segunda-feira, 1 de julho de 2013

A Flip e a Folha: uma festa caolha

[Publicado originalmente no facebook.]

A Flip, Festa Literária Internacional de Paraty, que eu chamo carinhosamente de Flep, Festa Literária da Esquerda em Paraty, é mesmo um encontro de miguxos ideológicos, como evidencia a reportagem da Folha de S. Paulo "Autores de esquerda dominam Flip inspirada por Graciliano" — sintoma evidente da hegemonia cultural esquerdista no Brasil de Antonio Gramsci.

Segundo a Folha, "das 21 discussões da programação principal, apenas sete não têm a política como eixo nem pelo menos um integrante cuja vida ou obra não estejam ligadas à militância, particularmente de esquerda. Autores de perfil conservador ou de centro estão ausentes", e o curador Miguel Conde ainda tem a cara-de-pau de dizer que o dissenso não sairá prejudicado: "Todas as Flips tiveram predomínio de autores considerados mais ou menos de esquerda. É uma caracterização ampla, que abriga posições diferentes e às vezes conflitantes."

Ele diz não haver "exclusão deliberada" do pensamento conservador: "Naturalmente, convidei autores dos quais me sinto mais próximo ou que abordam as questões de maneira inteligente." Sim, eu entendo. Nada mais natural para um esquerdista do que convidar só os miguxos ideológicos — os únicos que "abordam as questões de maneira inteligente" — para debater entre si, dentro do limite admitido de discordância. Hoje, como se vê, não existe mais a "exclusão deliberada". Só a exclusão natural...

Nem Conde, nem o sociólogo Sergio Miceli, nem o escritor Milton Hatoum conseguem pensar em nomes de autores conservadores relevantes, sendo que Hatoum ainda "discorda" de que Nelson Rodrigues era de direita, ou seja: discorda do próprio Nelson. Está sofrendo da síndrome de Jabor: quer um Nelson Rodrigues para chamar de seu.

Em meio à sonsice, o valente editor Carlos Andreazza, da Record, felizmente aparece para dizer o óbvio ululante: "Não faltam autores conservadores. Falta coragem para convidá-los." E a reportagem segue: "'Não tenho dúvida de que a Flip sempre foi de esquerda. É legítimo, aliás. A discussão, no entanto, fica incompleta. Se quisessem abrir espaço ao contraditório, não faltariam opções', diz Andreazza, citando, entre elas, o filósofo Olavo de Carvalho."

Mas eles não querem, é claro, abrir espaço ao contraditório, muito menos a alguém da envergadura intelectual de Olavo de Carvalho. A esquerda vive de manter o público afastado das refutações de suas mentiras, como se nem sequer existissem aqueles que as refutam. É assim na Flip. É assim no mercado editorial. É assim nas escolas e universidades. É assim na grande mídia. É assim por toda parte, desde que os esquerdistas adotaram a revolução cultural gramsciana como estratégia para a tomada do poder político, com a complacência dos militares que não viram nisso o menor problema. Primeiro eles destruíram a linguagem, depois o país.

O título da reportagem da Folha, na verdade, deveria ser: "Autores de esquerda predominam em todo o sistema midiático, educacional e editorial do Brasil inspirados por Gramsci, inclusive aqui na Folha de S. Paulo". Subtítulo: "E você, leitor idiota, ainda se deixa adestrar por todos nós que produzimos o desastre nacional, em vez de sair correndo atrás dos conservadores na internet."

2 comentários:

  1. Todos que eu conheço que visitam essa festa anualmente, são esquerdistas convictos e atuantes, alguns ignoram isso e se julgam os sábios da atualidade. Amantes da Nova Era...
    A nata da arrogância ignointelectual.
    Com certeza é a “Flep “ mesmo. Os conservadores, não esquerdistas, creio eu já nem fazem questão de aparecer num ambiente intelectualmente inóspito como esse. Intoxica, e deixa nervoso.
    Muitos dos freqüentadores dessa festinha de escritofrênicos consideram Marilena Chauí filósofa, é preciso dizer mais alguma coisa?
    Abraço,
    Valéria

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  2. Felipe, você é um dos raríssimos casos de jovens lúcidos no Brasil. Os seus textos, conquanto claros e bastantes inteligíveis, contém importantes e relevantes informações; esclarecem amplamente as maquinações da esquerda brasileira; são vazados em fina e inteligente ironia, além de detectarem as manobras, fraudes e estratagemas perpetrados pela esquerda, na sua sanha voluptuosa de perpetuação no poder.

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