quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Gabriel, O Pensador do Enem

[Publicado originalmente no Facebook.]

Globo Online: "O cantor Gabriel O Pensador não ficou surpreso ao saber que sua música 'Até quando?', de 2001, foi utilizada na prova de Linguagens do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2013."

E como poderia ficar? Surpresa seria se tivessem utilizado um artigo de Olavo de Carvalho. Gabriel O Pensador e o Enem foram feitos um para o outro. Veja o trecho que caiu na prova:

"Não adianta olhar pro céu, com muita fé e pouca luta/ Levanta aí que você tem muito protesto pra fazer e muita greve, você pode, você deve, pode crer/ Não adianta olhar pro chão, virar a cara pra não ver/ Se liga aí que te botaram numa cruz e só porque Jesus sofreu não quer dizer que você tenha que sofrer."

Não é mesmo uma incrível coincidência o Enem perguntar qual é a qualidade(!) principal(!) do trecho, oferecendo cinco respostas relativamente favoráveis (além da pergunta)?

Não é coincidência o Enem impor e legitimar sorrateiramente a estudantes do Brasil inteiro a qualidade artística de uma convocação para greves e protestos, no momento em que as "manifestações" espalham o caos pelo país?

Não é coincidência o Enem ainda expor uma analogia entre o sofrimento de Jesus Cristo e o dos "oprimidos", como se até Gabriel O Pensador fosse melhor exemplo a ser seguido que Jesus?

Mais coincidência que isso, só mesmo um tributo a Karl Marx na questão número 1.

O Enem nada mais é que um manual de guerrilha em forma de Quiz.

É por isso que, para tratar de linguagem usando o tema dos protestos, seria demais exigir Lima Barreto: "O apagamento momentâneo da honestidade e a revolta contra pessoas inacessíveis levam os melhores a esses atentados brutais contra a propriedade particular e pública. Concorre também muito a nossa perversidade natural, o nosso desejo de destruir que, adormecido no fundo de nós mesmos, surge nesses momentos, quando a lei foi esquecida e a opinião não nos vigia. No jornal exultava-se. As vitórias do povo tinham hinos de vitórias da pátria. Exagerava-se, mentia-se, para se exaltar a população."

A quem interessaria mostrar aos estudantes, através da própria literatura nacional, a estupidez como ela é no Brasil há mais de 100 anos, ainda que cada vez pior em função do poder cultural e político dos estúpidos? Certamente não aos esquerdistas da banca.

De modo que hoje, para chegar às universidades brasileiras, já não basta se fazer de marxista, grevista ou manifestante. Agora você também tem de reconhecer qualidades de linguagem no divino Gabriel O Pensador - aquele que tampouco faz ideia de qual seja a resposta certa à questão que o menciona.

"Até quando", meu Deus?...

Adão, Eva e o brasileiro

[Crônica publicada originalmente no Facebook.]

Adão encontra um brasileiro.

- Prazer, eu sou Adão.
- Concordo!
- Tudo bem com você?
- Discordo!
- Não está tudo bem?
- Sou contra!
- É contra estar bem?
- A favor!
- Mas do que é que você está falando?
- Eu gosto!
- Você gosta de não saber do que fala?
- Não gosto!
- Meu Deus, não estou entendendo direito...
- Fanático!
- O que foi que você disse?
- Fundamentalista!
- Mas o que foi que eu disse?
- Respeite a minha opinião!
- Você deu uma opinião?
- Uma coisa não impede a outra!
- Que coisa não impede o quê?
- Ouvir opiniões contrárias é um exercício construtivo!
- Mas com que informações você construiu sua opinião?
- Arrogante!
- O que isso tem a ver com o que eu perguntei?
- Dono da verdade!
- Ok, vamos começar de novo.
- Concordo!
- Prazer, eu sou Adão.
- Não falo com gente arrogante.

O brasileiro vai embora e Adão encontra Eva.

- Eva, acho que eu preciso aprender português.
- Discordo!
- ...

O 'grito de liberdade' aos Black Blocs e de censura aos biógrafos

Minhas notas recentes no facebook.

1.

Black blocs de bandeira e tudo acabam de dar uns gritos de guerra contra a Rede Globo em frente à sede da emissora no Jardim Botânico. Cantaram "Poder para o povo!" e "A verdade é dura / A Globo apoiou a ditadura!", e seguiram caminhando pelo meio da rua principal do bairro, praticamente escoltados por policiais, como se fechar a rua fosse mesmo um 'direito do povo' poderoso. Pensei em ir ali no meio e cantar: "A verdade é um choque / A Globo sempre apoia Black Bloc", mas preferi comer meu lanche.

2.

ANGELO HENRIQUE: Eu não entendo como a Globo é alvo desses caras [Black Blocs] e fica pagando pau pra eles.

FELIPE MOURA BRASIL: É simples, Angelo Henrique: além dos covardes de sempre, há militantes parasitários dentro da Globo que obedecem ao mesmo comando dos militantes radicais que vociferam contra ela desde fora. Basta trocar o amor pelo ódio naquele bom e velho samba do Nelson Sargento e temos o retrato perfeito da estratégia revolucionária do "Falso ódio sincero": "O nosso ódio é tão bonito / Você finge que me odeia e eu finjo que acredito."

3.

Falar em "manifestação pacífica (de Black Blocs/MPL) que termina em vandalismo" é como falar em "sexo pacífico (de sadomasoquistas) que termina em violência". Só os virgens de língua caem de quatro nessa história.

4.

Dilma Rousseff: "Presto minha solidariedade ao coronel da PM Reynaldo Simões Rossi, agredido covardemente ontem por um grupo de black blocs em SP."

Como antecipou Olavo de Carvalho em junho: "Será, pela milésima vez, a revolução lucrando com a denúncia de seus próprios crimes."

https://www.facebook.com/ominimoquevoceprecisasaberparanaoserumidiota

5.

Trecho de "Fogo petista", versão de Felipe Moura Brasil de "Águas de março" [http://letras.mus.br/tom-jobim/49022/]:

É Black, é Bloc, é o PT no caminho
É o caos planejado, é o fogo amiguinho
É a quebra do vidro, é mais um... coquetel
É agência bancária, é surra até em coronel

É um braço do Foro, é guerrilha urbana
José... Dirceu... black bloc bacana
É o Estado crescendo, cheio de mensaleiro
Mídia ninja fingindo... que isto é ser brasileiro

É a rua fechada, é o fim do trabalho
É polícia de quatro, é o Gilberto Carvalho
É a mídia afagando, é conversa rasteira
Das trevas da Globo, é mais uma parceira

É a Dilma, é o Lula, é a marcha do crime
Barricadas no chão, todos do mesmo time...
É um tributo a Fidel, é um apoio ao Irã
É o MPL, é o Brasil de amanhã...

São revolucionários fazendo um Cubão
É a certeza de morte da população...

http://felipemourabrasil.com.br/

6.

Suzana Singer, a ombudsman da Folha que chamou Reinaldo Azevedo de cachorro após a primeira coluna dele no jornal, defendendo ao mesmo tempo que se assegure "um bom nível de conversa", já pode montar um cursinho de argumentação esquerdista com Renato Janine Ribeiro, o professor de ética(!) que usou o Facebook para dizer que o 1º lugar na Amazon do best seller de Olavo de Carvalho organizado por mim era a prova de que a inovação tecnológica convive com o retardamento mental.

A monitoria prática ficaria por conta dos "estudantes" que impediram na Bahia as mesas-redondas com o sociólogo Demétrio Magnoli e o filósofo Luiz Felipe Pondé; e as incrições seriam feitas no federalíssimo site Brasil 171, conhecido pelos incautos como 247, embora talvez mude para 178, em homenagem aos beagles raptados do Instituto Royal e agora vítimas de evidente racismo ante a contratação do "rottweiler" Reinaldo pela Folha.

Claro que ninguém precisa fazer esse curso para aprender a xingar "reacionários" de cachorros e retardados sem ler nem refutar seus textos e a mostrar todo o seu amor à liberdade de expressão e à divergência tentando calá-los; para isso, basta respirar no país do "marxismo atmosférico", como dizia Nelson Rodrigues muito antes das agravantes fotossínteses de Janine, Singer e ENEM.

Em todo caso, diante do sucesso editorial e internético da famigerada direita, aquela que representa os valores da maioria relativa da população brasileira, ainda que lhes falte representação política [8], talvez seja mesmo a hora de jornalistas e intelectuais esquerdistas (sic) capricharem no argumento "black bloc" com intensivos extras, antes que o ar marxista fique rarefeito demais.

#Ficaadica

7.

Os 'presos políticos' a que se refere Marcos Palmeira no vídeo de entretenimento intelectual dos globais só podem ser os beagles.

8.

Li a carta dos colegas de faculdade (não identificados) de Paulo Henrique Santiago dos Santos - um dos rapazes que ESPANCARAM o coronel Reynaldo Simões Rossi na sexta-feira - e fiquei na dúvida: os colegas são os artistas da Globo?

a)

Olhem esse trecho da carta: “É preciso questionar por que tantos jovens, provenientes de diversas experiências, lugares e estratos sociais estão cada vez mais se dispondo a enfrentar a polícia em manifestações”.

Olhem agora um trecho da atriz Leandra Leal no vídeo "Grito da libertade": "Se o Estado tivesse preocupado em desenvolver políticas públicas em diálogo com a população. Se estivesse preocupado em entender o que está por trás dessas manifestações, quais são as pautas, a gente agora não estaria vivendo esse momento de violência."

b)

Olhem mais este trecho da carta: “Os moderados falam em negociação. Mas pergunta-se: Como se negocia quando uma das partes possui uma arma, mais ou menos letal? Como qualquer pessoa que não tenha sangue de barata ficaria diante de pessoas sendo espancadas, chutadas?”

Olhem agora um trecho de Camila Pitanga: "Como poder afirmar esse desejo de mudança sem cair na violência? Como respeitar e legitimar a necessidade das pessoas terem voz sem a criminalização?"

c)

Carta: "Paulo não é adepto da tática Black Bloc, não integra o MPL, tampouco pertence ou participa de partidos ou qualquer grupo político organizado. Ele não é um homicida e não participa de quadrilha que objetiva matar policiais."

Guta Stresser: "Não pode ser de maneira nenhuma tratado como um grupo de criminosos."

d)

Carta: "O que sabemos é que ele não deveria estar preso."

Marcos Palmeira: "Vamos acabar com isso, vamos anistiar esses presos políticos."

Pois é. Vai ver os artistas da Globo também estudaram na mesma faculdade de espancamento mental do espancador do coronel Reynaldo (coronel este que foi o único sujeito espancado no caso). Com a diferença de que os artistas se especializaram em oferecer a retaguarda teórica para a ação prática do espancador.

Parabéns, pessoal. O "grito da liberdade" agora é #vemprolinchamento. Mais um "momento histórico", sem dúvida.

9.

ROMÁRIO, ao postar uma foto com LULA no Instagram, fazendo elogios ao "Chefe" do Mensalão (não, ele não usou essas palavras), mostra que também merece uma vaga no time dos artistas da Globo.

10.

Traduzo a entrevista de Roberto Carlos ao Fantástico: "Sou a favor do projeto de lei que permite a publicação de biografias não autorizadas, desde que... Bem, desde que elas sejam autorizadas."

Não é maravilhoso? O robertocarlês é uma mistura de caetanês com buarquês. Já está merecendo, também, uma coluna no Globo.

11.

Você não achou que Gilberto Gil, Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Caetano Veloso, Chico Buarque e Paula Lavigne fariam deste novo vídeo do Procure Saber [com a participação somente dos três primeiros] uma confissão de que não procuraram saber coisa nenhuma, lutaram pela censura prévia de biografias, reivindicaram o pagamento aos biografados, atentaram contra a liberdade de expressão e informação e também contra todo um gênero literário, causando uma discussão que virou motivo de piada para qualquer habitante letrado de um país democrático, e que agora eles pediriam desculpas a biógrafos, editores, fãs e sociedade por tamanha demonstração de imaturidade e vaidade, tamanho vexame histérico agravado ainda pelo fato de que sequer existe uma fila de autores interessados em narrar suas vidinhas em livros, não é mesmo?

Espero que não, se você é letrado. Eles naturalmente tinham de mostrar como são lindos, leves, sinceros, corajosos, cheios de emoções, sentimentos, amor pelo próximo; como se julgam no dever de "preservar a todos os que de alguma maneira não têm, como nós temos, o acesso à mídia, ao Judiciário, aos formadores de opinião"... Puxa vida, fico até emocionado: que pessoas maravilhosas!, quanta solidariedade!, nada mais nobre do que lutar pela censura em nome do povo... Mas não, eles não queriam a censura, claro, nunca quiseram, é um nome feio, pega mal, embora na prática a tenham exigido, mas no Brasil a prática é o que menos importa, o que importa é o sentimento que será demonstrado na hora da propaganda com palavras que nada significam.

Sim: eles podem ter exagerado em algum momento, sabe como é, que pessoas lindas e maravilhosas não exageram quando estão tentando salvar todas as outras, não é mesmo? Eles não negam: "Não negamos que esta vontade de evitar a exposição da intimidade, da nossa dor, ou da dor dos que nos são caros, em dado momento nos tenha levado a assumir uma posição mais radical" - e eis aí o limite do 'mea culpa' forjado: a não negação de algum exagero inevitável e, no fim das contas, até meritoso em meio à sofrida batalha pelo bem-estar geral. "Mas..."

Mas eles sabem usar a palavra direito um monte de vezes para exigir um monte de garantias que só a censura prévia poderia dar.

Tendo perdido de lavada a batalha racional, resta a estes senhores fingir que não tentaram fazer o que tentaram e continuar tentando a mesma coisa com um apelo sentimental ao Judiciário, o qual ao menos mostre aos incautos como eles têm um bom coração e que "foi por acreditar que este debate seria melhor com a participação de toda a sociedade" que se juntaram.

O ápice do vídeo é o arremate final: "Só queremos o que a Constituição já nos garante, o direito de nos defender e de nos preservar", diz Gilberto Gil. "Não queremos calar ninguém. Mas queremos que nos ouçam", completa Roberto Carlos, o homem que moveu processo contra seu biógrafo até na Vara Criminal.

Paulo César Araújo sabe como ninguém que o direito de se preservar do "Rei" é exatamente o direito de calar quem lhe desagrada, mesmo que este não tenha cometido crime algum.

Espero que ninguém jamais tente calar Roberto Carlos, Chico, Caetano, nem os outros do Procure Saber. Quantos mais eles falam, escrevem e postam vídeos, mais eles mostram quem são.

12.

Traduzo o vídeo de Roberto, Erasmo e Gil:

"Censores? Nós? Imagine. A censura está nos olhos de quem proibimos de publicar e de quem impedimos de saber."

13.

Quando chegamos ao ponto de discutir o uso de animais em testes de vacinas e medicamentos, a legalidade de biografias não autorizadas e a legitimidade de atos de violência contra policiais, o que nos resta esperar do debate público nacional senão que os animais exijam dinheiro de seus biógrafos para incluir o episódio do ataque aos homens da carrocinha?

Ninguém vai resgatar as cobras?

Minhas notas recentes no Facebook.

1.

Quer deixar um artista da Globo enlouquecido?

Teste a cura gay em beagles.

2.

Minha sugestão de campanha para o Retiro dos Artistas Sinceros [ou Retiro Clara Averbuck]:




3.

Da série "Notícias do planeta Brasil":

Beagles que escaparam dos porões da ditadura científico-capitalista, instalada sob o pretexto de combater o movimento cancerígeno-revolucionário, lutam agora para impedir a publicação das suas biografias não au-au-torizadas, ao mesmo tempo em que exigem indenização da Rede Globo pela suposta censura à sua raça na famigerada abertura da TV Colosso. Ao contrário do que escreveu um biógrafo pitbull, o sr. Beagle Buá-Buá, famoso por seus latidos contra a censura colossal, garante que nunca foi convidado para participar do programa. Já Black Beagle Vaidoso prefere vestir uma focinheira em protesto contra alguma coisa que ainda não sabe o que é, em nome de alguma outra coisa que ainda vai descobrir.

Mais informações, a qualquer instante. Au, au.

4.

Para a turma dos 'direitos' dos animais:

"Os ensaios do Peter Singer são uma coleção de platitudes que preparam o leitor para engolir, anestesiado, conclusões práticas absurdas. Evitar sofrimentos para os animais é uma exigência moral da qual ninguém discorda, em teoria, mas é evidente que, se proibirmos completamente a matança de animais de todo gênero, estes se multiplicarão até o nível de uma ameaça catastrófica, e então teremos de aceitar passivamente a extinção da espécie humana ou então introduzir o controle da natalidade animal, esterilizando bichos a granel e fazendo-os, portanto, sofrer, seja por dor física, seja pela simples privação da possibilidade de seguir seu desenvolvimento natural normal. Bastou, por exemplo, proibir a matança de lobos em alguns Estados americanos durante uns poucos anos, para que eles proliferassem e voltassem a constituir ameaça para os seres humanos. Se não é justo fazer nenhum animal sofrer, não se pode negar aos lobos e leões o direito que se dá às galinhas. Abrir uma exceção para os animais perigosos é regular o direito à vida animal pelo critério do interesse humano, caindo portanto no pecado de 'especismo' que se queria evitar. Por onde quer que se examine, a filosofia de Singer consiste em chegar a conclusões absurdas pela via do puro consequencialismo lógico alheio à experiência prática da vida. É uma filosofia para adolescentes irresponsáveis. 'Pereat mundus, fiat philosophia.'" (Olavo de Carvalho)

5.

Em função da polêmica dos beagles, lembrei-me deste meu artigo quase alucinógeno de 6 anos atrás sobre o uso de animais como cobaias de experiências. Foi um dos que mais me diverti escrevendo (e relendo). Será que os ativistas caninos teriam resgatado também os elefantes das pesquisas de LSD?

Somos nozes
(Felipe Moura Brasil, 5/11/2007)

Oscar Niemeyer ficou em nono lugar na lista dos “100 maiores gênios vivos” elaborada pela consultoria Creators Synetics, na Grã-Bretanha. Os jornalistas brasileiros comemoraram. Adoram nonos lugares. Depois do estrondoso décimo sexto em Atenas, mal podem esperar pelas Olimpíadas de Pequim. Como eu gosto mais do primeiro, fui ver quem tirou a sorte grande. Não foi uma surpresa. Empatado com o inglês Timothy John Berners-Lee, criador da World Wide Web (vulgo 'www'), Albert Hofmann, o químico suíço inventor do LSD. Mas como assim do LSD? Aquele da rave? Sim. Aquele da rave.

Albert Hofmann é o Dr. Brown da medicina. O Dr. Brown, em 1985, escorregou na banheira, bateu a cabeça, teve a ideia do capacitor de fluxo e construiu a máquina do tempo no DeLorean. Albert Hofmann, em 1943, absorveu “acidentalmente” um pouco de LSD-25 pelas pontas dos dedos, ficou doidão e inventou o LSD. O Dr. Brown queria usar o DeLorean para dar um pulo no futuro. Albert Hofmann queria - e até hoje, aos 101 anos, quer - usar o LSD na psiquiatria. O DeLorean, em 2015, caiu nas mãos de Biff Tannen. O LSD, nos anos 60, caiu nas mãos dos hippies.

Eu não tomo LSD. Antes de escrever, prefiro bater a cabeça na banheira. Mas acompanho a história de Albert Hofmann. Em seu livro 'LSD – minha criança-problema', ele diz: “O perigo do LSD repousa não na sua toxicidade, mas antes na imprevisibilidade de seus efeitos psíquicos”. Isto significa que você, além de boca ressacada, náuseas, cãibras e coceiras, pode ter a reação adversa de decepar o próprio pinto com um tridente, bastando, para tanto, uns 0,05 miligramas, que, em escala de bebida, dão menos de um gole. Eis uma das razões pelas quais, acredita Hofmann, neguinho preferiu se destruir com haxixe, heroína e anfetamina. Mas hoje, por menos de 30 reais, neguinho adota uma 'criança-problema' holandesa nas melhores casas do ramo, da Barra e do orkut.

A parte de que mais gosto no livro é mesmo a das reações. Não as humanas. As dos animais. O Capitão Nascimento quer saber quantos meninos a gente vai perder para o tráfico para que um playboy acenda um baseado. Eu quero saber quais bichinhos a gente perdeu nos laboratórios para que um playboy tomasse um LSD na rave. Sou muito grato a Hofmann (e a ONU, que proibiu o LSD no mundo inteiro em 1972). Em medicamentos lícitos, raramente tenho essa oportunidade. Devia ser obrigatório registrar nas bulas os dados das experiências. Os cientistas estimam que, daqui para frente, a Europa utilizará 5 milhões de cobaias por ano, mas não faço ideia de quantos ratinhos morreram para que eu pudesse tomar um tylenol. Muito menos se o tylenol cura febre de elefante. Se eu visse um elefante febril, não saberia o que fazer.

Sob influência do LSD, descobri que o rato tem perturbações motoras e alterações de higiene, alguns não escovam os dentes antes de dormir. O gato fica todo arrepiado, saliva, e deixa o rato em paz ou morre de medo dele. O cachorro tem sintomas semelhantes de alucinações. O chipanzé curte numa boa, mas seus colegas percebem que ele ficou lelé. Os peixes mudam de postura na natação, alguns trocam o crawl (vulgo crau) pelo borboleta. O elefante, imagine, é muito mais sensível ao LSD do que o rato. Daquele tamanho todo, morre com uma dose mil vezes menor. As aranhas, com doses baixas, às vezes constroem uma teia de dar inveja a qualquer nordestino, mas, com doses altas, nem lacinho de biquíni. (Foi uma pena o químico alemão Anton Köllisch, que sintetizou o ecstasy em 1912 para inibir o apetite da rapaziada, morrer como soldado na Primeira Guerra. Eu também queria saber, sem muito esforço, quais bichinhos ele matou.)

A partir dos testes do LSD, fica fácil distinguir quem é quem. Os playboys da rave são os ratos. Ficam descoordenados – daí a combinação perfeita com a música eletrônica - e têm nítidas alterações de higiene, tendendo para o estilo sujinho. E os artistas são as aranhas, achando que vão compor teias incríveis em virtude de uma good trip. Raul Seixas estava certo. É o rock das aranhas. Beattles, Jimi Hendrix e companhia usuária eram todos aracnídeos dando mau exemplo às criancinhas, que podiam morrer numa parada cardiorrespiratória na rave, dormindo ao volante na volta ou se atirando do décimo-terceiro andar do prédio como o Dr. Frank Olson. Tudo se encaixa e se explica. Tobey Maguire, o Homem-Aranha em pessoa, vai estrelar e produzir 'Blackbird', filme baseado em livro de Eric Olson sobre seu pai, o Dr. Olson, funcionário da CIA que cometeu suicídio porque a agência (descobriu-se quinze anos depois) lhe dava LSD.

Eu quero fazer outro filme. Seinfeld lançou uma animação de abelhas, o 'Bee Movie', eu vou lançar uma mais completa. Já tenho o roteiro. Começa com o chipanzé observando a bicharada. Os cachorros tentam comer os gatos. Os gatos tentam comer os ratos. As aranhas chegam. Começam a tocar 'Help'. Os gatos fogem. Os cachorros param para assistir. Os ratos começam a dançar. Os peixes puxam as coreografias. O elefante, meu alter-ego, morre ao primeiro acorde. O chipanzé vê tudo e acusa as aranhas. Os ratos defendem as aranhas. Elas param de tocar. Os gatos voltam e comem os ratos e os peixes. Os cachorros despertam e comem os gatos. As aranhas se aproveitam e fogem. O chipanzé, solitário, enterra o elefante. Fim. É um final digno, neste mundo de gênios, para nós, elefantes. Sermos enterrados por um chipanzé.

Albert Hofmann, de fato, é muito mais inspirador que Oscar Niemeyer. Há quem proteste contra o uso de animais como cobaias e depois vá tomar o seu tylenolzinho. Há quem faça passeata pela paz e depois vá fumar seu baseado. Eu protesto contra Oscar Niemeyer e depois vou ao Sambódromo. Niemeyer não merecia nem de longe o primeiro lugar dos gênios. Ele nunca escreveu 'Brasília – minha criança-problema' e, se tivesse a cautela mínima de testar a cidade nos ratos, talvez dela só existisse hoje uma versão pirata habitada por roqueiros adolescentes. Brasília ainda está em fase de testes. As árvores e os ratos somos nozes.

6.



Será que os ladrões de beagles programam também um quebra-quebra no Instituto Butantan para salvar os cavalos envenenados em prol da produção de soro antiofídico? Se forem picados por uma cobra, eles esperarão a morte em silêncio, junto com os feicebuquianos apologistas de seus crimes, pelo bem dos cavalinhos? Se a cobra for um câncer, a gente já sabe que sim.

Mensagem de uma veterinária recebida por Alexandre Borges:

"Alexandre, sou médica veterinária e entendo um pouco de animais usados em prol da medicina. Para o pessoal que é 100% contra o uso de animais , faço a seguinte pergunta: Imaginem que vcs sejam picados por uma cobra, e tem 2 alternativas: a) receber o soro antiofídico, ficar bem e viver mais 70 anos; b) se negar a receber o soro antiofídico, já que ele é produzido por cavalos 'explorados' no Instituto Butantan, que após receberem a inoculação do veneno, são sangrados para que o soro seja produzido.

Infelizmente o uso de animais em prol da medicina (para humanos e outros animais) é um mal necessário. E salva milhares de vidas todos os anos. Infelizmente a cultura de células e tecidos, ou simuladores computadorizados, não são suficientes para estudar por exemplo, o funcionamento de um vasodilatador, tão importante para pacientes humanos e animais que sofrem de doenças cardíacas. Ou alguém acha que o funcionamento do sistema cardio-vascular pode ser estudado em tecidos? Temos que lutar para que os testes sejam reduzidos ao mínimo necessário, e que os animais sejam tratados da melhor forma possível dentro das instituições. E até agora ninguém provou que o instituto Royal não seguia essas diretrizes."

(Dra. Maria Estrela Felício)

E as cobras, coitadinhas?

Sérgio Henrique Ferreira é o médico e farmacologista brasileiro que descobriu o “Fator de Potenciação da Braticinina”, uma substância derivada do veneno da jararaca, que é capaz de combater o aumento excessivo da pressão arterial. O trabalho, no Departamento de Farmacologia da Faculdade de Medicina da USP, em Ribeirão Preto-SP, publicado em 1964, criou as condições necessárias para a salvação de incontáveis vidas com o desenvolvimento do Captopril, que foi sintetizado por um laboratório americano porque, conforme Sérgio Henrique declarou à revista Isto É em 2002 - quando os medicamentos gerados pelo estudo já movimentavam US$ 8 bilhões por ano -, "o problema é que a nossa indústria não é capaz de desenvolver ciência a partir do conhecimento produzido pelos próprios brasileiros".

Bons tempos aqueles em que o único problema para o desenvolvimento da ciência nacional era a nossa indústria. Agora, para que os cientistas brasileiros produzam conhecimento, eles também têm de enfrentar os depredadores de institutos de pesquisa, os ladrões de beagles, e seus apologistas globais e feicebuquianos. O Brasil sempre dá um jeito de evoluir para trás.

Como escreveu Reinaldo Azevedo:

"Respeito opiniões diversas, respeito diferenças. Compreendo que haja pessoas que se recusem a comer carne (não entendo por que, na maioria dos casos, o peixe é tratado como se vegetal fosse, mas vá lá…). É uma escolha individual que, qualquer estudioso dirá, afronta alguns saltos civilizatórios. Cada um na sua. O que é inaceitável, no entanto, é que se imponham convicções à sociedade como um todo na base do berro, da violência e do crime. Os anos de pesquisa que se perderam no Instituto Royal não pertencem àquelas pessoas boas que foram lá vandalizar o prédio. Eram uma conquista de todos nós. Quem entrou lá, sequestrou os cachorros e destruiu amostras fez uma hierarquia: primeiro os bichos, depois o homem. Não é o meu mundo. Nunca será."

Nem o meu. Que preconceito contra cavalos, cobras e ratos, pô!

7.

MAIS DE 1.000 COMPARTILHAMENTOS [do item 6 acima no Facebook]. E mais de 1.000 reações difamatórias, claro, baseadas em puro 'wishful thinking' de idiotas úteis, com suas afetações perversas de bom-mocismo... Cosméticos, só na cabeça dos globais! Crueldade (até onde se sabe), só com as vítimas de câncer! Maus-tratos (até onde se sabe), só quando os criminosos deixaram os animais literalmente cagados de medo! Mentirosos, só o deputado Fernando Capez, a atriz Tatá Werneck e tutti quanti. Pedidos de desculpas de criminosos, apologistas do crime e difamadores do Instituto Royal? Aguarde o dia 32.

8.

Não foi pelos 20 centavos.

Não foi pelo salário dos professores.

Não foi pelos 178 beagles.

Lembre-se: "Estamos lutando por algo que ainda não sabemos o que é, mas que pode ser o início de algo muito grande que pode acontecer mais para frente."

9.

DataPim informa: Instituto Royal, QUE NÃO TRABALHA COM COSMÉTICOS, acaba de superar a revista Veja (somada com Olavo de Carvalho) em difamações recebidas só nesta semana.

Parabéns!

10.

- Não pode matar cachorro pra fazer batom!
- Quem mata?
- Presunçoso!
- Quem faz batom?
- Arrogante!

E assim vamos, no dia a dia brasileiro.

11.

A postura de 'idiotas úteis' globais e feicebuquianos diante do caso Beagle - não pela preocupação com os bichos, mas pelas mentiras e pela apologia do crime, quando não pelos crimes mesmo - foi mais uma prova do que está escrito na quarta capa do nosso best seller 'O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota': "O alvoroço de simular bons sentimentos e demonizar o inimigo pela via mais fácil bloqueia toda possibilidade de reflexão séria sobre as próprias palavras." Aguardamos os pedidos públicos de desculpas por parte de todos que ajudaram a militância obscurantista a difamar o Instituto Royal, justificando ainda o seu assalto e a sua depredação. Parabéns, dra. Silvia Ortiz!


12.

Não, eu não desejo um câncer àqueles seres absolutamente desinformados que aplaudem a destruição da pesquisa científica sobre a vacina da doença para posar de defensores dos beagles e oprimidos. A IDIOTICE JÁ É UM CÂNCER. Eu desejo apenas que eles tomem a vacina que eu desenvolvi.

13.

Computador, celular, internet, microondas, leite condensado etc. foram criações da pesquisa militar. Sugiro aos beagle-ativistas que abram mão de usá-los em protesto pelos cadáveres humanos das guerras que os geraram.

#vemprarua #desconecte #chegadeselambuzar

14.

Se é para falar em 'direitos' dos animais, ok. Sou a favor de cotas raciais para beagles nas universidades. (No corpo docente, claro.)

#piorquetánãofica

15.

O discurso afetado e vigarista do deputado Fernando Capez - cujo vídeo alguns militantes e idiotas úteis, dispostos a se agarrar a qualquer boçalidade aparentemente favorável à sua causa, vieram espalhar pela minha página - já foi devidamente desmascarado pelo advogado Daniel Ravena. Faço minhas, aliás, as últimas palavras dele: "Não, não sou advogado do instituto Royal. Sim, eu também amo cãezinhos. Mas também sou um amante da verdade e tenho a péssima mania de repudiar embusteiros."

16.

Às vezes eu olho para as paredes e pergunto:

"Como foi que vocês deixaram escapar tantas portas?"

E às vezes tenho a impressão de que as paredes me respondem:

"É porque elas falavam..."

17.

Pior do que chegar ao ponto de ter de explicar por que um estudante de medicina precisa treinar em porcos a técnica da traqueostomia que terá de usar até em casos emergenciais em seres humanos - como no do choque anafilático, com edema de glote - para impedi-los de morrer sufocados, é ter de explicar por que não usamos criminosos presos como cobaias de experiências científicas em lugar dos animais. Poucas propostas são tão sintomáticas da pura e simples afetação idiota de bom-mocismo quanto esta, que dispensa o proponente de conceber não digo nem as questões morais envolvidas - que deixo para a turma 'dus-direitus-humânu' - mas até os efeitos práticos mais óbvios do que está dizendo. Em lugar de ratos, porcos e beagles, teríamos então ladrões, sequestradores, estupradores, assassinos, só umas pessoas assim adoráveis e bastante dóceis, que diriam 'bom dia, sr. cientista, em que posso ajudá-lo?', sem a necessidade de uma penca de policiais (aqueles que há de sobra nas ruas, não é mesmo?...) para transportá-las, ainda que anestesiadas, das prisões para os laboratórios e vice-versa, evitando emboscadas e fugas, e cuidando da segurança dos pesquisadores (os verdadeiros, não os infiltrados), que agora teriam mais este atraente chamariz para a sua digníssima profissão, decerto compensado pelo acréscimo de disciplinas de 'MMA para uso emergencial' no currículo universitário. Já estou imaginando as futuras prisões-laboratórios-universidades-brasileiras-de-segurança-máxima e as novas e promissoras carreiras de professor-carcereiro ou cientista-policial. No Brasil, definitivamente, ciência será coisa para cabra macho. Com todo respeito às cabras, ok?

18.

Quando a pessoa se recusa a ler as refutações das mentiras em que acreditou, a gente sabe que ela não tem amor algum pela verdade, mas apenas o apego vaidoso pela imagem de defensora dos fracos e oprimidos que a causa lhe confere ante os demais desinformados.

19.

QUESTÃO: O que deve fazer um ativista radical dos 'direitos' dos animais na situação da foto?


a) Abaixar a arma e tentar dialogar com o urso.
b) Entregar a arma ao urso e virar de costas, na esperança de que ele a utilize apenas para testar uma nova vacina.
c) Tirar do bolso as fotos de quando sequestrou 178 beagles de um instituto de pesquisa, tentando convencê-lo de que nunca "resgatou" um urso porque não teve oportunidade.
d) Oferecer a própria vida, na esperança de ser considerado um mártir de uma nova religão do deus Urso.
e) Convidar o urso para ser seu par romântico na próxima novela da Globo, abraçá-lo e tirar uma foto come ele para postar no Insta.

(Resposta: questão anulada.)

20.

"O uso de animais em laboratório é imprescindível. Não é questão de ser a favor ou contra. (...) Chega um momento em que é imprescindível, porque você não pode testar diretamente no humano. (...) O que foi feito na invasão do Instituto Royal realmente é um ato insano. (...) O Vital Brazil seria enforcado. Porque ele sacrificou serpente. Ele tinha que ver onde tinha a glândula que produzia o veneno. (...) Os beagles são animais com pouca diversidade genética, então isso facilita você ver realmente a influência de fatores ambientais. (...) Então esses animais, por serem mais homogêneos, eles são importantes nesses estudos. Isso é feito mundialmente. É a raça de cão mais adequada. Isso em termos de mamífero superior; mas a base de todo o estudo você faz com camundongo, você faz com ratos. E só na última etapa você vai usar um cão, um cavalo. (...) É imprescindível isso para que a humanidade cresça. É o sentido social do trabalho que a gente faz. (...) Eles (do Royal) estavam estudando uma molécula contra o câncer. Ora, isso é feito pra quê? Isso é feito para uso humano. Você destrói, você perde a chance de acrescentar para a humanidade alguma coisa, algum valor. Isso é muito mais do que simplesmente levar o cachorro do canil. Você leva o conhecimento." (Osvaldo Augusto Brazil Esteves Sant'Anna, bisneto de Vital Brazil e pesquisador do Instituto Butantan)



21.

"Se paramos de abater animais para alimento, eles vão proliferar até tornar a vida humana inviável no planeta. Então teremos de matá-los para fins de 'controle populacional', como aliás já se faz com seres humanos. Isso é problema, não solução. Como opção pessoal, o vegetarianismo pode ser legítimo, mas como programa obrigatório para toda a humanidade é um puerilismo criminoso. Um ano de proibição de matar lobos em Montana bastou para que se transformassem numa ameaça temível. Multipliquem isso por milhares de espécies animais e vejam o resultado." (Olavo de Carvalho)

22.

"Se, forçados a abater um animal, seja para comer, seja para qualquer outro fim necessário, os homens o fizessem com respeito, compunção, gratidão e veneração, compreendendo que a situação é imposta a eles e à sua vítima pelo pecado original, esse debate jamais teria surgido. É a industrialização fria do sacrifício que torna as coisas mais horríveis do que realmente são. Na nossa sociedade, no entanto, o senso do sacrifício universal se perdeu por completo, sendo substituído por uma patacoada naturista-sentimentalista-ocultista de uma imbecilidade sem par." (Olavo de Carvalho)

E não há dúvida de que esta imbecilidade - a única da qual eu debochei nessas notas - chegou a níveis estratosféricos nas últimas semanas.

23.

Se não é preciso questionar os procedimentos do Instituto Royal? Ora, claro que sim! É preciso questionar o procedimento de todo e qualquer cientista em cada caso concreto. Mas questionar não é difamar, nem depredar, nem assaltar, nem impor. Debochar, por exemplo, já é bem melhor. Pena que os ativistas - e há muitos tipos deles, é claro (nem todos são Luisa Mell; e nem todos são apologistas do crime, ou vegetarianos, ou abortistas etc.) - estouraram minha cota de deboche nesse episódio. Mas Diogo Mainardi, como de hábito, deu conta do recado:

"Royal é nome de gelatina, não de laboratório que descobre a cura para o câncer."

"A única contribuição brasileira para a ciência foi a espada-de-São-Jorge para espantar o olho gordo."

24.

Se toda esta discussão servir para incutir algum senso de sacrifício em ativistas e um sentimento mais profundo de piedade em cientistas, pode até ser que ela tenha valido para alguma coisa. Mas a primeira parte, dada a amostra de ativistas colhida, soa quase utópica.

25.

Vejamos agora o meu cursinho de Senso de Sacrifício em forma de Quiz:



QUESTÃO: Dois aviões sequestrados por terroristas são atirados contra as duas maiores torres comerciais de Nova York, que desabam logo em seguida, matando provavelmente milhares de trabalhadores. Um terceiro avião sequestrado está a caminho da cidade. Se você, atual presidente do EUA, eleito graças à sua luta pelo direito dos animais, der a ordem para que as forças aéreas do país o abatam, serão mortos 36 passageiros beagles, além dos quatro sequestradores humanos. Se não mandar, esses 40 poderão morrer do mesmo jeito, levando com eles outras milhares de pessoas (e possivelmente beagles) em terra - e você terá de viver sabendo que poderia ter escolhido o mal menor e salvado vidas. Você pode até tentar informar aos beagles-passageiros (ou torcer para que percebam) que a única chance deles é morder e neutralizar os sequestradores por conta própria nos próximos minutos. Mas passado esse limite de tolerância, se o avião seguir voando sequestrado em direção à cidade, você terá de escolher entre abatê-lo ou não, já que não há tecnologia disponível para eliminar apenas os sequestradores, nem para garantir que o mal maior não vai ocorrer em terra. O que você faz?

a) Uma oração para Nossa Senhora dos Beagles, que resolve qualquer parada.
b) Absolutamente nada, porque a esperança de que os beagles-passageiros neutralizem os sequestradores humanos e pousem o avião no aeroporto John Beagle Kennedy é a última que morre.
c) Dá a ordem para abater o famigerado United Beagle 93, com muita dor no coração, mesmo sabendo o quão difícil será explicar ao seu eleitorado ativista que você não queria correr o risco de que mais beagles eventualmente morressem em terra junto com os humanos.
d) Você simula um infarto e, longe das câmeras, começa a redigir o discurso em que atribui a culpa do atentado aos cruéis republicanos, inimigos dos animais.
e) Você pede pra sair.

Responda rápido, porque o avião está entrando no perímetro urbano.

26.

'Gentileza gera gentileza' somente entre pessoas boas, saudáveis e normais. Entre elas e os histéricos ou psicopatas, muitos dos quais repetem chavões fofinhos como este justamente para que ninguém os desmascare, gentileza pode gerar somente safadeza. Cresçam, crianças. E prefiram Rocky Balboa: 'The world ain't all sunshine and rainbows.'

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

AULA DE VIDA EM 2 HORAS - videoconferência de Olavo de Carvalho, mediada por Felipe Moura Brasil

Infância, juventude, pais, filhos, vocação, sentido da vida, pobreza, amor, Brasil...

A divertida e emocionante videoconferência do filósofo Olavo de Carvalho, mediada por Felipe Moura Brasil, em sala de hotel* lotada em São Paulo, com aplausos de pé da plateia ao final. Lançamento oficial e comemoração do sucesso do best seller "O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota".

Compartilhe e eduque os amigos. [Transcrição em breve.]


* Sala Picasso do Hotel Blue Treem Premium Paulista, São Paulo. Sábado, 19 de outubro de 2013.

O organizador do livro, Felipe Moura Brasil, antes de abrir a sala ao público.

Leitores entram e posam com 'o mínimo'.
Plateia atenta a Olavo de Carvalho no telão.
Olavo comenta discurso de Dilma no Dia das Crianças...
Os colunistas Flavio Morgenstern, Felipe Moura Brasil e Alexandre Borges.

Ouça também as entrevistas da incontornável Rádio Vox com esses três, após o encontro por videoconferência com Olavo de Carvalho: https://soundcloud.com/rvox_org/repvox-20out/s-7Zy0J.



quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Fuja para a realidade

Minhas notas recentes no Facebook. (A última é o convite para o nosso encontro por videoconferência com Olavo de Carvalho.)

I.

'Black Blocs' de ontem e de hoje, na luta por algo que ainda não sabem o que é (e ainda tem idiota que vai atrás):

"[Os estudantes revolucionários querem] uma forma de organização social radicalmente nova, da qual não sabem dizer, hoje, se é realizável ou não.”
(Daniel Cohn-Bendit, Paris - 1968)

"Ainda não sabemos que tipo de socialismo queremos.”
(Lula, América Libre - 2010)

"[O socialismo petista] é um processo de sucessivas conquistas econômicas, sociais, políticas e culturais que abrem caminho para novas conquistas. É um caminho que se renova e se amplia à medida que o percorremos. Pode contemplar momentos de rupturas, mas se faz também no dia-a-dia. Não descuida do presente, mas tem seus olhos postos no futuro. Mas esse futuro não é um porto de chegada ou uma fortaleza a ser conquistada. É antes uma construção histórica."
(Resoluções do 3º Congresso do PT - 2007, p. 15 - http://www.pt.org.br/arquivos/Resolucoesdo3oCongressoPT.pdf)

"Os exemplos da aguerrida Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro, Goiânia, Natal são também prelúdios de um novo tempo, o tempo de rua. Que venham as lutas, que venham as ruas, que venha um futuro diferente. A rua é nossa!” (Integrante paraense do PSOL, vestindo uma camisa de Lenin - 2013 - http://youtu.be/tFmMdHl2EVM)

“A lógica egoísta e destrutiva da produção, condicionada exclusivamente ao lucro, ameaça a existência de qualquer forma de vida. Assim, a defesa do socialismo com liberdade e democracia (sic) deve ser encarada como uma perspectiva estratégica e de princípios. Não podemos prever as condições e circunstâncias que efetivarão uma ruptura sistêmica.”
(Programa oficial do PSOL, item 1: 'Socialismo com democracia, como princípio estratégico na superação da ordem capitalista' - http://psol50.org.br/site/paginas/2/programa)
* Ver também artigo de Alexandre Borges: http://reaconaria.org/colunas/alexandreborges/a-hora-e-a-vez-da-ruptura-sistemica/

"Estamos lutando por algo que ainda não sabemos o que é, mas que pode ser o início de algo muito grande que pode acontecer mais para frente." (Integrante do movimento Black Bloc em entrevista à BBC Brasil - 2013 - http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/bbc/2013/10/15/estamos-lutando-por-algo-que-ainda-nao-sabemos-o-que-e-diz-black-bloc.htm)

“Por enquanto, a única alternativa concreta é somente uma negação.”
(Herbert Marcuse)

“Somos favoráveis ao terror organizado — isto deve ser admitido francamente.”
(V. I. Lenin)

*****

"Karl Marx já opinava que era inútil tentar descrever como seria o socialismo, já que este iria se definindo a si mesmo no curso da ação anticapitalista. (...) Nessas condições, é óbvio que duzentos milhões de cadáveres, a miséria e os sofrimentos sem fim criados pelos regimes revolucionários não constituem objeção válida. O revolucionário faz a sua parte: destrói. Substituir o destruído por algo de melhor não é incumbência dele, mas da própria realidade. Se a realidade não chega a cumpri-la, isso só prova que ela ainda é má e merece ser destruída um pouco mais."
(Olavo de Carvalho, 'A promessa autoadiável', Diário do Comércio, 30 de agosto de 2010 - http://www.olavodecarvalho.org/semana/100830dc.html)

II.

Da série "O óbvio dos óbvios":

1.

No dia em que brasileiro aprender a distinguir salário de professor e educação de qualidade, a educação já terá avançado muito.

2.

Quando um conservador fala da demonização que os esquerdistas fazem dele, ele se refere a ataques pessoais que ignoram o conteúdo de suas ideias. Quando um esquerdista fala da "demonização" que os conservadores fazem dele, ele se refere à demolição impiedosa de seus argumentos e ao desmascaramento intelectual de seus métodos, aos quais ele não pode responder senão comprovando o que o conservador disse.

3.

[Nos EUA cada vez mais Brasil:]

"Não existe uma mídia de notícias. Existe uma mídia, mas ela nada mais é do que um braço do Partido Democrata e da esquerda americana. Eles têm a oportunidade de operar sob o pretexto de ser uma mídia para que os eleitores de baixo nível de informação pensem que estão lendo e consumindo notícias."
(Rush Limbaugh)

III.

Só para não perder o hábito de zombar dos colunistas do Globo.

['Normas de redação' aqui: https://www.facebook.com/felipe.m.brasil/posts/10151977022841874]


IV.

Arnaldo Jabor, no Jornal da Globo: "Um dia vamos agradecer ao destino por Obama ter estado no poder."

Jabor está atrasado: a Al-Qaeda e a Fraternidade Muçulmana já estão agradecendo há muito tempo.

V.

Quando vejo um teaser de um programa sobre "a ascensão da direita radical na Europa e nos Estados Unidos[!!!]", concluo que a Globo News já pode se chamar Foro de São Paulo TV.

VI.

Para o jornalismo brasileiro, não existe mais direita no mundo: só direita radical, extrema-direita, direita fanática etc. Quem não fizer uma oraçãozinha para São Obama já é meio fundamentalista.

[PS: Dias depois que escrevi essas últimas notas, Arnaldo Jabor publicou um texto sobre os "fundamentalistas do Tea Party", "mais perigosos que os islamitas guerreiros, que explodem trens e aviões mas não destroem a economia mundial por rancor, vingança e racismo, como os pequenos canalhas que humilhavam os negros na Flórida quando eu apareci por lá". Jabor também chamou os republicanos de "homens-bomba americanos". Demonização pouca é bobagem...]

VII.

Veja na imagem como um impostor intelectual de esquerda atua:


Desmascarado no meu artigo "Quem são os fanfarrões?", também publicado no Mídia Sem Máscara [http://www.midiasemmascara.org/artigos/governo-do-pt/14586-quem-sao-os-fanfarroes.html], Michel Arbache se faz de coitadinho e, a rigor, chama a si próprio de idiota, uma vez que foi ele quem mediu Olavo de Carvalho por supostamente não ser levado a sério por ninguém.

Eis aí, como queríamos demonstrar.

VIII.

Um filme para ver e rever e dar pausa e colocar em câmera lenta e pegar a pipoca... Vale mais que todo o cinema brasileiro junto. E que todas as UPPs do Beltrame. E que todos os discursos do Marcelo Freixo. E que todos os textos do Sakamoto. E que todos os embargos infringentes do STF. O mínimo que você precisa saber sobre ser um PM de verdade num país de mentira: http://bit.ly/GN0e84.

[Atenção: o vídeo abaixo contém cenas fortes.]



IX.

Biografia autorizada é autobiografia terceirizada.

Se o movimento "Procure Saber" de-Caetano-Veloso-mas-não-da-sua-vida-sem-lhe-dar-um-dinheirinho quer proibir a publicação de biografias não autorizadas, exigindo ainda que o biografado seja remunerado nos casos em que as autoriza, sua pretensão é acabar com todo um gênero literário. Coisa de quem, como bem escreveu o editor da Record, Carlos Andreazza, odeia o que jamais poderá compreender.

X.

Título para biografia: "O mínimo que você precisa saber sobre Caetano Veloso, porque o máximo ele não autorizou".

[Ver também: http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/censura-previa-e-demagogia-caetano-chico-sei-la-quem-nossos-herois-morreram-de-uma-overdose-de-realidade-e-ainda-ruffato-o-novo-candidato-a-heroi/ e http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed742_e_a_liberdade_que_esta_em_jogo]

XI.

Se alguém aí não entendeu quando eu disse que "biografia autorizada é autobiografia terceirizada", Ruy Castro agora traduz:

"As pessoas não sabem o que é uma biografia autorizada. Não quer dizer que a gente pede autorização para fazer. Eu tenho é que pegar o trabalho de cinco anos e mandar a biografia para o Chico ou o Caetano lerem e eles devolvem cortando o que eles não gostaram. Isso é censura prévia. Ou eu não falo português." http://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2013/10/11/perguntei-se-o-biografo-vai-pagar-um-dizimo-ao-biografado-diz-ruy-castro.htm

XII.

Pronto. Só faltava o Chico Buarque. Agora O Globo está completo: http://oglobo.globo.com/cultura/penso-eu-10376274. Pena que estou indo dormir. Quando eu acordar, provavelmente Reinaldo Azevedo já terá cuidado dele. Mas deixo aqui uma tradução sintética do seu artigo, contrário às biografias não autorizadas.

É assim: "Se eu processasse o autor e mandasse recolher o livro [já publicado], diriam que minha honra tem um preço e que virei censor." Então prefiro ser chamado de censor censurando o autor previamente mesmo.

****

Espero que Chico escreva mais, em vez de só colocar seu nome em um monte de abaixo-assinados a favor das maiores canalhices da Terra. Quando escreve em buarquês o que pensa em caetanês (ou vice-versa), ele mostra quem é: apenas um esquerdista histérico que posa de coitadinho para reivindicar leis a seu favor.

PS: Quanto à resposta do Globo [http://oglobo.globo.com/opiniao/pingo-nos-iis-10375852], a gente sabe que briga de amor não dói.

XIII.

As mentiras de Chico Buarque - repercutidas por Paula Lavigne como verdades no programa 'Saia Justa', do GNT - já foram expostas por Paulo César Araújo: http://oglobo.globo.com/videos/t/todos-os-videos/v/exclusivo-chico-falou-a-paulo-cesar-de-araujo/2893217/ [em vídeo], http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2013/10/1357464-biografo-de-roberto-desmente-chico-buarque-que-diz-nao-ter-sido-entrevistado.shtml e http://veja.abril.com.br/noticia/celebridades/biografia-nao-e-fofoca-rebate-autor-de-livro-sobre-roberto-carlos; e por Luiz Schwarcz: http://www.blogdacompanhia.com.br/category/colunistas/; bem como analisadas por Márvio dos Anjos: http://globoesporte.globo.com/platb/marvio-dos-anjos/2013/10/16/na-pelada-uma-biografia-de-chico-buarque/; e comentadas por Reinaldo Azevedo:

"Chico Buarque, considerado um verdadeiro herói da luta contra a censura — um dos esportes dos militantes de esquerda d’antanho era caçar suas metáforas contra o regime… —, escreveu um texto no Globo explicando por que defende a censura prévia no caso das biografias. O artigo, autocomplacente, se chama 'Penso eu'. Não há pensamento nenhum lá. Há apenas o relato de uma experiência pessoal, que ele não considerou agradável. Pessoas envolvidas já o desmentiram. A vida é assim. O episódio teria acontecido durante o Regime Militar. Hoje, o Brasil é uma democracia, e existem meios de se coibirem crimes contra a honra ou corrigir inverdades sem apelar à censura, que era justamente um dos instrumentos que serviam à ditadura, contra a qual Chico produzia metáforas em penca. O artigo é de uma estupidez altiva, muito própria da personagem. Uma experiência pessoal malsucedida — se verdadeira… — é o bastante para justificar, então, uma medida de força, tomada pelo estado. (...)" http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/chico-buarque-faz-escola-maria-do-rosario-dos-direitos-humanos-quer-tirar-do-ar-um-blog-de-humor/

[Pós-escrito: Ver também http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/a-covardia-de-chico-buarque-quando-nao-restar-mais-nenhum-argumento-ataque-a-globo-os-idiotas-costumam-zurrar-de-satisfacao/ e o suposto pedido de desculpas de Chico - aquele que não se lembra de 1992, mas tem certeza sobre 1970: http://oglobo.globo.com/cultura/chico-buarque-pede-desculpas-biografo-de-roberto-carlos-10401421. É uma cretinice sem fim.]

Mas voltemos à Paulinha.

XIV.

O caso Amarildo agora serve até para justificar a censura prévia de biografias. Eis o raciocínio de Paula Lavigne, no 'Saia [in]Justa':

1) A indenização por dano moral no Brasil é uma indecência.
2) O cálculo do valor é feito a partir do imposto de renda.
3) Amarildo é morto pela polícia e sua família tem direito a apenas um salário mínimo.
4) Você acha justo que venham cineastas de Hollywood fazer um filme sobre o caso Amarildo sem dar um centavo à família?
5) Conclusão: devemos impedir a publicação de biografias não autorizadas e exigir remuneração aos biografados e seus herdeiros.

O dever de casa de vocês é analisar essa argumentação, ok?

XV.

Ok. Eu analiso só um pouquinho, de forma benevolente: se a Justiça não funciona, ou Paula Lavigne a considera injusta, o jeito é estabelecer a censura prévia, que lhe parece perfeitamente justa.

É o velho modo esquerdista de pensar: para reparar o que se considera injusto, propõe-se a criação de mais injustiça.

Capitão Nascimento pergunta se, diante de tanta impunidade, não é melhor então legalizar logo a execução de bandidos algemados.

Eu pergunto o que os cineastas de Hollywood têm a ver com o "dano moral" brasileiro: vamos cobrar deles a indenização faltante?

XVI.

Num minuto, Paula Lavigne reage histericamente a Barbara Gancia, dizendo algo como "então vamos deixar morrer todos os pobres, todos os Amarildos". No outro, é um doce de pessoa, dizendo que o debate tem de acontecer "sem linchamento, sem bullying".

Paula Lavigne não quer censurar apenas as biografias. Quer também escolher o tom do debate. O dos adversários, é claro. Talvez devêssemos todos mandar para ela os nossos argumentos, para que ela escolha antes qual podemos usar.

Se a chamarmos de censora por censurar biografias... ela censura.

[Pós-escrito: Ver também "A larga estupidez de Paula Lavigne no 'Saia Justa'", de Reinaldo Azevedo.]

XVII.


Esta é a foto (da foto) que tirei com o diretor argentino Juan José Campanella há 4 anos, no Festival do Rio de 2009, quando ele veio lançar no Brasil sua obra-prima vencedora do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, "O segredo dos seus olhos", como se já não bastassem "O mesmo amor, a mesma chuva", "O filho da noiva" e "Clube da Lua", todos eles na minha lista de favoritos (muito antes de Campanella virar modinha, ok? Isso: palmas para mim.)

Quando assisto a uma entrevista como esta que ele deu agora ao programa Starte da Globo News [http://g1.globo.com/globo-news/starte/videos/t/todos-os-videos/v/juan-jose-campanella-fala-sobre-sua-trajetoria-no-cinema/2876220/], por ocasião do lançamento de sua primeira animação, "Um time show de bola", só não fico constrangido pelos cineastas brasileiros porque, em geral, eles estão abaixo das possibilidades de despertar vergonha alheia.

Eis aí um diretor que se contrapõe à perda de valores humanos fundamentais que invariavelmente acompanha o suposto progresso; cujos protagonistas buscam resgatar esses valores ou encontrá-los pela primeira vez, sem que o resultado sejam meras afetações de bom-mocismo; que, por experiência pessoal, reconhece - como Viktor Frankl ensinava - que não podemos escolher as coisas que nos acontecem, mas sim as reações que temos diante delas, de modo que coloca seus personagens frente a desafios que os farão crescer ou morrer, mas nunca se render a um vitimismo vexaminoso; que mostra também às crianças que não é preciso vencer ou ficar famoso a qualquer custo e que, às vezes, ganha-se o amor desejado, perdendo; que não é "um pesquisador que faz cinema no vazio", mas sim alguém que tenta se comunicar com o público, menos preocupado em inovar do que em fazer filmes como os dos anos 1970 com os recursos disponíveis hoje.

Tudo que o fetichismo brasileiro consagrou como foco é, para Campanella, apenas ferramenta, chamariz, elemento ou pano de fundo de uma história sempre comovente e muito engraçada sobre o drama humano contemporâneo universal. Diz ele:

"Acredito que os temas são universais e os sabores são locais. Acho que o tema de que fala 'O segredo dos seus olhos', por exemplo, é o da justiça e da covardia em geral no mundo. Mas a história se passa na Argentina, então fazemos com que o público conheça um sabor local - a cidade, a nossa linguagem etc. -, mas o que estamos contando é uma história universal. Então isso é importante porque assim se conhecem outras culturas. O cinema é uma grande fonte de identificação cultural."

Se o Brasil dos Diegues, Jabores, Waltinhos, Padilhas e Meirelles tivesse um diretor de cinema (unzinho só) com metade do desprendimento, da inteligência, do senso de humor, da sensibilidade e do domínio da linguagem cinematográfica do argentino Juan José Campanella, talvez ainda valesse a pena assistir a mais do que seus trailers.

* (Um dia escrevo mais a respeito.)

XVIII.

Espero vocês em São Paulo neste sábado:



Saiba tudo o que estão falando sobre o nosso best seller 'O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota': http://www.felipemourabrasil.com.br/p/o-minimo-que-voce-precisa-saber-para.html.

http://felipemourabrasil.com.br/

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Quem são os fanfarrões?

[Publicado originalmente no Facebook.]

Vamos nos divertir? Comento abaixo o texto "Lobão e o marketing da censura", de Michel Arbache, publicado no blog do militante petista (ver rodapé) Luís Nassif.


1. “O novo colunista da revista Veja, Lobão, já tem pauta quentíssima para os próximos dias: a ‘censura’ que teria sofrido no Youtube.”

Teria? A conta dele foi ou não suspensa? Com a palavra, Michel:

2. “É que o canal de vídeos, de propriedade da Google, suspendeu a conta dele no espaço”

Ah tá.

3. “sob a alegação de que o usuário teria exibido ‘sexo explícito’, o que ‘viola as diretrizes da comunidade’.”

“Sob a alegação”... incorreta, falsa, mentirosa, caluniosa, difamatória – aquelas palavrinhas que Michel evita, é claro.

4. “Isto bastou para que Lobão, o novo neocon do pedaço, fizesse um barulho enorme no seu perfil no Twitter,”

“Isto bastou”... Bastou sofrer uma censura básica e – imagine – Lobão já sai reclamando. Michel preferia que Lobão ficasse caladinho, sem mover uma palha para reativar sua conta. Esquerdista é assim: quando não pode remover os instrumentos de legítima defesa da vítima, sempre condena a reação da mesma como exagerada.

5. “acusando a ‘censura’ que, segundo ele, teria como alvo o bate-papo por videoconferência”

“Segundo ele” ou segundo a mensagem do Youtube, disponível para quem quiser vê-la? É próprio do impostor intelectual dar ao fato comprovado o caráter de versão interesseira do adversário que despreza.

6. “que teve com Olavo de Carvalho, um fanfarrão que não é levado a sério nem pela direita nem pela esquerda.”

Pelo visto, Michel também fez o cursinho do Renato Janine Ribeiro, “Como falar do best seller do Olavo de Carvalho”. Parece que foi aprovado com nota 10. Parabéns! Curioso é que o livro do “fanfarrão” do Olavo – organizado por mim - esteja nas listas dos mais vendidos do país, com resenhas e recomendações de intelectuais e até de políticos considerados “de direita” pela esquerda, enquanto Michel, cuja página no Facebook é um deserto de curtidas e compartilhamentos, está cavando espaço no site de Luís Nassif, aquele que o presidente do PT, Rui Falcão, admitiu fazer parte da militância virtual do partido e que – santa fanfarronice - conta com patrocínio da Caixa Econômica Federal. Como poderíamos não levar a sério um sujeito de tamanha competência? Precisamos com urgência de teses de mestrado e doutorado sobre a sua lamentavelmente esquecida obra feicebuquiana.

7. “Houve até quem, devidamente ‘retuitado’ por Lobão, apontasse a ‘censura’ como o ‘início do Marco Civil da Internet da Dilma’.”

Michel tem razão de reclamar disso. O início do ‘Marco Civil da Internet’ já ocorreu há muito mais tempo. Rui Falcão é testemunha de que o PT nunca precisou de ‘marco’ para fazer guerra virtual. (Que o digam os 50 perfis falsos a serviço do governador petista do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, em seu Twitter.) Aliás, será que Michel já fez o seu cadastro ou o Nassif lhe deu uma pulseirinha Vip? Já está dando oficina também ou ainda não chegou a esse patamar?

8. “No dia seguinte, o Youtube reconheceu que houve um ‘erro de avaliação’ e devolveu o perfil de Lobão.”

“Reconheceu” ou “teve de alegar” essa sonsice justamente em função das reclamações públicas que mobilizaram os famigerados internautas contra a censura? Com a palavra, Michel:

9. “Pessoalmente, não tenho motivo algum para confiar no que diz o Youtube;”

Ah tá.

10. “muito menos no Lobão.”

E o que isso tem a ver com a história? Não tem motivos para “confiar” que o Lobão tinha motivos para reclamar? Os motivos estão disponíveis. Ou Lobão não podia era reclamar tanto? Qual seria assim um limite de reclamação tolerável, segundo os padrões de Michel, para não parecer que o sujeito censurado está se aproveitando da censura para se promover? Quantos posts? Quantos tuítes? Quantos vídeos? Vamos estabelecer uma cota de reclamações para censurados também? Enquanto Michelzinho não responde, vou traduzi-lo assim: “Pessoalmente, não tenho motivo algum para confiar no que diz o Youtube; mas o Lobão é feio, bobo e chato, e eu não gosto dele. Manhêêêêêêê, cabei!”

11. “Desde o ‘Caso Salman Rushdie’, em 1989, aprendi que a censura é o melhor marketing que já inventaram para uma obra, ou, [sic] autor. Para quem não conhece ou não lembra do caso do escritor indo-britânico, ele foi condenado à morte por um líder do Irã por ter publicado o livro ‘Versos Satânicos’, que conteria ‘blasfêmia contra a fé islâmica’. O fato é que o escritor, com tal ‘sentença’, ganhou o mundo e potencializou as vendas do seu livro.”

Se “o fato” é o sucesso de vendas de Rushdie, será que ser condenado à morte e viver escondendo-se de terroristas são apenas detalhes que não justificam esse efeito colateral? Com a palavra, Michel:

12. “Evidente que, a despeito do involuntário sucesso, isto só levou aborrecimento para a vida de Rushdie e foi um golpe contra a liberdade de expressão.”

Ah tá. “Involuntário sucesso”, gostei. Mas...

13. “Mas o fato é que, hoje, a censura figura como ótima propaganda – por estupidez do censor ou pela esperteza do censurado.”

Lá vem o fato de novo... “O fato é que”... “Mas o fato é que”... Michelzinho quer porque quer condenar as vítimas de censura pelo suposto crime de que ela – a censura – lance alguma luz sobre as obras censuradas. Mais um pouco, e ele até confessa que deseja uma condenação à morte para ganhar mais curtidas no seu desértico Facebook. Talvez assim não dependesse mais do Nassif.

14. “Alguém poderia falar da ‘censura do Facebook’, que é algo real.”

É mesmo. Gustavo Nogy que o diga.

15. “Mas, cá entre nós, o Facebook, Twitter, Google etc nunca foram ‘redes sociais’. São empresas que, se assim julgarem, suspendem qualquer conta que venha a desagradar os seus donos – e parceiros, aliados, patrocinadores etc.”

“Mas, cá entre nós”, suspenderam as contas do Michel e do Nassif também? Ou os donos, parceiros, aliados e patrocinadores preferem suspender as reacionárias? E, se isto é assim, significa que a vítima deve deixar pra lá e aceitar caladinha, senão Tio Michel briga e diz que ela está fazendo marketing? Ui, ui, ui! Aposto que Lobão nem vai dormir hoje por parecer marqueteiro...

16. “Assim como a mídia em geral, a única preocupação que tais empresas carregam com a pratica [sic] da censura é estragar a fachada de ‘democracia’ que gostam de ostentar.”

Mais um pouco, e Michel concorda com Lobão. É a arte esquerdista de concordar condenando.

17. “Voltando ao Lobão, alguns dos seus fãs já publicam no Youtube o mesmo vídeo – o do bate-papo com Olavo de Carvalho – com a roupagem de ‘censurado’.”

Parafraseando Michelzinho: “Mas o fato é que”... ele foi mesmo censurado.

18. “Aliás, há anos circulam na internet incontáveis textos e vídeos com advertências tipo: ‘censurado’; ‘assistam antes que apaguem’...”

E isto é uma tentativa de igualar um caso real de censura com o dos internautas que só querem chamar a atenção, sem nunca terem sido censurados. Michel está aqui para confundir.

19. “Com o ‘selo de qualidade’ da censura, qualquer assunto acaba ficando mais atraente - independente de a censura ser real ou falsa.”

No caso de Lobão, real, como Michel insiste em não distinguir.

20. “No caso do vídeo do Lobão, o curioso - para não dizer engraçado - é que em certa altura do vídeo ele diz, a sério, que ‘comprar livro de Olavo de Carvalho numa livraria é como se fosse ir para uma boca-de-fumo; algo subversivo (sic)’.

Engraçado, sim. “A sério”, só na cabeça fumada de esquerdismo de Michelzinho. Lobão fez uma piada, ainda que com um sentido óbvio: se Olavo é tão difamado (pela pseudointelectualidade dominante na mídia e nas universidades brasileiras, da qual Michel é mero subproduto), comprar seu livro é algo que se faz até escondido. De resto: o que seria subsersivo hoje afinal? Publicar texto em blog de um reconhecido militante do partido governante, patrocinado pela Caixa, é que não é.

21. “Enfim, ele encontrou uma ótima maneira de transformar pérolas afins em ‘subversão’: dizer que foi censurado.”

“Enfim”, Michelzinho encontrou uma ótima maneira de criticar Lobão, sem ter de refutar qualquer coisa que Lobão tenha dito: dizer que ele diz que foi censurado, quando ele foi mesmo censurado. E parece até que Lobão passou anos e anos se aproveitando da censura sofrida, como se Michel não estivesse se referindo a um episódio que ocorreu na mesma semana de seu texto e a reclamações que, na maior parte, até então, tinham o propósito de recuperar a conta suspensa.

Mas sabe como é: Michel é o soldadinho do soldadinho de Rui Falcão, aparentemente responsável pelo trabalho de contenção da reação às canalhices da militância virtual. Ele precisa intimidar a vítima, para que ela não dê muito com a língua nos dentes.

22. “Lobão é hábil em faturar com as polêmicas”

Lobão é hábil, sim, em recuperar sua conta suspensa.

23. “– atacando pessoas ou os fantasmas que ele mesmo cria.”

Michel ataca Lobão por atacar pessoas, sem refutar uma só crítica que ele tenha feito a pessoa alguma. E ainda fala em fantasmas, mesmo diante de um caso concreto. Quem serão os fantasmas que Lobão ataca? Os censores do Youtube? Os membros do Foro de São Paulo? Ou os militantes do Rui Falcão, como Luís Nassif?

24. “Isto cairá muito bem para os leitores da Veja.”

Sinal de que ela os têm – e de que são, talvez, menos “idiotas úteis” que os do Nassif.

25. “Afinal, ficar batendo na mesma tecla da demonização da esquerda todos os colunistas da revista da Abril já fazem.”

Michel demoniza Lobão e todos os colunistas da Abril pela “demonização da esquerda”, sem refutar qualquer crítica que eles tenham feito a esquerdista algum. Como recomendava Lenin: “Xingue-os do que você é, acuse-os do que você faz.” Isto sim é ficar batendo sempre na mesma tecla.

Parabéns, Michelzinho. Com sorte, Rui Falcão se lembra de você no próximo Roda Viva.

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Nota de rodapé: Para quem perdeu, eis a confissão do presidente do PT:

“[O PT] não depende só do marqueteiro. Nós temos vários tipos de militantes nas redes sociais. Você tem os grandes blogueiros, você tem aqueles que estão mais estabelecidos como o [Luís] Nassif, o Paulo Henrique [Amorim], o [Renato] Rovai, o do 'Vi o Mundo', né?, o… como é o nome dele, o 'Do Vi o Mundo'? O [Luiz Carlos] Azenha… Você tem os hackers, que (sic) nós não trabalhamos com eles. Aliás, nós fomos vítimas agora, quando tiraram o site do PT do ar. Então não há controle. Quanto mais espaço, quanto mais liberdade houver, mais eles difundem. E nós estamos tomando contado agora com experiências interessantes, como os jovens que fizeram a campanha de difusão e de mobilização de apoiadores, que é o que mais está me interessando no momento, que é ter militantes que (sic) a gente possa discutir com eles, como é o caso agora desse companheiro da casa Fora de (sic) Eixo, o Pablo Capilé.” (Rui Falcão)


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