terça-feira, 6 de novembro de 2012

Os vingadores

[Publicado originalmente no facebook - aqui.]
[Publicado no Mídia Sem Máscara, em versão adaptada e mais completa, aqui.]

Se o Super-Obama tivesse feito o furacão Sandy dar meia-volta com um sopro (ao melhor estilo General Zod), já seria de uma patetice vexaminosa encobrir com 1 (hum) gesto heroico 4 anos de desastres econômicos e, digamos, diplomáticos em seu governo, incluindo as negações de socorro às vítimas do ataque terrorista em Benghazi, as duas semanas de mentiras a respeito e o acobertamento mantido para não atrapalhar a reeleição.

Mas tentar encobrir esses 4 anos pintando uma atuação espetacular contra o furacão, na última semana de campanha, quando os americanos sobreviventes passaram mais de 5 horas na fila do combustível e milhares deles, especialmente em Nova York e Nova Jersey, entraram em desespero sem água, sem energia e morrendo de frio, aí é coisa que só a imprensa esquerdista pode e sabe fazer.

"Obama foi show na reta final, diante do furacão, isso vai ajudar", escreveu o correspondente obamista da TV Globo nos EUA, Jorge Pontual, em seu diário de torcedor, digo, twitter. Obama é sempre "show" para os nossos jornalistas, mesmo quando o caos se instala dentro ou fora de seu país, deixando um rastro de vítimas fatais.

É por isso que, a cada vez que um feicebuquiano grita "Go Obama!", não consigo deixar de pensar nos gestos heroicos da imprensa brasileira, que, diariamente, faz um furacão de notícias americanas darem meia-volta com um sopro.

*****

Arnaldo Jabor, nada tendo a acrescentar ao nada, reutiliza hoje seu rap obamista de semanas atrás, copiando e colando uma porção de parágrafos, sem avisar ao leitor e, imagino, ao editor, se é que existe algum em O Globo.

Ok. Na verdade, ele acrescenta um ou outro trecho - o que, em seu caso, é sempre um decréscimo -, dando ao rap recauchutado o título de "Hoje é dia de rock". Por diversão, comento aqueles trechos - e somente aqueles - em que a demência ideológica tem alguma utilidade elucidativa.

1. Se Obama pediu que seus eleitores votassem por "vingança", ninguém melhor do que Arnaldinho para traduzir de quem eles se vingam: "Se Obama ganhar, (...) teremos a felicidade de ver a derrota das famílias gordinhas dos boçais da direita, os psicopatas sorridentes de dogmas, seus hambúrgueres malditos, seus churrascos nos jardins e nas cadeiras elétricas (...), tudo sob um inferno de cânticos evangélicos e música country". Eu, que não sou gordinho nem como hambúrguer, já preparei meu "sorriso de dogma", meu jardim e meus playlists do Jotta A. e da Dolly Parton para alegrar Arnaldinho. Vou ver se seu ídolo, Fidel Castro, me aluga a cadeira elétrica, já que ele sempre preferiu "el paredón".

2. Arnaldinho continua: "não veremos mais os meninos mortos voltando do Iraque como sanduíches embrulhados para viagem". É verdade (até porque Saddam Hussein está morto, graças a George W. Bush, esta "força do mal"...). Agora vemos embaixadores e oficiais mortos voltando de Benghazi embrulhadinhos para Obama, que preferiu deixá-los para trás a dar na vista que a Al-Qaeda, que ele dizia ter dizimado, ainda está a pleno vapor. Se Bush era, para Arnaldinho, a "crueldade em nome da bondade", Obama seria o quê? A "crueldade em nome da política"?

3. Não, não. No Planeta Jabor, Obama é "um homem sério e culto", "um líder capaz de se haver com a complexidade política da época atual", "uma espécie de síntese de virtudes políticas que almejamos: tolerância, inteligência contra a mentira, pela superação da guerra partidária, contra os lobbies, contra a tirania do petróleo, contra o efeito estufa". Se Arnaldinho se esforçasse só um tiquinho para justificar cada elogio com as ações correspondentes, eu até respiraria fundo para refutar um por um. Mas aí não seria Arnaldinho, não é? De modo que, muito embora tentado a comentar o item "contra o efeito estufa" como uma das "virtudes políticas que almejamos", vou me limitar, preguiçosamente, a compartilhar um videozinho que mostra um pouco deste "líder" que luta seriamente "contra a mentira"...

Vença quem vencer, todo dia é dia de desmascarar os "vingadores".

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Felipe Moura Brasil é o "psicopata" autor do Blog do Pim e, contra Obama, votaria até em Arnaldinho Jabor, com Jorge Pontual de vice.


Pós-escrito:
[Comentários publicados no facebook durante e após a apuração dos votos.]

1)

Não se comenta outra coisa nos EUA: se Mitt Romney tivesse insistido, como Felipe Moura Brasil, no assunto de Benghazi, teria vencido de lavada.

2)

Nada é mais humilhante para mentes brasileiras que a matemática das eleições americanas.

3)

Mais 4 anos de golfe na Casa Branca.

4)

Eu, Al-Qaeda e Putin estamos satisfeitíssimos com a vitória de Obama. Nosso trabalho fica bem mais fácil e divertido.

5)

Sempre que faz bem à imagem, Obama tem uma foto prontinha para divulgar.

Mal garantiu a vitória, apareceu abraçado a Michelle, com um fundo celestial. Quando Bin Laden morreu - graças a todo o investimento bélico de Bush -, Obama apareceu no Situation Room, supostamente acompanhando a operação. Quando o furacão Sandy veio em plena campanha eleitoral, apareceu lá de novo discutindo respostas. Quando 4 americanos foram mortos em Benghazi... Ah, aí não. Nada de flashes. Será que foi o fotógrafo quem faltou nesse dia?

****

Ok, ok. Ninguém quer saber se o sujeito deixou gente morrer, mentiu e empurrou o caso com a barriga para não compremeter a reeleição. Ele imposta bem a voz. Ele faz garrinha com a mão enquanto discursa. Ele mantém o queixo erguido e alterna o olhar entre ambos os lados da plateia. Obama é "show". E ainda - imagine - tem esperanças para dar e vender, como mostrou no discurso da vitória. É só confiar nele. É só confiar na imprensa. É só confiar no governo. É só esquecer os últimos 4 anos.

Os EUA têm muito a comemorar. Com sorte, Obama vem ao Rock In Rio 2013 e ainda estreia o nosso campo olímpico de golfe.

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