segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Entre a cadeia e o Oscar

[Publicado originalmente no facebook - aqui e aqui.]
[Também publicado no Mídia Sem Máscara - aqui.]

1.

Por um desconhecido vídeo de 15 minutos no Youtube com críticas ao profeta Maomé, um sujeito foi preso pelo governo Obama, que o culpou pela morte de 4 americanos na Líbia em alegada reação de protesto, mesmo sabendo que se tratava de um ataque terrorista alheio ao conteúdo.

Por um filme-propaganda de 2 horas e meia ("A hora mais escura"; no original "Zero Dark Thirty"), que celebra Obama por "matar" Bin Laden e inclui cenas de afogamento de terroristas presos, a equipe da diretora Kathryn Bigelow recebeu 4 indicações ao Oscar: Melhor Filme, Atriz, Roteiro Original e Edição de Som, tendo vencido nesta última.

Ora, ninguém vai sair matando americanos - muito mais do que 4 - depois de ver o filme de Bigelow? Talvez.

Mas a culpa será dela e dos produtores? Nunca!

Afinal, com o governo dando uma ajudinha providencial no acesso a informações confidenciais, eles contribuíram para a imagem de herói do presidente
.

A birra de muitos "antibushianos" do show business e da política pelo filme deixar supor que os afogamentos da Era Bush foram eficazes na obtenção de pistas que levaram ao esconderijo de Bin Laden aniquilou apenas suas chances de vitória nas categorias principais do Oscar esquerdista.

Mas nada assim que dê cadeia a ninguém, sabe?

Por mais que não se satisfaçam com o próprio engodo, os esquerdistas sempre se autorizam a fazer aquilo que, literalmente, condenam nos outros.

Eles confiam plenamente na eficácia de suas técnicas.

Na hora de encontrar culpados para eventuais tragédias, jamais hesitam em afogar os neurônios alheios.

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2.

Na cerimônia do Oscar, não houve maior ironia (mas pode chamar de cara-de-pau) do que o prêmio de Melhor Filme para "Argo" - que conta a história real de um resgate de 6 oficiais americanos sob ataque numa embaixada do Irã, em 1979/80 - ser anunciado por Michelle Obama, cujo marido falhou justamente no resgate de 4 oficiais americanos sob ataque numa embaixada da Líbia, em 2012.

Obama não ganhou o Oscar com a sua semiautobiografia "Lincoln", nem com o seu filme-propaganda "A hora mais escura", mas Michelle deu o ar da graça, na gigantesca telona, para manter a imagem do governo e da família, literalmente, nas alturas - sobretudo entre a população provinciana, quase brasileira, que acha muito chique isso de primeira-dama aparecer em festa de cinema - e fazer até Jack Nicholson parecer um anão.

Eu achei graça, claro. Se até o filme de um militante como Ben Affleck compromete involuntariamente o seu líder, nada como a franjinha de Michelle para distrair a massa.


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Nota de rodapé: Se você quer continuar admirando astros hollywoodianos como George Clooney, Ben Affleck, Matt Damon, Sean Penn, Jamie Foxx e tutti quanti, o melhor mesmo a fazer é continuar sendo um analfabeto político.

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Felipe Moura Brasil é autor do Blog do Pim.

[Leia também: 10 obviedades]

domingo, 24 de fevereiro de 2013

10 obviedades

[Publicadas originalmente no facebook - aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.]

Melhor brincar de gado só em bloco de carnaval do que viver o ano inteiro seguindo o rebanho.

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Se você não se importa de ter sido educado por manipuladores, não reclame de ser governado por ladrões.

Quem nada faz para extirpar o mal de si é sempre cúmplice do mal alheio.

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[Traduzindo:

Se você não se importa com as mentiras que lhe infundem na cabeça, não reclame da piroca que lhe enfiam no cu.]

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O brasileiro de hoje é uma alma sensível a palavras reacionárias num corpo insensível a estupros revolucionários.

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Entre a verdade e a mentira, quem escolhe o meio termo é o covarde. O idiota escolhe a mentira, que é mais curta.

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No Brasil, o meio termo é sempre de esquerda.

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Obama proibiu seu novo chefe de gabinete, Denis McDonough, de ir de bicicleta para a Casa Branca, por questões de segurança. Político de esquerda, como até o Sarney sabe, deve andar de carro blindado, com seguranças armados, enquanto desarma a população.

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A mídia do mundo inteiro quer fazer com a Igreja Católica o que fez com a nação americana: colocar em seu comando um socialista infiltrado que a detesta, para pedir desculpas à humanidade por tudo que a própria mídia diz que ela fez.

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Em homenagem à mídia mundial que quer um Papa a favor do aborto, da camisinha, da pílula do dia seguinte, do casamento gay, da legalização das drogas e, quem sabe, do genocídio jamais por ela noticiado de 150 mil cristãos por ano pelo famigerado "crime" de serem cristãos, convido todos vocês para o lançamento da campanha:

"Eu quero que o goleiro do Fluminense seja o presidente do Flamengo."

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Debochar de esquerdistas revolucionários é dizer "Vão se foder, seus filhos da puta!" de uma maneira mais divertida.

Mas lembre-se: às vezes, é preciso ser direto.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Mulheres-passarinho

[Crônica publicada originalmente no facebook - aqui.]

O culto à imagem aniquila a sensorialidade humana.

Quanto mais as moças vivem para sair bem na foto — e não vejo outro motivo para tantos baldes de tinta na cara —, mais perdem, literalmente, o tato com os rapazes.

Resultado: dão carinho como quem faz cócegas em barriga de cachorro; abraçam como quem aperta os botões laterais de um fliperama; e ainda beijam só com a ponta do bico, feito passarinho de gaiola.

As únicas exigências que se preocupam em atender não são mais as masculinas, mas as da capa de revista (ou facebook, ou instagram), para a qual a estética prescinde de funcionalidade.

Postam milhares de fotos na praia, na piscina, na academia, na balada, no espelho, empinando o bumbum e fazendo biquinho, mas, em matéria de contato e envolvimento, estão a léguas da entrega e da desenvoltura sem as quais a intimidade física e amorosa é impossível.

Entre o encanto e o sexo, há em qualquer relacionamento — ainda que carnavalesco — uma etapa intermediária constituída justamente de “abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim”, muito embora “acabar com esse negócio de você longe de mim” seja tanto mais complicado hoje em dia quanto mais intransponível a distância entre mulheres-passarinho e homens de carne (língua) e osso.

Alguns desavisados, incapazes de nomear essas coisas e mais ainda de abrir mão de fêmeas tão desejadas, pulam esta etapa com a indiferença típica dos predadores — e depois não entendem por que diabos não conseguem armar o barraco.

Assim como é difícil para moças vaidosas admitir que a razão de seus sucessivos fracassos amorosos pode estar simplesmente na sua inibição ou inépcia para o beijo e todo o envolvimento corporal que este supõe (já que os rapazes, por educação, evitam dar esse tipo de retorno), também o é para rapazes devassos admitir que ao seu tesão não basta um objeto atraente — e que dirá ao seu amor.

O encontro sensorial dos corpos, como o das almas, é fundamental fora e muito antes da cama.

Quando se torna mera burocracia — e dispensa a qualidade —, os desencontros e constrangimentos são inevitáveis.

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Felipe Moura Brasil é autor do Blog do Pim e acredita que o facebook e o instagram são os maiores ninhos de passarinho do planeta.

[Veja a repercussão desta crônica - aqui.]

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Soneto do coração maduro

[Publicado originalmente no facebook - aqui.]

Meu coração se encanta, não se ilude;
Que o encanto à consciência se antecipa
E se a ela obedece na altitude
É como avião a carretel de pipa.

Se merece — e merece! — uma chulipa
O ingênuo coração da juventude
Não é por se encantar por uma tipa
Mas sim por nela ver maior virtude.

Ao encanto, a beleza, o jeito e as vestes
Juntos bastam; às vezes, inda avulsos
Se aos desejos parecem ideais;

Ao meu amor (à parte os cafajestes)
Malgrado sejam essenciais impulsos
Há muitos anos já não bastam mais.

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Felipe Moura Brasil é autor do Blog do Pim (e de seus parênteses).