidas."

Disso não resta a menor dúvida! Hugo Chávez que se cuide. Em breve, chegaremos aos 200%!

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Nota de rodapé 1: Eu não avisei - 1 mês antes - que era "democracia até demais"? http://www.facebook.com/felipe.m.brasil/posts/10151311311871874

Nota de rodapé 2: Obama limpa lágrimas quase tão "discretamente" quanto o Globo Online lhe oferece o lencinho...

Pós-escrito 1: Obama entrou na fase Lula. Agora chora de gratidão a seus militantes, enquanto, diante dos mortos pela sua omissão, não derrama uma lágrima sequer.

Dize-me por quem choras e eu te direi quem és.
 

Pós-escrito 2: Candidatura de Wallim Vasconcellos à presidência do Flamengo é impugnada porque ele não tem 5 anos ininterruptos como sócio do clube.

Barack Obama, com certidão de nascimento falsa, cartão de Social Security falso, alistamento militar falso e uma porção de eleitores com documentos falsos ou sem foto, ou sem documentos, foi reeleito presidente dos EUA.

Os adversários de Wallim, como se vê, são muito mais implacáveis que os de Obama. 

E o mundo anda tão de cabeça pra baixo que até o Flamengo aplica lei com mais rigor que os Estados Unidos.

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Felipe Moura Brasil é autor do Blog do Pim e avisa que é mais fácil o Flamengo ser campeão brasileiro que Jorge Pontual e Arnaldo Jabor darem essas notícias na TV Globama...

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Corações corrompidos

[Publicado originalmente no facebook - aqui.]

Eles querem mulheres lindas e gostosas. Elas querem homens ricos, de preferência do mercado financeiro.

Eles foram feitos para elas. Elas foram feitas para eles.

Ambos se consomem para garantir a vida de lazeres e prazeres que os seduziu desde a juventude.

Elas ganham roupas, joias, jantares, viagens, carros e apartamentos.


Eles ganham sexo e prestígio entre seus semelhantes.

Elas fingem que os amam e que eles bastam. Eles pensam que as amam e acreditam.

Nenhuma novidade. Apenas o bom e velho casamento da beleza com o dinheiro.

Cada um garantindo o passaporte para seus objetos preferidos.

E, no entanto, "cada um" é muita gente. Muito mais a cada dia.

Quanto mais o consumo e a tecnologia avançam, maior o número de deslumbrados.

Quanto mais o ambiente cultural provincianiza a mente humana, mais se estende a caipirice.

Elas já não são apenas as mulheres sem perspectiva ou iniciativa, encaminhadas até pelos pais aos bem-sucedidos.

São também as bem formadas, educadas, com emprego e capacidade de escolha.

Eles já não são apenas os idiotas endinheirados.

São também os razoavelmente inteligentes, com vivência, experiência e discernimento.

Quanto mais ambos se deixam engolfar nesse processo, menos se dão conta de estarem nele.

Cresce o fingimento. Cresce o cinismo. Vazam os desejos reprimidos.

E hoje, para o bem ou para o mal, não faltam canais por onde eles possam vazar...

O que falta em um relacionamento se encontra, mais cedo ou mais tarde, na rua, na academia, no trabalho, na internet - e se mantém via whatsapp, messenger, facebook.

O conteúdo. O senso de humor. A afinidade das almas.

A possibilidade de algo ser mais profundo, divertido e elevado do que o jogo de aparências em que se meteram, inertes.

Aparecem, então, as dúvidas. As angústias de quem, sendo ao menos capaz de conceber um amor maior, pondera se vale a pena abrir mão da conveniência em favor dele.

E, como um rolo compressor contra a inquietude, cada vez mais a conveniência vence. Seja na fidelidade à superficialidade, seja na superficialidade da traição.

Em tempos de permissividade e abundância, o luxo esmaga o espírito - e até os bons corações se corrompem.

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Felipe Moura Brasil é autor do Blog do Pim e nunca viu tanta dondoca de Louis Vitton com mauricinho de polo listrada no Rio de Janeiro.

[Veja a repercussão desta crônica - aqui.]
[Outras crônicas recentes: Contra a cafonice; Flertes virtuais]

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Os vingadores

[Publicado originalmente no facebook - aqui.]
[Publicado no Mídia Sem Máscara, em versão adaptada e mais completa, aqui.]

Se o Super-Obama tivesse feito o furacão Sandy dar meia-volta com um sopro (ao melhor estilo General Zod), já seria de uma patetice vexaminosa encobrir com 1 (hum) gesto heroico 4 anos de desastres econômicos e, digamos, diplomáticos em seu governo, incluindo as negações de socorro às vítimas do ataque terrorista em Benghazi, as duas semanas de mentiras a respeito e o acobertamento mantido para não atrapalhar a reeleição.

Mas tentar encobrir esses 4 anos pintando uma atuação espetacular contra o furacão, na última semana de campanha, quando os americanos sobreviventes passaram mais de 5 horas na fila do combustível e milhares deles, especialmente em Nova York e Nova Jersey, entraram em desespero sem água, sem energia e morrendo de frio, aí é coisa que só a imprensa esquerdista pode e sabe fazer.

"Obama foi show na reta final, diante do furacão, isso vai ajudar", escreveu o correspondente obamista da TV Globo nos EUA, Jorge Pontual, em seu diário de torcedor, digo, twitter. Obama é sempre "show" para os nossos jornalistas, mesmo quando o caos se instala dentro ou fora de seu país, deixando um rastro de vítimas fatais.

É por isso que, a cada vez que um feicebuquiano grita "Go Obama!", não consigo deixar de pensar nos gestos heroicos da imprensa brasileira, que, diariamente, faz um furacão de notícias americanas darem meia-volta com um sopro.

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Arnaldo Jabor, nada tendo a acrescentar ao nada, reutiliza hoje seu rap obamista de semanas atrás, copiando e colando uma porção de parágrafos, sem avisar ao leitor e, imagino, ao editor, se é que existe algum em O Globo.

Ok. Na verdade, ele acrescenta um ou outro trecho - o que, em seu caso, é sempre um decréscimo -, dando ao rap recauchutado o título de "Hoje é dia de rock". Por diversão, comento aqueles trechos - e somente aqueles - em que a demência ideológica tem alguma utilidade elucidativa.

1. Se Obama pediu que seus eleitores votassem por "vingança", ninguém melhor do que Arnaldinho para traduzir de quem eles se vingam: "Se Obama ganhar, (...) teremos a felicidade de ver a derrota das famílias gordinhas dos boçais da direita, os psicopatas sorridentes de dogmas, seus hambúrgueres malditos, seus churrascos nos jardins e nas cadeiras elétricas (...), tudo sob um inferno de cânticos evangélicos e música country". Eu, que não sou gordinho nem como hambúrguer, já preparei meu "sorriso de dogma", meu jardim e meus playlists do Jotta A. e da Dolly Parton para alegrar Arnaldinho. Vou ver se seu ídolo, Fidel Castro, me aluga a cadeira elétrica, já que ele sempre preferiu "el paredón".

2. Arnaldinho continua: "não veremos mais os meninos mortos voltando do Iraque como sanduíches embrulhados para viagem". É verdade (até porque Saddam Hussein está morto, graças a George W. Bush, esta "força do mal"...). Agora vemos embaixadores e oficiais mortos voltando de Benghazi embrulhadinhos para Obama, que preferiu deixá-los para trás a dar na vista que a Al-Qaeda, que ele dizia ter dizimado, ainda está a pleno vapor. Se Bush era, para Arnaldinho, a "crueldade em nome da bondade", Obama seria o quê? A "crueldade em nome da política"?

3. Não, não. No Planeta Jabor, Obama é "um homem sério e culto", "um líder capaz de se haver com a complexidade política da época atual", "uma espécie de síntese de virtudes políticas que almejamos: tolerância, inteligência contra a mentira, pela superação da guerra partidária, contra os lobbies, contra a tirania do petróleo, contra o efeito estufa". Se Arnaldinho se esforçasse só um tiquinho para justificar cada elogio com as ações correspondentes, eu até respiraria fundo para refutar um por um. Mas aí não seria Arnaldinho, não é? De modo que, muito embora tentado a comentar o item "contra o efeito estufa" como uma das "virtudes políticas que almejamos", vou me limitar, preguiçosamente, a compartilhar um videozinho que mostra um pouco deste "líder" que luta seriamente "contra a mentira"...

Vença quem vencer, todo dia é dia de desmascarar os "vingadores".

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Felipe Moura Brasil é o "psicopata" autor do Blog do Pim e, contra Obama, votaria até em Arnaldinho Jabor, com Jorge Pontual de vice.


Pós-escrito:
[Comentários publicados no facebook durante e após a apuração dos votos.]

1)

Não se comenta outra coisa nos EUA: se Mitt Romney tivesse insistido, como Felipe Moura Brasil, no assunto de Benghazi, teria vencido de lavada.

2)

Nada é mais humilhante para mentes brasileiras que a matemática das eleições americanas.

3)

Mais 4 anos de golfe na Casa Branca.

4)

Eu, Al-Qaeda e Putin estamos satisfeitíssimos com a vitória de Obama. Nosso trabalho fica bem mais fácil e divertido.

5)

Sempre que faz bem à imagem, Obama tem uma foto prontinha para divulgar.

Mal garantiu a vitória, apareceu abraçado a Michelle, com um fundo celestial. Quando Bin Laden morreu - graças a todo o investimento bélico de Bush -, Obama apareceu no Situation Room, supostamente acompanhando a operação. Quando o furacão Sandy veio em plena campanha eleitoral, apareceu lá de novo discutindo respostas. Quando 4 americanos foram mortos em Benghazi... Ah, aí não. Nada de flashes. Será que foi o fotógrafo quem faltou nesse dia?

****

Ok, ok. Ninguém quer saber se o sujeito deixou gente morrer, mentiu e empurrou o caso com a barriga para não compremeter a reeleição. Ele imposta bem a voz. Ele faz garrinha com a mão enquanto discursa. Ele mantém o queixo erguido e alterna o olhar entre ambos os lados da plateia. Obama é "show". E ainda - imagine - tem esperanças para dar e vender, como mostrou no discurso da vitória. É só confiar nele. É só confiar na imprensa. É só confiar no governo. É só esquecer os últimos 4 anos.

Os EUA têm muito a comemorar. Com sorte, Obama vem ao Rock In Rio 2013 e ainda estreia o nosso campo olímpico de golfe.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Melhor sim, e daí?

[Publicado originalmente no facebook - aqui.]

Sempre que se critica qualquer coisa no Brasil - até a cafonice patente de uma geração mentalmente anestesiada por ideais publicitários de beleza e sofisticação -, aparecem os relativistas, com pretensa fofura e ilusão de superioridade, gritando "viva as diferenças!", "não existe melhor nem pior!", "cada um é feliz como prefere!", para então saírem seguros de terem desconstruído uma crônica em dois ou três peidos verbais.

O relativismo, esta doença da alma imposta em 1968, é isso: a intolerância à distinção e à divergência, em nome da tolerância à diversidade. Equipara-se tudo que é mau, feio, falso, ordinário, vulgar e estúpido, quando não criminoso, a tudo que é bom, belo, verdadeiro, elevado, genial e sublime, quando não as próprias bases morais e intelectuais da civilização. E ai do "preconceituoso" que os diferencie e hierarquize de novo...

Neste mundinho - construído por intelectuais e professores militantes - onde o nivelamento por baixo é inevitável, não só um funk dos MCs Naldo e Marcinho têm valor idêntico à obra de Platão e Aristóteles, como a vulgaridade de uma periguete turbinada e a elegância de uma moça simples dividem o mesmo patamar estético. Tudo não passa, afinal, de uma diferença de "estilos".

Se há quem goste de ambos, por que um seria melhor do que o outro, não é mesmo? A pergunta poderia ser igual em relação a bandidos e heróis: se há quem goste de ambos - e o que não falta é "Maria Fuzil" -, por que um seria melhor do que o outro? Da mesma forma: se há quem goste de gente burra, por que os inteligentes seriam melhores?

À geração feicebuquiana, para a qual ser "curtido" é o único critério de julgamento, o fator legitimador das condutas e o máximo a que a alma humana aspira, esses "raciocínios" soam ainda mais arrebatadores. Se é verdade, pois, que ambientes virtuais libertam as mentes inquietas da manipulação da grande mídia e das instituições de ensino, também o é que acentua em mentes escravas o que elas têm de pior: a carência afetiva, o pavor do isolamento, a busca da aprovação, a afetação de bom mocismo.

Em nome da "felicidade" alheia - que nada tem a ver com a história -, algumas menininhas saem em defesa de padrões estéticos que rebaixam até a maneira como elas mesmas são vistas pelos homens. (Ou será moralismo dizer que a proliferação das periguetes contribui para a visão da mulher como um objeto descartável, para mero usufruto sexual?)

Longe de mim julgar o caráter ou a honra de alguém pelas roupas que veste, mas, como dizia Leonardo Da Vinci, "a simplicidade é o último grau de sofisticação"; e, quando a sociedade perde de vista este grau ou, mais grave ainda, a própria noção da existência de graus, é porque o fingimento pomposo - independentemente do jeito peculiar de cada um - já assumiu o seu posto, criando essas monstruosidades, vulgares ou não, que a gente vê em bares, festinhas e álbuns, tanto mais cafonas quanto mais dividem o estojo de maquiagem com as miguxas.

É dever do escritor dizer, a seu modo, que as moças podem e devem ser muito melhores do que isso.

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Felipe Moura Brasil é autor do Blog do Pim e, como todo homem, também precisa proteger as mulheres de si mesmas.

[Veja a repercussão deste artigo - aqui.]