segunda-feira, 29 de abril de 2013

Da arte de viver entre guris do crime e garis intelectuais

[Também publicado no Mídia Sem Máscara - aqui. Notas 1 e 2 publicadas originalmente no facebook - aqui; e pós-escrito - aqui.]

1.

Um assassino jamais "paga sua dívida com a sociedade", como prega o chavão estimulante de seus defensores. A vítima morta não recebe a sua parte do pagamento e a dor daqueles que a amavam não se quita com ele.

A prisão do assassino é apenas punitiva e pode até ser temporária, embora tanto melhor quanto mais longa. Mas a dívida, queiram ou não, é eterna.

2.

No Brasil, a vida humana custa nada mais que 3 anos de recolhimento na Fundação Casa, se tirada por um menor. Mesmo que este menor tenha "isqueirado" viva a sua vítima - como a dentista Cinthya Magaly Moutinho de Souza -, para torturá-la por dispor de apenas R$ 30 em sua conta na hora do assalto.

Só uma fome estimula isto: a fome de crueldade.

Em 3 anos, o bem-nutrido incendiador de Cinthya - que pode assumir o crime no lugar de seus comparsas mais velhos para aliviar a pena deles - estará solto, de ficha limpa, assim como o assassino de Victor Hugo Deppman, que não se satisfez em roubar o celular do rapaz e deu-lhe um tiro na cabeça.

Se eles terão a certeza - o que já seria um escárnio - de que pagaram sua dívida com a "sociedade"? Não creio! No Brasil de Dilma Rousseff, Gilberto Carvalho e Maria do Rosário, a "sociedade" é que tem uma dívida eterna com eles.

O mínimo que podemos fazer é andar com mais de R$ 30 no bolso.

[Sobre o assunto, leia também as análises indispensáveis de Reinaldo Azevedo: aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui; e José Maria e Silva, aqui.]

3.

E eu não tinha escrito que, no Brasil, até o estupro se passa por crime de fome?

Fico muito aliviado, portanto, de não precisar refutar o coquetel de bobagens da jornalista Luíza Pastor na Folha de Qualquer Um, digo, de S. Paulo, não só porque Reinaldo Azevedo já o fez de forma impecável, como também porque meu artigo "Os guris do crime" já o antecipava. Para cada guri do crime, há um caminhão de garis intelectuais dispostos a varrer sua sujeira para baixo do tapete.

Luíza Pastor - que de pastora só tem o sobrenome - ainda se refere ao seu próprio estuprador como "o menino". Isto, limito-me a acrescentar, é praxe entre aqueles que passam a mão na cabecinha de criminosos e terroristas. O "especialista" do jornal O Globo, Luciano Huck, fez a mesma coisa em relação aos traficantes de drogas tempos atrás, como escrevi no artigo "Soletrando a Guerra 'do Rio'":

No Caldeirão mental do Huck, os “meninos e meninas” do narcotráfico “não são bandidos”, mas “nasceram no lugar errado e estão bandidos”. Pobres vítimas que, “por absoluta falta de opção” nas “comunidades dominadas pelas armas”, foram cooptadas pelos líderes do “movimento”. Que essa “absoluta falta de opção” ainda produza uma maioria honesta e trabalhadora, é um desses mistérios cuja elucidação fica para depois dos comerciais. Ou, como escreve o apresentador do “Soletrando” sobre o problema das armas: “Mais [sic] isso dever [sic] ser o tema de um outro artigo”.

Após o atentado na Maratona de Boston, o radialista americano Rush Limbaugh fez também uma compilação de comentários jornalísticos neste sentido a respeito de Dzhokar Tzarnev, de 19 anos, um dos terroristas que explodiram três pessoas - incluindo uma de 8 anos - e mataram um policial. Os grifos são meus:

JULIA IOFFE: This kid seemed to be out of place in Boston. He seemed to be alienated.

DON LEMON: He’s 19 years old, he’s still a kid, he’s still a teenager.

CHRISTINE ROMANS: It's not as if you look at this kid and his background, and see hardship that could have turned his heart hard.

ANDERSON COOPER: He was a seemingly normal college kid.

DEBORAH FEYERICK: Remember, this is a kid who is on a ventilator.

JESSICA STERN: Why is it that one kid is susceptible and not another.

ERIN BURNETT: All-American kid, smoked pot, went to parties. Totally normal kid.

DR. DREW PINSKY: What seems to be a normal kid in high school on the wrestling team to being radicalized.

DAVID REMNICK: This is a mixed up kid.


Pois bem. Na hora do sexo, como escrevi no artigo "Educação de quatro", as crianças devem ser tratadas como adultas. Na hora do crime, os criminosos, mesmo quando adultos - ou mesmo quando detidos pela sexta vez! -, devem ser tratados como crianças (ou "kids").

É assim o discurso revolucionário esquerdista onipresente na educação e na grande mídia americana, brasileira e outras mais: corrompe a sociedade por todos os lados, para depois acusá-la de todos os crimes.

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Pós-escrito de 30 de abril:

O menor assassino que incendiou a dentista Cinthya Magaly Moutinho de Souza já tinha sido detido cinco vezes, sendo três por tráfico de drogas.

Luciano Huck, que propôs tempos atrás a anistia dos "meninos" do tráfico, já pode se juntar a FHC, ao jornal O Globo, à Comissão Brasileira sobre Droga e Democracia e aos demais defensores da frouxidão da Lei Antidrogas, e oferecer ao pai de Cinthya, pelo menos, o pagamento das despesas com o enterro. Sugiro a generosa cartinha:

"Caro sr. Viriato,

Nossas ideias justificaram que o assassino de sua filha fosse solto tantas vezes, permanecendo impune e cada vez mais confiante nas ruas.

Estamos à disposição para ajudá-lo no que for preciso.

É o mínimo que podemos fazer.

Com pesar,

Huck, FHC, O Globo, CBDD"

Porque o Brasil será melhor quando, entre outras coisas, as pessoas assumirem a responsabilidade moral pelos efeitos práticos de suas ideias.

[Leia também: Nota sobre a solução]

sábado, 27 de abril de 2013

A conspiração dos fatos

[Também publicado no Mídia Sem Máscara - aqui. Algumas notas foram publicadas originalmente no facebook e contêm uma pequena porção das milhares de notícias faltantas na grande mídia brasileira e americana.] 

Descontadas as falsificações agora condenadas, Barack Obama e Hillary Clinton nunca obtiveram o número de assinaturas necessário para o registro das suas candidaturas em Indiana em 2008.

Se fosse George W. Bush, a mídia inteira estaria pedindo o impeachment.

Como é Obama, dou um pirulito para quem encontrar a notícia na capa dos grandes jornais.


[Saiba mais: aqui e aqui. E como diria Hillary: "Que diferença faz, a esta altura?"]

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Quando vi pela primeira vez de manhã, 15 mil pessoas já tinham assistido ao vídeo. Minutos atrás, quase 60 mil. E agora [na noite de quinta-feira, 25 de abril de 2013] que eu o compartilho com meus incontáveis leitores brasileiros, todos interessadíssimos em descobrir quem é o verdadeiro Barack Obama, chegaremos sem dúvida a 1 milhão.

Alguns peritos analisaram o breve e impactante discurso e disseram que o ghost-writer do deputado do Arkansas, Tom Cotton, sou eu. Obviamente, não negarei. Nós dois estamos morrendo de saudades de George W. Bush.

Segue a versão original em português. A tradução livre é a dele, claro.

"Venho hoje expressar sérias dúvidas sobre as políticas e os programas de combate ao terrorismo do governo Obama. O contraterrorismo está frequentemente envolto em segredo, como deve ser, então vamos julgar pelos resultados. Em apenas quatro anos de mandato, cinco jihadistas alcançaram seus alvos nos Estados Unidos sob Barack Obama: os terroristas da Maratona de Boston, o terrorista da cueca, o terrorista da Times Square, o atirador de Fort Hood, e - no meu próprio estado - o atirador do escritório de recrutamento militar de Little Rock. Nos mais de sete anos após o 11/9 sob George W. Bush, quantos terroristas alcançaram seus alvos nos Estados Unidos? Zero! Precisamos perguntar: 'Por que o governo Obama está falhando em sua missão de deter o terrorismo antes que ele alcance seus alvos nos Estados Unidos?'"

Por que será, hein? Obama parece tão bonzinho! Fala tão bonito...

[Não perca na mídia brasileira: "Filhas de Obama querem fazer tatuagem"...]


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Enquanto a grande mídia americana ignora os relatos e documentos estarrecedores do jornalista Glenn Beck no incontornável TheBlaze.com sobre a existência do Suspeito 3 do atentado na Maratona de Boston - o saudita Abdul al-Harbi, que os oficiais americanos consideravam um terrorista da mais alta periculosidade até o presidente Obama ter uma reunião com o ministro saudita Saud Al-Faisal e (santa coincidência!) o sujeito virar de repente um zé ninguém e alguém ainda tentar sumir com os documentos oficiais anteriores -, o apresentador Bill O'Reilly, do canal a cabo Fox News, deu ao menos ouvidos a Beck.


Mas quem conhece a equipe do presidente não se surpreende com essas coisas.

O diretor da CIA, John Brennan, é o sujeito que sumiu com os passaportes de Obama. O secretário de defesa, Chuck Hagel, é um muçulmano que nega genocídios e diz que terroristas não podem ser vencidos em campos de batalha. A filha do secretário de Estado, John Kerry, é casada com um médico iraniano, ligado ao governo do Irã. E Obama (por coincidência!) teve sua carreira financiada pelo saudita Khalid Al-Mansour, sem dúvida um amor de pessoa.

Como disse o filósofo Olavo de Carvalho [1h25min55seg]:

"O que mais você espera? O que falta para você tirar a conclusão do silogismo? É que aí entra a síndrome do Piu-Piu: 'Será que eu vi um gatinho?'... E você não tira conclusão nenhuma."

Só não vale dizer que é porque você não fala árabe...

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Obama, o príncipe dos sauditas, disse em Boston: "Uma bomba não pode nos destruir."

Para quem cortou quase pela metade o orçamento para prevenção contra bombas e infiltração de agentes do FBI, este não deve ser mesmo um pensamento novo.


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A julgar pela reação de Obama, o que pode realmente destruir os EUA é sua proposta de desarmamento da população ser rejeitada pelo Senado. Isto sim deixa o presidente bravinho.

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O presidente incapaz de falar em "terroristas islâmicos" ou "jihadistas" quando os EUA são atacados por eles é o mesmo que diz "Deus vos abençoe" em discurso pró-aborto para a Planned Parenthood, a maior organização abortista do país.


Isto é Barack Hussein Obama: aquele que protege o Islã contra qualquer associação com a morte de inocentes e coloca o cristianismo e seus valores morais a serviço da morte dos seres mais inocentes de todos.

Quando senador em Illinois, Obama já apoiara com todas as forças a ideia de que um bebê sobrevivente a um aborto mal-sucedido poderia ser morto, por ser esta a intenção original da mãe. O motivo agora está mais claro:

Para Obama, abortar é divino.

[E para a ONU - santa coincidência! - opor-se ao aborto é crime de tortura...]

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Casos aberrantes como o do dr. Kermit Gosnell, cujo julgamento a grande mídia (por coincidência!) faz questão de ignorar, são o resultado inevitável das ideias e políticas abortistas de Barack Obama. Bebês nascidos vivos, tendo suas nucas cortadas para preservar a "intenção original" da mãe.

 

Divino, não?

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É por essas e outras que escrevi sobre "A verdadeira insanidade" do nosso tempo.


quarta-feira, 24 de abril de 2013

O New York Times é a cara de Lula

[Nota publicada originalmente no facebook - aqui.]

Estranho seria se Lula ganhasse uma coluna mensal no Mídia Sem Máscara. Mas no New York Times? Ou melhor: na agência que distribui notícias com a marca do New York Times? Qual é o espanto?

No máximo, Lula será eventualmente colega de Thomas Friedman, por exemplo, que afirmou em sua coluna no famigerado jornal americano que a primeira medida necessária para combater o terrorismo após o atentado de Boston é o imposto sobre o carbono. Isso mesmo: o imposto sobre o carbono; o terror como pretexto para a escalada ambientalista rumo ao imposto global.

Um jornal que publica uma coisa dessas é ou não é a cara de Lula? Seu ghost-writer oficial já pode até contribuir para a discussão sobre o atentado de Boston, dando apenas uma melhorada naquele célebre discurso do ex-presidente sobre o clima:

"Então, essa questão do clima é delicada por quê? Porque o mundo é redondo. Se o mundo fosse quadrado ou retangular e a gente soubesse que o nosso território está a 14 mil quilômetros de distância dos centros mais poluidores, ótimo, vai ficar só lá. Mas como o mundo gira e a gente também passa lá embaixo onde está mais poluído, a responsabilidade é de todos."

Como título para a primeira coluna de Lula no New York Times, eu sugiro:

"O terrorismo existe porque o mundo é redondo".

quarta-feira, 17 de abril de 2013

A verdadeira insanidade

[Publicado originalmente no facebook - aqui.]
[Também publicado no Mídia Sem Máscara - aqui.] 

Dilma condenou as explosões na Maratona de Boston como um “ato insano de violência”. Mas não foi assim que ela começou a carreira? Ou não terá sido um “ato insano de violência” aquele que matou o soldado Mário Kozel Filho, de 18 anos, em junho de 1968? Foi o seu grupo, a Vanguarda Popular Revolucionária, que acelerou um carro-bomba, com 20 quilos de dinamite, para dentro de um Quartel General em São Paulo, despedaçando o corpo do rapaz e ferindo mais seis militares.

Mário foi apenas o primeiro dos oito assassinados pela VPR nos tempos de Dilma, e ainda haveria mais cinco pela VAR-Palmares e três pelo Colina, os outros dois grupos que ela integrou, em total sanidade, quando lutava pela implantação de uma ditadura comunista no Brasil, com instruções e armas vindas do exemplar regime de Fidel Castro em Cuba.

Dilma expressou sua “solidariedade, em nome de todos os brasileiros, às vítimas e suas famílias”? Falou em “trágico incidente”? Não. Ajudou a criar a “Comissão da Verdade” para glorificar seus feitos terroristas como luta pela democracia e demonizar os inimigos da revolução. Tudo com o amparo de professores e jornalistas militantes, que bombardeiam há 40 anos a cabeça dos brasileiros, despedaçando seus neurônios com a falsificação da história.

Se o atentado da Maratona de Boston tivesse ocorrido no Brasil, o autor seria forte candidato a presidente de 2055. Como foi nos EUA, o autor terá de se contentar em ser o padrinho político e intelectual do futuro presidente. O amigo e ghost-writer de Obama, Bill Ayers, responsável por lançar sua carreira em Chicago com uma arrecadação de fundos em sua própria casa, no bairro onde Obama morava, também começou como Dilma.

Co-fundador do grupo revolucionário comunista Weather Underground, Ayers participou da plantação de uma porção de bombas, como na estátua de sua cidade dedicada a baixas policiais, em 1969 (estátua que foi reconstruída no ano seguinte e novamente bombardeada por integrantes de seu grupo); na sede do Departamento de Polícia de Nova York, em 1970; no Capitólio, em 1971; e no Pentágono, em 1972.

Hoje Ayers é uma figura estelar da educação americana, autor de livros, professor aposentado da Universidade de Illinois e agora professor visitante da Minnesota State University Moorhead, onde poderá mais uma vez celebrar a decadência econômica, política e cultural do “império americano”, lamentar o poderio militar do país e falar aos jovens da importância de serem “cidadãos do mundo”, como fez ano passado na Universidade de Oregon. Qualquer semelhança entre suas ideias e os atos de seu afilhado Obama contra a soberania nacional não são mera coincidência.

[A amizade íntima entre eles e a festinha para um na casa do outro foram negadas durante a campanha de 2008, mas admitidas por Ayers na semana passada em entrevista ao Daily Beast, porque, com Obama reeleito, já não há mais o que temer.]

Duas ex-integrantes do Weather Underground também são hoje estrelas acadêmicas: a esposa de Ayers, Bernardine Dohrn, é professora de Direito da Northwestern University School of Law; e Kathy Boudin, condenada em 1984 por assassinato, da Columbia University. Todos empenhados em promover a "justiça social", isto é, em tornar os EUA um grande Brasil socialista.

Se são radicais? Ora, radicais somos nós, que julgamos o terrorismo real e intelectual dos esquerdistas revolucionários tão repugnante quanto o da Maratona de Boston. Radical sou eu que reconheço que aquele terror, pregado abertamente por Karl Marx, tampouco é o que há de mais insano no mundo. O verdadeiro “ato insano” do nosso tempo foi o dos americanos, brasileiros e outros que deixaram essa gente bombástica subir ao poder.

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A maratona do terror
[Publicado originalmente no facebook, no dia da tragédia - aqui.]

Se tem uma lição que Obama aprendeu com o ataque terrorista em Benghazi, na Líbia, foi a de que, nos próximos, é melhor não mentir sobre os autores. Pelo menos, não tão rápido.

Nada de atribuir o ataque ao primeiro bode expiatório disponível e sair dizendo ao povo, com Hillary Clinton, Susan Rice e Jay Carney, que se trata apenas de uma reação de protesto contra um vídeo do Youtube.

Num país onde ainda existe alguma oposição política e midiática, mais cedo ou mais tarde ela pode descobrir e-mails e outras provas de que o governo sabia de tudo.

Pode descobrir até que o governo distribuía armas para o próprio grupo terrorista que, no caso, assassinou o embaixador Christopher Stevens e mais três americanos.

E não pegaria bem — sob a pressão para explicar por que mentiu — recorrer de novo àquela pérola de Hillary Clinton: "Que diferença faz, a esta altura?"

Por isso, é preciso ter calma após as explosões na Maratona de Boston. Calma, também, para confirmar que se trata de um ataque terrorista, ao melhor estilo Bill Ayers.

O homem que arma rebeldes, desmantela militar e economicamente o país, estimula a imigração ilegal para formar eleitorado e ainda excursiona pelo mundo pedindo desculpas por tudo que os EUA supostamente fizeram antes dele — motivo pelo qual é muito querido por jornalistas e feicebuquianos brasileiros — está bem mais calejado em reagir a tragédias que suas políticas e seus discursos fomentam.

Nem enxugou na TV a lagriminha invisível, dedicada às crianças do massacre de Sandy Hook — aquele que lhe serviu de pretexto para desarmar a população, ou melhor: os inimigos, porque os amigos continuam armados até os dentes, assim como os seguranças da escola onde suas filhas estudam.

Obama quer apenas encontrar o responsável. Quer mais um Bin Laden para chamar de seu. É a sua chance de se redimir do fiasco de Benghazi.

E todo cuidado é pouco para se redimir do irredimível.

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Pós-escrito: Obama havia cortado 45% do orçamento para prevenção de ataques domésticos com bombas. Leia aqui.

Pós-escrito 2: Terroristas não eram americanos, cristãos, conservadores, do Tea Party, da National Rifle Association, contra o aborto, "extremistas de direita". A mídia está decepcionada.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Os guris do crime

[Também publicado no Mídia Sem Máscara - aqui.] 

A seguir cenas do próximo Enem:

— Quem matou o paulista Victor Hugo Deppman, de 19 anos?

a) A arma.
b) A pobreza.
c) A falta de escola.
d) A falta de um parquinho com escorrega na periferia.
e) A falta de verbas para o cinema nacional.
f) O capitalismo.
g) Os católicos e evangélicos.
h) A sociedade burguesa.
i) O sistema.
j) O celular de Victor Hugo Deppman.
k) Todas as respostas anteriores.

Ué, pergunta-se o vestibulando, mas e o assassino? Não foi ele?

Pergunta típica de estudante reacionário, que merece nota zero no Enem. Não entendeu ainda que, no Brasil de hoje, tudo mata, menos o assassino?

É simples:

Quando o desnutrido rouba a maçã da feira, ou o pai falido, um remédio para dar ao filho doente, temos os chamados “crimes famélicos”, que em países civilizados nem chegam a ser considerados crimes.

No Brasil de hoje, graças aos cientistas sociais, todos os crimes se passam por “crimes famélicos”: se o sujeito rouba um celular, é porque ele estava com muita fome de celular e não podia ficar sem internet. Se ele mata alguém enquanto rouba um celular, a fome era muito grande — ou muito antiga, já que uma fomezinha na infância basta para autorizar uma vida inteira de crimes. E, se a fome era muito grande ou muito antiga, a culpa é dos ricos que, segundo esses mesmos cientistas sociais, criaram a pobreza. Mesmo que muitas vezes seja uma pobreza apenas aparente, daquelas com piscina e parabólica, de causar inveja aos pobres da Índia.

O estupro, por exemplo, é um caso óbvio de crime famélico: o sujeito não consegue comer mulher, não consegue nem sair com uma mulher, então precisa forçar a barra para dar umazinha. Que mal há nisso?

O mal está, obviamente, naqueles malditos pastores evangélicos que insistem em dizer aos pobres brasileiros que, mesmo para eles, o crime é pecado. Como eles ousam tornar os pobres tão apáticos? Não leram Marcuse? Não leram Hobsbawn?

A taxa irrisória de delinquência entre os pobres evangélicos é mesmo um crime: um crime indesculpável contra a tese da correlação causal entre pobreza e criminalidade. Veja só como a fé é alienante: o sujeito, em vez de aproveitar que é pobre para roubar, estuprar e matar os ricos sem peso de consciência, fica lá rezando pai-nosso, ave-maria, e não furta nem uma hóstia!

Entre o apelo ao crime e o apelo à fé; entre a palavra dos cientistas sociais e a dos bispos, que há décadas disputam a alma dos pobres brasileiros, ele repete a dos bispos. Fica parecendo até que a ação humana não depende diretamente da situação econômica, mas da interpretação que se faz dela, de acordo com crenças e valores disseminados pela classe letrada, da qual participam os cientistas sociais e os bispos. Mais um pouco e até os psicopatas acreditam que têm escolha!

Não é porque a maioria dos pobres nas favelas e periferias não delinque nem mata que o Estado vai culpar os que delinquem e matam, sobretudo se menores de idade. Livros, teses, jornais e ONGs progressistas fizeram chegar até estes a ideia de que o crime é não apenas justificável nessas circunstâncias, como é sem dúvida o melhor a fazer; de modo que a culpa não é deles se ainda há quem prefira Jesus Cristo.

Se as noivas celebram despedida de solteira com vários go-go-boys, por que os pobres de 17 anos não podem celebrar despedida de menoridade com um cadáver? Isto sim é um direito humano. Gilberto Carvalho e Michel Temer são muito coerentes em defender os jovens assassinos contra essa meia dúzia de reacionários que critica o limite de 3 anos de recolhimento, previsto pelo artigo 121 do Estatuto da Criança e do Adolescente. Eles querem o quê, afinal? Que os menores passem muitos anos na cadeia?

Só falta dizer que a precariedade do sistema carcerário não é motivo para deixar os assassinos nas ruas, matando a população. Só falta acusar o governo de descuidar das prisões para ter uma desculpa a mais para liberá-los. Só falta explicar o índice de 70% de reincidência criminal em função justamente da suavidade das penas, da sensação de impunidade e do descuido prisional. Só falta propor a reeducação do imaginário dos presos pela leitura de Dostoiévski. Só falta alegar que Deppman estaria vivo se o assassino tivesse ficado preso nas duas vezes em que fora detido por roubo. Só falta espalhar que em um monte de países civilizados a maioridade penal se dá antes dos 18 anos. Só falta declarar que os bandidos adultos usam os adolescentes intocáveis como mão de obra do crime. Só falta lembrar que os próprios pobres são suas principais vítimas, inclusive dos 50 mil homicídios por ano no país. Só falta afirmar que o Brasil só será mais seguro quando os bandidos tiverem tanto medo das consequências de seus crimes quanto os humoristas têm das de fazer piada com Alá e Maomé.

É muito reacionarismo para uma guerra civil só! O Estado brasileiro não está aqui para aterrorizar bandidos. O Estado brasileiro está aqui para ser uma mãe para eles, como aquela da música “Meu guri”, do companheiro petista Chico Buarque.

Que mal há no caso paulista se o assassino “dimenor” — com sua fome de matar temporariamente saciada — já foi recolhido, sem legenda, nem iniciais? "Eu não entendo essa gente, seu moço/ fazendo alvoroço demais”... Só porque daqui a três anos ele estará nas ruas, de ficha limpa, como um exemplo de que o crime compensa? Dependendo do ódio pela vítima no caso de homicídio ou do tesão, no de estupro, talvez valha mesmo a pena arriscar um período de recolhimento, e daí?

Todo mundo sabe de quem é a culpa. Todo mundo sabe que a resposta oficial de políticos, juristas, jornalistas, cientistas sociais e demais membros das classes falantes brasileiras para a família de Victor Hugo Deppman e para toda essa gente reacionária com fome de justiça é a resposta “k”:

Kkkkkkkkkk!

[Leia também: Nota sobre a solução]

domingo, 14 de abril de 2013

Educação de quatro

[Também publicado no Mídia Sem Máscara - aqui.] 

Nova lei vai obrigar os pais a matricularem os filhos nas escolas aos 4 anos.

É tarde. Sou a favor de que os filhos sejam matriculados no útero. De preferência, antes da 12ª semana de gravidez. Naquela fase em que, para os médicos do Conselho Federal de Medicina, eles não são filhos ainda. Ou são, ninguém sabe. Ninguém jamais provou a inumanidade ou a ausência de vida de um feto. Na dúvida, o CFM sugere o possível homicídio. Na dúvida, eu sugiro a obrigatoriedade da matrícula.

Antonio Gramsci, o ideólogo comunista italiano que inventou o Brasil petista de hoje, insistia na importância da escola primária. Quanto mais novas as criancinhas, mais desarmadas intelectualmente para resistir ao adestramento mental. Depois de 40 anos de gramscismo no país, com a etapa de inocular crenças e consolidar reações padronizadas na população já mais do que cumprida, escola primária é coisa do passado e jardim de infância obrigatório é apenas uma etapa transitória desnecessária. Está na hora de garantir aos fetos o 116º sistema educacional do mundo, com a 132ª posição em matemática e ciências, entre 144 países. Quanto mais cedo nossas criancinhas entrarem na escola, maior a nossa chance de chegar ao 144º lugar. Neste ano, elas já podem ter aulas de tabuada com a molecada da Etiópia. Em breve, poderão ter também com as do Iêmen.

Como nada é de graça neste mundo, nem mesmo a mão de obra infantil etíope e iemenita, teremos de oferecer em troca alguma coisa em que o Brasil é muito bom. Eu sugiro a educação sexual, aquela que consiste em ensinar como as criancinhas devem fazer aquilo que elas não deveriam fazer. É o único quesito em que temos chances concretas de atingir o primeiro lugar. Depois do “sexo por comida” exigido pelas tropas de paz da ONU em Kosovo, Bósnia, Camboja, Timor Leste, Somália, Congo e toda a África Ocidental, o Brasil dos materiais escolares made in ONU tem tudo para ser pioneiro no “sexo por matemática”. Já posso até imaginar o diálogo do melhor aluno iemenita com o melhor brasileiro:

— Eu aprendi na escola que 2 + 2 = 4.
— Eu aprendi na escola que ser bissexual é melhor do que ser heterossexual.
— Por quê?
— Porque, “gostando dos dois, a probabilidade de encontrar alguém por quem sentisse atração era quase 50% maior”!
— Opa. 100% maior, você quis dizer.
— Eu quis dizer 50. Está no filminho “Probabilidade” do kit-gay do MEC, que eu decorei.
— Mas se você agora pode arranjar alguém para namorar na outra metade do público namorável, então a probabilidade de encontrar alguém por quem sinta atração aumentou não 50%, mas 100%, porque o público dobrou.
— Puxa vida! Então ser bi é melhor ainda!
— É melhor ainda!
— Viva!
— Viva!

Em breve, até Uganda — o país onde o número de soropositivos diminuiu graças à política de incentivo à castidade e à fidelidade conjugal — terá de se render ao brazilian way of life. Se aos 15 anos, segundo pesquisa do IBGE, 30% dos adolescentes brasileiros já tiveram relação sexual, sendo 24% sem camisinha na última vez que transaram, a educação ainda mais precoce neste sentido é o que falta para aumentar essas taxas, agilizando a formação de mão de obra tanto para consumo interno quanto externo. Decerto, não faltarão adultos (nem adolescentes) para consumir criancinhas tão preparadas para o ato. Em vez das malditas “pessoas grandes” que “só sabem abrir a boca para proibir”, como dizia a obra “Mamãe, como eu nasci?”, do professor Marcos Ribeiro, adotada pela rede pública do Recife, teremos um país de pessoas grandes abrindo a boca para algo muito mais “gostoso”.

Para agilizar ainda mais o processo, nada como as cotas para professores gays em escolas de 1º grau, já propostas pela ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, a petista Maria do Rosário, no Programa Nacional de DH — professores cuja orientação sexual terá de ser confirmada, suponho, mediante um delicioso teste de sofá com o diretor necessariamente gay ou bissexual da instituição contratante. Se as organizações gays infiltradas na Igreja Católica tiveram um papel fundamental nos escândalos de pedofilia ao forçar o ingresso em massa de homossexuais nos seminários, como demonstrou o repórter americano Michael S. Rose no livro Goodbye, good men, o ingresso em massa de homossexuais em escolas de 1º grau terá um papel fundamental para a consolidação do suruba escolar brasileiro.

Não que os gays sejam todos pedófilos, claro, mas, como mais de 80% dos pedófilos são gays — e a escola tende a atrair justamente quem gosta da coisa, sobretudo se o ingresso for facilitado pelas cotas —, a simples probabilidade de isso acontecer será maior, segundo me soprou um matemático iemenita. Assim como o governo fomenta o sexo aleatório com distribuição de camisinha, pílulas do dia seguinte e ataques de todos os lados à moral cristã para depois fazer da infinidade de gravidezes indesejadas uma prova da necessidade de legalização do aborto, também fomenta o sexo precoce nas escolas para depois fazer da infinidade de crianças sexualmente ativas (ou passivas) uma prova da necessidade de legalização da pedofilia — aquele crime carinhosamente chamado de “intimidade intergeracional” pelos ativistas interessados. Afinal, não dará mais para "ignorar a realidade"...

Aos 4 anos, a criançada estará longe da matemática, das ciências e da família, porém perto das tropas de educação sexual do MEC, sob a proteção das leis do PT.

É a educação de quatro.

Matricule seus filhos o quanto antes e coloque o deles na reta também.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Entre roubos e beijos

[Notas publicadas originalmente no facebook.]

Erenice Guerra, demitida da Casa Civil após a revista Veja (aquela malvada!) denunciar que ela integrava um bem articulado esquema de corrupção sob as asas de Dilma Rousseff, agora é lobista do governo.

Os deputados do PT condenados pelo STF por corrupção ativa e formação de quadrilha (José Genoino) e corrupção passiva, lavagem de dinheiro e peculato (João Paulo Cunha) agora são membros da Comissão de Constituição e Justiça.

É o velho ditado petista:

Ladrão que rouba a nação tem 100 cargos com comissão.

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Beijar na boca para protestar contra quem é contra o "casamento" gay é fácil. Quero ver essas atrizes devolverem todo o dinheiro público investido em seus filmes e espetáculos para protestar contra a roubalheira petista.

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Nova cantada gay no mundo encantado das celebridades:

"E aí? Vamos protestar contra o pastor Feliciano?..."

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Com a decisão do Ministério Público de abrir inquérito para investigar as denúncias de Marcos Valério sobre a participação de Lula no mensalão e o caso da eligibilidade de Obama prestes a ser analisado pela Corte Suprema do Alabama, não posso deixar de reconhecer que ainda há, neste mundo de idiotas úteis fabricados em série, um ou outro homem, aqui e ali, com doses de testosterona acima da média.

Você aí, meu caro feicebuquiano incapaz de examinar um assunto antes de aderir ao coro histérico dos militantes, deveria aprender um pouco com aqueles que não se deixam intimidar sequer para investigar os deuses da militância.

Lula e Obama podem até se safar nas investigações, já que são profissionais disto.

Mas os responsáveis pela abertura delas já estão fazendo um precioso serviço contra a boiolice geral.

Ser gay, afinal, pode até não ser doença alguma.

Mas ser boiola sem dúvida que é.

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Minhas sugestões para quem vai fazer redação do Enem e não sabe preparar miojo nem cantar o hino do Palmeiras:

(...)

Para não ficar muito cansativo, vou agora ensinar a fazer uma bela
viagem presidencial à Roma. Reserve 30 quartos no hotel Westin Excelsior, com diárias entre R$ 910 e R$ 7.700; e mais 22 em hotel próximo. Alugue sete veículos sedã com motorista, um carro blindado de luxo, quatro vans executivas com capacidade para 15 pessoas cada, um micro-ônibus e um veículo destinado aos seguranças. Ignore os mililitros de chuva e, quando os petropolitanos estiverem morrendo, retire a vergonha da cara e sorria.

Porque quando surge o verde-amarelo imponente, na Itália onde o Papa o aguarda, sabe bem o que vem pela frente, e que o conforto do Excelsior não tarda...


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PS: Se tirar menos de 500 pontos, exija revisão.

Notas sobre a imaturidade

[Publicadas originalmente no facebook.]

A repulsa à ideia de “correr atrás de homem” dessensibiliza as moças de tal forma que elas se tornam incapazes de tomar qualquer iniciativa, nem que seja para simplesmente corresponder ao interesse sincero de alguém, até quando elas mesmas também estão interessadas em ver no que dá.

Em outras palavras:

O medo neurótico de parecerem ridículas ou desesperadas (a rigor, periguetes, carentes, facinhas, encalhadas, ou qualquer estereótipo abominado pelas miguxas de seu meio) resulta, com frequência, em um intragável comportamento blasé.

Homem maduro não fica correndo atrás desse tipo de moça.

Faz a sua parte, e mostra, com elegância, que sem a dela não tem jogo.

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À medida que as chopadas viram grandes eventos, e as olimpíadas universitárias (Orem, principalmente), carnavais fora de época, os jovens brasileiros não só entram cada vez mais deslumbrados na vida acadêmica, como saem dela cada vez mais pinguços para sempre — diplomados em oba-oba.

Nas universidades, além da linguagem petista, eles aprendem por automatismo que a vida inteligente é isto: especialização profissional e lazer alcoolizado.

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Poucos sintomas de infantilidade são tão evidentes quanto amenizar ironias, deboches e demais provocações dizendo:

- Brincadeirinha!
- Tô brincando!
- Sacanagem!

No Rio, é comum ainda a versão papagaiada e sem o “m”:

- Sacanage, sacanage...

Tudo isto é o avesso do humor, da sensualidade, da confiança em si e da própria sacanagem.

Quando ouço essas coisas, sempre concluo em silêncio:

- Neném, neném...

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O que tem de mulher que repudia a “caretice” e o “atraso” da Igreja Católica, mas que sonha com um homem fiel — e sofre quando é corneada, ou abandonada com filho no colo — não é brincadeira.

Essas mulheres querem usufruir os valores disseminados pela Igreja, ao mesmo tempo que contribuem para a descristianização da sociedade.

Não tenho pena de nenhuma delas. São todas vítimas do assassinato moral que ajudam a praticar.

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Não se deve acreditar em quem diz que não existe verdade, nem casar com quem diz que não existe fidelidade.