quarta-feira, 30 de outubro de 2013

O 'grito de liberdade' aos Black Blocs e de censura aos biógrafos

Minhas notas recentes no facebook.

1.

Black blocs de bandeira e tudo acabam de dar uns gritos de guerra contra a Rede Globo em frente à sede da emissora no Jardim Botânico. Cantaram "Poder para o povo!" e "A verdade é dura / A Globo apoiou a ditadura!", e seguiram caminhando pelo meio da rua principal do bairro, praticamente escoltados por policiais, como se fechar a rua fosse mesmo um 'direito do povo' poderoso. Pensei em ir ali no meio e cantar: "A verdade é um choque / A Globo sempre apoia Black Bloc", mas preferi comer meu lanche.

2.

ANGELO HENRIQUE: Eu não entendo como a Globo é alvo desses caras [Black Blocs] e fica pagando pau pra eles.

FELIPE MOURA BRASIL: É simples, Angelo Henrique: além dos covardes de sempre, há militantes parasitários dentro da Globo que obedecem ao mesmo comando dos militantes radicais que vociferam contra ela desde fora. Basta trocar o amor pelo ódio naquele bom e velho samba do Nelson Sargento e temos o retrato perfeito da estratégia revolucionária do "Falso ódio sincero": "O nosso ódio é tão bonito / Você finge que me odeia e eu finjo que acredito."

3.

Falar em "manifestação pacífica (de Black Blocs/MPL) que termina em vandalismo" é como falar em "sexo pacífico (de sadomasoquistas) que termina em violência". Só os virgens de língua caem de quatro nessa história.

4.

Dilma Rousseff: "Presto minha solidariedade ao coronel da PM Reynaldo Simões Rossi, agredido covardemente ontem por um grupo de black blocs em SP."

Como antecipou Olavo de Carvalho em junho: "Será, pela milésima vez, a revolução lucrando com a denúncia de seus próprios crimes."

https://www.facebook.com/ominimoquevoceprecisasaberparanaoserumidiota

5.

Trecho de "Fogo petista", versão de Felipe Moura Brasil de "Águas de março" [http://letras.mus.br/tom-jobim/49022/]:

É Black, é Bloc, é o PT no caminho
É o caos planejado, é o fogo amiguinho
É a quebra do vidro, é mais um... coquetel
É agência bancária, é surra até em coronel

É um braço do Foro, é guerrilha urbana
José... Dirceu... black bloc bacana
É o Estado crescendo, cheio de mensaleiro
Mídia ninja fingindo... que isto é ser brasileiro

É a rua fechada, é o fim do trabalho
É polícia de quatro, é o Gilberto Carvalho
É a mídia afagando, é conversa rasteira
Das trevas da Globo, é mais uma parceira

É a Dilma, é o Lula, é a marcha do crime
Barricadas no chão, todos do mesmo time...
É um tributo a Fidel, é um apoio ao Irã
É o MPL, é o Brasil de amanhã...

São revolucionários fazendo um Cubão
É a certeza de morte da população...

http://felipemourabrasil.com.br/

6.

Suzana Singer, a ombudsman da Folha que chamou Reinaldo Azevedo de cachorro após a primeira coluna dele no jornal, defendendo ao mesmo tempo que se assegure "um bom nível de conversa", já pode montar um cursinho de argumentação esquerdista com Renato Janine Ribeiro, o professor de ética(!) que usou o Facebook para dizer que o 1º lugar na Amazon do best seller de Olavo de Carvalho organizado por mim era a prova de que a inovação tecnológica convive com o retardamento mental.

A monitoria prática ficaria por conta dos "estudantes" que impediram na Bahia as mesas-redondas com o sociólogo Demétrio Magnoli e o filósofo Luiz Felipe Pondé; e as incrições seriam feitas no federalíssimo site Brasil 171, conhecido pelos incautos como 247, embora talvez mude para 178, em homenagem aos beagles raptados do Instituto Royal e agora vítimas de evidente racismo ante a contratação do "rottweiler" Reinaldo pela Folha.

Claro que ninguém precisa fazer esse curso para aprender a xingar "reacionários" de cachorros e retardados sem ler nem refutar seus textos e a mostrar todo o seu amor à liberdade de expressão e à divergência tentando calá-los; para isso, basta respirar no país do "marxismo atmosférico", como dizia Nelson Rodrigues muito antes das agravantes fotossínteses de Janine, Singer e ENEM.

Em todo caso, diante do sucesso editorial e internético da famigerada direita, aquela que representa os valores da maioria relativa da população brasileira, ainda que lhes falte representação política [8], talvez seja mesmo a hora de jornalistas e intelectuais esquerdistas (sic) capricharem no argumento "black bloc" com intensivos extras, antes que o ar marxista fique rarefeito demais.

#Ficaadica

7.

Os 'presos políticos' a que se refere Marcos Palmeira no vídeo de entretenimento intelectual dos globais só podem ser os beagles.

8.

Li a carta dos colegas de faculdade (não identificados) de Paulo Henrique Santiago dos Santos - um dos rapazes que ESPANCARAM o coronel Reynaldo Simões Rossi na sexta-feira - e fiquei na dúvida: os colegas são os artistas da Globo?

a)

Olhem esse trecho da carta: “É preciso questionar por que tantos jovens, provenientes de diversas experiências, lugares e estratos sociais estão cada vez mais se dispondo a enfrentar a polícia em manifestações”.

Olhem agora um trecho da atriz Leandra Leal no vídeo "Grito da libertade": "Se o Estado tivesse preocupado em desenvolver políticas públicas em diálogo com a população. Se estivesse preocupado em entender o que está por trás dessas manifestações, quais são as pautas, a gente agora não estaria vivendo esse momento de violência."

b)

Olhem mais este trecho da carta: “Os moderados falam em negociação. Mas pergunta-se: Como se negocia quando uma das partes possui uma arma, mais ou menos letal? Como qualquer pessoa que não tenha sangue de barata ficaria diante de pessoas sendo espancadas, chutadas?”

Olhem agora um trecho de Camila Pitanga: "Como poder afirmar esse desejo de mudança sem cair na violência? Como respeitar e legitimar a necessidade das pessoas terem voz sem a criminalização?"

c)

Carta: "Paulo não é adepto da tática Black Bloc, não integra o MPL, tampouco pertence ou participa de partidos ou qualquer grupo político organizado. Ele não é um homicida e não participa de quadrilha que objetiva matar policiais."

Guta Stresser: "Não pode ser de maneira nenhuma tratado como um grupo de criminosos."

d)

Carta: "O que sabemos é que ele não deveria estar preso."

Marcos Palmeira: "Vamos acabar com isso, vamos anistiar esses presos políticos."

Pois é. Vai ver os artistas da Globo também estudaram na mesma faculdade de espancamento mental do espancador do coronel Reynaldo (coronel este que foi o único sujeito espancado no caso). Com a diferença de que os artistas se especializaram em oferecer a retaguarda teórica para a ação prática do espancador.

Parabéns, pessoal. O "grito da liberdade" agora é #vemprolinchamento. Mais um "momento histórico", sem dúvida.

9.

ROMÁRIO, ao postar uma foto com LULA no Instagram, fazendo elogios ao "Chefe" do Mensalão (não, ele não usou essas palavras), mostra que também merece uma vaga no time dos artistas da Globo.

10.

Traduzo a entrevista de Roberto Carlos ao Fantástico: "Sou a favor do projeto de lei que permite a publicação de biografias não autorizadas, desde que... Bem, desde que elas sejam autorizadas."

Não é maravilhoso? O robertocarlês é uma mistura de caetanês com buarquês. Já está merecendo, também, uma coluna no Globo.

11.

Você não achou que Gilberto Gil, Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Caetano Veloso, Chico Buarque e Paula Lavigne fariam deste novo vídeo do Procure Saber [com a participação somente dos três primeiros] uma confissão de que não procuraram saber coisa nenhuma, lutaram pela censura prévia de biografias, reivindicaram o pagamento aos biografados, atentaram contra a liberdade de expressão e informação e também contra todo um gênero literário, causando uma discussão que virou motivo de piada para qualquer habitante letrado de um país democrático, e que agora eles pediriam desculpas a biógrafos, editores, fãs e sociedade por tamanha demonstração de imaturidade e vaidade, tamanho vexame histérico agravado ainda pelo fato de que sequer existe uma fila de autores interessados em narrar suas vidinhas em livros, não é mesmo?

Espero que não, se você é letrado. Eles naturalmente tinham de mostrar como são lindos, leves, sinceros, corajosos, cheios de emoções, sentimentos, amor pelo próximo; como se julgam no dever de "preservar a todos os que de alguma maneira não têm, como nós temos, o acesso à mídia, ao Judiciário, aos formadores de opinião"... Puxa vida, fico até emocionado: que pessoas maravilhosas!, quanta solidariedade!, nada mais nobre do que lutar pela censura em nome do povo... Mas não, eles não queriam a censura, claro, nunca quiseram, é um nome feio, pega mal, embora na prática a tenham exigido, mas no Brasil a prática é o que menos importa, o que importa é o sentimento que será demonstrado na hora da propaganda com palavras que nada significam.

Sim: eles podem ter exagerado em algum momento, sabe como é, que pessoas lindas e maravilhosas não exageram quando estão tentando salvar todas as outras, não é mesmo? Eles não negam: "Não negamos que esta vontade de evitar a exposição da intimidade, da nossa dor, ou da dor dos que nos são caros, em dado momento nos tenha levado a assumir uma posição mais radical" - e eis aí o limite do 'mea culpa' forjado: a não negação de algum exagero inevitável e, no fim das contas, até meritoso em meio à sofrida batalha pelo bem-estar geral. "Mas..."

Mas eles sabem usar a palavra direito um monte de vezes para exigir um monte de garantias que só a censura prévia poderia dar.

Tendo perdido de lavada a batalha racional, resta a estes senhores fingir que não tentaram fazer o que tentaram e continuar tentando a mesma coisa com um apelo sentimental ao Judiciário, o qual ao menos mostre aos incautos como eles têm um bom coração e que "foi por acreditar que este debate seria melhor com a participação de toda a sociedade" que se juntaram.

O ápice do vídeo é o arremate final: "Só queremos o que a Constituição já nos garante, o direito de nos defender e de nos preservar", diz Gilberto Gil. "Não queremos calar ninguém. Mas queremos que nos ouçam", completa Roberto Carlos, o homem que moveu processo contra seu biógrafo até na Vara Criminal.

Paulo César Araújo sabe como ninguém que o direito de se preservar do "Rei" é exatamente o direito de calar quem lhe desagrada, mesmo que este não tenha cometido crime algum.

Espero que ninguém jamais tente calar Roberto Carlos, Chico, Caetano, nem os outros do Procure Saber. Quantos mais eles falam, escrevem e postam vídeos, mais eles mostram quem são.

12.

Traduzo o vídeo de Roberto, Erasmo e Gil:

"Censores? Nós? Imagine. A censura está nos olhos de quem proibimos de publicar e de quem impedimos de saber."

13.

Quando chegamos ao ponto de discutir o uso de animais em testes de vacinas e medicamentos, a legalidade de biografias não autorizadas e a legitimidade de atos de violência contra policiais, o que nos resta esperar do debate público nacional senão que os animais exijam dinheiro de seus biógrafos para incluir o episódio do ataque aos homens da carrocinha?

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