quarta-feira, 6 de março de 2013

Chávez e Chorão à luz de Millôr e Da Vila

[Notas publicadas originalmente no facebook - aqui.]
[Leia também: As tragédias sem causa do jornalismo com causa.]

Millôr Fernandes dizia: “A ocasião em que a inteligência do homem mais cresce, sua bondade alcança limites insuspeitados e seu caráter uma pureza inimaginável é nas primeiras 24 horas depois da sua morte.”

Quando a presidente Dilma Russeff reconhece no tiranete Hugo Chávez "um grande líder, uma perda irreparável e, sobretudo, um amigo do Brasil" e celebridades do naipe de Luciano Huck reconhecem no vocalista e letrista Chorão um "Poeta!", aí você nota os limites insuspeitados da inteligência de Millôr, que, felizmente, permanece a mesma muito mais de 24 horas depois de sua morte.

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Luiz Carlos da Vila, um dos melhores compositores do samba, nem por isso se achava mais do que era.

No programa Ensaio, contando que a música-hino do Cacique de Ramos, "Doce refúgio", surgiu quando caiu uma folha da tamarineira em seu copo e lhe pediram para fazer daquilo uma inspiração, ele diz: "O Ubirany e outros, eles acham que eu sou poeta, né..." E dá uma risada de 2 segundos, que, por seu nível de consciência e potencial didático, precisa ser lida quase como uma frase de Millôr.

[4m52s: http://www.youtube.com/watch?v=1Vamy2U-BSs]

Da Vila sabia, afinal, que poeta era outra coisa; assim como a gente sabe que essa outra coisa não era Chorão, cujo maior mérito artístico foi descrever involuntariamente a mentalidade dos que hoje o chamam assim:

"Mas que preguiça boa, me deixa aqui à toa"...

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Dilma declarou 3 dias de luto oficial no país pela morte de Chávez, o futuro Che Guevara das camisetas nacionais.

No Brasil petista, o luto do luto é o que nos resta.

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Felipe Moura Brasil é autor do Blog do Pim, onde não chama urubu de "meu nêgo".

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