quinta-feira, 28 de março de 2013

Arnaldo, o Masturbador – um curioso caso de pedofilia intelectual

[Também publicado no Mídia Sem Máscara - aqui.]

Trinta razões de Arnaldo Jabor para propor o fim do celibato na Igreja Católica:

[Mas se quiser pular logo para o meu artigo, pode; e se tiver paciência para ler o dele no original, também.]

1) Os padres de seu colégio sofriam o "desespero da castidade".

2) O "desespero da castidade" dos padres de seu colégio era evidente em seus "rostos angustiados" e "berros severos e excessivos".

3) Os padres de seu colégio ficavam “zonzos de desejo” diante das lindas mães dos alunos.

4) O reitor de seu colégio estendia a mão para os alunos beijarem em fila.

5) Os padres de seu colégio condenavam o “vício solitário”.

6) Os padres de seu colégio comparavam os alunos viciados a Hitler, porque matavam, nos banheiros, “milhões de pessoas que poderiam nascer”.

7) Arnaldinho Jabor não achava muito legal ser considerado um genocida “em holocaustos de banheiro”.

8) Arnaldinho Jabor “sofria” nos banheiros, acariciando o seu “passarinho” em “humilhante solidão”.

9) No colégio de Arnaldinho, “o prazer era um crime”.

10) No colégio de Arnaldinho, tudo ficava “manchado de culpa”.

11) No colégio de Arnaldinho, “a sexualidade esmagada virava uma máquina de perversões”.

12) Hoje, neste mundo tão pornográfico, “fica cada vez mais absurdo que padres leiam ‘Playboys’ no escuro dos conventos”.

13) No conclave que elegeu o Papa Francisco, todos os cardeais pareciam a mesma pessoa.

14) As “décadas de abstinência sexual” dos cardeais eram evidentes nos “sulcos de tristeza” de seus “rostos acabados”.

15) Os “sulcos de tristeza” representavam “um vazio de prazeres não vividos, um vazio de corpos não beijados”.

16) O óbvio, segundo Jabor, é que a pedofilia é fruto do celibato.

17) Se ele disser o óbvio, porém, “as respostas serão adversativas, evasivas, afirmando que os pedófilos já viriam ‘prontos’ antes da ordenação, que o fenômeno é complexo etc. e tal”.

18) No colégio de Arnaldinho, um padre que fazia mágicas o levou para conhecer seu teatro de marionetes, criticou e penteou seu cabelo, e deu-lhe um beijo na boca.

19) Os dois padres para os quais Arnaldinho confessou o episódio não lhe deram muita bola.

20) Conclusão 1 de Arnaldinho: a pedofilia era um mal inevitável para a manutenção do celibato.

21) Conclusão 2 de Arnaldinho: havia “um corporativismo espiritual a defender práticas escusas”.

22) “Todo mundo” sabia de casos semelhantes no colégio de Arnaldinho.

23) As inúmeras proibições e preconceitos ainda levaram “muitos colegas de classe” de Arnaldinho a “uma saída homossexual aflita, torturada”.

24) O celibato foi instituído não “porque os padres casados tendiam a se distrair das tarefas religiosas”, como dizia o Papa Gregório VII em 1073, mas para “impedir que viúvas e filhos herdassem bens dos sacerdotes, que deviam ser repassados à Igreja”.

25) O celibato é “uma das grandes desvantagens” da Igreja Católica perante outras religiões.

26) As vocações para seminaristas “estão diminuindo muito”, porque eles não podem “do it”.

27) Rabinos, pastores protestantes, budistas e muçulmanos — todos podem “do it”.

28) A religião está virando cabide de emprego para quem passa fome ou busca um lugar social.

29) Os pentecostais estão “botando pra quebrar em bailes gospel e shows de Jesus Funk”, e a Igreja Católica está mergulhando na Idade Média.

30) Chegou a hora de uma “teologia da libertação sexual”.

*****

Eis mais um rap autobiográfico de Arnaldo Jabor, onde qualquer coisa se mistura com qualquer coisa para justificar coisa nenhuma em nome de outra coisa. É o drama amplificado da experiência pessoal a serviço de uma causa política oculta.

Os padres supostamente sofrem, berram, condenam, pervertem-se e pervertem as crianças, beijam-nas e são beijados por elas por causa do celibato. Logo, a pedofilia é fruto do celibato. Uma coisa assim muito óbvia no universo de Jabor, onde prestar contas à realidade é uma burocracia intergaláctica a ser evitada.

Imagine o trabalho que daria pegar uma nave espacial para os Estados Unidos, por exemplo, onde a presença de pedófilos é de duas a dez vezes mais alta entre os pastores protestantes do que entre padres católicos, segundo os estudos de Philip Jenkins. Se a maioria dos pastores protestantes “do it” com suas esposas, como é que a pedofilia poderia ser fruto do celibato?

Eis um dos itens - tão aborrecido quanto tirar passaporte e visto — que Jabor teria de explicar, caso admitisse, é claro, que um dado da realidade não é uma das respostas “adversativas” ou “evasivas”, afirmando “que o fenômeno é complexo”, como ele induz os atuais e futuros habitantes de seu universo a pensar que são as únicas respostas disponíveis nas galáxias.

A diferença básica entre o universo de Jabor e a realidade é que, no primeiro, só os padres católicos são pedófilos, e na segunda a pedofilia é menos frequente entre os padres católicos do que entre os membros de qualquer outra comunidade humana, como, por exemplo, a dos professores de educação física (6 mil condenados nos EUA no mesmo período em que apenas cem sacerdotes o foram, segundo Jenkins) e a dos assistentes sociais da ONU (400 queixas de refugiados da África Ocidental só em 2001, segundo Judith Reisman; mais outras centenas, quiçá milhares a cada ano, segundo os relatórios recentes da entidade britânica Save The Children. Sim: há inúmeros casos de “sexo por comida”. Sim: aquela ONU que agora luta pelos “direitos sexuais” das crianças de 10 anos).

Cá na Terra, vale lembrar também aos recém-chegados, mais de 80% dos pedófilos e mais de 90% dos sacerdotes condenados por abuso sexual de menores e pedofilia são homossexuais (como talvez fosse aquele padre mágico que Jabor diz ter-lhe roubado um beijo na boca), o que nos leva então a mais uma diferença entre seu universo e a realidade: no primeiro, a pedofilia dos padres católicos é fruto do celibato; e, no segundo, sobretudo da infiltração de agentes das organizações gays nos departamentos de psicologia dos seminários, onde dificultam a entrada dos postulantes dotados de vocação para a coisa e forçam o ingresso em massa de homossexuais, como demonstrou o repórter americano Michael S. Rose no livro Goodbye, good men. Se a leitura — pelo menos a dos artigos do filósofo Olavo de Carvalho e do sociólogo italiano Massimo Introvigne — fosse prática comum no universo de Jabor, ele nem precisaria vir à Terra para saber alguns dos motivos reais da diminuição das “vocações para seminaristas”.

Mas em Jaborlândia pega tão mal acusar gays de qualquer coisa ruim quanto pega bem apontar um interesse financeiro por trás daquilo que lhe desagrada, seja a guerra do Iraque para garantir o controle americano sobre as reservas de petróleo, seja a instituição do celibato para preservar o patrimônio da Igreja. Quando ouço aqui os ecos desse tipo de acusação alienígena, fico imaginando mártires como Santo Inácio de Antioquia se deixando devorar pelos leões do Coliseu romano só para garantir uns trocados para sua paróquia. E penso: se Jabor acusa os EUA de entrar em guerra por petróleo, e depois, sem um pingo de vergonha, acusa Bush de destruir a economia dos EUA com a guerra; depois de acusar a Igreja de instituir o celibato para herdar os bens dos sacerdotes, quem será que ele condenaria se a Igreja tivesse falido? O Papa Gregório VII?

Ah sim, eu já ia me esquecendo: Jabor não acusa os gays, mas sugere que a homossexualidade foi uma saída “aflita, torturada” de seus colegas de classe para os preconceitos e proibições de seu colégio. Isso mesmo: viraram gays porque sofriam; e viraram gays sofridos (assim como Jabor sofria no banheiro). Ou seja: não eram necessariamente gays de verdade, apenas buscavam uma saída, sabe? No fim das contas, Jabor está admitindo que certas pessoas podem ter relações homossexuais por pura neurose, o que o tornaria um reacionário defensor — em caso de coerência terráquea — do tratamento psicanalítico para pessoas que apenas “estão” gays. Mas cadê os petistas, gayzistas e feicebuquianos para chamar Jabor de “homofóbico”? O que diriam se Marco Feliciano, Silas Malafaia ou Jair Bolsonaro insinuassem tal coisa? No universo de Jabor, vale tudo para atacar a Igreja, até cometer alguns atos falhos de militante.

Tudo porque “o prazer era um crime”, é claro. Que religião é essa afinal que faz até os Arnaldinhos da vida se sentirem culpados por acariciar seus “passarinhos” em “humilhante solidão”? Ora, precisamos de uma “teologia da libertação sexual”, para que ninguém mais se sinta culpado de nada e, tal qual Verissimo contra as indecências do BBB, Jabor possa escrever uma centena de crônicas (ou raps) denunciando a pornografia e o sexo de consumo que ele ajuda a disseminar desde os anos 60, não sem admitir, lá no meio de uma delas, que “sem o pecado ficamos insuportavelmente livres” (embora “insuportavelmente delinquentes” fosse a expressão mais correta; mas seria demais esperá-la do autor.)

A base do ódio anticristão é a aversão à culpa, de modo que quem não a suporta — quem não se aceita como pecador em busca da perfeição de Cristo, com “as imperfeições dos que vão progredindo”, como dizia Santo Agostinho — precisa aderir ao coro que demoniza a Igreja opressora e seus padres pervertidos, como se não tivesse sido o cristianismo a influência fundamental para o recuo da pedofilia na Grécia, no Império Romano, na China, na Argélia, no mundo islâmico e onde mais ela era tolerada ou legítima até alguns séculos atrás; como se os escândalos atuais de pedofilia não fossem também efeito da atuação interna e externa de seus inimigos, e como se ela não estivesse hoje impregnada em todo este mundo pornográfico dos "zonzos de desejo" justamente graças a pedófilos intelectuais como Arnaldo, o Masturbador, cujos raps, veiculados em grandes jornais, rádios e TVs, têm o poder de abduzir milhões de menininhos desinformados para um universo mental à parte, onde eles podem “do it” à vontade com seus (deles) neurônios em nome do incrível “mundo melhor” da ONU, no qual os únicos culpados são os cristãos, conservadores e reacionários que insistem em defendê-los.

Não que os menininhos sejam as únicas vítimas, é claro. No Brasil revolucionário e feicebuquiano, ainda há milhões de adultos que entram em fila alegremente para reverenciar os Arnaldinhos e beijar-lhes a mão manchada de cuspe.

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Felipe Moura Brasil é o sofrido autor do Blog do Pim, onde analisa os raps de Arnaldinho Jabor em “humilhante solidão”. 

Leia também:
- O demônio favorito de Arnaldo Jabor 
- Mais um rap do Arnaldinho
- Habemus odiu!

segunda-feira, 25 de março de 2013

Medicina para matar

[Notas publicadas originalmente no facebook - aqui, aqui e aqui.]

"Percebi que todos os que são a favor do aborto já nasceram."
(Ronald Reagan) 

Todos que defendem a "autonomia da mulher" para o aborto deveriam defender também a "autonomia do banco" para gastar o seu dinheiro.

Se aquilo que o homem deposita na mulher não "pertence" mais a ele (nem em parte, para efeitos de decisão), por que diabos o que deposita no banco ainda lhe "pertence"?

Para a maioria dos supostos médicos do Conselho Federal de Medicina, a depositária virou dona.

Só espero que os bancos sejam solidários e dividam com a gente a poupança deles.

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A PROPÓSITO: Na questão do aborto, eu também sou a favor da "escolha". Da escolha que a mulher pode fazer de não transar, se não quiser correr o risco de ficar grávida.

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No Brasil, certos índios cujas tribos sepultavam vivas as criancinhas indesejadas (coisa que algumas ainda fazem) vociferam contra os malditos "invasores brancos" que - com umas aulinhas de moral cristã - as impediram de sepultá-los quando eles mesmos eram essas criancinhas.

Os abortistas são como esses índios: vociferam contra a sociedade reacionária ["egoísta", "radical", "intolerante", "inflexível"...] que conteve o avanço das ideias nazistas, impedindo que eles mesmos fossem abortados.

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É próprio do ingrato ignorar o que os outros fizeram por ele, ou acreditar que não foi nada de mais.

É próprio do egoísta acreditar que todos são egoístas, só porque não atendem às suas exigências, por mais absurdas que elas sejam.

É próprio do matador acreditar que a vítima de seu crime não tem o mesmo direito à vida do que ele.

E é próprio do filho da puta acreditar, por exemplo, que os pobres não têm direito à vida.

O discurso abortista é isto: a soma de ingratidão, egoísmo, desejo de matar e "filha-da-putice".

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Piadinha do dia:

Você sabe o que diz uma abortista quando descobre que está grávida?

"Que coisa!"

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NOTA DE RODAPÉ: Antes de reagir como um leitor idiota às notas acima, leia abaixo a seleção dos meus textos sobre o aborto, que também está na coluna da direita do Blog. O tema será abordado ainda sob diversos aspectos em livro da Ed. Record, organizado por mim, a ser lançado em breve.

Aborto


"Eu sou contra o aborto até mesmo se o feto concordar com ele."
(Felipe Moura Brasil)

Idiotice e maturidade — uma singela homenagem aos parasitas da página alheia

Aproveitei este post, que originalmente continha apenas as duas primeiras notas, para reunir mais algumas das dezenas que escrevi [e escreverei...] em homenagem aos incuráveis parasitas da minha página no facebook e do meu Blog do Pim. Se você é um deles, ou foi enviado a esta página por alguém que o considerou um parasita também, tenha a humildade de se reconhecer na(s) descrição(ões) abaixo e/ou vá publicar seus xingamentos, distorções, mentiras e afetações de superioridade — que só o analfabetismo funcional, a inconsciência de si ou a má-fé cínica podem chamar de "discordância" na sua própria página, aonde teremos imenso prazer de nunca ir. Gratíssimo.

I.

Leitor idiota x Leitor maduro

A diferença básica entre o leitor idiota e o leitor maduro é que o primeiro contesta de imediato tudo que lhe parece estranho ou contrário às suas convicções a cada linha de um único texto; e o segundo pesquisa no restante da obra do autor, dos autores que este indica e em qualquer site de busca os fatos, conceitos e raciocínios incompreendidos ou ignorados, para só depois se pronunciar a respeito.

Em outras palavras:

O leitor idiota está sempre convicto da ignorância alheia. O leitor maduro desconfia primeiro da própria.

II.

A "discordância" pública não justificada

"Discordar" publicamente de alguém sem dizer por quê, preservando os próprios argumentos — caso existam — do escrutínio, é apenas o anúncio de uma fuga mental e moral, com o propósito consciente ou inconsciente de induzir a plateia a desconfiar do autor.

A "discordância" pública não justificada é normalmente a reação histérica imediata a uma ideia — ou a toda uma obra — contrária às crenças do suposto discordante, que, desprovido da capacidade de refutá-la e tendo prescindido de razões para crer no que crê, tenta levar os outros a fazer o mesmo que ele, insinuando que as razões existem em algum lugar, embora não as vá apresentar agora.

Em outras palavras, o homem intelectualmente honesto consigo, antes que com os demais ou diz por que discorda ou fica em silêncio até o momento de dizê-lo. O resto é jogo de cena, neurose pura, histeria militante, pilantragem virtual e/ou parasitismo da página alheia.

III.

É quase sempre mais ou menos assim...

1) Após a leitura de um texto que contraria suas convicções (inconscientemente formadas na base do "ouvi dizer"), o sujeito chega falando do que não sabe e geralmente acusando você de alguma coisa (radical, extremista, fascista, nazista, alguém que só quer chamar atenção, alcançar reconhecimento — essas coisas lindas); 2) você mostra que ele não sabe do que está falando e como suas acusações não fazem o menor sentido; 3) ele — se é que não muda de assunto — começa a fazer perguntas retóricas ou desafiadoras sobre aquilo que antes não sabia (na esperança de que você resuma livros inteiros — que ele faz questão de ignorar — na seção de comentários de um único artigo); 4) você diz que ele deveria estudar o assunto antes de repetir frases-feitas e com muito boa vontade indica até uma bibliografia inicial; 5) ele fica ofendido e, com ares de vítima, diz que só queria saber tais e quais coisas...

É um quadro clínico clássico de histeria — a base da personalidade esquerdista, segundo Eric von Kunhelt-Leddin —, diante do qual só resta a você recomendar terapia, análise ou um psiquiatra (muito embora haja sábios e santos que prefiram, não sem razão, mandar tomar naquele lugar).

Como hoje, no entanto, até meditação de maconheiros na praia é chamada de terapia, o pior é que o sujeito poderá alegar que já faz tal coisa, a despeito de todo o evidente conjunto de sintomas que apresenta.

Então você desiste da recomendação direta e descreve em um texto como este o padrão de comportamento do sujeito — embora já o tenha feito outras vezes —, na esperança de que ele e os demais histéricos que já passaram e passarão por sua página se reconheçam intimamente na descrição e quem sabe procurem por você privadamente para pedir uma indicação de verdade, ou para demonstrar que já se tornaram pessoas capazes de fazer interrogações polidas sobre assuntos que, confessadamente, nunca examinaram a fundo, bem como de estudá-los — para além da propaganda da grande mídia e do sistema de ensino — sem o pavor de se sentirem "ofendidos" pelo conhecimento e pela necessária provocação [ver item IX] daqueles que os querem livres da alienação, da ignorância e desse jeitinho melindroso e frouxo de ser.

Não que você espere, com isso, mais do que novos desaforos, vitimismos e incompreensões. Afinal, já resumia Dercy Gonçalves:

"Do cérebro, que é importante, ninguém cuida. Cuida do dedo do pé, cuida do cabelo... Mas, por dentro, tá uma merda."

IV.

A ilusão da discordância

É natural que quem tem a ilusão de ter uma opinião tenha também a ilusão de discordar de quem tem.

A quantidade de feicebuquianos que acreditam "pensar diferente" de você quando eles simplesmente não têm — e demonstram não ter — a menor informação sobre o assunto em que "opinam" — ou sobre os líderes que seguem pelas ruas — é uma coisa assombrosa.

Sua única fonte de informação é a organização criminosa da grande mídia e do sistema de ensino, cujos slogans, figuras de linguagem e mentiras eles repetem por automatismo sem jamais ter lido a sua descompactação ou a sua refutação, presente em milhares de artigos e livros que eles simplesmente desconhecem.

Não tiveram acesso a essas coisas, muito menos as buscaram.

Vivem — quando muito — no mundinho encantado de Leilane Neubarth, da Globo News, e ainda querem que eu não os chame de manés. Admito que têm até uma certa razão nisso. O mané é só um otário que não sabe de nada e está sendo passado para trás.

Já esses feicebuquianos que, deparando-se com as informações que lhes faltam, preferem rechaçá-las e se ater às suas convicções de ignorante — esses estão, sem dúvida, muito mais para imbecis.

V.

O abandono da inteligência

Uma das maiores provas de abandono do exercício da inteligência é ler um texto que expõe as mentiras de outro e dizer: "Cada um com a sua opinião."

VI.

Não estudado X Estudado

"Pim, vc é um cara estudado. Por favor, pare de falar tanta merda seguidamente! O que você escreve [é] que nem gás de pimenta, fazendo arder meus olhos!"

Muito obrigado! Nada mais sintomático do ódio brasileiro ao conhecimento que o sujeito "não estudado" dizer que o "estudado" fala merda, em vez de estudar também e até lhe pedir educada e privadamente explicações e dicas de leitura. Claro que tomo como um elogio. Claro que isso me envaidece. Só não precisava tanto. Dizer que o que eu escrevo é que nem gás de pimenta, fazendo arder os olhos de um "não estudado" petulante e parasita, que xinga na página alheia o que não consegue refutar na própria, puxa vida...

Assim eu fico até emocionado. Valeu mesmo! Pode contar comigo!

VII.

Diploma X Conhecimento

Eu só queria deixar claro a vocês, que estudaram em escolas particulares do Rio de Janeiro ou de São Paulo com altas taxas de aprovação no vestibular, e depois fizeram os cursos universitários considerados os melhores do país e, por causa disso de seus títulos e diplomas , pensam que quando a gente lamenta o estado da educação brasileira, a gente está falando apenas de escolas públicas lá dos confins do Acre eu só queria deixar claro, repito e singularizo, que a gente também está falando de você aí, que aprendeu uma história absolutamente fictícia do Brasil, que adquiriu verdadeiro pavor a qualquer livro de literatura, que se animalizou com uma linguagem compactada de propaganda política, que chama 180 coisas diferentes por um nome só que normalmente não se aplica a nenhuma das 180 , que reage histericamente a quem quer que eduque você, e que sai do seu emprego, assiste à sua novela e ouve seu pagode no fim de semana, e acha que é um sujeito instruído e letrado porque, afinal, teve uma educação "melhor" do que a dos acreanos dos confins; você aí, meu filho, tenha a humildade de saber que não sabe de nada para além se tanto do seu campo específico de atuação, ok?; e que, ou você estuda para se descontaminar das besteiras e reações padronizadas que lhe incutiram, ou fique quietinho no seu canto, porque assim faz menos mal ao país. Grato.

VIII.

O palavrão pedagógico

Quando um ignorante engajado desafia você a convencê-lo de alguma coisa, na esperança de que você o eduque individualmente em 140 caracteres, é que você realmente se dá conta de quantas bibliotecas cabem em um generoso e pedagógico palavrão.

IX.

Nota sobre a viadagem

Uma leitora me manda uma mensagem muito educada, julgando-me "agressivo" ao falar no Facebook do "Dia da Viadagem carioca" — o da marcha "Contra a corrupção", sobre a qual escrevi no artigo "Todos juntos contra a inteligência". Ela reconhece a alienação geral, mas acha que "uma maneira significativa de informar as pessoas seria: informar as pessoas" ou seja: sem zombar delas. Como não é a primeira vez que alguém reclama da minha "agressividade" e propõe o fim de toda a parte divertida do meu trabalho, resolvi publicar essa resposta em forma de nota, omitindo, é claro, o nome da leitora. Minha página agora é uma plataforma educacional. Sejam bem-vindos ao cursinho online do Pim:

Vamos lá. Por partes.

1) Se as pessoas alienadas são, por definição, indiferentes às questões políticas e sociais ou avessas ao que realmente se passa por trás das aparências , é evidente que "informar as pessoas", como você propõe, é inútil. Qualquer texto meramente informativo, mesmo que chegue até elas, o que já seria difícil, será ignorado, como o são todos os outros. Então é preciso algo mais, como veremos adiante.

2) Você achou agressiva a palavra "viadagem". Acontece que a função de um intelectual é descrever as coisas como elas são, sem meias palavras, justamente para que as pessoas não se deixem alienar com eufemismos que encobrem a realidade. Não ousar dizer o nome do inimigo, nem mesmo na hora da revolta contra a roubalheira em seu (terceiro!) governo, sob o temor subserviente de parecer associado a algum outro partido, é mais do que covardia: é pura viadagem mesmo. É uma inibição tal que beira a cumplicidade criminosa, e que, por isso mesmo, precisa ser exposta da maneira mais crua, com o propósito sim de envergonhar seus agentes e corrigir-lhes a postura.

3) Você poderia dizer: "Ah, mas eles não sabem, estão desinformados!". Ora, se estão desinformados, que se informem antes de agir! Senão, sinto muito: suas ações na arena política têm consequências graves que eles nem imaginam, e quem entende do assunto precisa tomar as devidas providências intelectuais, para evitar que o inconformismo dos "bons" (os "idiotas úteis", diria Lenin) seja aproveitado pelos maus.

4) É próprio da ética burguesa colocar a polidez acima de tudo, como se fosse possível evitar a progressão do erro, do absurdo, do mal ou da barbárie só com palavras belas em tom ameno. Não é. Ainda mais quando a gente precisa se fazer ouvir num país em que quase todos os canais de comunicação estão nas mãos do inimigo, ao qual, aliás, essa inibição interessa e muito. Para despertar os alienados daí resultantes, é preciso e volto ao item 1 descrevê-los, ironizá-los, provocá-los e chocá-los, com todas as letras, artifícios literários e recursos pedagógicos; ou continuarão fora da realidade, fazendo besteira, convictos de praticarem o bem. É, sim, tratamento de choque, estudado e praticado há milênios por escritores, filósofos e santos. Não tenho como resumir tudo aqui. Mas funciona.

5) Você diz: "quando temos informação temos tb responsabilidade". Exato. A minha responsabilidade, entre outras, é alertar às pessoas, da maneira mais eficaz, para o erro que estão cometendo. Isso é ética cristã: "Repreende o teu próximo, para não te tornares culpado de pecado por causa dele". O meu pecado, no caso, seria também a omissão ou a amenização da repreensão, por temor de ferir suscetibilidades e parecer agressivo. Em outras palavras: para salvar alguém de um atropelamento, não podemos ter medo de ferir-lhe a unha do dedo mindinho do pé esquerdo. Principalmente quando a vítima é o país inteiro.

6) Por fim: quem é bem-intencionado não sai correndo ao vestir a carapuça, sentindo-se "agredido" pelo choque, como um neurótico a recusar a consciência. Ao contrário, sente suas convicções abaladas, aproxima-se mesmo que desconfiado, e procura entender as coisas com calma, sem medo de suspender ou renegar as opiniões anteriores. Estas são as pessoas honestas e interessadas, que merecem atenção e respeito.

7) Seja sempre bem-vinda! Um beijo.

X.

Resposta a quem veste a carapuça

Eu publico artigos desde 2003 na internet. Há quase 10 anos, portanto, recebo mensagens de leitores enfurecidos, achando que escrevi certas coisas sobre eles, para eles etc., o que, ademais, muito me diverte. Respondo abaixo a uma leitora deste tipo, que julgou terem sido desferidos contra ela os meus comentários em homenagem a todos que opinam no facebook sem conhecimento de causa. Com isso, respondo de uma vez só a todos que já vestiram, vestem e vestirão a carapuça a partir dos meus textos. Que a vistam, pois, a partir deste também.

Minha querida Leitora,

A sua primeira pergunta — "p q vc nao fala pra mim aqui [no chat] o q quer dizer?" — me faz lembrar a tese do educador Cláudio de Moura e Castro, segundo a qual, no Brasil, ninguém lê o que um autor escreveu, mas o que se imagina que ele quis escrever. Pois é. Mas o que eu quero dizer, Leitora, está dito nos meus textos. Para além disso, é tudo imaginação de quem leu.

Sou um escritor e, como tal, escrevo para o público leitor. Não escrevo (meus artigos ou comentários) pra você, nem sobre você especificamente, nem dou "indiretas" pra você, nem pra ninguém. Você não é o centro do meu mundo, nem a causa única de nada do que escrevo.

Se você vestiu em algum momento a carapuça — e, evidentemente, não é a primeira vez que alguém a veste a partir de um texto meu —, esse é um problema inteiramente seu.

Eu escrevo, entre outras coisas, sobre pensamentos e condutas que se estabelecem como padrão, e eles, de fato, só me interessam por isso: porque se repetem, manifestando-se em diversas pessoas. Não tenho razões para dar conselhos a quem não me pediu, muito menos tempo para fazer correções individuais, de modo que, quando detecto uma tendência nociva se avolumando, cumpro com prazer o meu papel de esculhambar todos os seus adesistas de uma só vez, na esperança, sim, de que se reconheçam intimamente no que escrevi e, trazendo à consciência os vícios de que participam, tratem finalmente de melhorar. Isto não é "indireta", Leitora. Isto é literatura. Isto é filosofia.

Se você é uma das milhares de pessoas que: 1) opinam sem saber; 2) alegam a variedade de pontos de vista como forma de legitimar o seu próprio — mesmo que falso — ou os demais — mesmo que tão diversos e contraditórios —, bloqueando portanto o exercício da inteligência só para parecer tolerante diante da opinião alheia; e 3) está entre aquelas que me chamam de arrogante por dizer (da forma como eu digo) o que estudei anos para dizer (da forma como eu digo), fico então feliz que se reconheça nos meus comentários e torço para que se corrija o quanto antes. Se tiver qualquer pergunta pra mim, sobre qualquer assunto, terei imenso prazer em responder (como faço agora), ou indicar leituras, sempre que possível. Mas, assim como jamais negarei a ninguém a liberdade de falar ou escrever o que quiser dentro dos limites da lei (e de sua própria página...) — e sou mesmo capaz de morrer para defender essa liberdade —, jamais deixarei de criticar o que é dito leviana e publicamente, caso julgue relevante para manter ou recuperar a sanidade geral.

Ah sim: porque eu — mau como pica-pau — "julgo tudo" mesmo, de muito bom grado, ou não seria capaz de escolher nem renunciar a coisa alguma. Quando Cristo disse: "Não julgueis para não serdes julgados. Pois com o julgamento com que julgais sereis julgados, e com a medida com que medis sereis medidos", ele se referia a julgar pessoas em sua totalidade; ao julgamento final que cabe somente a Deus, o único capaz de enxergá-las inteiramente, pesar os bens e os males que cada uma fez e atribuir-lhes uma sentença definitiva. Mas julgar atos e palavras? Ora, isso é uma obrigação moral — e tanto mais para um escritor!

Que você, para se proteger contra qualquer julgamento legítimo, acione o reflexo condicionado de me condenar por "julgar tudo", é apenas um sintoma do quanto está contaminada pelo ambiente cultural brasileiro (e feicebuquiano), onde a maior parte das discussões se dá entre ignorantes, que, justamente por ignorarem a qualidade objetiva das coisas julgadas, tornam o juízo a respeito delas uma projeção de sua própria alma, um mero reflexo do estado de sua psique, em vez de uma representação da realidade. Vivem num mundo de "pontos de vista" sem qualquer paisagem, onde naturalmente todas as opiniões são válidas ao mesmo tempo e todos podem ser amiguinhos.

Descontaminar-se de tais ideias falsas e paralisantes, porém, é a condição básica para a participação no debate público, do qual o facebook, bem ou mal, é um dos canais influentes.

Quanto às pessoas (todas elas?) mudarem de acordo com seus interesses — o que você parece insinuar ser o meu caso —, não faço a menor ideia do que isso tem a ver com o que estamos falando, mas devo dizer que, para quem "julga" que meus comentários (todos eles?) "generalizam", não pega bem fazer tamanha generalização.

Com carinho,

Pim

PS: Se eu publicar essa resposta como nota, trocando evidentemente o seu nome por algo como "Leitora", não repare. Afinal, não é porque meus textos não são pra você que não posso fazer com que este, que de fato é, também sirva para as outras pessoas. Um escritor não pode desperdiçar material... Um beijo!

XI.

Mais sobre parasitas nos artigos:

Breve dicionário do que você ouve por aí

Verbete:

"HAHAHAHA/ Affffffff/ Quanta asneira!/ Fico com preguiça / etc. = Não consigo refutar o seu texto, mas vou continuar com a opinião que imagino ter a respeito do assunto e, para mostrar isso, vou peidar aqui na sua página e esperar que meus miguxos venham curtir o conteúdo do meu peido."

Desligue o país e ouça Marco Feliciano — notas sobre "cura gay"e cura intelectual

Trecho:

"No facebook, a militância política travestida de jornalismo tem esse efeito prático: produz um monte de parasitas da página alheia, que se julgam capazes de participar do debate público sem ter sequer um mínimo domínio da linguagem."

"A caça" — um filme para os parasitas

Trechos:

"Quando a gente pensa que já desenhou o suficiente, vem sempre um novo parasita (e seus curtidores) querendo que a gente desenhe mais um pouquinho.

(...) os parasitas sempre seguem, mais ou menos conscientes, a recomendação de Lênin: 'Acuse-os do que você faz, xingue-os do que você é'. E fazem isso sem ter a menor preocupação de provar o que dizem.

(...) parasitas são assim: colocam aspas genéricas na sua boca e dizem que você é que está distorcendo tudo. E depois ainda usam isso para provar um 'argumento' (...).

Para que jamais se esqueçam de se informar a respeito de um assunto, antes de sair acusando os outros de crimes que eles não cometeram, recomendo a todos os meus leitores que assistam ao extraordinário filme dinamarquês 'A caça' sobre um professor de jardim de infância acusado de abuso sexual , que dá a dimensão exata de como o desprezo humano pela verdade e a consequente perda total do senso de justiça levam as pessoas a cometer as maiores atrocidades contra um bode expiatório qualquer.

Mas sei que não adianta recomendar o filme aos parasitas. Assim como eles não têm a humildade de repensar suas opiniões, acusações e sobretudo a forma apressada, mal-educada e estúpida com que as emitem na página alheia, eles dificilmente teriam a grandeza de se reconhecer nos personagens que os retratam."

Notas de um país histérico 

[Ver itens 8, 9 e 10 do artigo.]

Sobre armas, lágrimas e parasitas

Trecho:

"Que um parasita de atenção venha cavar um espacinho na página alheia para fingir que existe, é mesmo de sua natureza. Que seus miguxos venham em bando curti-lo para tentar mostrar pelo número o que não conseguem pelo raciocínio, também. Que essa gente sanguessuga não compreenda sequer o que escreve e ainda queira afetar indignação ou superioridade moral e intelectual à base de sarcasmo juvenil, igualmente. Mas que outros feicebuquianos caiam no engodo, incapazes de distinguir as elipses e manipulações de sua linguagem tosca, é prova de que o analfabetismo funcional, ao contrário do porte legal de armas, sempre reforça a delinquência."

Verás que um filho teu foge dos livros!

O problema do Brasil é a confusão mental

Chamada para o artigo:

"Que garoto de 14 ou 15 anos tem uma visão correta da sociedade, da pobreza etc.? Que garoto de 14 anos está mais interessado nos outros do que em si mesmo? Me diga. Isso é impossível. Um garoto de 14 anos está lutando pela sua autorrealização. E, se ele está revoltado com a injustiça no mundo, é porque ele se sente injustiçado, embora na maior parte dos casos não o seja. Então ele projeta esse seu sentimento de injustiça nos outros, e diz que ele está representando então os pobres e oprimidos. Isso é uma mentira!"

Assim disse o filósofo Olavo de Carvalho. E se você não quer ser como os parasitas da minha página — que correspondem à descrição aos 20, 25, 30 anos e até mais —, melhor você amadurecer logo, ok? "Não há alternativa à leitura", já dizia Paulo Francis. Ele só esqueceu de completar: do Blog do Pim e do Mídia Sem Máscara.

Minha seleção de notas e soluções para o país estão em ambos, com o título: "O PROBLEMA DO BRASIL É A CONFUSÃO MENTAL" — exatamente, aliás, como os parasitas não se cansam de demonstrar.

*****

Felipe Moura Brasil edita o Blog do Pim e é o organizador e autor do prefácio do livro de Olavo de Carvalho, O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota, que será lançado no fim de julho de 2013 pela Editora Record e que descreve a cabeça dos parasitas em ao menos três capítulos inteiros.

quinta-feira, 21 de março de 2013

Notinhas reacionárias

[Publicado originalmente no facebook - aqui.]

1.

Hoje é a "ocupação de espaços" na mídia, amanhã nas escolas, depois de amanhã no show business, depois na presidência da República.

Hoje é o culto à pobreza, amanhã à ignorância, depois de amanhã ao analfabetismo, depois ao presidente analfabeto.

Hoje é o Bolsa-Família, amanhã o Bolsa-Cultura, depois de amanhã o Bolsa-Bandido, depois o Bolsa-Ditadura.

Hoje é o aumento dos impostos, amanhã é o "orçamento participativo", depois de amanhã o cartão corporativo, depois o mensalão.

2.

Hoje é o "casamento" gay, amanhã o poligâmico, depois de amanhã o grupal misto, depois o incestuoso, o pedófilo, o zoofílico, o necrofílico.

Hoje é o aborto de anencéfalo, amanhã o aborto irrestrito, depois de amanhã o infanticídio, depois o genocídio.

Hoje é o sistema de cotas nas universidades, amanhã no mercado de trabalho, depois de amanhã na sua casa, depois no seu rabitcho.

Hoje é a legalização da maconha, amanhã da cocaína, depois de amanhã do crack, depois do terrorismo das Farc.

Hoje é a censura aos divergentes, amanhã a criminalização, depois de amanhã a prisão, depois o fuzilamento.

Hoje é o desarmamento, amanhã... todo o resto fica mais fácil.

3.

A exceção faz a fila.

Ou você é intransigente com o movimento revolucionário, ou ele já fez você de idiota.

*********

Felipe Moura Brasil é autor do Blog do Pim e, como Nelson Rodrigues e George Bernanos, não se incomoda de ser chamado de reacionário:

"Sou reacionário. Minha reação é contra tudo que não presta." (Nelson Rodrigues)

"Ser reacionário é ser vivo, porque só um cadáver não reage aos vermes que o corroem." (Georges Bernanos)

quarta-feira, 20 de março de 2013

Habemus odiu!

[Notas publicadas originalmente no facebook - aqui, aqui, aqui e aqui]

1.

O mundo, segundo Dilma Rousseff, pede à Igreja Católica "que as opções diferenciadas das pessoas sejam compreendidas".

Sim: o mesmo mundo onde morrem assassinados 150 mil cristãos por ano pelo "crime" de serem cristãos.

Sim: a mesma Igreja Católica que não obriga nenhum indivíduo nem Estado nacional a seguir seus princípios.

Sim: a mesma Dilma Rousseff que não compreende "as opções diferenciadas" da Igreja Católica.

Para os progressistas, compreender a diferença é aderir à diferença deles.

E eles não sentem um pingo de vergonha em insuflar ainda mais ódio contra a religião mais perseguida do mundo.

Ainda bem que o Papa Francisco compreende essa gente.

2.

A base da caridade cristã é o amor ao próximo. A do esquerdismo, o ódio de classe.

Por isso, nada mais insuportável para os populistas de esquerda do que um Papa "fofo" e preparado, capaz de falar não só às mentes dos intelectuais, como Bento XVI, mas também ao coração das massas.

Eles temem o óbvio: que o Papa Francisco faça jus ao nome e, onde houver ódio, que ele leve o amor.

3.

Se juntarmos o conhecimento sobre a Inquisição de todos que a mencionam para falar mal da Igreja Católica, teremos a perfeita descrição dos regimes comunistas.

4.

Em uma semana, a imprensa ocidental já vasculhou mais a biografia do Papa Francisco I do que, em cinco anos, a de Barack Hussein Obama.

E ainda há quem acredite nela.

******

[Notas publicadas no dia do anúncio do novo Papa - aqui e aqui.]

1.

Com a notícia de que o novo Papa é argentino, os brasileiros se divertem.

O que lamentam mesmo é não estarem no Vaticano para postar as fotos no facebook.

2.

Uma diferença básica entre o idiota e o homem maduro é que o primeiro fala mal daquilo que não consegue entender e o segundo manda o primeiro tomar no cu.

Hoje, Dia Mundial de falar mal da Igreja Católica, quero dedicar a todos os feicebuquianos que cumpriram fielmente o seu papel de "idiotas úteis" a minha singela maturidade.

Grato.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Pergunte ao Paul

[Publicado originalmente no facebook - aqui.]
[Também publicado no Mídia Sem Máscara - aqui.]

“Se for bonzinho com elas, elas montam em você.”

A frase é do barman Sammy, em carta ao escritor protagonista Arturo Bandini, no romance “Pergunte ao pó”, de John Fante, que marcou minha juventude.

Na opinião de Sammy, Bandini não tinha o mesmo sucesso que ele com a garçonete Camilla Lopez, porque não sabia lidar com mulheres mexicanas. Elas “não gostam de ser tratadas como seres humanos”, explicava o barman (que hoje seria acusado de machismo, racismo, xenofobia, preconceito e tudo mais, sendo o autor excluído de toda e qualquer bibliografia acadêmica, caso nela estivesse).

Muitos anos se passaram desde que li Fante pela primeira vez, mas, se tem uma coisa que os homens do mundo nunca me deixam esquecer, é a falta que uma Camilla Lopez faz em sua educação sentimental e política.

Amar uma “mulher mexicana” é um ótimo aprendizado, sobretudo se você tem um Sammy por perto (ou uma boa terapeuta, ok?) para tirar da experiência as devidas lições.

Não sei se o senador Rand Paul teve, mas louvada seja sua luta de 1 mês e meio, com direito a um discurso de mais de 12 horas, para arrancar do governo Obama um simples “não” à pergunta: “O presidente pode usar aviões não tripulados para matar cidadãos americanos não envolvidos em combate, em pleno território dos EUA, como usa contra terroristas fora do país [matando inclusive o filho de 16 anos de um deles, para silêncio da imprensa obamista]?”

Por mais de uma semana, o procurador-geral Eric Holder alegara apenas que o governo não tinha a "intenção" de fazer isto, sugerindo que poderia fazê-lo se eventualmente lhe desse na telha. Só quando a pressão ganhou o noticiário e o apoio da população, Holder respondeu negativa, taxativa e oficialmente à “pergunta adicional” de Paul.

[Não repare: quando um esquerdista se refere a uma “pergunta adicional”, significa que você já está lhe fazendo esta mesma pergunta há 1 mês e meio.]

Se Paul não a tivesse feito, impondo-se sozinho a contragosto de republicanos “bonzinhos” como John McCain, o governo que se diz transparente teria legal e literalmente em mãos, por controle remoto, a possibilidade de mandar pelos ares qualquer cidadão – sentado num café de rua, para usar o exemplo de Paul - que o próprio governo considerasse apenas “suspeito” de terrorismo.

“Ah, mas é ridículo achar que eles fariam isso!”, dizem uns e outros, seja por ingenuidade incurável, ignorância histórica, cegueira ideológica ou má-fé partidária. Ora. Proteger a população contra abusos futuros, por mais hipotéticos que sejam, exigindo esclarecimentos sobre declarações e decretos vagos ou suspeitos, é uma obrigação básica de qualquer político de oposição.

Que tenha surgido um (hum) dessa espécie no quinto ano do governo Obama é uma prova de que os EUA ainda precisam piorar muito para chegar ao nível de testosterona do Brasil, onde nunca se viu tal coisa nos 10 anos petistas.

Hoje, depois de 40 anos de hegemonia cultural da esquerda, a presidente Dilma Rousseff pode falar que “Nós podemos brigar na eleição, nós podemos fazer o diabo quando é a hora da eleição” que nenhum político a azucrina; os parlamentares do PT podem derrubar o requerimento para Marcos Valério falar no Senado sobre a ligação de Lula com o mensalão que nenhum político faz um discurso de 12 horas a respeito; Lula pode chamar de “assunto pessoal” o fornecimento de todas as regalias públicas à sua “amiga íntima” Rosemary Noronha e de “questão privada” os milhões que a Telemar (hoje Oi) investiu na empresa de seu filho que nenhum político lhe arranca explicações; o Mapa da Violência pode mostrar um país com 36.792 homicídios em 2010 só por arma de fogo (lembrando que apenas 5% do total geral é elucidado) que nenhum político vai à TV, a não ser para falar em desarmamento; o prefeito de Santo André pode inaugurar uma fila de 8 cadáveres relacionados ao mesmo caso que nenhum político consegue abalar a reputação dos nossos governantes (e nem lhes oferecer, por ironia, um aviãozinho não tripulado, caso um dia eles ou os companheiros das Farc julguem mais prático o uso do controle remoto).

É por essas e outras que o debate público americano é muito mais divertido. Lá, ainda há no rádio, na TV a cabo e no Senado algumas pessoas conscientes de que os revolucionários são como as mulheres mexicanas de Fante:

“Se for bonzinho com eles, eles montam em você.”

Pergunte ao Paul.

*****

Felipe Moura Brasil é o malvadinho autor do Blog do Pim: http://felipemourabrasil.com.br/

Pós-escrito: Assista ao discurso de Rand Paul no CPAC 2013 [Conservative Political Action Conference] e veja se não faz falta um político assim no Brasil.



[Leia também as 2 notas do dia do anúncio do novo Papa - aqui e aqui.]

sexta-feira, 8 de março de 2013

Mulheres, jovens, pais e a arte de conversar

[Notas publicadas originalmente no facebook - aqui, aqui e aqui e aqui.]

MULHERES

Feliz Dia da Mulher a todas aquelas que sobem na vida por seus próprios méritos, não por nomeações de padrinhos; que não precisam adulterar o currículo para parecerem mais do que são; que se lembram do último livro que leram e, se não lembram, admitem que já faz muito tempo (ou que nunca leram); que não precisam embelezar retroativamente os atos e ideais de uma juventude estúpida, muito menos prosseguir neles em outra esfera, sob novos disfarces; que lutam para se expressar cada vez melhor em seu idioma; que esclarecem suas crenças e opiniões, em vez de encobri-las com linguagem dupla para ganhar de todos os lados; que não confundem a sua patota com toda a sociedade em que vivem; que buscam compreender o mundo antes de querer moldá-lo à imagem e semelhança de sua própria estupidez; e que sabem se manter afastadas de toda sorte de bandidos e canalhas.

Parabéns, em suma, a todas as mulheres que olham para a presidente Dilma Rousseff e pensam: "Quero ser o oposto."

JOVENS

O jovem brasileiro de hoje é o sujeito cuja educação sentimental vem da música popular; social, de baladas de fim de semana; moral e estética, da novela das oito; cultural, de viagens turísticas; literária, de citações internéticas; artística, de filmes hollywoodianos; intelectual, de livros de autoajuda; cívica, do material escolar do MEC; política, do ensino universitário esquerdista; e religiosa, do movimento gay.

É por isso - e só por isso - que eu digo:

Quem não deseja o conhecimento tem todas as frustrações que merece.

PAIS

Quando vi, num bloco de carnaval do Baixo Gávea, o balão do Homem-Aranha escapar das mãos de um menino até então sorridente, e o pai correr e saltar em vão para tentar alcançá-lo antes que ele subisse mais alto do que a sua pobre condição humana lhe permitia, levando as moças ao redor - compadecidas diante do desespero do menino - a murmurar "Own, tadinho...", entendi que ser pai é querer voar para trazer de volta o brinquedo do filho, ainda que só lhe reste dizer, com muita dor no coração (e sem antecipar a dúvida de até onde vai a generosidade e começa o mimo):

"Vamos. Papai compra outro pra você."

A ARTE DE CONVERSAR

"Conta alguma coisa aí", "Fala você agora" e "Puxa um assunto" são algumas das frases utilizadas por quem não sabe e/ou se exime da responsabilidade de fazer perguntas durante uma conversa.

Àquelas pessoas ingênuas - e tão imaturas ou vaidosas quanto - que ainda se sentem pressionadas diante de frases assim, recomendo com entusiasmo a minha reação-padrão, como sempre educativa:

"Olha, meu bem. Se quiser palestra, é mais caro..."

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Crônicas de comportamento: Corações corrompidos; Contra a cafonice; O espírito de peguete; Raras exceções; e muitas outras.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Chávez e Chorão à luz de Millôr e Da Vila

[Notas publicadas originalmente no facebook - aqui.]
[Leia também: As tragédias sem causa do jornalismo com causa.]

Millôr Fernandes dizia: “A ocasião em que a inteligência do homem mais cresce, sua bondade alcança limites insuspeitados e seu caráter uma pureza inimaginável é nas primeiras 24 horas depois da sua morte.”

Quando a presidente Dilma Russeff reconhece no tiranete Hugo Chávez "um grande líder, uma perda irreparável e, sobretudo, um amigo do Brasil" e celebridades do naipe de Luciano Huck reconhecem no vocalista e letrista Chorão um "Poeta!", aí você nota os limites insuspeitados da inteligência de Millôr, que, felizmente, permanece a mesma muito mais de 24 horas depois de sua morte.

*****

Luiz Carlos da Vila, um dos melhores compositores do samba, nem por isso se achava mais do que era.

No programa Ensaio, contando que a música-hino do Cacique de Ramos, "Doce refúgio", surgiu quando caiu uma folha da tamarineira em seu copo e lhe pediram para fazer daquilo uma inspiração, ele diz: "O Ubirany e outros, eles acham que eu sou poeta, né..." E dá uma risada de 2 segundos, que, por seu nível de consciência e potencial didático, precisa ser lida quase como uma frase de Millôr.

[4m52s: http://www.youtube.com/watch?v=1Vamy2U-BSs]

Da Vila sabia, afinal, que poeta era outra coisa; assim como a gente sabe que essa outra coisa não era Chorão, cujo maior mérito artístico foi descrever involuntariamente a mentalidade dos que hoje o chamam assim:

"Mas que preguiça boa, me deixa aqui à toa"...

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Dilma declarou 3 dias de luto oficial no país pela morte de Chávez, o futuro Che Guevara das camisetas nacionais.

No Brasil petista, o luto do luto é o que nos resta.

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Felipe Moura Brasil é autor do Blog do Pim, onde não chama urubu de "meu nêgo".

domingo, 3 de março de 2013

O craque de um toque só

[Publicado originalmente no facebook - aqui.]

"A simplicidade", dizia Schopenhauer, "sempre foi uma marca não só da verdade, mas também do gênio".

Todo pensador autêntico, segundo o filósofo alemão, se esforça para dar a seus pensamentos a expressão mais pura, clara, segura e concisa possível.

É assim na filosofia e na arte. É assim também no esporte.

Aqueles que hoje se deslumbram com os malabarismos de Messi, Neymar e companhia nunca entenderão o futebol de Zico - a rigor, o único precursor de Zidane. Mas eu explico, mais uma vez: o que eles fazem (ou tentam fazer) com 15 toques na bola, Zico sempre fez com um só.

Um pensador de fato autêntico, que, como Michelangelo diante da pedra, se esforçava apenas para tirar-lhe o excesso. Cada domínio de bola de Zico era, no mínimo, um drible. Cada drible, um passe. Cada passe, um lançamento. Cada lançamento, uma cobrança de falta. Cada falta, um gol.

Ele estava uma, duas, três, mil etapas à frente dos demais, porque jamais quis chamar a atenção do público para si, mas apenas escrever cada lance da maneira mais pura, clara, segura e concisa possível, dispensando todos os artifícios com que os menos talentosos fingem sê-lo.

E é por este fator, condensador de suas muitas virtudes, que seu exemplo transcende o futebol, o esporte e a arte, para não apenas servir de parâmetro e inspiração para os homens de qualquer torcida, lugar e época, mas para engrandecê-los pelo encanto de sua genial simplicidade.

A estátua erguida na Gávea em homenagem aos seus 60 anos não poderia representar melhor o espírito do Galo.

No momento da glória, afinal, nada mais simples do que correr para o abraço.

Obrigado, Zico, por sempre dividi-la com a gente.

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Nota de rodapé:

Zico, cobrador oficial da seleção brasileira, perdeu o pênalti contra a França na quarta-de-final da Copa do Mundo de 1986 quando tinha acabado de entrar em campo; mas, na disputa que se sucedeu à prorrogação, já no ritmo do jogo, teve a coragem e o talento para bater e converter o seu.

O Brasil será um país de pessoas mais maduras - e menos invejosas - no dia que elas finalmente deixarem suas paixões de lado e reconhecerem o óbvio: até no momento do maior fracasso, Zico deu um exemplo de grandeza humana que nenhum título mundial jamais poderia dar.

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Felipe Moura Brasil é autor do Blog do Pim e só fala bem de quem merece. 

[Página de futebol - aqui.]