segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Sobre armas, lágrimas e parasitas

[Notas e textos publicados originalmente no facebook. Links nos títulos.]

A arma do choro [14/12/2012]

Rubem Fonseca escreveu - não sei mais onde - que secar os olhos com as mãos é coisa de fingidor: quem chora de verdade assoa o nariz. Lembro-me disso toda vez que vejo Obama enxugando lágrimas na TV, com o nariz intacto.

[Ver: http://video.foxnews.com/v/2036348319001/obama-our-hearts-are-broken-today; http://www.youtube.com/watch?v=pBK2rfZt32g]

Sua suposta emoção após o massacre na escola de Connecticut é uma arma. Uma arma pronta para ser usada pela propaganda desarmamentista de seu partido, que massacrará mais uma vez os neurônios da humanidade, refém de uma imprensa que lhe sonega todas as notícias de mortes evitadas pela posse legal de armas de fogo.

[Ver: http://www.felipemourabrasil.com.br/2011/04/pontualidade-do-nosso-atraso.html; e http://www.felipemourabrasil.com.br/2011/04/o-monopolio-das-vaginas.html]

Enquanto o país está de luto diante dos cadáveres de dezenas de crianças e uma porção de adultos (e os pais com um medo cada vez maior de deixar os filhos irem para a escola), o governo que já se autorizou a mandar matar e prender qualquer cidadão americano prepara mais uma campanha para tirar seus últimos meios de defesa contra bandidos e atiradores, sejam eles civis ou oficiais.

Este homem, senhoras e senhores, que enxuga lágrimas diante das câmeras, é o mesmo que quer isso.

Ou a humanidade se toca, ou será tarde para assoar o nariz.


A escola de Obama [15/12/2012]

Primeiro o choro, depois o pedido de "ações significativas". Isto é Obama, aproveitando-se da tragédia para provocar outras maiores ainda, desarmando a população civil. Ele sabe que funciona, como já demonstraram Hitler, Castro, Stalin, Kadafi, Mao, Pol-Pot, Kim Jang Il e demais especialistas. Sua campanha está pronta. Sempre está. (E é sempre necessário investigar se o atirador foi cooptado pelos agentes dela.) Os revolucionários não se satisfazem com a vulnerabilidade das escolas. Querem transformar o país inteiro em uma delas, infantilizando seus cidadãos.

O parasita voltou [15/12/2012]

"O Pim acredita que a paz e a harmonia entre os homens virá no momento em que a população inteira estiver armada."

Isto é um parasita semianalfabeto tentando traduzir o que eu penso, para poder me atacar com mais propriedade na minha página. Como se eu fosse louco o bastante para acreditar que ele mesmo deveria ter uma arma.

"Aí sim os assaltantes temerão o lar da sagrada família, que estará a salvo de estupradores e delinqüentes [sic]."

Isto é um parasita anticristão tirando uma conclusão caricatural de sua própria premissa. Como se o porte legal de armas, fator, sim, de dissuasão ou de possível interrupção da ação de criminosos, fosse também garantia total de "paz e harmonia"; de "salvação" da "sagrada família".

"Finalmente, todos se respeitarão, pois a iminente ameaça de ser morto a tiros por seu vizinho ou concidadão ligará o alerta moral de todos nós."

Isto é um parasita semianalfabeto tentando estender seu raciocínio desgovernado para a esfera moral, à base de um recurso literário — a ironia — que está a anos-luz de sua capacidade. Como se a possibilidade de ser morto a tiros ligasse o "alerta moral" das pessoas de bem, e não simplesmente o alerta de risco dos criminosos (aqueles tipos que fazem o que estão a fim, nem aí para a moral e as leis, sejam elas de armas ou qualquer outra coisa).

"O amor pregado por Jesus será então verdadeiro, pois, se quebrado, este que o fizer será meritoriamente assassinado por quem se sentir lesado..."

Isto é um parasita anticristão debochando do amor de Nosso Senhor Jesus Cristo (ao que só me restaria mandá-lo tomar no cu), enquanto tenta mais uma vez estender a responsabilidade dos criminosos às pessoas de bem. Como se o direito destas à legítima defesa contra aqueles significasse o direito de assassinar quem quer que "quebre" o amor pregado por Cristo. Em outras palavras: como se um criminoso fosse apenas um pecador qualquer que, assim como os demais, deveria ser morto pelos fiéis ortodoxos que se sentirem lesados por seus atos. (A propósito: com "meritoriamente", o parasita quis dizer "merecidamente"; a menos, claro, que ele veja algum mérito em ser assassinado por quem é fiel ao amor de Cristo.)

"Uma população armada é calma e pacífica. O clima é tranquilo; as ruas são pacatas."

Isto é o parasita anticristão e semianalfabeto em seu arremate generalista e caricatural, que, com pretensa ironia, mais uma vez não distingue os criminosos das pessoas de bem (o que é mesmo impossível para cabecinhas relativistas), preferindo unir todo mundo sob o nome de "população", para então induzir com mais eficácia a plateia ignorante a acreditar que uma população armada se mata mais do que uma população desarmada, isto é, que o porte legal de armas pelos cidadãos de bem aumenta o número de assassinatos, exatamente o contrário do que aconteceu em praticamente todos os estados americanos onde o porte foi permitido — e onde o clima e as ruas são, ao menos, mais tranquilos e pacatos do que antes. (Não vou indicar de novo meus textos nem a bibliografia imensa a respeito, porque é inútil apontar provas a quem não quer fazer o esforço de conhecê-las; e quem quer, obviamente, já fez.)

Que um parasita de atenção venha cavar um espacinho na página alheia para fingir que existe, é mesmo de sua natureza. Que seus miguxos venham em bando curti-lo para tentar mostrar pelo número o que não conseguem pelo raciocínio, também. Que essa gente sanguessuga não compreenda sequer o que escreve e ainda queira afetar indignação ou superioridade moral e intelectual à base de sarcasmo juvenil, igualmente. Mas que outros feicebuquianos caiam no engodo, incapazes de distinguir as elipses e manipulações de sua linguagem tosca, é prova de que o analfabetismo funcional, ao contrário do porte legal de armas, sempre reforça a delinquência.

*****

Felipe Moura Brasil é autor do Blog do Pim e fica constrangido de ser tão amado por parasitas que não largam do pezinho de sua página.


Manual de etiqueta virtual [17/12/2012]

Quando um parasita de atenção entrar pela enésima vez na sua página para falar mal de você, dirigir-se diretamente aos leitores que você conquistou, falsificar as suas palavras e denegrir a sua religião, faça-lhe carinho. Caso contrário, as almas sensíveis do facebook dirão, com seu peculiar senso de justiça, que a grosseria é sua.

Não ouse dissecar o discurso do parasita para alertar os não parasitas contra o engodo; nem demonstrar seu semianalfabetismo presunçoso de quem não entende o que lê, nem o que escreve, e ainda quer traduzir o que você pensa; muito menos comentar, de passagem, que, para a ofensa "em domicílio", com o agravante da heresia, só restaria mesmo - caso você ainda se dirigisse a um parasita incurável - um palavrão bem aplicado.

Não, meu caro amigo, não faça isto. Coloque a polidez acima da integridade da fé, ignorando os exemplos bíblicos. Esqueça Mateus 23, onde Jesus Cristo xinga 16 vezes os escribas e fariseus. Esqueça São Paulo, São João, São Gregório de Nazianzo, São Nicolau, São Bernardo, São Bernardino, Santa Catarina de Sena e demais santos xingadores dos "parasitas" de seu tempo, e deixe-se guiar pela afetação de escândalo sacrossanto de feicebuquianos fiéis à doutrina do politicamente correto.

Contrarie a lição de São Tomas More e conceda ao seu Lutero virtual a honra imerecida de responder suas baixezas com puras contestações eruditas. Atire na lixeira da mesa de trabalho as recomendações de São Josemaría Escrivá: "A solução é esta: primeiro, pedir a Deus por eles e desagravar; depois, ir de frente, varonilmente, e empregar 'o apostolado dos palavrões'." Não! Nem cogite tamanha desfeita. Vá de costas, delicadamente, e empregue, ao invés disso, o apostalado das boas-vindas, o repertório da complacência, o dicionário das nádegas oferecidas.

Só assim você estará excluído daquele "nós" da pergunta de São João Crisóstomo (que você tampouco precisará fazer aos seus leitores): "Se, porém, eles pelas obras profanam a fé e não se escondem, cobertos de vergonha, debaixo da terra, por que se irritam contra nós, que condenamos com palavras o que eles manifestam com ações?"

Não condene, ora! Não permita que os anjos da guarda dos parasitas, aqueles que chamam a agressão em domicílio de "discordância" ou "crítica", e a reação a ela - mesmo que descritiva - de ofensa, lamentem que alguém como você, com tantos recursos intelectuais, recorra - mesmo que por hipótese - a um expediente tal como o "apostolado dos palavrões" - mesmo que alguns dos maiores intelectuais e santos de toda a história humana tenham não apenas recorrido a ele, mas pregado a sua importância.

[Em hipótese nenhuma ouse recomendar o palavraeado dessa turma em http://advhaereses.blogspot.com.br/2010/09/xingando-com-os-santos.html e http://www.midiasemmascara.org/artigos/cultura/12262-concurso-santo-palavrao-o-premio-e-meu.html, porque os seres sensíveis poderão se escandalizar.]

Não, meu caro amigo, não permita o lamento deles, caso contrário, assim como veem ofensa onde há descrição, verão raiva onde há responsabilidade, ignorância onde há conhecimento, bitolação onde há justamente aquilo que eles - tão acomodados aos padrões de conduta de sua tribo - nunca tiveram: a abertura para o aprendizado histórico, o desejo de educar a si mesmos antes de educar os outros.

Debata respeitosamente com o parasita e eles o aplaudirão. Admirarão sua delicadeza de trato e pensamento. Terão em alta conta a sua disponibilidade para responder aos milhares de comentários e agressões subsequentes, como sempre fazem o parasita e seu bando de miguxos quando conseguem a sua atenção. É a melhor maneira de você escapar daquela censura de intolerante, "feita pelo medíocre a todos os que pensam solidamente", como descrevia o filósofo Ernest Hello. "Quem não sabe desprezar não sabe respeitar", dizia Nietzsche, mas agora, em nome do respeito, sinta-se proibido de mostrar o seu desprezo.

Eis a regra: não use armas de fogo verbais contra parasitas heréticos, nem armas de fogo reais contra terroristas e psicopatas. Desarme-se de vez, meu caro amigo - como fizeram as vítimas dos maiores ditadores genocidas sob o entusiasmo daqueles que, como hoje, não viam nisto nada de mais - e finalmente você receberá, com honras e "curtidas", o certificado de bom-mocismo feicebuquiano.

Em tempos de relativismo moral, quando o mal se torna inconcebível e o bem uma questão de delicadeza, nada mais chique do que ser um idiota.

*****

Felipe Moura Brasil é autor do Blog do Pim e acha muito divertido que, neste momento, parasitas de toda espécie estejam sofrendo daquela ânsia quase incontrolável de parasitar mais um pouquinho.


[Leia também: O cúmplice Niemeyer; A tolerância de Dilma.] 

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Raras exceções

[Crônica publicada originalmente no facebook - aqui.]

Se você é inteligente, você é metido, segundo os burros.

Se você é bonito, você é idiota, segundo os dragões.

Se você estuda alguma coisa, você é nerd, segundo os ignorantes.

Se você mantém um corpo atlético, você é fútil, segundo os caídos.

Se você tem pudor, você é careta, segundo os depravados.

Se você tem senso de humor, você é cafajeste, segundo os polidos.

Se você cuida da pele, você é fresco, segundo os carcomidos.

Se você cultiva a simplicidade, você é deselegante, segundo os embonecados.

Se você trabalha muito, você não curte a vida, segundo os incapazes.

Se você tem ambições acima do dinheiro, você é imaturo, segundo os dinheiristas.

É por essas e outras que eu digo:

Se existe uma minoria no país da acomodação, é a dos belos e inteligentes, atléticos e estudiosos, pudorosos e bem-humorados, bem-cuidados e simples, responsáveis e perseverantes na luta por um ideal.

Aquele seletíssimo grupo de pessoas prendadas, inquietas e sinceras consigo mesmas que têm a coragem de romper as imagens padronizadas que a cultura as convida a encarnar e, assim, buscar a perfeição, conciliando uma variedade de qualidades e valores dispersos, sem se deixarem paralisar pela caricatura que deles fazem os fingidos, sempre movidos por preconceitos bocós de tribo, preguiça inconfessada ou inveja pura.

Normalmente, as pessoas mais completas são as mais disputadas para um relacionamento sério, o que transforma boa parte delas em pessoas tremendamente enroladas, sem a menor ideia do que escolher diante de tantas opções e facilidades. Aos poucos, em vez de procurarem orientação fora do seu círculo imediato e aprenderem a nomear seus conflitos mais íntimos com as ferramentas de linguagem que o dialeto das tribos não dá, elas também vão se mediocrizando ou se acanalhando junto à massa recalcada e deixando aquele seletíssimo grupo ainda menor.

Em favor do fingimento geral, abrem mão da própria personalidade — e dão início ao processo de embarangamento físico e/ou mental.

É uma pena. Quem condensa em si mesmo os melhores elementos de uma cultura eleva a cultura pela força do exemplo. Quando essas exceções humanas são raras ou já não existem, todos se satisfazem em ser apenas um estereótipo falando mal de outro.

****

Nota de rodapé: Se você é um relativista para quem “todo es igual, nada es mejor” e “cada um é feliz a seu jeito”, vá ser igual e feliz na sua página, ok?

[Ou leia isto.]

****

Felipe Moura Brasil é autor do Blog do Pim e deseja que você seja melhor em 2013.

[Veja a repercussão desta crônica - aqui.]