sábado, 25 de maio de 2013

Eu recomendo esse filme!

[Também publicado no Mídia Sem Máscara. Pós-escrito no facebook.]

O ABUSO FATAL ("Treason")

Uma produção líbio-americana de 2012-2013 - sem data para acabar.

SINOPSE:

NUMA CIDADE MUITO LONGE, MUITO LONGE DAQUI... Dois agentes desobedecem ordens para permanecer no anexo onde estão durante um ataque terrorista ao complexo da embaixada local de seu país e arriscam a vida tentando salvar o embaixador e outros diplomatas. Eles atiram contra os inimigos, ajudam vários oficiais a escapar, mas acabam morrendo heroicamente, junto com o embaixador e um especialista em informações. A tragédia do outro lado do mundo acontece em plena e acirrada campanha do presidente para a reeleição. Durante semanas, altos funcionários de seu governo culpam um vídeo anti-islâmico do Youtube que teria motivado o sangrento "protesto"; e — apesar de uma série de e-mails e depoimentos provar que o governo (1) já sabia das ameaças terroristas, (2) não reforçara a segurança da embaixada, (3) fora informado em tempo real que se tratava de um ato de terror e (4) negara socorro aos oficiais em perigo —, a grande mídia nacional contribui para o acobertamento do caso durante 8 meses, revelando o escândalo somente depois de 6 meses da reeleição do presidente (muito embora ainda soubesse de antemão que, para derrubar os ditadores daquele país e de outro relativamente próximo, ele fornecera armas aos mesmos grupos rebeldes nada confiáveis que agora haviam assassinado quatro cidadãos do seu). O estouro do escândalo coincide com o de outros dois, também sintomáticos dos abusos de poder do governo: a perseguição do Fisco a grupos que se opõem às políticas do presidente e a violação do sigilo telefônico de jornalistas de duas famosas empresas de comunicação. Apesar da gravidade dos três casos, o maior mistério continua pairando sobre o ataque. Para além das evidências de que a secretária de Estado maquiou os relatórios do serviço secreto para não comprometer a imagem do governo em plena corrida eleitoral, cresce a suspeita — levantada por um analista político e reforçada por um almirante aposentado — de um grande teatro armado pelo presidente, em conspiração com os rebeldes. O plano: encenar um falso ataque e o sequestro do embaixador para que ele pudesse negociar a liberação do suposto refém — possivelmente em troca de um prisioneiro conhecido como “O Sheik cego” — e assim, com ares humanistas de salvador da pátria, aumentar seus índices de aprovação e intenção de voto. O teatro — que explicaria, entre outras coisas, a negligência no reforço da segurança da embaixada e as ordens para que também as forças aéreas militares próximas à região ficassem paradas, mesmo podendo chegar a tempo de intervir no massacre — teria sido estragado justamente pelo patriotismo autêntico dos dois desavisados e bravos agentes, diante de cuja reação os rebeldes, acreditando-se traídos pelo presidente, teriam torturado o embaixador e arrastado seu corpo à rua. Se o escândalo já era considerado maior do que aquele que resultara na queda histórica de um antigo presidente, a comprovação deste teria consequências inimagináveis. A oposição exige a verdade. O presidente acusa a oposição de armar um "circo político". Ninguém sabe onde ele estava na noite do ataque. Os altos funcionários do governo e a grande mídia nacional blindam o presidente contra qualquer possibilidade de envolvimento e culpa. Quem está conspirando contra quem? O que — e quanto tempo — será necessário para se descobrir a verdade e qual será o preço da mesma para o país? Quem deu as ordens para ninguém reagir? Quem terá nas investigações a audácia que os dois agentes mortos tiveram no ataque? Quem afinal os honrará? Essas e inúmeras outras perguntas estão por trás de uma narrativa múltipla em que realidade e ficção, ingenuidade e cinismo, heroísmo e covardia, consciência e manipulação, indignação e indiferença, democracia e ditadura, vitimismo e senso de justiça se confundem e se confrontam, numa época em que os homens se tornam cada vez mais reféns das forças políticas que ignoram.

EM CARTAZ, HOJE... nos Estados Unidos da América.

ESTRELANDO:

- Presidente: Barack Obama (indicado ao Oscar de Melhor Ator);
- (Ex-)secretária de Estado: Hillary Clinton;
- Altos funcionários: Jay Carney, Susan Rice e outros;
- Embaixador (morto): Christopher Stevens;
- Agente 1 (morto): Tyrone Woods;
- Agente 2 (morto): Glen Doherty;
- Especialista em informações (morto): Sean Smith;
- Autor do vídeo (preso): Nakoula Basseley Nakoula;
- "O Sheik cego" (muçulmano): Omar Abdel Rahman;
- Empresas violadas: Associated Press e Fox News;
- Grande Mídia (8 meses atrasada): CNN, New York Times etc.
- Analista político (possível mocinho): Kevin Dujan
- Almirante aposentado (possível mocinho, aos 85 anos): James Lyons

...e vasto elenco.

PARTICIPAÇÕES ESPECIAIS:

- Al-Qaeda
- Ansar al-Sharia

VERSÃO BRASILEIRA:
(8 meses, no mínimo, à frente da grande mídia; e 8 anos, de Hollywood...)

- Felipe Moura Brasil

*****

Na compra de um ingresso, você ganha a cartilha impressa:

REGRAS SUBENTENDIDAS NOS GOVERNOS DE ESQUERDA *
(* como o de Barack Hussein Obama)

Prezado funcionário,

O presidente lhe confiou este cargo (no Fisco/ no Departamento de Estado/ ou em qualquer órgão do governo) justamente porque conhecia suas ideias, seus princípios morais, seu comprometimento com as causas do Partido; e sabia que você faria o necessário para cumprir a agenda política dele.

No entanto, se (ou quando) você violar sigilos telefônicos de jornalistas, perseguir grupos conservadores inimigos, maquiar relatórios do serviço secreto ou cometer quaisquer outros tipos de crime que resultem em escândalos nacionais, NÃO OS COMUNIQUE AO PRESIDENTE em hipótese alguma! (Ou, pelo menos, não deixe qualquer rastro dessa comunicação, ok?)

Caso você seja descoberto, ele poderá alegar — sem maiores provas em contrário — ter sido informado de tudo apenas pela imprensa.

Neste caso, favor não levar para o lado pessoal os eventuais discursos do presidente repudiando seus atos (sem dúvida beneméritos), muito menos sua possível demissão ou antecipação da aposentadoria.

Saiba que se trata apenas de teatro para a TV e os jornais (e para a ingênua caipirada que neles acredita); e que, tão logo amainada a opinião pública, teremos prazer em realocá-lo em novo cargo, ou mesmo em cuidar para que nada lhe falte no decurso de sua fidelíssima vida de aposentado.

Adiantando que o não cumprimento das normas tácitas acima o torna imediatamente, aos olhos do Partido, um inimigo político da pior espécie, passível a todas as perseguições que tal designação acarreta, agradecemos desde já a sua contribuição para a nossa perpetuação no poder.

Atenciosamente,

Os chefes que não sabiam de nada

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Com quem casar: a decisão mais importante na vida de uma mulher

ESCRITO POR SUZANNE VENKER / Tradução de Felipe Moura Brasil publicada originalmente no facebook e depois no Mídia Sem Máscara.

Formada em Princeton e mãe, Susan Patton considera “surpreendente” a reação ao seu artigo que aconselha as princetonianas a encontrar um marido antes da formatura. Eu não tenho dúvida alguma de que a reação é chocante para a sra. Patton, mas não é nem um pouco chocante para mim. Tenho sofrido essa mesma reação acalorada por desafiar o status quo quando o assunto são mulheres, trabalho e família.

Mulheres modernas supostamente não deveriam falar sobre casamento, muito menos abraçar essa ideia. Elas deveriam ficar focadas em sua educação e suas carreiras e presumir que o resto da vida vai cair em seu lugar naturalmente. É tudo tão triste, uma vez que se casar e ter filhos marca o início da vida — não o fim.

Eu sei que é chique pensar sobre o casamento como algo que as mulheres fazem depois de terem curtido suas liberdades sexuais, percorrido a Trilha dos Apalaches, e mergulhado fundo em suas psiques para "encontrar a si mesmas". Eu sei que o pressuposto é de que o homem dos seus sonhos e o casamento estão esperando prontinhos como um prêmio por toda essa busca pela própria alma. Mas, honestamente, isto não funciona assim.

No entanto, devo discordar respeitosamente da solução da sra. Patton, segundo a qual as mulheres devem encontrar seus maridos na faculdade. Um plano melhor, na medida das possibilidades de que as mulheres afinal planejem tais circunstâncias, é encontrar um marido nos cinco anos subsequentes — no caso, um homem que seja alguns anos mais velho.

A geração moderna está a anos-luz da maturidade que seus pais exibiam quando eram jovens, e isto é especialmente verdadeiro para os homens. Antigamente, os rapazes da faculdade estavam propensos a se tornar bons pais de família. Eles queriam ter relações sexuais, o que geralmente - e essa é uma das razões - significava casar. Os homens também eram respeitados como provedores e protetores da família, o que significava que eles levavam seus planos de carreira a sério.

Aqueles dias se foram. O casamento não é mais necessário para o sexo, e os homens podem viver com suas namoradas sem compromisso. Eles tampouco esperam ser o provedor único quando e se, de fato, se casarem. O resultado é que os homens levam o dobro do tempo para crescer. Eles não têm um plano de carreira claro, e fogem do casamento como o diabo foge da cruz. Eles sabem que podem constituir família mais tarde, simplesmente se casando com uma mulher mais jovem. As mulheres não têm essa opção.

Mas o aspecto mais importante da discussão é o seguinte: de todas as escolhas que as mulheres vão fazer na vida, nenhuma é tão importante quanto decidir com quem casar. Nenhuma. Estar ou não feliz em seu casamento vai ditar todo o curso da sua vida. Vai medir o fluxo dos seus dias, ser o fator determinante para o bem-estar dos seus filhos, e até mesmo colorir a sua visão do mundo. Você vai levar um casamento bom ou um casamento ruim com você aonde quer que você vá. Isto é o barômetro para todas as outras coisas que você faz.

Por que, então, incentivaríamos as mulheres a gastar todo o seu tempo e energia preparando-se exclusivamente para uma carreira? Como Patton observa acertadamente: “Foi colocado foco demais em encorajar as mulheres jovens só para a realização profissional. Eu acho que, no fundo de suas cabeças, todas elas sabem disso, mas ninguém o está dizendo.”

Eu venho dizendo isso há anos. Eu escrevi quatro livros e inúmeros artigos incentivando as mulheres não apenas a se esforçarem para abrir um amplo espaço para o casamento e os filhos, mas para abraçar esse lado da vida. Há mais vida para além do trabalho. Mesmo quando o trabalho é poderoso e lucrativo, não é o suficiente.

Mas as mulheres não podem absorver esta mensagem, enquanto suas carreiras são tidas pela sociedade como sua raison d'être. Na verdade, o problema que as mulheres modernas enfrentam é duplo: como encontrar um homem maduro para se casar, e como corrigir o seu desejo de independência com o seu desejo de amor.

A resposta para a primeira parte é simples: as mulheres precisam parar de ser tão sexualmente disponíveis para os homens. Fazer os homens merecerem seu amor e seu corpo. Os homens precisam de incentivo para casar — eles não precisam se aninhar como as mulheres precisam.

A resposta para a segunda parte tampouco é complicada; é apenas diferente do que as mulheres foram ensinadas a acreditar. Noutro dia, recebi um e-mail de uma mulher chamada Alana, de 28 anos, que escreve:

Eu amo crianças. Eu não tenho as minhas próprias e a sociedade me convenceu, sim, a fugir do lar, como você colocou. É verdade, e é triste. Agora me sinto como se eu precisasse terminar o meu relacionamento com um homem perfeitamente bom para perseguir as minhas aspirações profissionais. Por que me sinto assim, e qual é o caminho correto? Ao chegar a este ponto, o objetivo era correr atrás da minha carreira com fervor. Devo negar esses impulsos agora que sou finalmente capaz de me sustentar e de me sentir confortável com o que espero que venha a ser uma carreira significativa?

Mulheres como Alana estão por toda parte. Eu sei disso porque eu as ouço o tempo todo, e todas elas pedem alguma versão da mesma coisa: Quando é que as mulheres poderão se sentir bem em relação ao seu desejo de casar e ter filhos?

Deixe-me então dizer uma coisa a Alana e a todas as outras mulheres por aí que estão nesse mesmo barco: Não, você NÃO deve negar o seu desejo de ninho. De construir uma família, e torná-la o centro de sua vida. Há um tempo e um lugar para tudo nessa vida.

Não a deixe passar por você.

*****

Texto original: FoxNews.com.

Site da autora: http://suzannevenker.com.

Tradução: Felipe Moura Brasil, autor do Blog do Pim.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

A vida dos outros

[Também publicado no Mídia Sem Máscara. Notas 1 e 2 publicadas originalmente no facebook - aqui e aqui.]


Os seios de Angelina Jolie são mais importantes para a grande mídia do que os três escândalos simultâneos - mas previsíveis - da ditadura Obama:

1) Violação do sigilo telefônico de jornalistas para fins de espionagem e monitoramento;

2) Perseguição do Fisco a grupos conservadores, como o Tea Party, que se opõem às políticas do presidente.

3) Mentiras, recusas de socorro e ocultação de informações comprovadas pelas novas investigações sobre o ataque terrorista ao complexo da embaixada dos EUA em Benghazi, na Líbia, que resultou na morte de 4 americanos, incluindo o embaixador.

O processo de retirada preventiva dos seios de Angelina durou quase quatro meses. Para que o câncer socialista não se alastre ainda mais pelos EUA, seria ótimo se o processo de retirada de Obama não durasse tanto.

Impeachment nele!

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Eu não deveria gargalhar ao ler O Globo Online, o site oficial de Barack Obama no Brasil, mas não consigo me conter diante de manchetes assim:

"Governo Obama é acusado de intimidação e perseguição política"

[Chego quase a pensar: Puxa vida! Coitadinho dele! Tão fofo!]

A lógica nesses casos é sempre a mesma: se o governo faz (ou finge que faz) algo de bom, então ele é que fez. Se faz algo de ruim (e se o jornal já não pode ignorar), então ele é acusado por seus adversários de tê-lo feito.

Em outras palavras: Obama é sempre herói ou vítima. Não tem outra opção.

Mas o subtítulo, como de hábito, consegue ser ainda mais cômico:

"Monitoramento de jornalistas e discriminação a conservadores na Receita atingem governo democrata"

Isso mesmo: "ATINGEM governo democrata". O governo Obama - imagine - foi "atingido" pelo monitoramento e pela discriminação que ele mesmo fez.

Não é lindo?

É a soma de milhões de inversões jornalísticas como essas que faz um país inteiro amar ou odiar alguém, como os brasileiros amam Obama e odeiam Bush, sem ter a menor ideia do que se passa nos Estados Unidos.

Eis o poder dos jornalistas.

"E como eles aproveitam esse poder que lhes dá", já alertava Lima Barreto há mais de 100 anos, "a fatal estupidez das multidões! Fazem de imbecis gênios, de gênios imbecis; trabalham para a seleção das mediocridades".

Mas é claro que O Globo Online não fez nada de mais.

Eu é que estou acusando...

*****

E por falar em manipulações, vamos entender algumas das mais graves de todas? Vamos sim! Venha com o Tio Pim!

Da noite para o dia, o comunicado do governo sobre o ataque terrorista em Benghazi — que em 11 de setembro de 2012 resultou na morte do embaixador Chistopher Stevens, do especialista em informação Sean Smith e de dois ex-membros do Navy Seal, o grupo de elite da Marinha americana, Glen Doherty e Tyrone Woods — sofreu 12 alterações. Segundo o Weekly Standard, “o rascunho do comunicado da CIA enviado a altos funcionários do governo Obama naquela noite de sexta-feira incluía mais de meia dúzia de referências ao inimigo — al-Qaeda, Ansar al Sharia, os jihadistas, os extremistas islâmicos, e assim por diante. A versão recebida [pelo General David Petraeus] no sábado não tinha nenhuma.”

Mas não foram retiradas apenas as menções aos grupos responsáveis pelo ataque. As informações foram manipuladas de modo a sugerir que não havia qualquer indício de inteligência mostrando que o consulado já estava sob perigo. Um e-mail obtido pela rede ABC mostra que a porta-voz do Departamento de Estado, Victoria Nuland, orientou sua equipe a sumir com a menção às ameaças terroristas prévias: “Isso pode ser indevidamente usado por congressistas para atacar o departamento por não ter dado atenção aos avisos”, escreveu ela, com o intuito evidente de proteger o governo Obama em meio à campanha para a reeleição, durante a qual o presidente se vangloriava da morte de Bin Laden, como se a al-Qaeda e o terrorismo tivessem acabado ali. Mas isto é o que o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, chamou apenas de uma edição “estilística”...

Na última sexta-feira, Carney ainda sustentava que não havia provas de que a al-Qaeda estava envolvida no ataque, no domingo em que a embaixadora dos EUA na ONU, Susan Rice, falou em diversos programas de TV com base no comunicado e atribuiu a culpa pela tragédia a um vídeo anti-islâmico do Youtube. Na segunda-feira, Obama repetiu a ladainha: “Temos sido muito claros de que imediatamente depois do ocorrido, não tínhamos certeza de quem exatamente havia feito aquilo, como acontecera ou quais tinham sido as motivações.” Agora você se pergunta: se não tinham certeza, por que passaram mais de duas semanas culpando o vídeo?

Não bastassem as edições do comunicado e o e-mail de Nuland, há outras provas de que altos funcionários sabiam, no dia seguinte, que a Ansar al-Sharia reivindicara a responsabilidade: 1) “O grupo que conduziu os ataques, a Ansar al-Sharia, está associado com terroristas islâmicos”; “o governo dos EUA tinha múltiplos indícios de inteligência indicando que a Ansar al-Sharia estava envolvida”, escreveu Beth Jones, por e-mail, respectivamente 24 horas e 48 horas depois da tragédia; 2) O oficial Greg Hicks, a maior autoridade americana em Benghazi depois do embaixador assassinado Christopher Stevens, conversou com a própria Hillary Clinton às 2 horas daquela madrugada e já sabia o que estava acontecendo, como afirmou em audiência na Câmara, revelando ainda que Susan Rice sequer entrou em contato com ele antes de ir a público; 3) O próprio presidente da Líbia veio à TV americana no domingo e chamou o episódio de ataque terrorista.

Obama, com a sua peculiar cara-de-pau, ainda alega ter feito isso já no dia seguinte, muito embora tenha usado a expressão “ato de terror” somente de maneira genérica (dizendo que eles não seriam tolerados) quando se referia na verdade ao 11 de setembro de 2001. E tanto é mentira que ele tenha se referido especificamente a Benghazi como um ataque terrorista que, dias depois, foi a dois programas de TV (“60 minutes”, da CBS, e “The View”, da ABC) e, questionado a respeito, afirmou que ainda era cedo para chamá-lo assim e precisava esperar as investigações.

Abraham Lincoln dizia: “Você pode enganar algumas pessoas o tempo todo e todas as pessoas por algum tempo, mas você não pode enganar todas as pessoas o tempo todo”. Hoje, com a cumplicidade da mídia, você pode enganar as pessoas por algum tempo (o suficiente para uma reeleição) e depois, caso as cobranças comecem a aparecer, você pode mentir à vontade e alegar, com a impaciência dos cínicos, que tal episódio já aconteceu “há muito tempo” (Jay Carney), “Que diferença faz a esta altura?” (Hillary Clinton), “Não podemos deixar isto absorver toda a atenção do Congresso” (Nancy Pelosi, que chama a coisa de “obsessão” do Partido Republicano), “Caça às bruxas continua” (senador Dick Durbin) e, last but not least — seguindo pela enésima vez a máxima leninista “Acuse-os do que você faz, xingue-os do que você é” — chamar de “circo político” (Barack Obama) a simples busca da oposição pela verdade. E não se esqueça de dizer, antes de demitir um ou outro bode expiatório de menor alçada, que o mais importante é fazer o possível para que isto não aconteça de novo, como se o presidente não fosse também ele um empregado do povo, sujeito à demissão por negligências e fraudes criminosas de seu governo, sobretudo se distribuiu armas para rebeldes derrubarem um ditador (Kadafi) e se depois esses rebeldes acabaram matando diplomatas americanos.

(“Tudo é feito para maximizar a tragédia, já de olho na campanha eleitoral de 2016”, escreve o jornalista brasileiro Caio Blinder, obamista até o fim.)

Eu sei o quão aborrecido é para um revolucionário ter de dar satisfação a seus inimigos. Por isso é melhor intimidá-los com os recursos do Fisco, perseguindo-os e investigando até suas contas no facebook. É melhor violar o sigilo telefônico até dos jornalistas de estimação (da AP — Associated Press), para não deixar que eles saiam da linha. É melhor tentar desarmar a população e aumentar o arsenal do Homeland Security, com milhares de armas e bilhões de munições que só poderiam ser usadas contra ela. Se tudo corresse bem, em pouco tempo ninguém mais reclamaria da morte do vizinho, nem do aumento dos impostos, nem de coisa alguma.

A mãe de Sean Smith, morto em Benghazi, declarou na TV: “Eu quero desejar um Feliz Dia das Mães a Hillary Clinton. Ela tem o filho dela. Eu não tenho o meu por causa dela.” Por mais velada que seja, como nos EUA obamista ou no Brasil petista, toda ditadura é assim: você começa sem informação, e depois acaba sem seus filhos.

É uma questão "estilística"...

******

Felipe Moura Brasil edita o Blog do Pim e o futuro livro Tudo que você nunca quis saber sobre a Líbia, nem nunca vai perguntar, que incluirá os seguintes artigos:

O Rei Sonso e o país dos sonsos;
A "mãe" de Obama;
Garibaldo e Funga-Funga / Já imaginou se fosse o Bush?;
Os vingadores;
Que diferença faz?;
A vida dos outros;
e mais alguns.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

As drogas da época (e o conhecimento que cura)

[Também publicado no Mídia Sem Máscara - aqui. Notas publicadas originalmente no facebook - aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.]

DROGAS? Meu filho, eu sou contra a liberação desses novos CELULARES para crianças e adolescentes por parte dos pais, e você ainda quer discutir maconha, cocaína e crack liberados no país inteiro? Quem vê meninos e meninas não apenas caindo desacordados por causa de bebida alcoólica em festinhas de colégio, mas também absolutamente viciados em smartphones e tablets, incapazes de largá-los um minuto sequer para levar uma vida real, com disciplina, estudo e atenção, só não concebe o tamanho do estrago que lhes faria a maior exposição às drogas se tiver um cérebro já devidamente estragado pelas mesmas. O celular é hoje a chupeta da molecada. Quando a chupeta for a droga, meu filho, não haverá fralda para tanta merda.

[Leia também: Erotizadas e chapadonas.]

*****

Da série "Como distorcer uma notícia"
Episódio de hoje: O "Bolsa Crack" da revista Época

Vamos aprender a ler a grande mídia? Vamos!

Revista Época: "(...) O cartão tornará disponível a quantia de R$ 1.350 mensais para as famílias dos dependentes (em Minas o valor é de R$ 900) e esse dinheiro só poderá ser utilizado no tratamento dos dependentes porque será repassado diretamente para as clínicas de reabilitação. (...)"

Leio um troços desses e Didi Mocó sempre me vem à cabeça: "Cuma!?"

As famílias terão disponíveis uma quantia que será repassada diretamente para as clínicas? E que só poderá ser utilizada no tratamento? E o tratamento é do dependente?

Para tudo! Vamos tentar de trás para frente:

O dependente terá à disposição um tratamento. O tratamento será oferecido pelas clínicas. As clínicas receberão do governo uma quantia.

Pergunta-se:

- Quem colocou a família no meio? A revista Época!
- Quem colocou a quantia repassada para as clínicas como "disponível para as famílias"? A revista Época!
- Quem quer fazer você acreditar que um tratamento disponível para um viciado é o mesmo que dinheiro disponível para as famílias? A revista Época!
- Quem quer fazer você acreditar que o governo Alckmin dará dinheiro (o "Bolsa Crack") para as famílias dos viciados? A revista Época!

Mas não haverá um cartão?

Sim. O cartão entregue às famílias será um atestado de que o dependente "X" está em tratamento na unidade "Y", justamente para que se possa avaliar se o serviço está mesmo sendo prestado, bem como sua efetividade.

- Quem transformou este cartão-atestado em um cartão de crédito "que tornará disponível a quantia de R$ 1.350 mensais"? A revista Época!

Pensamento do dia:

Com ou sem bolsa, não há clínica que dê jeito no jornalismo viciado.

[Sobre o programa, mais detalhes - aqui.]


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E não é que até os "mauricinhos do tráfico" aprenderam direitinho o discurso esquerdista de culpar a sociedade pelos próprios crimes?

“Eu já me envolvi com droga, resolvi traficar novamente por causa da situação, tenho filho pra sustentar e vivemos numa sociedade onde não temos oportunidade, resolvi pegar essa droga para vender e pegar uma grana porque estou com muitas dívidas.”

Oh, coitadinho dele! Vamos fazer uma vaquinha para ajudar o rapaz!

Não podemos deixá-lo nas mãos de policiais conservadores, reacionários e fascistas, que dizem coisas assim:

“Eles são de família de classe média, estavam cometendo estes crimes para ter dinheiro para curtir. Parece que eles se divertem com isso.”

Que maldade! Eles nem sabiam que andavam em carros roubados, poxa!

[Veja reportagem no link - aqui.]

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Da série "Frases do Pim":

Quem quer combater o crime com escola só mostra como a sua lhe foi inútil.

*****

Chuck Norris, o astro das artes marciais da TV e do cinema americanos, é hoje um colunista conservador que distribui pontapés intelectuais no governo Obama e na grande mídia esquerdista, em defesa da população.

Lobão, o roqueiro e autor do necessário Manifesto do Nada na Terra do Nunca, é o Chuck Norris brasileiro. Finalmente, temos um artista macho.


[Ouça Lobão também aqui.]

***** 

E vem aí, da obra do filósofo Olavo de Carvalho, organizado e apresentado por mim, Felipe Moura Brasil, finalmente um livro para salvar você do mundo das drogas existenciais, morais, intelectuais, jornalísticas e quem sabe até propriamente ditas, explicando tudo que ninguém jamais lhe explicou, da maneira mais divertida, mastigada e abrangente possível.

Em julho, pela Editora Record - que, com o bravo Carlos Andreazza, não se deixa intimidar pelas patrulhas do pensamento -, o meu projeto será realidade.



Aguardem.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Soneto escancarado

(Felipe Moura Brasil)

Porque te vi menina, obstinada
a em tudo ser melhor, como se foras
consciente já tão cedo de que nada
alcançam inertes almas sonhadoras;

Porque te vi buscar perturbadoras
palavras, quando as moças em manada
queriam só as mais acolhedoras
à própria insegurança disfarçada;

Porque não te revi senão com rara
coerência a tais lembranças que eu guardara
e ainda porque delas riste adulta,

É que hoje - do menino, em mim, tomara -
recupero a inocência que escancara
esta paixão... fingidamente culta.

*****

Felipe Moura Brasil é autor do Blog do Pim e não responde pelo seu eu-lírico. 

[Publicado originalmente no facebook - aqui.]

domingo, 5 de maio de 2013

Shopping “Dimenor”

[Crônica de domingo, inspirada na "notícia" de lançamento da campanha "Adote um menor infrator" - aqui; e publicada originalmente no facebook - aqui.]

- Bom dia. Em que posso ajudá-lo?
- Quero adotar um menor infrator.
- Alguma preferência?
- Queria dar uma olhada... Tem de tudo?
- Temos assassinos, incendiários, estupradores, pedófilos adolescentes, traficantes e por aí vai... Até puxador de carros.
- Não tem assim um ladrãozinho de chiclete do baleiro?
- Chiclete do baleiro?
- É, daqueles de porta de escola.
- Senhor, não trabalhamos com ladrões de chicletes.
- Alguma coisa contra ladrões de chicletes?
- Senhor, eu mesmo roubava chicletes do baleiro da escola. Quem é que é preso por isso?
- Hum, tem razão. Eu também roubava. Aquele "ping-pong", que era menorzinho... Tem ladrão de galinha?
- Senhor, não trabalhamos com...
- Mas por quê?
- Senhor, estamos na cidade. Quem é que rouba galinha por aqui?
- Hum, tem razão de novo. Qual você disse que era o menos perigoso, então?
- Eu não usei esta expressão, senhor. Disse que temos até puxador de carros.
- Isso. Onde estão esses?
- Eu não usei o plural, senhor.
- Usou sim!
- Não em "puxador".
- Você quer dizer que...
- Eu quero dizer que puxador de carros tem saído muito. É o “efeito Chico Buarque”. Ai, ai... Se esse programa já existisse quando ele puxava, ninguém o tiraria de mim! Já imaginou, senhor? 17 aninhos, tocando violão e cantando lá em casa? Meu “F.B.H.”...
- ...
- Quando chega um puxador, a mulherada aqui logo se assanha e confere os olhinhos. Agora só sobrou o "Z.".
- E quantos carros esse "Z." puxou?
- Foram 23, senhor.
- 23!?
- No mês passado, tinha uns três aqui com menos de 10 na ficha e, veja bem, nenhuma Ferrari. Se o senhor tivesse vindo de manhãzinha, ainda pegava o "K.", que tinha puxado 19. Mas, como eu disse, tem saído muito mesmo...
- O "Z." tem Ferrari?
- Ah, que bom que o senhor está interessado.
- Só estou curioso.
- O "Z." não tem mais as Ferraris.
- Isto é um plural?
- Um plural de 23, senhor. O "Z." é um colecionador.
- Colecionador!?
- Se o senhor não tiver Ferrari, é risco zero.
- Santo Deus, deve haver traficantes de drogas melhores que o "Z."!
- Ainda temos dois de crack.
- E os de maconha?
- São os mais procurados, senhor. Eu mesma adotei três no primeiro mês, graças à cota para funcionários. Senão, não daria. Os bacanas do Posto 9 de Ipanema, do Baixo Gávea, das festinhas de música eletrônica gostam muito deles, nunca vi. Ligam toda hora para saber se chegou mais. O senhor quer que eu coloque seu nome na fila de espera?
- Posso ver essa lista?
- Não tenho autorização, senhor. Só posso estar lhe passando o seu número na fila.
- E qual é esse número?
- 14.587, senhor.
- Minha Nossa!... Que outras opções me restam?
- Temos pedófilos adolescentes...
- Eu tenho filha pequena!
- ...estupradores de mulheres adultas... O senhor é casado?
- Divorciado.
- Quer com coronhada ou sem?
- Na vítima?
- Em quem mais, senhor? Estupradores, ainda temos alguns bem tranquilos, com dois ou três ataques vaginais somente, sem coronhada na cabeça. Não os conheço, porque no setor deles, só entram os homens, mas todos dizem que o “H.I.V.”, por exemplo, é um amor. Posso mandar buscá-lo, se o senhor quiser levar para um período de experiência.
- Obrigado, mas acho que não. Minha mãe me visita de vez em quando... É uma senhora enxuta.
- Ora, não se preocupe com isso. Se o seu menor reincidir até os 17 anos, 364 dias, 23 horas, 59 minutos e 59 segundos, ele não pega mais de três anos de recolhimento na Fundação Casa e...
- Eu estou preocupado com a minha mãe, minha senhora.
- A sua mãe, claro. Neste caso, um “isqueirador”, digo, incendiário talvez combine mais com o senhor. Tem alarme em casa?
- Contra incêndio? Sim...
- Pois então. Se o apito for alto, dá tempo de salvar sua mãe, sua filhinha e...
- E os assassinos? Tem algum muito arrependido?
- Ah, que bom que o senhor está interessado.
- Eu não disse que...
- Temos alguns supertranquilos ainda, do jeito que o senhor gosta, com uma vítima só. Coisa assim pequena, de ter atirado porque o sujeito demorou a entregar o celular, sabe? Já notei que o senhor é um cristão bastante dinâmico e caridoso, não vai se atrasar para atender seus desejos.
- Puxa vida, a senhora acha mesmo?
- Com certeza, senhor.
- Minha mulher sempre me criticava por querer ajudar todo mundo, menos ela...
- Pois então. Temos um, inclusive, que é a cara do senhor, até ela vai achar que é seu filho biológico.
- Jura?
- Sem dúvida, senhor. Vou mandar buscar agora mesmo.
- Obrigado, a senhora é muito simpática.
- Imagine. Parabéns por contribuir para a solução da violência com a... com a... desculpe, senhor, eu sempre me enrolo com essa palavra, deixe eu colar do discurso da ministra... “oportunização”... isso... “oportunização de acesso à educação, lazer, saúde etc.” para essas pobres vítimas da sociedade capitalista, neoliberal etc. O senhor pode ir preenchendo este formulário, enquanto atendo uma ligação?
- Claro.
- [Ao telefone] Adote um menor infrator, bom dia, com quem eu falo?... Oi, senhor 423... Não, ainda não chegou... Não, senhor, os meus eu não troco nem pela sua Ferrari!... Aviso sim, ok? Faltam só 327.

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Felipe Moura Brasil é autor do Blog do Pim.

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