sexta-feira, 28 de junho de 2013

Desligue o país e ouça Marco Feliciano — notas sobre "cura gay" e cura intelectual

[Também publicadas no Mídia Sem Máscara; e originalmente avulsas no facebook. Leia também pós-escrito: Um filme para os parasitas.]

I. 27/06/2013

E as criancinhas agora, graças à grande mídia e à classe política, crescerão cada vez mais seguras de que podem paralisar a cidade quando se sentirem injustiçadas, que a polícia é sempre bandida, que o terrorismo é de direita, que os partidos são apartidários, que a orquestração é espontânea, que os cristãos são homofóbicos, que os pastores são racistas, que os índios são todos primores de ternura, que o comunismo não existe mais, que o Foro de São Paulo é pura teoria da conspiração, que as armas são a causa eficiente dos crimes, que a pobreza gera criminalidade, que os assassinos são vítimas do "sistema", e que um servidor exigir uma vantagem indevida é um crime tão hediondo (repugnante, imundo, horrendo, sórdido, nojento) quanto incendiar uma pessoa viva, o que é o mesmo que dizer que incendiar uma pessoa viva é um crime tão banal quanto exigir uma vantagem indevida.

Em uma cultura assim, o problema dos pais é que não basta proibir os filhos de assistir à TV para protegê-los contra a perda total do senso dos valores morais, das virtudes, da realidade, porque eles continuarão respirando mentiras e distorções nas ruas, nas escolas, nas universidades, ou mesmo na internet, apesar dos sites, blogs e páginas pessoais dos autores que as refutam.

É preciso antes, para (tentar) educá-los de verdade, ter cada vez mais em mente o título memorável de um livro de Lionel Trilling, aquele autor americano para quem "a função primária da arte e do pensamento consiste em libertar o indivíduo da tirania da sua cultura e permitir-lhe erguer-se diante dela com autonomia de percepção e de julgamento".

O título: "A obrigação moral de ser inteligente".

Ou você a cumpre (senão por você, ao menos por seus filhos), ou arranja um controle remoto que desligue o país.

II. 19/06/2013

"Cura gay". Quando ouço alguém protestando contra tal coisa, saco logo o meu mata-militante verbal. Jorge Pontual, a Clara Averbuck do jornalismo gayzista, estava muito indignado na Globo News ontem [18/07/2013] com a suposta aprovação do projeto de "cura gay" da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, presidida pelo deputado Marco Feliciano, o George Bush brasileiro, culpado de todos os males do país. Falou em crime e tudo. Lamentou a intolerância. "Logo os cristãos que..." Enfim, aquele papo.

Mas "crime" mesmo é esse jornalismo impontual, que só investe na confusão. [Eu já não tenho a menor dúvida de que os militantes parasitas da minha página se reuniram, se organizaram e fundaram a Globo News. Só pode ser coisa deles.] Não houve aprovação de um "projeto de cura gay". É pura mentira. Reinaldo Azevedo, como de hábito, já esclareceu isso aqui [ver trechos comentados por mim no item IV deste artigo], embora me incomode um pouco que ele não faça tão claramente a distinção que mostrarei adiante. Em todo caso, desligue sua TV. Cancele a assinatura dos jornais. A verdade hoje só sai nos cantos da internet.

E antes que você saia às ruas para protestar contra o que nunca aconteceu, sugiro apenas que leia a nota que escrevi aqui em 2 de julho de 2012, como introdução a um texto de Olavo de Carvalho sobre o assunto. Sim: ele de novo. Sim: sempre ele. Está mais do que na hora de parar de chamar carne, batata, feijão etc. de "Arroz", como se fosse tudo uma coisa só, ok? Cure de vez a sua linguagem. Mate já o militante que existe em você.

Eis a minha nota:

Todo neurótico pode se masturbar 3 vezes ao dia; transar com 7 peguetes por semana; participar de ménage (à trois) e suruba (à dix-huit...); dar e levar chicotadas de lingerie sadomasô; pagar prostitutas; comprar bonecas infláveis e vibradores; e até comer eguinhas pocotós, gatinhas e cachorras (refiro-me aos animais), além de zebras, vacas e macacas (idem) que ninguém lhe negará uma consulta psicoterapêutica (ou psiquiátrica), caso se sinta incomodado com suas próprias condutas sexuais. Afinal, ele pode estar, através de qualquer uma delas, encobrindo a sua neurose e camuflando assim conflitos emocionais de outra ordem que, tão logo nomeados e resolvidos, o permitam, digamos, pegar mais leve — ou mesmo desistir de tamanhas desventuras.

Mas ai dele, ai do infeliz, coitado!, se a sua válvula de escape é "brincar de médico" com voluntários do mesmo sexo... Aí não pode! Aí ele será considerado de antemão um homossexual de nascença e vitalício, impedido de sentar no divã por 1 minuto sequer para ser analisado. Sua neurose será protegida por lei, e qualquer psicólogo que o ajude será punido, uma vez que fica proibida a distinção entre o homossexualismo de fato e a doença; entre o impulso autêntico e o forjado.

Que muitos ativistas feicebuquianos ignorem os mecanismos de autoengano da mente humana e, em nome do afeto aos gays, embarquem em campanhas bonitinhas, mas ordinárias, é próprio da espécie, claro. Mas que profissionais de saúde mental e estudantes de psicologia achem essa monstruosidade a coisa mais justa do mundo é um sintoma do quanto a psicopatia dos detentores do poder político e dos meios de propaganda ideológica acaba impregnada em todos aqueles que deveriam justamente zelar pela sanidade geral.

Para quem ainda quiser sair desse hospício, a melhor receita, sempre, é ler Olavo de Carvalho — o que, felizmente, ainda não é proibido por lei.

— Ver artigo: "Psicólogos e psicopatas".

III. 27/06/2013

Marco Feliciano. Ele mesmo: aquele pastor que jornalistas militantes e feicebuquianos úteis colocam, com seu peculiar senso de justiça, no mesmo balaio de mensaleiros e demais ladrões de dinheiro público, acusando-o dos crimes de racismo e homofobia que obviamente não podem provar nos tribunais. Pois bem. Talvez a sua maior contribuição intelectual até agora tenha sido reunir e comentar em vídeo os trechos da cobertura feita pela grande mídia da aprovação daquele projeto "que ficou conhecido como cura gay". Conhecido por quem? Pela militância gayzista, é claro, que, não bastasse roubar nosso vocabulário, ainda estabelece os apelidos com que os apresentadores dos telejornais chamarão os projetos que lhe desagradam antes mesmo de que os tenha lido.

Marco Feliciano faz um apanhado visual — muito comum na mídia conservadora americana, mas infelizmente raríssimo no Brasil — da mentira disseminada por diversos programas de TV sobre o assunto. Eu já falei a respeito aqui [ver item II]. Mas o vídeo abaixo, para muito além de um esclarecimento sobre a suposta "cura gay", é um documento que retrata a organização criminosa que se tornou a grande mídia nacional, a qual, hoje, só um perfeito idiota brasileiro tem como fonte única de informação.

Em determinado momento, é verdade, Marco Feliciano — ao contrário de mim — parabeniza a população que foi às ruas. Esqueça esse pequeno trecho, ok? Assista ao resto do vídeo e entenda por que você nunca deve confiar no que ouviu falar na TV.



IV. 28/06/2013

[Marco Feliciano de novo. "Cura gay" de novo. Parasitas de novo. Ficou longo, mas é que precisei pegar na mãozinha...]

Vamos descompactar o comentário que um parasita deixou no meu post sobre Marco Feliciano? Vamos! Numerei os trechos para facilitar a identificação e a leitura. É o "unzip" do Tio Pim:

1. “O que ele [Feliciano] diz e como diz é tão tendencioso que me espanta a falta de percepção e interpretação do vídeo, mas ao mesmo tempo compreendo por ser entendido através de uma visão umedecida de moral e conceitos previamente internalizados.”

Fico sempre muito feliz quando um parasita se espanta comigo. Eu adoro espantar parasita. Todo dia eu me esforço bastante para isso. Alguém precisa fazê-lo. O indivíduo fica lá ouvindo a mesma historinha da grande mídia, dos miguxos de ideologia, dos parasitas todos, até que de repente se depara com um texto meu e... ooooohhhhhh!... que coisa espantosa, gente!

O espantadinho da vez, como os outros, não se limita ao espanto, claro. Também me acusa do que está prestes a demonstrar ("falta de percepção e interpretação"), seguindo inconscientemente a máxima de Lênin: “Acuse-os do que você faz, xingue-os do que você é.” É o leninismo atmosférico brasileiro... De quebra, julga compreender a minha psicologia, ou melhor, a minha “visão umedecida de moral e conceitos previamente internalizados”.

Só não posso dizer que fico “umedecido” ao ler tal coisa, porque obviamente há limites para o prazer que os parasitas me proporcionam... Mas é claro que isso me diverte.

De resto, “tendencioso” é uma daquelas palavras geralmente usadas no Brasil para desqualificar um adversário sem precisar ter razão. Desconfiem sempre dela, principalmente quando vem de um parasita da página alheia, que, como é próprio da espécie, não fez o seu dever de casa, isto é: não leu o meu outro texto [o item II deste artigo] que indiquei no link do meu post [o item III], nem o texto de Reinaldo Azevedo que estava indicado naquele, e que já explicava tudo que o parasita, na melhor das hipóteses, não entendeu.

Os parasitas são assim: reagem histericamente a um único post sem ler os demais textos do autor — e dos autores indicados por ele — sobre o assunto, nem mesmo se indicados no próprio post! Ou até leem, mas fazem questão de não entender coisa nenhuma.

Vejamos a argumentação do parasita da vez:

2. “O que a resolução do CFP diz é que não deve-se [sic] entender a homossexualidade como doença e, portanto, não seria ético propor qualquer tipo de cura.”

Manda a norma culta da língua portuguesa escrever “não se deve”, em vez deste horroroso “não deve-se”. O “não”, como qualquer palavra de sentido negativo, é “fator de próclise”, ok? Mas sei que os parasitas vêm "em domicílio" para o debate público sem ter passado primeiro pela aula de português. Estou acostumado.

O que o Conselho Federal de Psicologia diz — e o parasita tenta traduzir com suas próprias palavras “tendenciosas” — está escrito no parágrafo único do Artigo 3º. Colo aqui:

"Parágrafo único — Os psicólogos não colaborarão com eventos e serviços que proponham tratamento e cura das homossexualidades."

Quem falou em “cura” foi o CFP, não a Comissão presidida por Marco Feliciano. Pior: falou em “tratamento e cura”. Comentarei em seguida.

3. “Ao tirar esse artigo da resolução, como ele propõe, abriria-se espaço para esse entendimento da sexualidade homoafetiva como doença.”

Não vou exigir do parasita a mesóclise em “abrir-se-ia”, porque aí também seria demais. Mas devo dizer: não é “artigo” o que foi tirado. É o “Parágrafo único” do Artigo 3º. O Artigo 3º continua lá. E ele JÁ IMPEDE que se abra “espaço para esse entendimento da sexualidade homoafetiva como doença”, uma vez que enuncia:

“Art. 3° — os psicólogos não exercerão qualquer ação que favoreça a patologização de comportamentos ou práticas homoeróticas nem adotarão ação coercitiva tendente a orientar homossexuais para tratamentos não solicitados.”

Ou seja: os psicólogos não atuarão para favorecer a patologização da homossexualidade nem efetuarão tratamentos coercitivos. Isto já está garantido.

O parágrafo único — leiam ali em cima de novo — obviamente tem de cair porque, além de praticamente proibir os psicólogos de estudar o assunto do tratamento — qualquer que seja ele — da homossexualidade, como destacou Feliciano, abre espaço é para outra coisa: a caça às bruxas. Reinaldo Azevedo já exemplificou isso naquele texto que o parasita fingiu que não existe. Comento entre colchetes:

“Digam-me cá: um psicólogo que resolvesse, sei lá, recomendar a abstinência sexual a um compulsivo (homo ou hétero) como forma de livrá-lo da infelicidade — já que as compulsões, segundo sei, tornam infelizes as pessoas —, poderia ou não ser enquadrado nesse texto? [Siiiiiiiiim!] Um adversário intelectual não poderia acusá-lo de estar propondo ‘a cura’? [Siiiiiiim!] Podemos ir mais longe: não se conhecem — ou o Conselho Federal já descobriu e não contou pra ninguém? — as causas da homossexualidade. Se um profissional chega a uma determinada terapia que homossexuais, voluntariamente, queiram experimentar, será o conselho a impedir? [Aposto que siiiiiiiiim!] Com base em que evidência científica?” [Nenhumaaaaaaaaaa!]

Dito isso, voltemos ao parasita:

4. “Segundo, ao citar o Art. 4, que ele convenientemente não lê até o final, ele manipula uma interpretação!”

O parasita, que “convenientemente” chamou de artigo o Parágrafo único e ignorou o conteúdo remanescente do verdadeiro Artigo 3º, acusa Feliciano de não ler até o final um artigo que, no vídeo, é exibido duas vezes com destaque no momento mesmo em que ele fala a respeito (ver 8:05 e 8:26: http://youtu.be/LcClBBNeczc).

Qualquer sujeito não militante e provido de algum senso do ridículo verá que Feliciano não lê até o final o artigo para não perder o embalo da própria explicação, justamente porque sabe que o texto completo está sendo mostrado ao espectador — e que só um parasita poderia supor que ele tenta esconder na leitura o que mostra na imagem e que ademais é de conhecimento público.

Feliciano, segundo o parasita, ainda “manipula a interpretação!”. Claro que o parasita não diz onde, como, nem por quê. Apenas o acusa de tal coisa, dando o que segue como opinião autoprobante:

5. “O artigo prudentemente cita que, [sic] o psicólogo não deve manifestar-se de modo a reforçar preconceitos sociais existentes justificando-os como desordens psíquicas.”

Sobre o “prudentemente”, falo adiante. Sobre a vírgula, melhor não falar. Sobre o “justificando-os”, bem, não há esse verbo no Artigo 4º e, da maneira que a frase foi montada, o parasita está dizendo que os preconceitos poderiam ser justificados como desordens psíquicas, de modo que eu fico aqui imaginando o sr. Preconceito indo ao psicólogo para tratar as suas desordens e, quem sabe, deixar de ser o Preconceito que é. Nada assim muito incomum no mundo encantado dos parasitas, onde as palavras têm vida própria, não é mesmo? Mas vamos ao artigo 4º:

“Art. 4° — Os psicólogos não se pronunciarão, nem participarão de pronunciamentos públicos, nos meios de comunicação de massa, de modo a reforçar os preconceitos sociais existentes em relação aos homossexuais como portadores de qualquer desordem psíquica.”

Essa coisa pavorosa aí — esse atentado à liberdade de expressão, garantida pelo Artigo V da Constituição — é aquilo que o parasita considera "prudente". No Brasil revolucionário, é "prudente" proibir que os outros manifestem qualquer opinião que possa soar como preconceito em cabecinhas politicamente corretas.

Mas vejamos primeiro a conclusão do parasita:

6. “Portanto, ambos os artigos são conquistas para o exercício da profissão de forma ética e respeitosa e, ao retirá-los, abre-se [sic] espaços para abusos e transgressões.”

Aprendam, meus leitores: quando um parasita diz “portanto”, é porque ele não explicou coisa nenhuma antes. É que os parasitas, quando conseguem formular uma frase, acreditam piamente que argumentaram e até refutaram alguma coisa.

O que abre espaço para abusos e transgressões não é a retirada do Parágrafo único e do Artigo 4º, mas eles mesmos, caso tivessem permanecido. Seria o subjetivismo abrindo espaço para a caça às bruxas, como Reinaldo Azevedo já havia explicado. Vou colar um trecho grande de seu texto, dando alguns comentários entre colchetes, já que parasitas não acessam links antes de contestar.

Diz Reinaldo:

“Questões ligadas a comportamento não são um teorema de Pitágoras. Quem é que tem o ‘a²= b²+c²’ da homossexualidade? A resolução é obviamente autoritária e própria de um tempo em que se impõe a censura em nome do bem.

Ora, imaginem se um conselho de ‘físicos’ ousaria impedir os cientistas de tentar contestar a relatividade. O que vai ali não é postura científica, mas ideologia. Se conceitos com sólida reputação de verdade, testados empiricamente, podem ser submetidos a um teste de estresse intelectual, por que não considerações que dizem respeito a valores humanos? Tenham paciência! O fato de eu não endossar determinadas hipóteses ou especulações não me dá o direito de proibir quem queira fazê-lo.

(...) É preciso saber ler. [E como é!!!!!!!!!]

Proponho aqui um exercício aos meus colegas jornalistas. Imaginem um Conselho Federal de Jornalismo que emitisse a seguinte resolução, com poder para cassar o seu registro profissional:

‘Os jornalistas não colaborarão com eventos e serviços que proponham qualquer forma de discriminação social.’

‘Os jornalistas não se pronunciarão, nem participarão de pronunciamentos públicos, nos meios de comunicação de massa, de modo a reforçar os preconceitos contra pobres, negros, homossexuais, índios, mulheres, portadores de necessidades especiais, idosos, movimentos sociais e trabalhadores.’

O idiota profissional [alô, parasita!] diria: ‘Ah, está muito bem para mim! Eu não faria nada disso mesmo!’ Não, bobalhão, está tudo errado! Você se entregaria a uma ‘corte’ de juízes que definiria, por sua própria conta, o que seria e o que não seria preconceito. Entendeu ou preciso pegar na mãozinha para ajudar a fazer o desenho? [Precisa pegar na mãozinha!]

O problema daquele Parágrafo Único do Artigo 3º e do Artigo 4º é o subjetivismo. Ninguém pode ser obrigado, não numa democracia, a se submeter a um tribunal que pode dar a sentença máxima com base nos… próprios preconceitos.

(...) Os tais trechos da resolução, entendo, são mesmo autoritários e inconstitucionais. E têm de cair. E o que parece, isto sim, não ter cura é a vocação de amplos setores da imprensa para a distorção. Cada vez mais, a notícia se transforma num instrumento para privilegiar ‘os bons’ e satanizar ‘os maus’. Isso é militância política, não jornalismo.”

Assim disse Reinaldo Azevedo, cujo texto (completo) eu havia indicado justamente porque me dispensava de explicar essas coisas perfeitamente óbvias a qualquer um que as tenha lido e que não esteja — como é mesmo? — com uma “visão umedecida” de “conceitos previamente internalizados”.

Mas, no facebook, a militância política travestida de jornalismo tem esse efeito prático: produz um monte de parasitas da página alheia, que se julgam capazes de participar do debate público sem ter sequer um mínimo domínio da linguagem.

Há outros lá no post original dando risadinhas — que, no Brasil, são prova em contrário... — e me chamando até de “idiota útil”.

Aos meus leitores — que fazem seus deveres de casa —, eu aviso: nunca se deixem intimidar por esses analfabetos funcionais espantadinhos. Marco Feliciano, felizmente, não se deixa.

Leia também pós-escrito: Um filme para os parasitas.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Notas de um país histérico

[Publicadas orginalmente avulsas no facebook. Leia também: Conspiração é o Foro que te pariu! - O mínimo que você precisa saber sobre o Foro de São Paulo.]

1.

Faustão parabeniza o povo por SAIR da alienação e da passividade indo às ruas de todo o país protestar contra... alguma coisa.

O governador petista do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, atribui à "extrema-direita" os atos de vandalismo das manifestações - sendo que em Porto Alegre elas foram promovidas por sua própria filha Luciana, uma das fundadoras do PSOL e responsável pelo registro na internet do grupo "Juntos!", o braço "apartidário" do partido.

A presidente Dilma Rousseff propõe plebiscito para Constituinte exclusiva para fazer "reforma política"...

Pergunto:

O que é o Brasil?

Respondo:

O Brasil é isso: uma grande plateia do Faustão prontinha para receber e aplaudir uma tentativa de golpe bolivariano de revolucionários histéricos que atribuem seus próprios crimes aos adversários imaginários que pretendem eliminar.

Já posso dizer "Eu avisei"?

2.

DILMA: Vocês querem o comunismo?

MPL/PSOL/PSTU/FORO DE SÃO PAULO: Sim, nós queremos!

DILMA: Então eu dou um golpe!

JOSÉ EDUARDO CARDOZO (Ministro da Justiça): Ótima ideia!

DILMA: Um golpe com Constituinte exclusiva!

LUÍS ROBERTO BARROSO (em breve no STF): Faz com Constituinte específica!

JOSÉ EDUARDO CARDOZO (Ministro da Justiça): Mas foi isso que ela disse!

RENAN CALHEIROS (PMDB/Presidente do Senado): Iremos ajudá-la ativamente!

LULA: Viva a minha reforma política!

CARLOS AYRES BRITTO (ex-STF): É inconstitucional, mas a intenção é a melhor possível!

MARCUS VINICIUS FURTADO (Presidente da OAB): Plebiscito pode, golpe não!

RUI FALCÃO (Presidente do PT): Plebiscito com Constituinte específica! Vamos fechar assim!

DILMA: Então eu volto atrás!

MPL/PSOL/PSTU/FORO DE SÃO PAULO: Atrás não! À esquerda!

DILMA: Isso, isso, isso...

MPL/PSOL/PSTU/FORO DE SÃO PAULO: E rápido!

DILMA: Tá bom, tá bom...

ENQUANTO ISSO, NA CABEÇA DO EX-MANIFESTANTE SINCERO...:

Mas o que é comunismo? E Constituinte exclusiva? E Constituinte específica? E reforma política? E esquerda? E Foro de São Paulo?

ME EXPLICAAAAAA!

3.

Dilma: "Não vou transigir com a violência e a arruaça." Completo eu: só com aqueles que as promoveram.

4.

Quando ouço falar em "mais recursos para a educação", imagino logo "mais idiotas úteis nas passeatas futuras".

5.

Se eu soubesse antes que, para combater uma doença, bastava mostrar meu descontentamento com os sintomas, eu juro que teria passado metade da infância gritando: "Fora, meleca!"

6.

Quando todas as - 10 ou 11 - pessoas cultas e inteligentes do país lamentam a burrice e a incultura da massa de manifestantes manobrada por líderes comunistas, você se dá conta de que o problema da burrice e da incultura é justamente a perda progressiva da capacidade de reconhecer a cultura e a inteligência.

7.

Mamãe me pergunta: "Meu filho, hoje vai ter aquela manifestação [não sei onde]?" Respondo: "Ô mãe, não me pergunta calendário de manifestação, que eu não tô aqui pra isso, pô."

Ela morre de rir: "Meu filho, você tem cada resposta!..."

8.

Eu escrevi: “Já temos um jovem de 18 anos morto por atropelamento, após um motorista perder a paciência com a multidão que xingava a senhora sua mãe.”

Aí vem a leitora: “Independende [sic] de concordar ou não com seus argumentos, acho que você poderia ter falado sobre esse atropelamento de uma forma mais respeitosa. Parece que está até defendendo o motorista, e há uma família chorando pela morte de um filho/neto/irmão/primo de apenas 18 anos. Mais sentimento pela dor alheia, por favor.”

Vocês sabem o que é isso, não é? Muita Leilane Neubarth.

Quem toma como padrão a linguagem sentimentalista da grande mídia - que chega a níveis estratosféricos quando morre um manifestante nos protestos que ela mesma estimula - passa a considerar desrespeitosa qualquer descrição objetiva, mesmo que ela venha num texto que lamenta justamente a barbárie das ruas.

Senão, vejamos: O motorista foi xingado pela multidão? Sim. Ele perdeu a paciência? Sim. Ele atropelou o jovem? Sim. O jovem morreu atropelado? Sim. É isso que o vídeo mostra? Siiiiiiiim!

Esses são os fatos, e eles não estão em discussão.

Agora: no dia que eu tiver de explicar aos meus leitores que matar alguém por atropelamento não é uma coisa muito legal, mesmo que você esteja sendo xingado, das duas uma: ou terei adquirido a "leilanice" mental; ou estarei zombando da inteligência de vocês.

Menos sentimento, por favor, crianças. Mais leitura.

9.

Diz um mané na página de um leitor que compartilhou meu texto:

“Esse Felipe Moura [Brasil] deve ser um doutrinador de renome para criticar tão respeitadoo pensador [Eric Hobsbawn]...ah é, ele é brasileiro, criticismo sem construção alguma é o que mais vemos por aqui!"

É verdade. O comentário do mané é uma prova disso. O sujeito me acusa daquilo que ele está fazendo no momento mesmo em que me acusa: uma crítica sem construção alguma. A não ser que xingar alguém de doutrinador tenha virado assim uma crítica schopenhauriana no facebook - o que não duvido. Nelson Rodrigues, como já lembrei aqui, falava que o Brasil tinha um marxismo atmosférico, bastava respirar para ser marxista. Mas não é só o marxismo. O leninismo também está no ar, e basta respirar para sair por aí colocando em prática a sua célebre recomendação: "Acuse-os do que você faz, xingue-os do que você é."

Eric Hobsbawn (1917-2012), para quem não sabe, foi um historiador marxista de nacionalidade britânica, muito querido pela 'intelligentzia' brasileira, e talvez por isso tido como "tão respeitado" pelo mané. Mas ninguém precisa ser um sábio, nem um especialista em sua obra, muito menos um doutrinador, para criticar - como eu fiz no texto - a sua mentalidade psicopática. Basta conhecer suas opiniões.

Em entrevista para o Times Literary Supplement de 28 de outubro de 1994, o prof. Michael Ignatieff lhe perguntou o seguinte, para esclarecer de vez as respostas já um tanto estarrecedoras de Hobsbawn: “No final das contas, o que isso quer dizer é que se o futuro brilhante tivesse sido criado [pelo experimento soviético], a perda de 15, 20 milhões de pessoas teria sido justificada?” Hobsbawn respondeu: “Sim.” Isso mesmo: por um futuro brilhante, todos os cadáveres teriam sido bem-vindos.

Isto é a autêntica mentalidade revolucionária comunista, como aquelas que estão por trás do movimento que tomou as ruas do Brasil nesta semana.

Só sendo muito mané mesmo pra respeitar essa gente.

10.

Diz outra leitora:

"'o verdadeiro culpado pela corrupção no Brasil'- ingenuidade atribuir a corrupção existente no Brasil ao Lula ou ao Foro, ela pode sim ter ''evoluído'' muito através de ambos, mas a corrupção no Brasil vem do berço que de esplêndido não tem nada."

Comento:

"Ingenuidade", prezada leitora, é acreditar que atribuí toda a histórica corrupção brasileira ao Foro - criado 490 anos depois do descobrimento do Brasil... -, só porque disse que ele é culpado. O Foro a profissionalizou. Ele a elevou a índices jamais vistos na história do país. Quando falo em "corrupção", estou obviamente me referindo ao nível estratosférico da corrupção atual. Essa leitura subginasiana ao pé da letra - ainda que de brincadeira, eu sei - me lembra aquela dos feicebuquianos que não podem ver alguém dizer que "o brasileiro [ou qualquer grupo de pessoas] é assim, assado" que saem logo acusando de "generalização", como se precisássemos sempre lembrar que existem exceções, ou mesmo como se fosse proibido distinguir traços comuns em pessoas diferentes. Trata-se apenas, no fim das contas, de uma maneira de desmerecer o autor pela própria incapacidade de lê-lo com maturidade - ou pelo sincero desejo de não compreendê-lo -, fazendo as devidas descompactações que eram de se esperar de um adulto letrado. Os militantes esquerdistas reais ou virtuais fazem muito isso. A maioria, é claro, porque não é mesmo capaz de entender coisa nenhuma. Mas sei que não é o seu caso.

11.

DEPOIMENTO DE UM PAI QUE LEVOU SUA FILHA a uma das "manifestações" no Rio de Janeiro, deixado no meu Blog do Pim no início de sexta-feira, 21 de junho de 2013. Imperdível:

"Caro Felipe Moura Brasil, boa noite!

Mesmo com muito sono (são 00:50), tenho o prazer de vir em seu blog. Acabou que deu vontade de escrever...

Admito! Fui na passeata! Mesmo sabendo de toda engenharia social! Sou aluno anônimo do Olavo faz 5 anos!

Não fui para protestar. Não mesmo! Mas tive a maldita ideia de aceitar e acompanhar minha filha a se 'expressar' junto com o turma do Pedro II (os que serão os universitários engajados daqui a pouco). Em algum momento de insanidade, entendi que minha filha deveria ter seu momento de 'liberdade'!

É sabido que não existe liberdade de expressão no coletivo. Se assim fosse, não seria uníssono. Mas vá lá! Há boa vontade nesses corações e pode sair algo de bom. Isso poderia ser em alguma instância de certo proveito para minha filha. Ledo engano...

Enfim, uma vez explicada (e longe de ser justificativa) minha ida, posso dizer o que o que vi:

- Vi muitos playboys, patricinhas, mauricinhos tirando fotos de si. Afinal, não basta ir pra rua, tem que provar no facebook que você é descolado entre seus amiguinhos. O facebook acentuou toda a carência da juventude em chamar atenção. MAS... é claro, tinham os que não queriam aparecer. Por isso mesmo colocaram máscaras e camisetas na cara. Pra que seria?

- Vi pessoas aos montes gritando 'não à moralidade' em resposta ao bonitinho e improfícuo 'não à violência'. Muitos gritos de 'Quebra o pardal! Quebra o pardal!'.

- Vi panfleteiros e ativistas da CUT, do PSTU, do PSOL entoando gritos revolucionários!

- Vi vários pequenos líderes desde a candelária até o sambódromo puxando gritos e mostrando onde deveriam ser os focos.

- Vi o 'poeta' underground de alcunha D2 falando algumas de suas merdas tanto musicadas.

- Vi algumas dezenas de covardes com camisa na cara invadindo o sambódromo e enfrentando um único segurança sem motivo nenhum! Vi na saída do metrô da Praça XI três mulheres policiais pelo lado de dentro das grades de um dos prédios sem reagirem a todo tipo de ofensa e de gestos obscenos destes babacas!

- Vi na mesma Praça XI uns idiotas tacarem pedras em carros com a justificativa (dita por eles aos brados) de que a polícia estava tacando gás lacrimogêneo. Justo!

- Vi os covardões entrarem no Terreirão do Samba, invadirem o colégio público ao lado e começarem a tentar invadir o Hospital Estadual de imagens.

- Vi uma dezena de ações nada espontâneas executadas para câmeras de plantão, onde não estava ninguém concentrado, para servir de propaganda. Um exemplo disso foi por volta das 18:30 em frente à Candelária quando tinha um grupo com uma faixa branca de uns 7 metros de largura sem que houvesse alguém concentrado ali!

- Vi muita maconha e cerveja rolando solta para alegria dos aviõezinhos e ambulantes.

- Vi muita bandeira do Brasil... todas com frisos de recém-compradas. Acho que o kit vinha com tinta guache.

- Vi tanta idiotice e tive pena de mim... Tive de suportar calado em defesa de minha integridade física. Bem feito pra mim! Fiquei melancólico por saber que não estava errado... A passeata é um grande Cirque du Soleil!

P.S.: Gostaria só de saber como a grande mídia vai denominar esses radicais. Será que de esquerda? Hahaha! Nunca! Jamais! Outrossim: que ninguém fale que uns poucos manifestantes estavam de baderna. Era gente pra caralho de camisa na cara!

Pois é... deixe-me voltar para meus livros..."

V. L.

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Leia também: Conspiração é o Foro que te pariu! - O mínimo que você precisa saber sobre o Foro de São Paulo

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Conspiração é o Foro que te pariu! - O mínimo que você precisa saber sobre o Foro de São Paulo

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Fundado em 1990 por Lula e Fidel Castro — por ideia de Lula, como ele mesmo revelou em maio de 2011 [ver Vídeo 3] —, o “Foro de São Paulo é a mais vasta organização política que já existiu na América Latina e, sem dúvida, uma das maiores do mundo. Dele participam todos os governantes esquerdistas do continente. Mas não é uma organização de esquerda como outra qualquer. Ele reúne mais de uma centena de partidos legais e várias organizações criminosas ligadas ao narcotráfico e à indústria dos sequestros, como as Farc e o MIR chileno, todas empenhadas numa articulação estratégica comum e na busca de vantagens mútuas. Nunca se viu, no mundo, em escala tão gigantesca, uma convivência tão íntima, tão persistente, tão organizada e tão duradoura entre a política e o crime”, como escreveu o filósofo Olavo de Carvalho em 2007.

Por quase duas décadas, a imprensa brasileira ignorou — para não dizer escondeu — a existência do Foro de São Paulo, e quem quer que ainda fale a respeito é acusado de "teórico da conspiração", seja por "idiotas úteis" (como Lenin se referia a seus colaboradores inconscientes), seja por militantes cínicos, de modo que, se não há mesmo cura para os segundos, os primeiros ao menos, diante das provas aqui reunidas, precisarão escolher se serão tão cínicos quanto eles, ou se finalmente admitirão a própria idiotice — etapa fundamental do seu processo de cura.

Com vocês: o Foro de São Paulo segundo ele mesmo.

I.

VÍDEO 1 - 2012 - MENSAGEM DE LULA EM APOIO A HUGO CHÁVEZ



Trechos da mensagem de Lula:

Em 1990, quando criamos o Foro de São Paulo, nenhum de nós imaginava que em apenas duas décadas chegaríamos onde chegamos. Naquela época, a esquerda só estava no poder em Cuba. Hoje, governamos um grande número de países e, mesmo onde ainda somos oposição, os partidos do Foro têm uma influência crescente na vida política e social. Os governos progressistas estão mudando a face da América Latina. (...) Em tudo que fizemos até agora, que foi muito, o Foro e os partidos do Foro tiveram um grande papel que poderá ser ainda mais importante se soubermos manter a nossa principal característica: a unidade na diversidade. (...) Sob a liderança de Chávez, o povo venezuelano teve conquistas extraordinárias, as classes populares nunca foram tratadas com tanto respeito, carinho e dignidade. (...) Tua vitória será a nossa vitória.”

II.

VÍDEO 2 - 2008 - HUGO CHÁVEZ CONFESSA: LULA E FARC JUNTOS NO FORO DE 1995



Hugo Chávez confessa ter conhecido o presidente Lula e um dos então comandantes das Farc Raúl Reyes — cuja eliminação pelo Exército colombiano no nordeste do Equador ele lamenta e furiosamente critica — na reunião do Foro de São Paulo de 1995, em San Salvador, capital de El Salvador, na América Central:

“Recebi o convite para assistir, em 1995, ao Foro de São Paulo, que se instalou naquele ano em San Salvador. (...) Naquela ocasião conheci Lula, entre outros. E chegou alguém ao meu posto na reunião, a uma mesa de trabalho onde estávamos em grupo conversando, e lembro que colocou sua mão aqui [no ombro esquerdo] e disse: ‘Cara, quero conversar com você.’ E eu lhe disse: ‘Quem é você?’ ‘Raúl Reyes, um dos comandantes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia.’ Nós nos reunimos nesta noite, em algum bairro humilde lá de El Salvador. (...) E então se abriu um canal de comunicação e ele veio aqui (...) e conversamos horas e horas. Depois, em uma terceira e última ocasião, passou por aqui também.” 

III.

FARC & PT, SEGUNDO RAÚL REYES

Em entrevista à Folha de S. Paulo de 27 de agosto de 2003, Raúl Reyes dera, entre outras, as seguintes declarações:

Folha O sr. conheceu Lula?

Reyes Sim, não me recordo exatamente em que ano, foi em San Salvador, em um dos Foros de São Paulo.

Folha Houve uma conversa?

Reyes Sim, ficamos encarregados de presidir o encontro. Desde então, nos encontramos em locais diferentes e mantivemos contato até recentemente. Quando ele se tornou presidente, não pudemos mais falar com ele.

Folha Qual foi a última vez que o sr. falou com ele?

Reyes Não me lembro exatamente. Faz uns três anos.

Folha Fora do governo, quais são os contatos das Farc no Brasil?

Reyes As Farc têm contatos não apenas no Brasil com distintas forças políticas e governos, partidos e movimentos sociais...

Folha O senhor pode nomear as mais importantes?

Reyes Bem, o PT, e, claro, dentro do PT há uma quantidade de forças; os sem-terra, os sem-teto, os estudantes, sindicalistas, intelectuais, sacerdotes, historiadores, jornalistas...

Folha Quais intelectuais?

Reyes [O sociólogo] Emir Sader, frei Betto [assessor especial de Lula] e muitos outros.”

IV.

A MENTIRA DE VALTER POMAR SOBRE FARC E FORO

Em 18 de agosto de 2010, saiu no Estadão Online:

"O secretário executivo do Foro de São Paulo, Valter Pomar, do Partido dos Trabalhadores (PT), negou hoje (18) qualquer vínculo desse grupo de partidos da esquerda e da centro-esquerda latino-americanas, criado em 1990, com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). 'As Farc não participam e nunca participaram do Foro de São Paulo', disse Pomar, em entrevista a correspondentes brasileiros em Buenos Aires, onde se realiza o 16.º encontro da organização.

A Agência Estado insistiu na indagação sobre se nem em 1990, ano da criação do grupo pelo PT, na capital paulista, houve a participação no Foro de algum partido político ligado às Farc. 'Eu estava lá. Não participou nem como um setor de partido', afirmou. Segundo ele, todos os representantes da Colômbia que participam das reuniões do Foro pertencem a organizações e partidos legais. O secretário executivo do Foro disse que esse assunto voltou à tona por causa da declaração do candidato a vice-presidente na chapa do tucano José Serra, Indio da Costa (DEM), sobre a ligação entre PT e Farc."

Olavo de Carvalho escreveu na ocasião:

“Quer dizer então, ó figura, que o Raúl Reyes mentiu ao dizer que presidira a uma assembleia do Foro ao lado de Lula? Quer dizer que o Hugo Chávez estava delirando ao dizer que conhecera Raúl Reyes e Lula numa reunião do Foro? Quer dizer que o expediente da revista América Libre é todo falsificado? Quer dizer que as atas do Foro foram inventadas por mim, que ainda tive o requinte de escrevê-las em espanhol? Ora, vá lamber sabão.”

V.

DISCURSO DE LULA DE 2 DE JULHO DE 2005 - 15 ANOS DE FORO

Pronunciado na celebração dos 15 anos de existência do Foro de São Paulo e reproduzido no site oficial do governo, este discurso é, segundo Olavo de Carvalho, "a confissão explícita de uma conspiração contra a soberania nacional, crime infinitamente mais grave do que todos os delitos de corrupção praticados e acobertados pelo atual governo; crime que, por si, justificaria não só o impeachment como também a prisão do seu autor":

“Em função da existência do Foro de São Paulo, o companheiro Marco Aurélio [Garcia] tem exercido uma função extraordinária nesse trabalho de consolidação daquilo que começamos em 1990... Foi assim que nós, em janeiro de 2003, propusemos ao nosso companheiro, presidente Chávez, a criação do Grupo de Amigos para encontrar uma solução tranquila que, graças a Deus, aconteceu na Venezuela. E só foi possível graças a uma ação política de companheiros. Não era uma ação política de um estado com outro estado, ou de um presidente com outro presidente. Quem está lembrado, o Chávez participou de um dos foros que fizemos em Havana. E graças a essa relação foi possível construirmos, com muitas divergências políticas, a consolidação do que aconteceu na Venezuela, com o referendo que consagrou o Chávez como presidente da Venezuela.

Foi assim que nós pudemos atuar junto a outros países com os nossos companheiros do movimento social, dos partidos daqueles países, do movimento sindical, sempre utilizando a relação construída no Foro de São Paulo para que pudéssemos conversar sem que parecesse e sem que as pessoas entendessem qualquer interferência política.” 

Olavo de Carvalho escreveu na ocasião:

"(...) O sr. presidente confessa, em suma, que submeteu o país a decisões tomadas por estrangeiros, reunidos em assembleias de uma entidade cujas ações o povo brasileiro não devia conhecer nem muito menos entender.

Não poderia ser mais patente a humilhação ativa da soberania nacional, principalmente quando se sabe que entre as entidades participantes dessas reuniões decisórias constam organizações como o MIR chileno, sequestrador de brasileiros, e as Farc, narcoguerrilha colombiana, responsável, segundo seu parceiro Fernandinho Beira-Mar, pela injeção de duzentas toneladas anuais de cocaína no mercado nacional. (...)"

VI.

PT/FARC/FORO - SEQUÊNCIA DE FATOS

Em 24 de setembro de 2007, Olavo de Carvalho publicou o artigo "O perigo sou eu", no qual pede mais uma vez ao leitor — já o tinha feito em "Relendo notícias", de 2003 — a gentileza de examinar brevemente esta sequência de fatos:

"· Abril de 2001: O traficante Fernandinho-Beira Mar confessa que compra e injeta no mercado brasileiro, anualmente, duzentas toneladas de cocaína das Farc em troca de armas contrabandeadas do Líbano.

· 7 de dezembro de 2001: O Foro de São Paulo, coordenação do movimento comunista latino-americano, sob a presidência do sr. Luís Inácio Lula da Silva, lança um manifesto de apoio incondicional às Farc, no qual classifica como 'terrorismo de Estado' as ações militares do governo colombiano contra essa organização.

· 17 de outubro de 2002: O PT, através do assessor para assuntos internacionais da campanha eleitoral de Lula, Giancarlo Summa, afirma em nota oficial que o partido nada tem a ver com as Farc e que o Foro de São Paulo é apenas 'um foro de debates, e não uma estrutura de coordenação política internacional'.

· 1º de março de 2003: O governo petista estende oficialmente seu manto de proteção sobre as Farc, recusando-se a classificá-las como organização terrorista conforme solicitava o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe.

· 24 de agosto de 2003: O comandante das Farc, Raul Reyes, informa que o principal contato da narcoguerrilha no Brasil é o PT e, dentro dele, Lula, Frei Betto e Emir Sader.

· 15 de março de 2005:
Estoura o escândalo dos cinco milhões de dólares das Farc que um agente dessa organização, o falso padre Olivério Medina, afirma ter trazido para a campanha eleitoral do sr. Luís Inácio Lula da Silva. O assunto é investigado superficialmente e logo desaparece do noticiário.

· 2 de julho de 2005: Discursando no 15º. Aniversário do Foro de São Paulo, o sr. Luís Inácio Lula da Silva entra em contradição com a nota de 17 de outubro de 2002, confessando que o Foro é uma entidade secreta, 'construída para que pudéssemos conversar sem que parecesse e sem que as pessoas entendessem qualquer interferência política', que essa entidade interferiu ativamente no plebiscito venezuelano e que ali, em segredo, ele próprio tomou decisões de governo junto com Chávez, Fidel Castro e outros líderes esquerdistas, sem dar ciência disto ao Parlamento ou à opinião pública.

· 9 de abril de 2006: O chefe da Delegacia de Entorpecentes da PF do Rio, Vítor Santos, informa ao jornal O Dia que “dezoito traficantes da facção criminosa Comando Vermelho — entre eles pelo menos um da Favela do Jacarezinho e outro do Morro da Mangueira — vão periodicamente à fronteira do Brasil com a Colômbia para comprar cocaína diretamente com guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Os bandidos são alvo de investigação da Polícia Federal. Eles ocuparam o espaço que já foi exclusivo de Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar”.

· 12 de maio de 2006: O PCC em São Paulo lança ataques que espalham o terror entre a população. Em 27 de dezembro é a vez do Comando Vermelho fazer o mesmo no Rio de Janeiro.

· 18 de julho de 2006: O Supremo Tribunal Federal, sob a pressão de um vasto movimento político orquestrado pelo PT, concede asilo político ao falso padre Olivério Medina, agente das Farc.

· 16 de maio de 2007: O juiz Odilon de Oliveira, de Ponta-Porã, divulga provas de que as Farc atuam no território nacional treinando bandidos do PCC e do Comando Vermelho em técnicas de guerrilha urbana.

· 12 de fevereiro de 2007: As Farc fazem os maiores elogios ao PT por ter salvo da extinção o movimento comunista latino-americano por meio da fundação do Foro de São Paulo.

· Agosto de 2007: Nos vídeos preparatórios ao seu 3º. Congresso, o PT admite que seu objetivo é eliminar o capitalismo e implantar no Brasil um regime socialista; e fornece ainda um segundo desmentido à nota de Giancarlo Summa, ao confessar que o Foro de São Paulo é 'um espaço de articulação estratégica' (sic).

· 19 de setembro de 2007: Lula oferece o território brasileiro como sede para um encontro entre Hugo Chávez e os comandantes das Farc.

Entre esses fatos ocorreram outros inumeráveis cuja data não recordo precisamente no momento, entre os quais o fornecimento maciço de armas às Farc pelo governo Hugo Chávez, uma campanha nacional de mídia para desmoralizar o analista estratégico americano Constantine Menges que divulgava a existência de um eixo Lula-Castro-Chávez-Farc, os tiroteios entre guerrilheiros das Farc e soldados do Exército brasileiro na Amazônia, as denúncias de que as Farc davam treinamento em guerrilha urbana aos militantes do MST e, é claro, várias assembléias gerais e reuniões de grupos de trabalho do Foro de São Paulo.

A existência de uma ligação profunda, constante e solidária entre o PT e as Farc é um fato tão bem comprovado, que quem quer que insista em negá-la só pode ser parte interessada na manutenção do segredo ou então um mentecapto incurável. (...)"

VII.

VÍDEO 3 - DISCURSO DE LULA DE 2011 - 17ª REUNIÃO DO FORO



Trechos do discurso de Lula, em que ele lembra de quando teve a ideia do Foro e do dia em que conheceu Fidel Castro, admite que Chávez tentou um golpe na Venezuela, e mostra como os participantes da entidade foram conquistando o poder em toda a América Latina, país por país (além, é claro, de soltar todas as suas bravatas eleitoreiras): 

"(...) Querido companheiro Daniel Ortega, presidente da Nicarágua, e sua companheira Rosario [Murillo]; querido companheiro [Ricardo] Alarcón [de Quesada], representando aqui o extraordinário povo cubano; querido companheiro [Nicolás] Maduro, chanceler da Venezuela, queridos companheiros latino-americanos e convidados para essa 17ª reunião do Foro de São Paulo.

Eu tenho sempre a preocupação, querido [José Manuel] Zelaya, de participar desses Foros e falar em português. [Trecho inaudível...] não entende nada do que 'yo hablo'. [Risos.] Eu tenho um tradutor que é um cubano naturalizado brasileiro. Se precisar o tradutor pode traduzir para que todo mundo entenda o que estou “hablando”. Se entende... Bom, se não entender, eu não tenho culpa.

Eu queria dizer a todos vocês que eu tô emocionado porque faz muito tempo que eu não participo de uma reunião do Foro de São Paulo. Parece que a última foi no Bar Latino em São Paulo em 2005, mas muito de passagem. E eu lembro quando tivemos a ideia de construir o Foro de São Paulo. Em 1985, eu fiz uma entrevista para um jornal brasileiro, e eu dizia que não era possível um metalúrgico chegar à presidência pelo voto e disputando democraticamente uma eleição. Quatro anos depois, eu fui à primeira disputa presidencial, fui para a segunda volta [turno], e terminei as eleições com 47% dos votos. O PT saiu muito fortalecido daquela eleição. Os partidos de esquerda que estão aqui, brasileiros não sei se estão todos, mas o PCdoB, o PSB, não sei se estão... o PDT que estiveram juntos comigo, todos nós saímos muito fortalecidos.

E aí então veio a ideia, conversando com os companheiros cubanos num primeiro momento, de fazermos uma reunião da esquerda latino-americana. E fizemos em São Paulo, no Hotel Danúbio que já não existe mais, em junho de 1990, a nossa primeira reunião. Havia, meu querido Maduro, tantos partidos de esquerda na América Latina e tantas divergências, que só da Argentina compareceram 13 partidos políticos, e a única coisa que unificava os argentinos eram os gols de Maradona na Copa do Mundo de 1990. [Risos. Aplausos.] Havia um processo de desconfiança muito grande entre toda a esquerda latino-americana. Nós não tínhamos ainda aprendido uma lição básica que iria permitir que a esquerda chegasse ao poder. Nós temos um brilhante educador brasileiro, que já morreu, um dos mais importantes, que muitos latino-americanos conhecem, Paulo Freire, e ele dizia: 'Juntar os diferentes para derrotar os antagônicos.'

E nós fomos aprendendo a conviver entre nós, e fomos construindo uma relação democrática difícil, complicada, muitas vezes era necessário muita paciência. Eu lembro que uma vez na reunião do Foro de São Paulo em El Salvador, nós não deixamos o Chávez participar, porque Chávez tinha tentado o golpe na Venezuela e nós não deixamos ele participar. Era muito difícil. Havia um processo de desconfiança entre nós muito grande. E de coração eu quero dizer pra vocês que uma das forças políticas que mais contribuiu para que nós chegássemos a construir o que nós construímos foram os companheiros do partido comunista cubano, que sempre tiveram paciência e experiência de nos ajudar. Não posso desmerecer o trabalho do companheiro Marco Aurélio Garcia, que hoje está no governo, não está aqui, mas que participou de quase todas as reuniões do Foro de São Paulo.

Eu fico imaginando que algumas pessoas não estão mais aqui entre nós. E eu queria saudar aqueles que não estão aqui entre nós, homenageando o companheiro Schafik [Handal], da Frente Farabundo Martí, que não está entre nós. [Aplausos.] Nós estamos um pouco mais velhos. Quando começou o Foro, eu não tinha nenhum cabelo branco. Tomaz Borges tinha todo o cabelo na cabeça. [Risos] Daniel Ortega era cabeludo. [Risos] Ou seja: nós estamos cansados, mais do que quando começamos o Foro. Mas o caminho que nós percorremos não pode perder a importância das nossas conquistas. Nós estamos falando de 21 anos. Vinte e um anos é o tempo de maturidade de um jovem ou de uma jovem. E nesses 21 anos, olhemos a fotografia da America Latina de 1990 e olhemos a fotografia da America Latina de 2011, e nós vamos perceber que um verdadeiro furacão de democracia passou pelo nosso continente. Um verdadeiro furacão.

Eu fico olhando a América do Sul. Quando cheguei à presidência em 2002, só tinha o Chávez. Mesmo assim, tinha sofrido um golpe. Depois, veio [Nestor] Kirchner. Depois de Kirchner, veio eleições no Paraguai. Depois, no Uruguai, com Tabaré [Ramón Vázquez Rosas]. Depois veio no Equador. E nós fomos fazendo uma mudança extraordinária que culminou com a eleição do companheiro Evo Morales na Bolívia. [Aplausos.] É a demonstração mais viva dessa evolução política da esquerda latino-americana. [Aplausos.]

Porque esses meninos, e eu digo meninos porque tive o prazer de participar no dia 19 de julho de 1980 do primeiro aniversário da Frente Sandinista quando o orador principal foi Tomás Borges, o dia em que eu conheci Fidel Castro e fomos comer uma lagosta na casa não sei de quem, e eu lembro perfeitamente bem que, depois de chegar ao poder por uma revolução, no momento certo a Frente Sandinista não teve medo e convocou eleições democráticas. Perdeu. Daniel é o único ser humano do planeta que perdeu mais eleições do que eu. Eu perdi três eleições. Daniel perdeu quatro eleições. [Risos.] Quatro eleições. Entretanto, por nenhum momento, por mais acusado que esse companheiro fosse, ele deixou de acreditar que o caminho da democracia que a Frente Sandinista tinha optado era o melhor para a Nicarágua. E agora está o companheiro de volta para a presidência da República pela via do voto direto. Eu, como vocês estão percebendo, tenho muita dificuldade de fazer qualquer discurso de oposição depois de oito anos de governo.

Mas vou dizer uma coisa à nossa querida companheira [Aída 'Mocha' García Naranjo] tratada carinhosamente de 'Mocha'. Uma coisa que nós fizemos no Brasil e poderia ser feito [sic] no Peru era provar que aquele discurso de que primeiro a economia tem que crescer para depois distribuir é apenas meia verdade. Porque na maioria dos nossos países a economia cresceu e não foi distribuído. E no Brasil nós provamos que fazer ao inverso deu resultado. Primeiro distribuir pra fazer a economia crescer. [Aplausos.] Nós provamos três coisas no Brasil. Primeiro: de que é possível distribuir e essa distribuição fazer com que os pobres se transformem em cidadãos. Segundo: combinar exportação com importação. Porque no Brasil historicamente se falava que quando você exportava você diminuía o mercado interno, e quando você fortalecia o mercado interno você diminuía as exportações. No Brasil, nós crescemos o mercado externo e fortalecemos o mercado interno. Terceira derrota que nós impusemos à tese de que era preciso crescer para distribuir: diziam que não se podia aumentar o salário dos trabalhadores e nem o salário mínimo que causava inflação. Nós aumentamos o salário mínimo em 62% no meu governo, e durante oito anos 87% dos trabalhadores tiveram ganho real de salário acima da inflação. Geramos 15.300.000 empregos formais em oito anos de mandato. Desapropriamos 47 milhões de hectares de terra. Assentamos 590 mil pessoas. E dobramos o financiamento para agricultura familiar. Dobramos o [inaudível] crédito. Nós saímos de 70 milhões de trabalhadores com contas bancárias para 115 milhões de trabalhadores. Ou seja: 45 milhões de trabalhadores em 8 anos viraram cidadãos com acesso à bancalização.

E tudo isso, querida Mocha, eu conversava muito com meu amigo [Alejandro] Toledo e conversava muito com Alan García. Quantas e quantas vezes eu dizia: 'Companheiro, a coisa mais fácil, a coisa mais barata, o que custa menos para um governo é gastar dinheiro com o pobre, porque o pobre custa muito pouco para o Estado.' E quando nós criamos o Bolsa-Família, até alguns companheiros da esquerda no meu pais diziam que era política assistencialista. E as pessoas não sabem o milagre que uma mãe faz com 40, ou 50, ou 60 dólares na mão. Um rico dá de gorjeta depois de tomar um uísque. Mas uma mãe pobre, ela é capaz de levar comida para um filho para muitos dias com pouco dinheiro. E nós, no meio da crise, colocamos praticamente 52 milhões de brasileiros, ou 13 milhões de famílias, pra receber uma ajuda mínima. E essa gente se transformou em consumidor, se transformou em gerador de emprego, e se transformou em pessoas que ajudaram a economia a crescer. Um dado importante: no auge da crise de 2008, a classe C da região mais pobre do Brasil, que é o Nordeste e o Norte, consumiram mais do que a classe A e a classe B da região sul do país, numa demonstração que quando o pobre tem um pouquinho de dinheiro na mão, ele não deposita no banco pra especular. Ele vai comprar comida, ele vai comprar roupa, ele vai fazer com que a roda da economia comece a girar. É por isso que, em apenas 8 anos, nós tiramos 28 milhões de brasileiros da extrema pobreza e colocamos 36 milhões na classe média. Eu acho que poucas vezes foi possível um país sofrer um processo de evolução, de transformação econômica que nós sofremos no Brasil. (...)"

VIII.

VÍDEO 4 - JOSÉ DIRCEU FALA DO FORO NO PROGRAMA "PROVOCAÇÕES"

Como escreveu Olavo de Carvalho no facebook:

"Há anos aviso que no Foro de São Paulo o mais importante não são as assembleias, mas as conversações discretas, ou reservadas, onde o destino de vários países é decidido pelas costas da população. Exemplo:"



IX.

FORO DE SÃO PAULO ESTÁ POR TRÁS DAS MANIFESTAÇÕES NO BRASIL - JUNHO/2013

Notas de Olavo de Carvalho:

"O movimento arruaceiro foi lançado pelo Foro de São Paulo, como confessou o sr. Valter Pomar, para forçar um 'upgrade' do processo revolucionário, passando da fase 'de transição' para a de 'ruptura'. Como sempre acontece nessas ocasiões, alguns líderes da primeira fase teriam de ser sacrificados, caso não se adaptassem rapidamente ao novo ritmo das mudanças. A presidenta Dilma Rousseff e até o PT como um todo apareciam no cardápio como fortes candidatos à posição de cabeças cortadas. A "Constituinte" de Dona Dilma é apenas um recurso desesperado a que ela faz apelo para salvar o próprio pescoço, mostrando serviço ao Foro para provar que, em vez de ser passada para trás, pode tomar a dianteira do processo e tornar-se sua condutora em vez de sua vítima. Evidentemente, isso implica atenuar um pouco o sentido da 'ruptura' e esticar um pouco a fase de 'transição', criando uma etapa mista que assegure a sobrevivência, no poder, de pelo menos uma parte da primeira geração de líderes revolucionários, tradicionalmente a candidata maior ao exílio ou ao cemitério quando chega a fase da 'ruptura'. Como todo governante 'de transição', Lula e Dilma sempre viveram de arranjos e acomodações, aos quais agora o Foro de São Paulo queria dar um 'basta'. A reação 'de direita' que se viu nas ruas mostrou que a 'ruptura' era um tanto prematura demais, e isso, de certo modo, devolveu a iniciativa do processo ao governo 'de transição'. Meno male. Em todo caso, o fator agente decisivo é, agora como antes, o Foro de São Paulo. Dilma é o rabo que jamais abanará o cachorro."
(Olavo de Carvalho)

"TODA REVOLUÇÃO COMUNISTA É FEITA PELA ESQUERDA CONTRA A ESQUERDA. A REVOLUÇÃO É UM MONSTRO QUE SE ALIMENTA DE SI MESMO. FOI SEMPRE ASSIM, NUNCA SERÁ DE OUTRO MODO. A PRIMEIRA LEVA DE REVOLUCIONÁRIOS É SEMPRE SACRIFICADA. ISSO É UM DADO HISTÓRICO FUNDAMENTAL, MAS MUITO IGNORADO NO BRASIL."
(Olavo de Carvalho)

"A esquerda inventa mil novas propostas, mil novas leis, mil novos programas, sabendo que uns irão adiante, outros serão barrados, mas TODOS manterão a direita ocupada em discussões sem fim enquanto o poder do Foro de São Paulo cresce de um modo ou de outro. Por exemplo, se o casamento gay é aprovado, é uma vitória. Se é rejeitado, dá ocasião a novos protestos. E assim por diante. Do mesmo modo, o Foro ganha com o sucesso do PT, que amplia os seus meios de ação, ou com o fracasso do PT, que é capitalizado como argumento em favor da 'ruptura'. Hegemonia é isso: é dominar o tabuleiro e ganhar pelos dois lados. CHEGA de discutir propostas uma a uma. O que é preciso é queimar a raiz de onde TODAS elas nascem.
(Olavo de Carvalho)

"Aviso: Não peçam meu apoio a nenhum movimento que seja 'contra a Dilma', 'contra o PT', 'contra os corruptos' ou coisa assim. Só apóio o que seja:
CONTRA O COMUNISMO
CONTRA O FORO DE SÃO PAULO
Estou muito velho para perder meu tempo com VEADAGENS CÍVICAS."
(Olavo de Carvalho)

"O negócio não é 'Não vote no PT'. É NÃO VOTE EM COMUNISTA. Em nenhum comunista, seja do PT ou de onde for, seja ostensivo ou camuflado. Coisas como PSTU e PSOL são INFINITAMENTE PIORES do que o PT.
NÃO VOTE EM COMUNISTA.
NÃO VOTE EM PUXA-SACOS DO COMUNISMO.
NÃO VOTE EM CÚMPLICES DO COMUNISMO."
(Olavo de Carvalho)

"Impeachment da Dilma para que? Para trocá-la por outro membro do Foro de São Paulo?
AUDITORIA NO FORO DE SÃO PAULO - JÁ!"
(Olavo de Carvalho)

"Em vez de lutar contra infindáveis PECs, PLs, decretos, etc., tentando matar baratas pelo método de jogar uma naftalina na cabeça de cada uma, vão direto ao ponto:
AUDITORIA NO FORO DE SÃO PAULO - JÁ!"
(Olavo de Carvalho)

"Sou a favor da manifestação contra o Foro, porém o mais urgente é persuadir o Ministério Público — ou uma CPI — a investigar as finanças dessa instituição cujos recursos, misteriosíssimos, parecem ser ilimitados.
AUDITORIA NO FORO DE SÃO PAULO - JÁ!"
(Olavo de Carvalho)

"Chega de discutir pontos particulares do programa comunista. É preciso acertar no coração do bicho em vez de apenas roer-lhe as unhas."
(Olavo de Carvalho)

"Também chega de discutir lindas 'propostas positivas' para um Brasil melhor enquanto a praga comunista não for extirpada. Quando uma jovem está sendo estuprada, não é hora de sonhar com um lindo casamento, filhinhos, uma casa própria etc. É hora de parar o estuprador."
(Olavo de Carvalho)

"Já escrevi que, na infância, eu tinha um tremendo complexo de burrice, achava que todo mundo entendia tudo e só eu era o cego perdido no tiroteio. Adotei como objetivo da minha vida entender e explicar — se possível — o que se passa. Não sou líder de merda nenhuma, não tenho ideologia definida, não tenho nenhum programa de ação a oferecer. Mas posso fornecer, aos interessados, algumas informações e análises históricas para que, no devido tempo, descubram o que fazer — e façam. Como diria o Pernalonga: That's all, folks."
(Olavo de Carvalho)

Ver também: "Quem paga?" e "Caos e estratégia", de Olavo de Carvalho.

X.

CINCO CRIMES DO FORO DE SÃO PAULO
8 de agosto de 2013 às 10:16
Por Olavo de Carvalho

1) Deu abrigo e proteção política a organizações terroristas e a quadrilhas de narcotraficantes e seqüestradores que nesse ínterim espalharam o vício, o sofrimento e a morte por todo o continente, fazendo mesmo do Brasil o país onde mais cresce o consumo de drogas na América Latina.

2) Ao associar entidades criminosas a partidos legais na busca de vantagens comuns, transformou estes últimos em parceiros do crime, institucionalizando a ilegalidade como rotina normal da vida política em dezenas de nações.

3) Burlou todas as constituições dos seus países-membros, convidando cada um de seus governantes a interferir despudoradamente na política interna das nações vizinhas, e provendo os meios para que o fizessem “sem que ninguém o percebesse”, como confessou o sr. Lula, e sem jamais ter de prestar satisfações por isso aos seus respectivos eleitorados.

4) Ocultou sua existência e a natureza das suas atividades durante dezesseis anos, enquanto fazia e desfazia governos e determinava desde cima o destino de nações e povos inteiros sem lhes dar a mínima satisfação ou explicação, rebaixando assim toda a política continental à condição de uma negociação secreta entre grupos interessados e transformando a democracia numa fachada enganosa.

5) Gastou dinheiro a rodo em viagens e hospedagens para muitos milhares de pessoas, durante vinte e três anos, sem jamais informar, seja ao povo brasileiro, seja aos povos das nações vizinhas, nem a fonte do financiamento nem os critérios da sua aplicação. Até hoje não se sabe quanto das despesas foi pago por organizações criminosas, quanto foi desviado dos vários governos, quanto veio de fortunas internacionais ou de outras fontes. Nunca se viu uma nota fiscal, uma ordem de serviço, uma prestação de contas, um simulacro sequer de contabilidade. A coisa tem a transparência de um muro de chumbo.

XI.

ATAS DO FORO DE SÃO PAULO

Disponíveis no site Mídia Sem Máscara - AQUI.

SITE DO FORO DE SÃO PAULO - AQUI.

MEMBROS OFICIAIS DO FORO DE SÃO PAULO - AQUI.

FORO DE SÃO PAULO NO SITE DO PT - AQUI.


XII.

MAIS SOBRE ESSES E MUITOS OUTROS ASSUNTOS NO LIVRO...

Da obra de Olavo de Carvalho, organizado e apresentado por Felipe Moura Brasil...

...pela Editora Record:

O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota.

******

Pois bem. Está de bom tamanho?

Então agora, quando alguém falar que o Foro de São Paulo é "teoria da conspiração", responda logo: Conspiração é o Foro que te pariu!

E em vez de sair copiando e colando por aí tudo que Felipe Moura Brasil transcreveu, organizou e explicou aqui, compartilhe o link desta página [http://www.felipemourabrasil.com.br/2013/06/conspiracao-e-o-foro-que-te-pariu-o.html] e dê o crédito ao autor, ok? Obrigado!

Pós-escrito de DEZ/2013: Felipe Moura Brasil agora é colunista da VEJA. Acompanhe todos os dias: http://veja.abril.com.br/blog/feipe-moura-brasil.

sábado, 22 de junho de 2013

Verás que um filho teu foge dos livros! - uma carta aos manifestantes e as citações que eles não leram

[Também publicado no facebook.]

Minha sugestão de cartinha:

"Caro manifestante,

Obrigado por engrossar nosso movimento comunista com a sua presença pacífica, permitindo que os nossos calculados atos de terror fossem debitados pela nossa querida grande mídia na conta de uma minoria radical que nada tem a ver conosco — e que nunca vimos mais punk.

Sua indignação contra todos os males que nossas ideias socialistas sempre ajudaram a causar — tanto no Brasil quanto no resto do mundo em nossa história recente — foi fundamental para que ganhássemos a oportunidade de colocá-las cada vez mais em prática, deixando o país ainda mais à esquerda do petismo atual.

Parabéns pela sua passividade mental voluntária e pela consequente absorção de todos os nossos slogans, figuras de linguagem e reações automatizadas através sobretudo da alfabetização 'socioconstrutivista', concebida por pedagogos esquerdistas como Emilia Ferrero, Lev Vigotsky e Paulo Freire, e introduzida no Brasil a partir dos anos 1980, quando nossa elite iluminada tomou posse da educação pública.

Somos extremamente gratos pela sua ignorância dos métodos de manipulação das consciências desenvolvidos por Karl Marx, Herbert Marcuse, Antonio Gramsci e demais intelectuais diabólicos de esquerda, assim como pela sua não leitura dos milhares de autores que demonstraram suas vigarices, todos eles propositadamente excluídos da bibliografia escolar e universitária brasileira nas últimas décadas por nossos professores ativistas e por seus bem adestrados aprendizes já crescidos.

Ficamos muito contentes ao notar que, depois de ir às ruas dar meia dúzia de gritos de guerra e fazer umas coreografias meio esquisitas, você volta para casa satisfeito de ter lutado pelo futuro do seu país e, além de postar suas fotos de cara pintada no facebook para mostrar aos miguxos como você é patriota, fique então aguardando alguma mudança nacional resultante deste seu tão louvável esforço de algumas horas.

Como você deve ter percebido pelo discurso da presidente Dilma Rousseff sobre as manifestações, no qual ela usou 6 vezes as variações do verbo 'ampliar', a 'ampliação' da 'participação popular' já é uma conquista do nosso movimento, de modo que agradecemos, ainda, por você não notar que a 'participação popular' à qual Dilma se refere é a nossa, e não a sua, já que você vai ficar aí esperançoso na sua casinha enquanto trataremos aqui de piorar o país para você e sua família.

Para isso, não hesitaremos em conceder direitos a nossos grupos reivindicantes através de novas legislações, para as quais será necessária a criação de novos órgãos jurídico-administrativos especializados, que garantirão uma intervenção cada vez maior do Estado na sua vida. 'Ainda não sabemos qual o tipo de socialismo que queremos', já dizia o próprio Lula, de modo que vamos simplesmente avançando rumo à ditadura totalitária com que sonhamos — e possivelmente até com a volta do ex-presidente e 'chefe' do mensalão ao cargo.

Contamos, no entanto, com a sua cobertura para futuros atos de terror que julgarmos necessários para a imposição da nossa agenda, e nada nos diverte mais do que vê-lo xingar os reacionários que estudam dia e noite para alertá-lo contra nós, bem como para educar você a ser um brasileiro mais consciente de si e da realidade histórico-social em que vive, naquele longo e trabalhoso processo de melhorá-la de verdade.

Com a certeza de que você continuará preferindo a ignorância e chamando de teórico da conspiração quem quer que mencione o nosso querido Foro de São Paulo — por mais que os participantes da entidade político-terrorista tenham conquistado o poder em todo o continente; e as atas estejam disponíveis no site Mídia Sem Máscara; e você ainda possa ver vídeos de Lula e Hugo Chávez a respeito até no seu YouTube, incluindo aquele em que o segundo confessa ter conhecido o primeiro no mesmo encontro do Foro em que conheceu o então número 2 das Farc, Raúl Reyes —, desejamos a você e à sua família um feliz socialismo do século XXI.

Saudações camaradas,

Os líderes das manifestações

PS: Se você não comprar o livro O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota porque acha o título muito ofensivo, parabéns de novo! Você é o nosso 'idiota útil' perfeito: melindroso como só um revolucionário burro pode ser."

********

O mínimo que você deveria ter lido para não receber essa cartinha:
(Seleção de trechos e frases, organizada por Felipe Moura Brasil)

Trechos:

"Só pelo fato de pertencer a uma multidão, o homem desce vários graus na escala da civilização. Isolado seria talvez um indivíduo culto; em multidão é um ser instintivo, por consequência, um bárbaro. Possui a espontaneidade, a violência, a ferocidade e também o entusiasmo e o heroísmo dos seres primitivos e a eles se assemelha ainda pela facilidade com que se deixa impressionar pelas palavras e pelas imagens e se deixa arrastar a atos contrários aos seus interesses mais elementares. O indivíduo em multidão é um grão de areia no meio de outros grãos que o vento arrasta a seu bel-prazer."

— Gustave Le Bon, "Psicologia das multidões"

“Uma massa é como um selvagem; não está preparada para admitir que algo possa ficar entre seu desejo e a realização deste desejo. Ela forma um único ser e fica sujeita à lei de unidade mental das massas. No caso de tudo pertencer ao campo dos sentimentos, o mais eminente dos homens dificilmente supera o padrão dos indivíduos mais ordinários. Eles não podem nunca realizar atos que demandem elevado grau de inteligência. Em massas, é a estupidez, não a inteligência, que é acumulada. O sentimento de responsabilidade que sempre controla os indivíduos desaparece completamente. Todo sentimento e ato são contagiosos. O homem desce diversos degraus na escada da civilização. Isoladamente, ele pode ser um indivíduo; na massa, ele é um bárbaro, isto é, uma criatura agindo por instinto.”

— Gustave Le Bon, “A multidão: um estudo da mente popular”

“Suponhamos que surja em uma rua grande comoção a respeito de alguma coisa, digamos, um poste de iluminação a gás, que muitas pessoas influentes desejam derrubar. Um monge de batina cinza, que é o espírito da Idade Média, começa a fazer algumas considerações sobre o assunto, dizendo à maneira árida da Escolástica: "Consideremos primeiro, meus irmãos, o valor da luz. Se a luz for em si mesma boa…" Nesta altura, o monge é, compreensivelmente, derrubado. Todo mundo corre para o poste e o põe abaixo em dez minutos, cumprimentando-se mutuamente pela praticidade nada medieval. Mas, com o passar do tempo, as coisas não funcionam tão facilmente. Alguns derrubaram o poste porque queriam a luz elétrica; outros, porque queriam o ferro velho; alguns mais, porque queriam a escuridão, pois seus objetivos eram maus. Alguns se interessavam pouco pelo poste; outros, muito. Alguns agiram porque queriam destruir os equipamentos municipais. Outros porque queriam destruir alguma coisa. Então, aos poucos e inevitavelmente, hoje, amanhã, ou depois de amanhã, voltam a perceber que o monge, afinal, estava certo, e que tudo depende de qual é a filosofia da luz. Mas o que poderíamos ter discutido sob a lâmpada a gás, agora devemos discutir no escuro.”

— G.K. Chesterton, "Hereges"

"O homem de mente clara é o que se liberta dessas ideias fantasmagóricas e olha de frente para a vida, e se conscientiza de que tudo nela é problemático, e sente-se perdido. Como isso é a verdade pura - ou seja, que viver é sentir-se perdido -, aquele que o aceita já começou a se encontrar, já começou a descobrir sua realidade autêntica, já está em terra firme. Instintivamente, como o náufrago, buscará algo a que se agarrar, e esse olhar trágico, peremptório, absolutamente verdadeiro porque se trata da salvação, o fará ordenar o caos de sua vida. Essas são as únicas ideias verdadeiras: as ideias dos náufragos. O resto é retórica, postura, farsa íntima."

— José Ortega y Gasset, "Rebelião das Massas"

"Somente os humildes é que são completamente sãos, pois apenas eles é que vêem claramente o seu próprio tamanho e as suas limitações."

— A. W. Tozer, "Este Mundo: lugar de lazer ou campo de batalha?"

"É preciso entregar-se de todo o coração para que a verdade se entregue. A verdade só está a serviço de seus escravos."

— A.-D. Sertillanges, "A Vida Intelectual"

"Tudo neste mundo é difícil e trabalhoso. Esperar de uma simples explosão emocional das massas uma transfiguração da realidade histórico-social é aquilo que o Eric Voegelin chamava de ‘fé metastática’, uma doença gnóstica."

– Olavo de Carvalho

Frases:

"A burrice, no Brasil, tem um passado glorioso e um futuro promissor"
(Roberto Campos)

"A raiva e o delírio destroem em uma hora mais coisas do que a prudência, o conselho, a previsão não poderiam construir em um século."
(Edmund Burke)

"É uma coisa deplorável ver todos os homens não deliberar senão os meios, e não o fim."
(Blaise Pascal)

"A esperança é uma virtude de escravos."
(Emile Cioran)

"Os participantes de um movimento político normalmente ignoram seu fim, seu motivo e sua origem."
(Nicolás Gómez Dávila)

"As 'soluções' são as ideologias da estupidez."
(Nicolás Gómez Dávila)

"A crença na solubilidade fundamental dos problemas é característica própria ao mundo moderno. Que todo antagonismo de princípios é simples equívoco, que haverá aspirina para toda cefaléia."
(Nicolás Gómez Dávila)

"'Encontrar-se', para o moderno, quer dizer dissolver-se em uma coletividade qualquer."
(Nicolás Gómez Dávila)

"O amor à pobreza é cristão, mas a adulação ao pobre é mera técnica de recrutamento eleitoral."
(Nicolás Gómez Dávila)

"Toda reta leva direto a um inferno."
(Nicolás Gómez Dávila)

...e  mais 35 frases de Nelson Rodrigues.

[Para compartilhar a carta no facebook, acesse este link.]

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Quer entender os protestos?

...Ou quer salvar o Brasil "com as próprias mãos"? Eu sei que a maioria não quer entender nada e prefere a segunda opção. Mas você aí ainda pode ser salvo. Salvo como Rodrigo Constantino, economista e colunista do Globo, que agora se viu obrigado a citar Olavo de Carvalho. Todos resistem por um tempo. Xingam, até. Alguns, pela vida inteira.

Mas aos brasileiros que querem se tornar pessoas melhores, mais cedo ou mais tarde convém ter a humildade de aprender com o maior filósofo do país: "Boa, Constantino! A única virtude humana que existe é o desejo de melhorar." Assim disse Olavo de Carvalho. Porque, embora muitos acreditem que os sábios criticam os outros para vaidosamente humilhá-los, eles na verdade só o fazem por amor e desejo de que se corrijam. Então aprenda logo aí. E salve-se quem puder:

******

"Se houvesse UM líder patriota com fibra suficiente para assumir a dianteira da confusão, eu estaria apelando a todos os cristãos e conservadores para que o seguissem, para que fossem às ruas e mostrassem a sua força, numericamente muito superior à dos contratados de George Soros. Mas esse um não existe. A única opção é ficar em casa ou aceitar ser massa de manobra."
(Olavo de Carvalho)

"O Paulo Tavares Júnior quer salvar o Brasil 'com as próprias mãos'. Será que ele pensa que é questão de punheta?"
(Olavo de Carvalho)

"Nunca subestimem a malícia comunista. Ela é capaz de manobras que ultrapassam infinitamente a imaginação do homem comum e até do 'político burguês' usual. Absorver a direita numa onda de protestos esquerdistas só para depois culpá-la de todas as violências ocorridas no processo é, para um planejador comunista, não apenas coisa banal, mas até obrigação. A turma do Foro está preparadíssima para usar a massa conservadora e patriota e depois jogá-la fora como se fosse um pedaço de papel higiênico, dizendo que com isso salvou o país de uma anarquia que arriscava levá-lo a uma 'ditadura teocrática e fascista'."
(Olavo de Carvalho)

"Quanto aos esquerdistas que estão por aí sacolejando bandeiras vermelhas, quem quer que não saiba que a bandeira vermelha trouxe mais morte, destruição, miséria e sofrimento do que todas as guerras, epidemias e terremotos somados, só prova que segue a sua própria fantasia em vez da realidade."
(Olavo de Carvalho)

"Ninguém tenta se precaver contra um mal que julga inexistente. Desde 1917 o comunismo vive, cresce e prospera de proclamar sua própria morte, anestesiando as vítimas antes de devorá-las. Estamos vendo o milésimo 'remake' dessa tragicomédia."
(Olavo de Carvalho)

"Há quantos anos digo em vão que o problema não é 'o PT' e sim o Foro de São Paulo e, por trás dele, os esquemas revolucionários internacionais? Vocês acham que dando um pé na bunda da Dilma vão resolver alguma coisa? O movimento comunista produz Dilmas com a facilidade de quem peida, e as joga fora sem a menor complacência quando chega o momento. Nossos conservadores e patriotas deveriam pensar não duas, mas mil vezes, antes de sair às ruas gritando slogans e engrossando um coro orquestrado por comunistas. Não digo que seja impossível transmutar o movimento, mas que é impossível fazê-lo sem uma liderança preparada. E bota 'preparada' nisso. No Brasil não há um só político direitista que tenha a astúcia, a coragem e o preparo estratégico de um Pedro Pomar ou de um Rui Falcão."
(Olavo de Carvalho)

"Examinem, por favor, o que se passa nas 'primaveras árabes'. Cada um dos ditadores nos países islâmicos foi colocado no poder pelo comunismo internacional, que agora, através de seu office-boy Barack Hussein Obama, promete derrubá-los e instaurar a 'democracia': o que vem então é uma ditadura ainda mais feroz, abertamente anticristã e esquerdista. Sem esquecer, é claro, que quem colocou Fulgêncio Batista no governo de Cuba foram os comunistas que depois o derrubaram. Nunca conheci um direitista brasileiro que tivesse lido Hegel, sem o que ninguém pode entender a visão comunista segundo a qual a História avança para o socialismo por meio de CONTRADIÇÕES. Direitista brasileiro imagina que comunismo é uma doutrina afirmativa simples e direta, (à qual ele opõe com ares triunfais a "doutrina do livre mercado"), quando na verdade ela é uma ENGENHARIA DA CONTRADIÇÃO, calculada para fazer crescer o poder do movimento revolucionário por meio do paradoxo e do conflito, nos quais TUDO, absolutamente TUDO pode ser absorvido e utilizado."
(Olavo de Carvalho)

"Querem formar uma liderança conservadora no Brasil? Me enviem dez pessoas com QI superior e excelente cultura histórica e política, dispostas a arriscar nessa empreitada, como os Founding Fathers, sua VIDA, sua LIBERDADE, seus BENS e sua HONRA (como tenho feito praticamente sozinho há décadas) e esse grupo será o núcleo de uma liderança que poderá surgir num prazo de, digamos, dez anos, caso encontre, no caminho, os recursos financeiros necessários. Tudo neste mundo é difícil e trabalhoso. Esperar de uma simples explosão emocional das massas uma transfiguração da realidade histórico-social é aquilo que o Eric Voegelin chamava de 'fé metastática', uma doença gnóstica."
(Olavo de Carvalho)

"Aos que, por ingenuidade ou espírito de provocação, dizem que eu deveria voltar ao Brasil para 'assumir a liderança', já expliquei que liderança não é um indivíduo dotado, mas uma organização preparada, pronta para a ação. Vocês acham que o próprio Lênin voltaria à Rússia se à sua espera houvesse apenas uma massa revoltada em vez de uma elite organizada, com vinte anos de experiência, pronta para tomar o poder?"
(Olavo de Carvalho)

"[Voltar ao Brasil para ser] Ministro da Educação, só se for com plenos poderes para fechar todas as universidades e demitir 99 por cento dos professores do ensino elementar e médio."
(Olavo de Carvalho)

"A direita no Brasil é um corpo fortíssimo, mas sem cabeça. Massas sem liderança organizada não chegam a parte alguma, por mais que esbravejem. Em todas as revoluções, quem tira proveito da agitação pública não é quem tem o coração do lado das massas, é quem tem a visão estratégica de para onde conduzi-las. O povo está CLAMANDO por uma liderança, e esta não aparece. E quando digo 'liderança' não me refiro a indivíduos dotados, mas a uma organização séria, longamente preparada, em silêncio, no estudo estratégico das possibilidades de ação. ESSA ORGANIZAÇÃO NÃO EXISTE, e nenhum homem sozinho, por mais dotado que seja, pode substituí-la. Um indivíduo dotado, sem uma organização por trás, pode ser um símbolo aglutinador, mas não um verdadeiro líder. Seria o profeta desarmado de que fala Maquiavel. Napoleão ergueu a cabeça sobre todo o país num momento de crise porque tinha o Exército francês por trás. Sem isso, sua genialidade e coragem não teriam servido para nada. O problema é que a nossa 'direita' - organizações religiosas incluídas - perdeu VINTE ANOS com discurseiras doutrinais ocas e exibições de asqueroso bom-mocismo, em vez de se preparar para a ação. Durante todo esse tempo implorei que se preparassem, que estudassem a fundo, que aprendessem a organizar militância, mas todos, sem exceção taparam os ouvidos ou se fizeram de superiores."
(Olavo de Carvalho)

******

Mais comentários de Olavo de Carvalho sobre os protestos:

- Ei, manifestante! Vá tomar no 'curling'!
- A culpa da corrupção é do Foro de São Paulo

Não entendeu nada? Keep calm, baby. No fim de julho, você terá um livro explicando tudo.

Bem, amigos "pacíficos" da Rede Globo...

...eis as notas do meu plantão virtual:



1.

Está ficando cada vez mais claro para mim que os "protestos" foram promovidos por Barack Hussein Obama, como forma de distrair Felipe Moura Brasil, que já estava em vias de derrubá-lo!

Mas ele que me aguarde: ainda voltarei para terminar o serviço.

2.

Nesse momento, o ativista juvenil coloca no currículo:

"19 de junho de 2013 - Fechei a Ponte Rio-Niterói."

E no diário: "Peguei três. (Duas beijavam mal.)"

3.

Pelé manda recado aos manifestantes para pensarem na seleção brasileira. E os "especialistas" da Globo News - mesmo com a Ponte Rio-Niterói fechada - consideram Pelé "inábil" e "ingênuo"...

Viva Pelé! Um gênio da propaganda contrarrevolucionária.

4.

O refrão inconsciente das massas: "Me leva que eu vou! Sonho meu! Atrás dos terroristas só não vai quem muito leu!, ôôô..."

5.

Um leitor diz que chegou a acreditar na juventude brasileira lendo meus textos e os de outros autores, mas depois perdeu as esperanças "quando a [outra] juventude brasileira começou a agir, sem refletir e sem ler quem estava tentando entender o processo".

Meu comentário foi:

Esperança é coisa de revolucionário burro. É melhor mesmo perder logo, atirar na primeira lata de lixo. A gente aqui estuda e faz o que tem de fazer, sem esperar porra nenhuma.

6.

Diz o repórter da Globo na manifestação em Brasília: "Amanhã todo mundo vai poder dizer com muito orgulho nas redes sociais: 'Eu fui!'". Pergunto: não teria sido esta a frase perfeita para milhões de pessoas que foram atrás de líderes comunistas no século passado usarem como epitáfio?

Se a turma do Movimento Passe Livre conquistar seus próximos objetivos (“Reforma agrária, reforma urbana, contra o latifúndio agrário, contra o latifúndio urbano”, "vindo a se somar a movimentos revolucionários que contestam a ordem vigente"), e atingir assim os ideais socialistas do Foro de São Paulo, os ativistas juvenis ao menos já sabem o que escrever no túmulo:

"Eu fui! Pode ver lá no meu face!"

7.

Leilane Neubarth, da Globo News, é minha. Eu vi primeiro. Eu zombei dela antes de qualquer um! Agora estou com ciúmes. Reinaldo Azevedo está zombando dela também. Assim não dá. Já estou tendo que dividir o Obama com o mundo inteiro. Até a Leilane tenho que emprestar aos outros?

Ela disse:

“(…) Até porque eles [os manifestantes] invadiram o teto [do Congresso Nacional, na semana passada], mas nada de errado aconteceu. Não aconteceu nada de problemático”.

Ok, ok, eu deixo essa pro Reinaldo Azevedo:

"Então tá. Nada de errado ou problemático em subir no teto do Congresso.

Perfeito! Fico a imaginar a imprensa americana a cobrir a tomada do teto do Capitólio, se isso fosse possível…

E sobra peroração à 'belíssima manifestação democrática' e à 'energia da garotada', que, neste momento, busca formas de invadir o Congresso, o Palácio do Planalto e a Casa da Mãe Joana também.

É um absurdo que alguns brucutus que estão na rua hostilizem a cobertura da Globo. Não vejo como ela poderia ser mais favorável aos manifestantes. Um passo a mais, e alguns repórteres e comentaristas vão lá invadir o Congresso e o Palácio."

Pois é, Tio Rei. Mas vamos deixar clara uma coisa, ok?

Se a Leilane invadir, fui eu que avisei!

8.

Assistindo à grande mídia, não tenho mais dúvidas: finalmente, chegaremos ao "comunismo pacífico". Nunca antes na história desse país... Quer dizer: da história universal.

9.

Durante as duas grandes Guerras Mundiais, o mundo - como faria supor a cobertura da Globo e da Globo News - vivia uma época perfeitamente "pacífica", atrapalhada apenas por uma "minoria" de exércitos que, obviamente, não representavam ninguém.

10.

Estou começando a achar que o nazismo não foi tão ruim assim. O problema era aquela "minoria" do Hitler, pô. O comunismo também: tirando aqueles "pequenos grupos de manifestantes mais radicais" de Mao, Stalin, Fidel, Pol-Pot, só tinha gente boa!

E Saddam Hussein? Ah, mandava matar uns 30 iraquianos por dia, mas na maior parte do tempo era um sujeito tranquilo...

Sem falar nos terroristas de Boston: dois irmãos pacíficos, até que...

11.

William Bonner, no encerramento do Jornal Nacional: "Que os que se aproveitam desse momento histórico para tumultuar e agredir fiquem isolados." Pergunto: se foram justamente aqueles que tumultuam e agridem os que CRIARAM este momento histórico (ou os que destes estão a serviço), meu senhor, será que eu já posso isolar os jornalistas da Globo por tumultuarem a cabeça do público e agredirem a verdade dos fatos?

12.

Só tem Galvão Bueno na transmissão das "manifestações". Cadê o Arnaldo? Cadê o Casagrande? Cadê os trepidantes informando quem é quem no campo de jogo? Por exemplo: Tino Marcos está no vestiário do MPL - diga aí, Tino.

TINO: "Pois é, Galvão, o MPL recebeu grandes investimentos do Foro de São Paulo e das elites globalistas ocidentais e veio com tudo neste ano para impor o seu esquema revolucionário socialista à base da força, com a ajuda de uma torcida jovem cada vez mais entusiasmada, que prefere as ruas à biblioteca. O time quer conquistar a Revogação do Aumento da Tarifa de Ônibus, depois a Reforma Agrária e em seguida a Reforma Urbana. Seus líderes são contra o latifúndio agrário, contra o latifúndio urbano - que eu ainda não descobri o que é, Galvão, mas vou providenciar a informação -, e 100% a favor do aborto, caso os torcedores cristãos estejam me ouvindo. Estou aqui com a líder do MPL, Mayara Vivian, que tem algumas reclamações a fazer da própria torcida. Não é isso, Mayara?"

MAYARA VIVIAN: "Tem gente que não consegue nem mobilizar dez pessoas e leva uma faixa com dizeres horríveis, como coisas contra a legalização do aborto e outras. O MPL é anticapitalista e contra qualquer forma de opressão. Repudiamos várias das reivindicações feitas nos atos."

TINO: "Obrigado, Mayara. O MPL, como se vê, tem objetivos bastante claros, e não aceita que nenhum torcedor desavisado desvie seu foco... É com você, Galvão."

GALVÃO: Bem, amigos pacíficos da Rede Globo...

13.

Quando um ignorante engajado desafia você a convencê-lo de alguma coisa, na esperança de que você o eduque individualmente em 140 caracteres, é que você realmente se dá conta de quantas bibliotecas cabem em um generoso e pedagógico palavrão.

14.

É natural que quem tem a ilusão de ter uma opinião tenha também a ilusão de discordar de quem tem.

A quantidade de feicebuquianos que acreditam "pensar diferente" de você quando eles simplesmente não têm - e demonstram não ter - a menor informação sobre o assunto em que "opinam" - ou sobre os líderes que seguem pelas ruas - é uma coisa assombrosa.

Sua única fonte de informação é a organização criminosa da grande mídia e do sistema de ensino, cujos slogans, figuras de linguagem e mentiras eles repetem por automatismo sem jamais ter lido a sua descompactação ou a sua refutação, presente em milhares de artigos e livros que eles simplesmente desconhecem.

Não tiveram acesso a essas coisas, muito menos as buscaram.

Vivem - quando muito - no mundinho encantado de Leilane Neubarth, da Globo News, e ainda querem que eu não os chame de manés. Admito que têm até uma certa razão nisso. O mané é só um otário que não sabe de nada e está sendo passado para trás.

Já esses feicebuquianos que, deparando-se com as informações que lhes faltam, preferem rechaçá-las e se ater às suas convicções de ignorante - esses estão, sem dúvida, muito mais para imbecis.

15.

Muito bem. Já temos um jovem de 18 anos morto por atropelamento, após um motorista perder a paciência com a multidão que xingava a senhora sua mãe. Já temos - graças à revogação do aumento do preço da tarifa - uma população inteira ciente de que paralisar sua cidade vale a pena. Já temos o diabo em termos de saques a lojas, depredação de patrimônio público e invasões. E os nossos jornalistas, colunistas e "especialistas" estão achando tudo muito lindo, exceto por aquelas "minorias radicais".

É o comunismo mental. Hobsbawn na cabeça. A barbárie é apenas um detalhe na busca por um mundo melhor.