sexta-feira, 5 de julho de 2013

O que é Marco Feliciano perto de Gilberto Gil e Paulo Henrique Amorim?

[Também publicado no Mídia Sem Máscara. Notas I e II publicadas originalmente no facebook - aqui; III - aqui; e IV - aqui.]  


I.

Gilberto Gil: "O Estado deixou de representar o interesse público e passou a representar, cada vez mais, o interesse privado."

É verdade. O interesse, por exemplo, do próprio Gilberto Gil, o ex-ministro da Cultura [sic] — ex-titular, portanto, da pasta que concede benefícios a artistas brasileiros —, que recorreu em 2009 a seus antigos subordinados (e eternos aliados) para conseguir benefícios da Lei Rouanet para a realização do DVD “Gil Luminoso”.

Não é mesmo "luminoso" que Gilberto Gil, beneficiado pelo Estado, critique sem um só pingo de vergonha esse Estado por representar interesses privados, e que ainda o faça na mesa de "Culturas locais e globais" de uma festa organizada com dinheiro público como a Flip, com um curador (Miguel Conde) que só convida para ela seus miguxos ideológicos de esquerda?

Já estou até pensando em colocar a frase de Gil em terceiro lugar (superando Tarso Genro e companhia ilimitada) na minha listinha das críticas mais autodescritivas da história mundial recente — para não dizer de citações mais cínicas:

1. "The only people who don't want to disclose the truth are people with something to hide.” (Barack Obama, 21 de agosto de 2010)

2. "A cara do corrupto é aquela cara de anjo, é aquele que mais fala contra a corrupção, o que mais denuncia, porque acha que não vai ser pego, que sempre vai dar no outro.” (Luiz Inácio Lula da Silva, 9 de dezembro de 2009)

3. "O Estado deixou de representar o interesse público e passou a representar, cada vez mais, o interesse privado." (Gilberto Gil, 4 de julho de 2013)

Que tal?

II.

Gil é mesmo um autor de aforismos. O Karl Kraus de Tororó. O Nicolás Gómez Dávila da tropicália. O George Orwell do MinC.

Também vou incluir — dessa vez na lista de pérolas do dilmês fluente — aquele com o qual, segundo O Globo Online, ele "levantou ainda a discussão de antíteses como tradição x contemporaneidade, passado x futuro, e sonho x pesadelo". Assim disse Gilberto "Leibniz-Hegel-Schopenhauer" Gil:

"Estamos cercados do conforto da tradição, onde o presente da contemporaneidade se deita. E o aspecto do defeso me parece estar embutido nessa necessidade de lutar contra a mutação."

Didi Mocó diria: "Cuma!!!???? Cuma, eçelença!???"

Mas eu, que de tudo que anunciou o Globo Online só vi mesmo o pesadelo, dou apenas os parabéns a Gil pela nota dez em dilmês.

Ele merece!



III.

Quando o pastor e deputado eleito democraticamente Marco Feliciano, enteado de um negro e filho de uma mestiça que a militância das cotas raciais também considera negra (sendo Feliciano mesmo, portanto, um potencial cotista), cita o Gênesis no Twitter, cometendo um errinho quanto à origem bíblica dos africanos ao dizer que eles — assim, genericamente, incluindo até os brancos africanos — descendem de um ancestral amaldiçoado por Noé, sendo que Feliciano não é Noé, nem tampouco o ancestral (Canaã, filho de Cam), e está apenas constatando uma maldição alheia da forma estabanada como a interpretou (os outros filhos não amaldiçoados de Cam — Cuxe e Pute — é que teriam dado origem aos povos negros da África, a partir da Etiópia); quando isso acontece, repito, a grande mídia, a militância esquerdista, os artistas ativistas e os "idiotas úteis" de sempre (alô, parasitas!) saem xingando-o de racista sem poder prová-lo nos tribunais e caem de pau em cima dele metafórica e literalmente, em uma das maiores campanhas de "character assassination" da história brasileira recente.

Agora, quando o jornalista Paulo Henrique Amorim, cujo site "Conversa Afiada" recebeu R$ 628 mil de verba de publicidade federal em 2012, é condenado a um ano e oito meses de prisão pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal por injúria racial ao jornalista Heraldo Pereira, da Rede Globo, por dizer que "Heraldo é negro de alma branca" — assim mesmo, especificamente — e "não conseguiu revelar nenhum atributo para fazer tanto sucesso, além de ser negro e de origem humilde", sem contar que, segundo Amorim, Heraldo "se ajoelha" e "se agacha" diante do ministro Gilmar Mendes, do STF; quando isso acontece, repito, ninguém dá a menor pelota, como não deu quando ele fez tais afirmações e nem durante todo o processo.

Porque o verdadeiro crime no Brasil culturalmente dominado pelo "pensamento" dos esquerdistas gramscianos não é o racismo nem a corrupção de fato, mas é ter a audácia de não ser um deles.

Por isso eu pergunto: até quando você vai ser idiota (ou canalha) o bastante para engrossar o coro histérico e intolerante dessa gente?


IV.

Regra número 1: Antes de opinar sobre os conflitos de um país, saiba onde ele fica.



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