sábado, 15 de junho de 2013

A tarifa da ignorância

[Também publicado no Mídia Sem Máscara; e originalmente no facebook.]

Quem não se admite ignorante precisa depois se admitir idiota. Quem não se admite idiota precisa depois se admitir manipulado. Quem não se admite manipulado precisa depois se admitir cúmplice de crime. Quem não se admite cúmplice de crime precisa depois se admitir delinquente. Quem não se admite delinquente precisa depois se admitir bandido... E assim por diante, na escalada possível do ativismo juvenil.

O tamanho do esforço psicológico necessário para a própria salvação vai aumentando de acordo com o nível de estupidez e presunção alcançado.

Os comunistas são grandes mestres em transformar qualquer ignorante em bandido a seu serviço, principalmente depois que Herbert Marcuse percebeu que o proletariado industrial — a massa de manobra original de Karl Marx — já estava "corrompido" pelas benesses do capitalismo e que a nova classe revolucionária poderia ser formada por todos que tivessem qualquer tipo de frustração psicológica: intelectuais, estudantes, mulheres, gays, crianças, prostitutas, drogados, estupradores, assassinos etc. Bastava organizá-los para destruir o "sistema".

No Brasil, como a estratégia de Antonio Gramsci de infiltrar militantes nos sistemas de ensino e comunicação foi altamente bem-sucedida nas últimas quatro décadas, milhões de jovens estudantes já foram reduzidos ao estado de boçalidade necessário para atender prontamente à primeira voz de comando, por mais que ela venha dos cantores de churrascaria da UNE, do Movimento Passe Livre, da Juventude do PT, do PSOL, do PSTU ou do PCO.

Revoltados contra tudo que não presta, eles não perdem a chance de reforçar tudo que não presta. Como dizia o filósofo Olavo de Carvalho: "É natural que um povo que se sente ludibriado sem saber por quem tenha um fundo e dolorido anseio de moralidade. Com um pouco de esperteza, esse anseio pode ser pervertido em desconfiança, a desconfiança em ódio, o ódio em instrumento de destruição sistemática de lideranças indesejáveis."

A horda de jovens que aderem real ou virtualmente às "manifestações" organizadas pelos partidos comunistas brasileiros, sob o pretexto de combater o aumento do preço da tarifa de ônibus, imagina-se lutando em favor dos pobres, quando está apenas sendo usada por manipuladores profissionais e propagandistas partidários em busca do mesmo poder político que, onde quer que tenha sido alcançado por seus similares, só fez piorar a vida dos pobres.

O terrorismo — defendido abertamente por Marx — não é o lado lamentável de uma "manifestação" pacífica, como a grande mídia quer fazer crer. Ele é a essência e a razão de ser do ato, legitimado pela presença numerosa de desavisados (os "idiotas úteis", diria Lenin) mais ou menos pacíficos.

Acatar suas reivindicações, ou mesmo dialogar com seus líderes a respeito, como faz o prefeito Fernando Haddad, é ensinar à população que o terror compensa — o que é muito mais grave do que o aumento de 20 centavos na tarifa de um serviço pelo qual a população vai pagar de qualquer jeito, seja como 'consumidora', seja como 'contribuinte', sendo que, neste caso, sem saber quanto está pagando e muito mais sujeita ao esquema de compadrio empresarial e falta de transparência do Estado no trato das verbas públicas.

Os jovens da horda, no entanto, meninos mimados acostumados à ideia de ter todos os direitos (inclusive o de exigir todos os direitos para si ou para os outros) e nenhuma obrigação, não querem saber disso, é claro, nem da inflação de alimentos que vem afetando o bolso dos pobres muito mais do que qualquer outra coisa. Aprenderam desde cedo a colaborar cegamente com o crime e não vai ser agora que vão se informar antes, para não fazê-lo.

Se nunca estudaram a obra de Marx, Lenin, Marcuse, Gramsci e demais intelectuais comunistas que inventaram o Brasil de hoje — do qual Lula ainda é o maior líder —, que dirá a crítica de seus legados, incluindo como chegamos ao estado de calamidade e abuso geral, contra o qual imaginam se revoltar dessa maneira estupidamente alienada. Naturalmente, pouco lhes importa ainda se, passada a semana inicial de terrorismo, o PT e o PCdoB, para evitar danos à imagem de Haddad, tenham decidido assumir o comando do movimento e mudar sutilmente o sentido dos "protestos", cujos alvos passam a ser a Polícia Militar e o governador Geraldo Alckmin, a verdadeira liderança indesejável que se quer odiosamente destruir.

Os jovens ativistas amam tanto os "oprimidos" quanto odeiam todo tipo de conhecimento necessário para ajudá-los. E preferem ser (cúmplices de) bandidos a reconhecer — antes tarde do que nunca — a própria ignorância.

É por isso que eu digo:

O perfeito idiota brasileiro é aquele que quer remediar um problema que ele não sabe qual é, com um remédio que ele não sabe para que serve, receitado por um médico que ele não tem a menor ideia de quem seja; e ainda está convicto e orgulhoso de fazer a sua parte para salvar o país.

Parabéns, seus manés. O país agradece.

*****

Notas

1.

Quando um comunista fala em "manifestação", eu saco logo o meu spray de pimenta.

2.

Depois de muitos anos de sucesso, a máxima "O importante é competir" finalmente deu lugar à "O importante é protestar". O Brasil, mais do que nunca, virou um programa do Serginho Groisman.

3.

Ontem eu aprendi que criticar um ato de terrorismo comunista é o mesmo que ser contra qualquer mobilização popular. Hoje eu aprendi que definir um idiota brasileiro é o mesmo que ser a favor de toda a corrupção que está aí. Todo dia eu aprendo na seção de comentários da minha página que eu sou contra ou a favor de alguma coisa. Só não entendi direito por que, quando eu critico uma partida de futebol, ninguém diz que é porque eu sou a favor do vôlei. Mas tudo bem. É bonito isso. Fico imaginando quantos Felipes Moura Brasil existem na cabeça dos meus leitores.

*****

Leia também:

Passe Livre para a delinquência

O manifestante ideal

6 comentários:

  1. Voce ta numa fase hein rapaz! Cada texto parece melhor que o anterior. Seus textos já são os que eu mais aguardo lá do msm, depois dos do Olavo. Parabéns e continue o trabalho.

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  2. a e seu texto atingiu o objetivo: criticar o movimento e os barbudos maconheiros comunistas "mentores" de toda baderna causada até então.
    PARABÉNS gostei muito!

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  3. Belo texto e gostaria de deixar aqui o meu pensar: meia duzia de inconformados contrastam com as milhares de pessoas que estão nos estádios e que assistem pela TV. Temos milhões nas ruas no carnaval, milhões que votam no BBB, milhares na parada gay e em eventos de pouco ou nenhuma importância para as nossas vidas. E o governo vendo isso achas que fará o que !?!

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  4. Colega, parabéns pela sobriedade e qualidade de seus textos.

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  5. Adorei Felipe. Por favor, deixe-me expressar uma pequena contribuição, que coloquei no face:

    3° ato contra o aumento da passagem em Curitiba acontece nesta segunda

    É interessante observar esses protestos da juventude e dos trabalhadores contra o aumento da passagem de ônibus, principalmente aqui em Curitiba. É muito engraçado que as pessoas sentem-se lesadas por alguns centavos. Claro que se deve discutir isso de modo inteligente, entretanto, prestando bem atenção às notícias, verificando quais movimentos sociais estão atrelados a esse protesto contra o aumento da passagem, vemos citados grupos super dignos de exigir as coisas, tais como: Organização das Farofadas, Marcha da Maconha, Marcha das Vadias e integrantes de partidos políticos. É engraçado que os jovens de hoje, no Brasil, não são capazes de dar conta nem de suas próprias vidas, de seus problemas mais íntimos, estão tão despreparados intelectualmente para compreender a gravidade de situações muito piores do que essa, tais como liberação do aborto, ou seja, da matança de bebês inocentes que não tem sequer mais a chance de nascer, pessoas com os motivos mais fúteis exigindo direitos de aborto e sobre seus corpos; os estudantes do Brasil estão no último lugar mundial em aproveitamento nos estudos escolares e universitários.
    Todos os dias eu vejo jovens se enchendo a cara em bares próximos da faculdade, jovens gastando dinheiro em drogas, bebidas, em roupas caras, em motéis, isto é, os jovens, e não só os de classe média, pois eu vivi em periferia e vi jovens pobres gastando dinheiro a rodo em todo tipo de futilidades, tatuagens, piercings e sabe lá que caralho a mais eles gostam.
    Passe livre estudantil? Para que isso?
    Será que é para os jovens continuarem a matar aulas, fazer baderna, ligar som alto dentro dos ônibus, tirar notas baixas como sempre, apedrejarem patrimônio público nos clássicos atletiba? Esses mesmos jovens que hoje estão indignados, se sentido vítimas, sentindo-se ofendidos, explorados, pedindo por democracia... Onde estavam esses mesmos jovens de Curitiba no dia 28 de dezembro de 2012 assinando a Manifestação contra o aborto no dia do “Massacre dos Inocentes”
    Onde estavam os jornalistas e a TV com seus repórteres de merda para fazer propaganda pró-vida nessa cidade?
    Quem são vocês todos para exigirem direitos. Miguel Reale já escreveu: a todo direito corresponde um dever. Onde estão seus deveres? Tudo que eu vejo, todo fim de semana, são pessoas gastando dinheiro em shoppings, em bares, em shows, em drogas, em bebidas, pessoas querendo cada vez mais dinheiro.
    Vejo estudantes, tanto colegiais quanto universitários, sem nenhum interesse em sua formação pessoal, vão à escola ou à faculdade por obrigação, bem vestidos, bem alimentados, só pensando em curtir a vida, e ganhar muito dinheiro. Aprender alguma coisa de bom? zero.
    São esses estudantes sem educação todos os dias no ônibus que estão exigindo seus direitos?
    É como o professor Olavo de Carvalho falou: aqui no Brasil dinheiro vem em primeiro lugar.
    Os jovens querem passar o Brasil a limpo, só não querem passar a si mesmos a limpo.
    Tudo isso é uma verdadeira palhaçada e essa garota, no meio da foto, com nariz vermelho diz tudo sobre a natureza desses movimentos sociais.

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