sábado, 6 de julho de 2013

Casamento gay, sexo anal, cura hétero e homossexualismo obrigatório

Notas do filósofo Olavo de Carvalho, organizadas por Felipe Moura Brasil.

[Publicadas originalmente no facebook.]

CASAMENTO GAY

1.

O casamento é em essência um compromisso firmado em razão de DEVERES mútuos, inclusive deveres conjugais (o sujeito se recusar a comer a dona, ou ela a dar para ele, é motivo de divórcio, mas o vice-versa não é). Agora me digam: como definir os deveres conjugais recíprocos num casamento gay? Quem tem o direito de comer quem, e quem tem o dever de dar? Quem tem o direito ou dever de chupar ou ser chupado? Nada desses detalhes tem de ser definido num casamento hétero, onde a única obrigação sexual perante a lei é aquela que decorre imediatamente da diferença natural, comprovada, entre as formas dos corpos. Mas o casamento gay se baseia no DESEJO SUBJETIVO, não num dado natural evidente, e por isso todas as modalidades de desejo preferidas pelo casal têm de ser descritas meticulosamente no contrato de casamento, caso contrário não será um casamento gay de maneira alguma.

2.

A Suprema Corte [dos EUA] somente concedeu paridade de benefícios sociais aos casais gays cujo casamento é reconhecido nos seus respectivos estados; e reconheceu, ao mesmo tempo, que a decisão de permitir ou não casamentos gays é da alçada dos estados. A primeira decisão não é injusta, pois se um estado aceita que casamento gay é casamento, não tem como negar ao casal os benefícios que a lei concede a todos os casamentos. Sua única conseqüência má é que abrirá as portas para a importação de gays estrangeiros por meio do casamento. A segunda decisão é ótima, pois preserva a autonomia dos estados, a maioria dos quais não quer casamento gay nenhum. A "vitória gay" foi apenas simbólica. Estão festejando antes de notar que só ganharam o que praticamente já tinham.

3.

Coloquei este comentário na notícia do WND (WorldNetDaily) sobre casamento gay [ver tradução livre de Felipe Moura Brasil em seguida]:

Just a question: can ANY sexual desire or inclination be "per se" a source of rights? A man is a man and a woman is a woman not by choice or wish, but by birth. Their right to marry flows from a natural condition, not from a "sexual preference", i.e., they marry AS man and woman, not as "heterosexuals". So much so that no law can forbid a heterosexual man to marry a lesbian lady, or a heterosexual woman to marry a gay man, or a gay man to marry a lesbian, if they want. Therefore it is ABSURD to say that DOMA, or the traditional concept of marriage, "discriminate gays and lesbians". The traditional concept of marriage HAS NOTHING TO DO with "sexual preferences", but with biological sex. It did not forbid gays to marry, just forbade them to make their sexual desires, instead of their biological condition, a source of rights. The concept of "gay marriage" makes "sexual preferences", that are purely subjective and don't need even to be legally verified, a source of rights. This is a TOTAL DESTRUCTION of any Family Law, for from now on marriage will not be not based on natural confirmed facts, but on subjective whims, fantasies or even lies.

[Só uma pergunta: qualquer desejo sexual ou inclinação pode ser "per se" uma fonte de direitos? Um homem é um homem e uma mulher é uma mulher não por escolha ou por desejo, mas por nascimento. O seu direito de se casar flui a partir de uma condição natural, e não de uma "preferência sexual", ou seja, eles se casam como homem e mulher, e não como "heterossexuais". Tanto que nenhuma lei pode proibir um homem heterossexual de se casar com uma mulher lésbica, ou uma mulher heterossexual de se casar com um homem gay, ou um homem gay de se casar com uma lésbica, se quiserem. Por isso, é absurdo dizer que DOMA [sigla em inglês para "Defense of Marriage Act", a Lei de Defesa do Casamento], ou o conceito tradicional de casamento, “discrimina gays e lésbicas". O conceito tradicional de casamento nada tem a ver com "preferências sexuais", mas com o sexo biológico. Isto não proibiu gays de se casarem; apenas os proibiu de fazer de seus desejos sexuais, em vez de fazer de sua condição biológica, uma fonte de direitos. O conceito de "casamento gay" faz "preferências sexuais", que são puramente subjetivas e não precisam mesmo ser legalmente verificadas, uma fonte de direitos. Esta é uma destruição total de todo o Direito de Família, pois a partir de agora o casamento não será baseado em fatos naturais comprovados, mas em caprichos subjetivos, fantasias ou mesmo mentiras.]

4.

[Sobre a “Entrevista sobre a superação da monogamia como princípio jurídico”:]

A total dissolução do Direito de Família é apenas questão de tempo.

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SEXO ANAL

1.

[Sobre o vídeo "Sexo anal é normal?", da dra. Anete Guimarães:]

De agora em diante vou pensar duas vezes antes de mandar alguém ir tomar no cu.

2.

Uma vez provado que o sexo anal produz endocardite bacteriana, o que se tem de fazer imediatamente é entrar na Justiça com uma ação popular pedindo que o Ministério da Saúde ou qualquer outro órgão da administração pública seja proibido de promover ou estimular essa prática, direta ou indiretamente. So simple as that. Se uma ação é manifestamente prejudicial à saúde, nada mais se precisa ou se deve alegar contra ela para bloquear o incentivo estatal à sua prática, ou mesmo para criminalizá-lo. Menos hiperbolismos retóricos e mais ação.

[Ver também: Consequências médicas da homossexualidade.]

3.

[Sobre as confusões a partir do vídeo, a começar pelo título dele:]

De novo a indistinção entre o normal, o natural, o saudável e o moralmente certo. Quando os nossos amigos conservadores e cristãos vão aprender que uma confusão mental retoricamente tocante NÃO É o melhor meio de combater o mal? Quando você quer denunciar um crime ou um pecado, não invente outro para reforçar a impressão de ruindade. Isso só serve para fornecer argumentos ao acusado, para reforçar sua encenação de coitadinho perseguido. O argumento médico contra o sexo anal é devastador, irretorquível. Mas um hábito ser danoso à saúde não o torna "anormal". Milhões de hábitos normais são prejudiciais à saúde, como por exemplo trabalhar em ambientes fechados, levar uma vida sedentária, comer o que a maioria come em vez do que o nutricionista recomenda, etc. etc. A retórica da normalidade não acrescenta nada, substantivamente, à explicação médica, nem esta modifica em nada a visão ético-teológica da questão. Só faz uma mistureba dos diabos, desmoralizando uma causa justa. O sexo anal não é pecado porque faça mal à saúde, nem faz mal à saúde por ser pecado - e NÃO EXISTE uma síntese intelectualmente defensável de medicina e teologia, por mais que os teólogos apelem a argumentos médicos e os médicos se façam de sacerdotes. Uma causa justa deve ser defendida com justiça, o que implica abdicar de confusões retoricamente oportunas (ou que o pareçam).

4.

Não é possível ter uma visão séria da realidade sem admitir as fronteiras entre os diferentes domínios do conhecimento e a dificuldade, às vezes impossibilidade de transpô-las. A argumentação propagandística junta tudo o que há contra ou a favor de alguma coisa e faz do conjunto uma síntese confusa impressionante, mas isso não é justo, nem racional, nem científico.

5.

Do ponto de vista religioso, o sexo anal é um pecado. Do ponto de vista médico, é uma prática arriscada e eventualmente letal, embora amplamente disseminada até entre espécies animais. Devemos concluir daí que o pecado faz mal à saúde? Se fizesse, a humanidade já estaria extinta. Uma teologia que precisa apoiar-se em argumentos médicos, ou uma medicina que precisa de muletas teológicas não são intelectualmente respeitáveis.

6.

Escrevo essas coisas em benefício apenas da clareza mental, mas tenho a certeza de que vai aparecer algum espertinho confundindo tudo e dizendo que estou tomando partido dos gayzistas. Ai, meu saco!

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CURA HÉTERO

[Sobre a reportagem “Minuta do Ministério da Saúde abre debate sobre redução da idade para mudança de sexo”:]

Isso sim é que é crime hediondo. Qualquer menino de doze anos ou menos pode ter fantasias transformistas que se dissiparão com o tempo. Essa gente quer fixar o destino da criança antes que esta possa mudar de idéia. É transexualismo obrigatório, imposto por decreto estatal.

É cura hétero.

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HOMOSSEXUALISMO OBRIGATÓRIO

[Sobre a reportagem “American Evangelist Arrested in London for Preaching Homosexuality Is a Sin”:]

A piada virou realidade. É o homossexualismo obrigatório.

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Felipe Moura Brasil edita o Blog do Pim e é o organizador e autor do prefácio do livro de Olavo de Carvalho, O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota, que será lançado no fim de julho pela Editora Record.

Leia também: O problema do Brasil é a confusão mental

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