quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Ninguém vai resgatar as cobras?

Minhas notas recentes no Facebook.

1.

Quer deixar um artista da Globo enlouquecido?

Teste a cura gay em beagles.

2.

Minha sugestão de campanha para o Retiro dos Artistas Sinceros [ou Retiro Clara Averbuck]:




3.

Da série "Notícias do planeta Brasil":

Beagles que escaparam dos porões da ditadura científico-capitalista, instalada sob o pretexto de combater o movimento cancerígeno-revolucionário, lutam agora para impedir a publicação das suas biografias não au-au-torizadas, ao mesmo tempo em que exigem indenização da Rede Globo pela suposta censura à sua raça na famigerada abertura da TV Colosso. Ao contrário do que escreveu um biógrafo pitbull, o sr. Beagle Buá-Buá, famoso por seus latidos contra a censura colossal, garante que nunca foi convidado para participar do programa. Já Black Beagle Vaidoso prefere vestir uma focinheira em protesto contra alguma coisa que ainda não sabe o que é, em nome de alguma outra coisa que ainda vai descobrir.

Mais informações, a qualquer instante. Au, au.

4.

Para a turma dos 'direitos' dos animais:

"Os ensaios do Peter Singer são uma coleção de platitudes que preparam o leitor para engolir, anestesiado, conclusões práticas absurdas. Evitar sofrimentos para os animais é uma exigência moral da qual ninguém discorda, em teoria, mas é evidente que, se proibirmos completamente a matança de animais de todo gênero, estes se multiplicarão até o nível de uma ameaça catastrófica, e então teremos de aceitar passivamente a extinção da espécie humana ou então introduzir o controle da natalidade animal, esterilizando bichos a granel e fazendo-os, portanto, sofrer, seja por dor física, seja pela simples privação da possibilidade de seguir seu desenvolvimento natural normal. Bastou, por exemplo, proibir a matança de lobos em alguns Estados americanos durante uns poucos anos, para que eles proliferassem e voltassem a constituir ameaça para os seres humanos. Se não é justo fazer nenhum animal sofrer, não se pode negar aos lobos e leões o direito que se dá às galinhas. Abrir uma exceção para os animais perigosos é regular o direito à vida animal pelo critério do interesse humano, caindo portanto no pecado de 'especismo' que se queria evitar. Por onde quer que se examine, a filosofia de Singer consiste em chegar a conclusões absurdas pela via do puro consequencialismo lógico alheio à experiência prática da vida. É uma filosofia para adolescentes irresponsáveis. 'Pereat mundus, fiat philosophia.'" (Olavo de Carvalho)

5.

Em função da polêmica dos beagles, lembrei-me deste meu artigo quase alucinógeno de 6 anos atrás sobre o uso de animais como cobaias de experiências. Foi um dos que mais me diverti escrevendo (e relendo). Será que os ativistas caninos teriam resgatado também os elefantes das pesquisas de LSD?

Somos nozes
(Felipe Moura Brasil, 5/11/2007)

Oscar Niemeyer ficou em nono lugar na lista dos “100 maiores gênios vivos” elaborada pela consultoria Creators Synetics, na Grã-Bretanha. Os jornalistas brasileiros comemoraram. Adoram nonos lugares. Depois do estrondoso décimo sexto em Atenas, mal podem esperar pelas Olimpíadas de Pequim. Como eu gosto mais do primeiro, fui ver quem tirou a sorte grande. Não foi uma surpresa. Empatado com o inglês Timothy John Berners-Lee, criador da World Wide Web (vulgo 'www'), Albert Hofmann, o químico suíço inventor do LSD. Mas como assim do LSD? Aquele da rave? Sim. Aquele da rave.

Albert Hofmann é o Dr. Brown da medicina. O Dr. Brown, em 1985, escorregou na banheira, bateu a cabeça, teve a ideia do capacitor de fluxo e construiu a máquina do tempo no DeLorean. Albert Hofmann, em 1943, absorveu “acidentalmente” um pouco de LSD-25 pelas pontas dos dedos, ficou doidão e inventou o LSD. O Dr. Brown queria usar o DeLorean para dar um pulo no futuro. Albert Hofmann queria - e até hoje, aos 101 anos, quer - usar o LSD na psiquiatria. O DeLorean, em 2015, caiu nas mãos de Biff Tannen. O LSD, nos anos 60, caiu nas mãos dos hippies.

Eu não tomo LSD. Antes de escrever, prefiro bater a cabeça na banheira. Mas acompanho a história de Albert Hofmann. Em seu livro 'LSD – minha criança-problema', ele diz: “O perigo do LSD repousa não na sua toxicidade, mas antes na imprevisibilidade de seus efeitos psíquicos”. Isto significa que você, além de boca ressacada, náuseas, cãibras e coceiras, pode ter a reação adversa de decepar o próprio pinto com um tridente, bastando, para tanto, uns 0,05 miligramas, que, em escala de bebida, dão menos de um gole. Eis uma das razões pelas quais, acredita Hofmann, neguinho preferiu se destruir com haxixe, heroína e anfetamina. Mas hoje, por menos de 30 reais, neguinho adota uma 'criança-problema' holandesa nas melhores casas do ramo, da Barra e do orkut.

A parte de que mais gosto no livro é mesmo a das reações. Não as humanas. As dos animais. O Capitão Nascimento quer saber quantos meninos a gente vai perder para o tráfico para que um playboy acenda um baseado. Eu quero saber quais bichinhos a gente perdeu nos laboratórios para que um playboy tomasse um LSD na rave. Sou muito grato a Hofmann (e a ONU, que proibiu o LSD no mundo inteiro em 1972). Em medicamentos lícitos, raramente tenho essa oportunidade. Devia ser obrigatório registrar nas bulas os dados das experiências. Os cientistas estimam que, daqui para frente, a Europa utilizará 5 milhões de cobaias por ano, mas não faço ideia de quantos ratinhos morreram para que eu pudesse tomar um tylenol. Muito menos se o tylenol cura febre de elefante. Se eu visse um elefante febril, não saberia o que fazer.

Sob influência do LSD, descobri que o rato tem perturbações motoras e alterações de higiene, alguns não escovam os dentes antes de dormir. O gato fica todo arrepiado, saliva, e deixa o rato em paz ou morre de medo dele. O cachorro tem sintomas semelhantes de alucinações. O chipanzé curte numa boa, mas seus colegas percebem que ele ficou lelé. Os peixes mudam de postura na natação, alguns trocam o crawl (vulgo crau) pelo borboleta. O elefante, imagine, é muito mais sensível ao LSD do que o rato. Daquele tamanho todo, morre com uma dose mil vezes menor. As aranhas, com doses baixas, às vezes constroem uma teia de dar inveja a qualquer nordestino, mas, com doses altas, nem lacinho de biquíni. (Foi uma pena o químico alemão Anton Köllisch, que sintetizou o ecstasy em 1912 para inibir o apetite da rapaziada, morrer como soldado na Primeira Guerra. Eu também queria saber, sem muito esforço, quais bichinhos ele matou.)

A partir dos testes do LSD, fica fácil distinguir quem é quem. Os playboys da rave são os ratos. Ficam descoordenados – daí a combinação perfeita com a música eletrônica - e têm nítidas alterações de higiene, tendendo para o estilo sujinho. E os artistas são as aranhas, achando que vão compor teias incríveis em virtude de uma good trip. Raul Seixas estava certo. É o rock das aranhas. Beattles, Jimi Hendrix e companhia usuária eram todos aracnídeos dando mau exemplo às criancinhas, que podiam morrer numa parada cardiorrespiratória na rave, dormindo ao volante na volta ou se atirando do décimo-terceiro andar do prédio como o Dr. Frank Olson. Tudo se encaixa e se explica. Tobey Maguire, o Homem-Aranha em pessoa, vai estrelar e produzir 'Blackbird', filme baseado em livro de Eric Olson sobre seu pai, o Dr. Olson, funcionário da CIA que cometeu suicídio porque a agência (descobriu-se quinze anos depois) lhe dava LSD.

Eu quero fazer outro filme. Seinfeld lançou uma animação de abelhas, o 'Bee Movie', eu vou lançar uma mais completa. Já tenho o roteiro. Começa com o chipanzé observando a bicharada. Os cachorros tentam comer os gatos. Os gatos tentam comer os ratos. As aranhas chegam. Começam a tocar 'Help'. Os gatos fogem. Os cachorros param para assistir. Os ratos começam a dançar. Os peixes puxam as coreografias. O elefante, meu alter-ego, morre ao primeiro acorde. O chipanzé vê tudo e acusa as aranhas. Os ratos defendem as aranhas. Elas param de tocar. Os gatos voltam e comem os ratos e os peixes. Os cachorros despertam e comem os gatos. As aranhas se aproveitam e fogem. O chipanzé, solitário, enterra o elefante. Fim. É um final digno, neste mundo de gênios, para nós, elefantes. Sermos enterrados por um chipanzé.

Albert Hofmann, de fato, é muito mais inspirador que Oscar Niemeyer. Há quem proteste contra o uso de animais como cobaias e depois vá tomar o seu tylenolzinho. Há quem faça passeata pela paz e depois vá fumar seu baseado. Eu protesto contra Oscar Niemeyer e depois vou ao Sambódromo. Niemeyer não merecia nem de longe o primeiro lugar dos gênios. Ele nunca escreveu 'Brasília – minha criança-problema' e, se tivesse a cautela mínima de testar a cidade nos ratos, talvez dela só existisse hoje uma versão pirata habitada por roqueiros adolescentes. Brasília ainda está em fase de testes. As árvores e os ratos somos nozes.

6.



Será que os ladrões de beagles programam também um quebra-quebra no Instituto Butantan para salvar os cavalos envenenados em prol da produção de soro antiofídico? Se forem picados por uma cobra, eles esperarão a morte em silêncio, junto com os feicebuquianos apologistas de seus crimes, pelo bem dos cavalinhos? Se a cobra for um câncer, a gente já sabe que sim.

Mensagem de uma veterinária recebida por Alexandre Borges:

"Alexandre, sou médica veterinária e entendo um pouco de animais usados em prol da medicina. Para o pessoal que é 100% contra o uso de animais , faço a seguinte pergunta: Imaginem que vcs sejam picados por uma cobra, e tem 2 alternativas: a) receber o soro antiofídico, ficar bem e viver mais 70 anos; b) se negar a receber o soro antiofídico, já que ele é produzido por cavalos 'explorados' no Instituto Butantan, que após receberem a inoculação do veneno, são sangrados para que o soro seja produzido.

Infelizmente o uso de animais em prol da medicina (para humanos e outros animais) é um mal necessário. E salva milhares de vidas todos os anos. Infelizmente a cultura de células e tecidos, ou simuladores computadorizados, não são suficientes para estudar por exemplo, o funcionamento de um vasodilatador, tão importante para pacientes humanos e animais que sofrem de doenças cardíacas. Ou alguém acha que o funcionamento do sistema cardio-vascular pode ser estudado em tecidos? Temos que lutar para que os testes sejam reduzidos ao mínimo necessário, e que os animais sejam tratados da melhor forma possível dentro das instituições. E até agora ninguém provou que o instituto Royal não seguia essas diretrizes."

(Dra. Maria Estrela Felício)

E as cobras, coitadinhas?

Sérgio Henrique Ferreira é o médico e farmacologista brasileiro que descobriu o “Fator de Potenciação da Braticinina”, uma substância derivada do veneno da jararaca, que é capaz de combater o aumento excessivo da pressão arterial. O trabalho, no Departamento de Farmacologia da Faculdade de Medicina da USP, em Ribeirão Preto-SP, publicado em 1964, criou as condições necessárias para a salvação de incontáveis vidas com o desenvolvimento do Captopril, que foi sintetizado por um laboratório americano porque, conforme Sérgio Henrique declarou à revista Isto É em 2002 - quando os medicamentos gerados pelo estudo já movimentavam US$ 8 bilhões por ano -, "o problema é que a nossa indústria não é capaz de desenvolver ciência a partir do conhecimento produzido pelos próprios brasileiros".

Bons tempos aqueles em que o único problema para o desenvolvimento da ciência nacional era a nossa indústria. Agora, para que os cientistas brasileiros produzam conhecimento, eles também têm de enfrentar os depredadores de institutos de pesquisa, os ladrões de beagles, e seus apologistas globais e feicebuquianos. O Brasil sempre dá um jeito de evoluir para trás.

Como escreveu Reinaldo Azevedo:

"Respeito opiniões diversas, respeito diferenças. Compreendo que haja pessoas que se recusem a comer carne (não entendo por que, na maioria dos casos, o peixe é tratado como se vegetal fosse, mas vá lá…). É uma escolha individual que, qualquer estudioso dirá, afronta alguns saltos civilizatórios. Cada um na sua. O que é inaceitável, no entanto, é que se imponham convicções à sociedade como um todo na base do berro, da violência e do crime. Os anos de pesquisa que se perderam no Instituto Royal não pertencem àquelas pessoas boas que foram lá vandalizar o prédio. Eram uma conquista de todos nós. Quem entrou lá, sequestrou os cachorros e destruiu amostras fez uma hierarquia: primeiro os bichos, depois o homem. Não é o meu mundo. Nunca será."

Nem o meu. Que preconceito contra cavalos, cobras e ratos, pô!

7.

MAIS DE 1.000 COMPARTILHAMENTOS [do item 6 acima no Facebook]. E mais de 1.000 reações difamatórias, claro, baseadas em puro 'wishful thinking' de idiotas úteis, com suas afetações perversas de bom-mocismo... Cosméticos, só na cabeça dos globais! Crueldade (até onde se sabe), só com as vítimas de câncer! Maus-tratos (até onde se sabe), só quando os criminosos deixaram os animais literalmente cagados de medo! Mentirosos, só o deputado Fernando Capez, a atriz Tatá Werneck e tutti quanti. Pedidos de desculpas de criminosos, apologistas do crime e difamadores do Instituto Royal? Aguarde o dia 32.

8.

Não foi pelos 20 centavos.

Não foi pelo salário dos professores.

Não foi pelos 178 beagles.

Lembre-se: "Estamos lutando por algo que ainda não sabemos o que é, mas que pode ser o início de algo muito grande que pode acontecer mais para frente."

9.

DataPim informa: Instituto Royal, QUE NÃO TRABALHA COM COSMÉTICOS, acaba de superar a revista Veja (somada com Olavo de Carvalho) em difamações recebidas só nesta semana.

Parabéns!

10.

- Não pode matar cachorro pra fazer batom!
- Quem mata?
- Presunçoso!
- Quem faz batom?
- Arrogante!

E assim vamos, no dia a dia brasileiro.

11.

A postura de 'idiotas úteis' globais e feicebuquianos diante do caso Beagle - não pela preocupação com os bichos, mas pelas mentiras e pela apologia do crime, quando não pelos crimes mesmo - foi mais uma prova do que está escrito na quarta capa do nosso best seller 'O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota': "O alvoroço de simular bons sentimentos e demonizar o inimigo pela via mais fácil bloqueia toda possibilidade de reflexão séria sobre as próprias palavras." Aguardamos os pedidos públicos de desculpas por parte de todos que ajudaram a militância obscurantista a difamar o Instituto Royal, justificando ainda o seu assalto e a sua depredação. Parabéns, dra. Silvia Ortiz!


12.

Não, eu não desejo um câncer àqueles seres absolutamente desinformados que aplaudem a destruição da pesquisa científica sobre a vacina da doença para posar de defensores dos beagles e oprimidos. A IDIOTICE JÁ É UM CÂNCER. Eu desejo apenas que eles tomem a vacina que eu desenvolvi.

13.

Computador, celular, internet, microondas, leite condensado etc. foram criações da pesquisa militar. Sugiro aos beagle-ativistas que abram mão de usá-los em protesto pelos cadáveres humanos das guerras que os geraram.

#vemprarua #desconecte #chegadeselambuzar

14.

Se é para falar em 'direitos' dos animais, ok. Sou a favor de cotas raciais para beagles nas universidades. (No corpo docente, claro.)

#piorquetánãofica

15.

O discurso afetado e vigarista do deputado Fernando Capez - cujo vídeo alguns militantes e idiotas úteis, dispostos a se agarrar a qualquer boçalidade aparentemente favorável à sua causa, vieram espalhar pela minha página - já foi devidamente desmascarado pelo advogado Daniel Ravena. Faço minhas, aliás, as últimas palavras dele: "Não, não sou advogado do instituto Royal. Sim, eu também amo cãezinhos. Mas também sou um amante da verdade e tenho a péssima mania de repudiar embusteiros."

16.

Às vezes eu olho para as paredes e pergunto:

"Como foi que vocês deixaram escapar tantas portas?"

E às vezes tenho a impressão de que as paredes me respondem:

"É porque elas falavam..."

17.

Pior do que chegar ao ponto de ter de explicar por que um estudante de medicina precisa treinar em porcos a técnica da traqueostomia que terá de usar até em casos emergenciais em seres humanos - como no do choque anafilático, com edema de glote - para impedi-los de morrer sufocados, é ter de explicar por que não usamos criminosos presos como cobaias de experiências científicas em lugar dos animais. Poucas propostas são tão sintomáticas da pura e simples afetação idiota de bom-mocismo quanto esta, que dispensa o proponente de conceber não digo nem as questões morais envolvidas - que deixo para a turma 'dus-direitus-humânu' - mas até os efeitos práticos mais óbvios do que está dizendo. Em lugar de ratos, porcos e beagles, teríamos então ladrões, sequestradores, estupradores, assassinos, só umas pessoas assim adoráveis e bastante dóceis, que diriam 'bom dia, sr. cientista, em que posso ajudá-lo?', sem a necessidade de uma penca de policiais (aqueles que há de sobra nas ruas, não é mesmo?...) para transportá-las, ainda que anestesiadas, das prisões para os laboratórios e vice-versa, evitando emboscadas e fugas, e cuidando da segurança dos pesquisadores (os verdadeiros, não os infiltrados), que agora teriam mais este atraente chamariz para a sua digníssima profissão, decerto compensado pelo acréscimo de disciplinas de 'MMA para uso emergencial' no currículo universitário. Já estou imaginando as futuras prisões-laboratórios-universidades-brasileiras-de-segurança-máxima e as novas e promissoras carreiras de professor-carcereiro ou cientista-policial. No Brasil, definitivamente, ciência será coisa para cabra macho. Com todo respeito às cabras, ok?

18.

Quando a pessoa se recusa a ler as refutações das mentiras em que acreditou, a gente sabe que ela não tem amor algum pela verdade, mas apenas o apego vaidoso pela imagem de defensora dos fracos e oprimidos que a causa lhe confere ante os demais desinformados.

19.

QUESTÃO: O que deve fazer um ativista radical dos 'direitos' dos animais na situação da foto?


a) Abaixar a arma e tentar dialogar com o urso.
b) Entregar a arma ao urso e virar de costas, na esperança de que ele a utilize apenas para testar uma nova vacina.
c) Tirar do bolso as fotos de quando sequestrou 178 beagles de um instituto de pesquisa, tentando convencê-lo de que nunca "resgatou" um urso porque não teve oportunidade.
d) Oferecer a própria vida, na esperança de ser considerado um mártir de uma nova religão do deus Urso.
e) Convidar o urso para ser seu par romântico na próxima novela da Globo, abraçá-lo e tirar uma foto come ele para postar no Insta.

(Resposta: questão anulada.)

20.

"O uso de animais em laboratório é imprescindível. Não é questão de ser a favor ou contra. (...) Chega um momento em que é imprescindível, porque você não pode testar diretamente no humano. (...) O que foi feito na invasão do Instituto Royal realmente é um ato insano. (...) O Vital Brazil seria enforcado. Porque ele sacrificou serpente. Ele tinha que ver onde tinha a glândula que produzia o veneno. (...) Os beagles são animais com pouca diversidade genética, então isso facilita você ver realmente a influência de fatores ambientais. (...) Então esses animais, por serem mais homogêneos, eles são importantes nesses estudos. Isso é feito mundialmente. É a raça de cão mais adequada. Isso em termos de mamífero superior; mas a base de todo o estudo você faz com camundongo, você faz com ratos. E só na última etapa você vai usar um cão, um cavalo. (...) É imprescindível isso para que a humanidade cresça. É o sentido social do trabalho que a gente faz. (...) Eles (do Royal) estavam estudando uma molécula contra o câncer. Ora, isso é feito pra quê? Isso é feito para uso humano. Você destrói, você perde a chance de acrescentar para a humanidade alguma coisa, algum valor. Isso é muito mais do que simplesmente levar o cachorro do canil. Você leva o conhecimento." (Osvaldo Augusto Brazil Esteves Sant'Anna, bisneto de Vital Brazil e pesquisador do Instituto Butantan)



21.

"Se paramos de abater animais para alimento, eles vão proliferar até tornar a vida humana inviável no planeta. Então teremos de matá-los para fins de 'controle populacional', como aliás já se faz com seres humanos. Isso é problema, não solução. Como opção pessoal, o vegetarianismo pode ser legítimo, mas como programa obrigatório para toda a humanidade é um puerilismo criminoso. Um ano de proibição de matar lobos em Montana bastou para que se transformassem numa ameaça temível. Multipliquem isso por milhares de espécies animais e vejam o resultado." (Olavo de Carvalho)

22.

"Se, forçados a abater um animal, seja para comer, seja para qualquer outro fim necessário, os homens o fizessem com respeito, compunção, gratidão e veneração, compreendendo que a situação é imposta a eles e à sua vítima pelo pecado original, esse debate jamais teria surgido. É a industrialização fria do sacrifício que torna as coisas mais horríveis do que realmente são. Na nossa sociedade, no entanto, o senso do sacrifício universal se perdeu por completo, sendo substituído por uma patacoada naturista-sentimentalista-ocultista de uma imbecilidade sem par." (Olavo de Carvalho)

E não há dúvida de que esta imbecilidade - a única da qual eu debochei nessas notas - chegou a níveis estratosféricos nas últimas semanas.

23.

Se não é preciso questionar os procedimentos do Instituto Royal? Ora, claro que sim! É preciso questionar o procedimento de todo e qualquer cientista em cada caso concreto. Mas questionar não é difamar, nem depredar, nem assaltar, nem impor. Debochar, por exemplo, já é bem melhor. Pena que os ativistas - e há muitos tipos deles, é claro (nem todos são Luisa Mell; e nem todos são apologistas do crime, ou vegetarianos, ou abortistas etc.) - estouraram minha cota de deboche nesse episódio. Mas Diogo Mainardi, como de hábito, deu conta do recado:

"Royal é nome de gelatina, não de laboratório que descobre a cura para o câncer."

"A única contribuição brasileira para a ciência foi a espada-de-São-Jorge para espantar o olho gordo."

24.

Se toda esta discussão servir para incutir algum senso de sacrifício em ativistas e um sentimento mais profundo de piedade em cientistas, pode até ser que ela tenha valido para alguma coisa. Mas a primeira parte, dada a amostra de ativistas colhida, soa quase utópica.

25.

Vejamos agora o meu cursinho de Senso de Sacrifício em forma de Quiz:



QUESTÃO: Dois aviões sequestrados por terroristas são atirados contra as duas maiores torres comerciais de Nova York, que desabam logo em seguida, matando provavelmente milhares de trabalhadores. Um terceiro avião sequestrado está a caminho da cidade. Se você, atual presidente do EUA, eleito graças à sua luta pelo direito dos animais, der a ordem para que as forças aéreas do país o abatam, serão mortos 36 passageiros beagles, além dos quatro sequestradores humanos. Se não mandar, esses 40 poderão morrer do mesmo jeito, levando com eles outras milhares de pessoas (e possivelmente beagles) em terra - e você terá de viver sabendo que poderia ter escolhido o mal menor e salvado vidas. Você pode até tentar informar aos beagles-passageiros (ou torcer para que percebam) que a única chance deles é morder e neutralizar os sequestradores por conta própria nos próximos minutos. Mas passado esse limite de tolerância, se o avião seguir voando sequestrado em direção à cidade, você terá de escolher entre abatê-lo ou não, já que não há tecnologia disponível para eliminar apenas os sequestradores, nem para garantir que o mal maior não vai ocorrer em terra. O que você faz?

a) Uma oração para Nossa Senhora dos Beagles, que resolve qualquer parada.
b) Absolutamente nada, porque a esperança de que os beagles-passageiros neutralizem os sequestradores humanos e pousem o avião no aeroporto John Beagle Kennedy é a última que morre.
c) Dá a ordem para abater o famigerado United Beagle 93, com muita dor no coração, mesmo sabendo o quão difícil será explicar ao seu eleitorado ativista que você não queria correr o risco de que mais beagles eventualmente morressem em terra junto com os humanos.
d) Você simula um infarto e, longe das câmeras, começa a redigir o discurso em que atribui a culpa do atentado aos cruéis republicanos, inimigos dos animais.
e) Você pede pra sair.

Responda rápido, porque o avião está entrando no perímetro urbano.

26.

'Gentileza gera gentileza' somente entre pessoas boas, saudáveis e normais. Entre elas e os histéricos ou psicopatas, muitos dos quais repetem chavões fofinhos como este justamente para que ninguém os desmascare, gentileza pode gerar somente safadeza. Cresçam, crianças. E prefiram Rocky Balboa: 'The world ain't all sunshine and rainbows.'

Um comentário:

  1. Notas 'matadoras' e 'sanguinolentas', tio pim! (*Não recomendado para as pessoinhas lindas e 'magavilhosas' da flora intestinal revolucionária).


    A cachorrada aqui do quintal aplaudiu de pé e ainda dando a patinha!


    Tio Pim cada vez mais 'prosaicamente implacável' na sua erudição. Nos brindando com as analogias suPIMpas de costume. Tá terrível esse menino.


    Fruto do 'Mínimo', ora porra!



    "Cresçam, crianças. E prefiram Rocky Balboa"


    Sô mais o Chuck Norris...
    O Rocky fala demais. |¬)



    Abs aí pra ti... E laaarga o aço (!) nessa fauna revolucionária que se tornou a praga desse mundo.

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