quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Soneto chato

[Publicado originalmente no facebook - aqui.]

Ninguém salva mais vidas do que um "chato"
E nada mata mais que a sua ausência
Sem ele tudo é culto à inconsequência
Glamour da estupidez em cada ato.

Ninguém é do futuro bom arauto
Se não tem do passado consciência
Mais vale ouvir a voz da experiência
Do que implorar socorro como incauto.

Os pais, "chatos" primeiros, quando ausentes
Ou por medo dos filhos, transigentes
Na esperança de vê-los sempre gratos

Endossam atitudes delinquentes
Tragédias evitáveis, decorrentes
De toda uma cultura avessa aos "chatos".

*****

Felipe Moura Brasil é o chatinho (sem aspas) autor do Blog do Pim.


Nota chata
[Publicada no facebook após o trágico incêndio na boate de Santa Maria (RS).]

Na maioria dos países, o sujeito que tem medo de que a boate pegue fogo, o prédio desabe, o elevador despenque, a ponte caia, a arquibancada desmorone, a encosta deslize, o bueiro exploda e outras coisas mais venham abaixo (ou acima), sem deixar opções para a fuga, é considerado um sujeito paranoico, com síndrome do pânico.

No Brasil do jeitinho, onde tudo corre frouxo, um sujeito assim é apenas alguém bem informado.

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