Futebol

Última atualização em 03 de março de 2013.
Texto: O craque de um toque só. [LEIA APÓS O ÍNDICE.]

"A função do escritor no Brasil é manter a sobriedade em meio à histeria." (Juveninho)

Eis uma seleção de artigos e comentários de Felipe Moura Brasil, o "Minority Report" da bola, prevendo os crimes contra o futebol antes de cada campeonato, de cada jogo, e de cada lance. Incluindo: a saborosa cobertura da Copa do Mundo 2010, com o clássico "Vitória do Brasil é pior para o futebol", e a comparação do atual Barça com os times brasileiros, em O Brasil à luz do Barcelona.

NOTA DO PIM: O índice de textos está logo abaixo do documentário a seguir, que permanecerá no alto desta página por tempo indeterminado.


O MELHOR FILME BRASILEIRO DE TODOS OS TEMPOS
O Ano Rubro-Negro (1981)




Leia abaixo [índice]:

ZICO 60 ANOS

O craque de um toque só

NEYMAR 2013

Neymar e as consequências de uma escolha

CAMPEONATO BRASILEIRO 2012 

Ídolos de província [Fluminense tetracampeão] 

FLAMENGO 2012 

Por onde Ronaldinho deve sair

LIBERTADORES 2012

A eliminação de Fluminense e Vasco [Flu 1 x 1 Boca / Corinthians 1 x 0 Vasco]

LIGA DOS CAMPEÕES 2012 (UEFA)

Di Matteo não é brasileiro [Chelsea 2 x 2 Barcelona]

FLAMENGO 2012

Ronaldinho, o jogador-notícia [Patrícia Amorim x Luxemburgo] 
Crise na Gávea [Luxemburgo x Ronaldinho]

MUNDIAL DE CLUBES 2011

O Brasil à luz do Barcelona [Barça 4 x 0 Santos]

CAMPEONATO BRASILEIRO 2011 

Obrigado, Vasco!
A pelada como ela é [Santos 4 x 5 Flamengo]
O cabelo de Diego Maurício resume o futebol brasileiro [Palmeiras 0 x 0 Flamengo]

COPA AMÉRICA 2011

O Brasil europeu de Maicon [Brasil 4 x 2 Equador]

FLAMENGO 2011 [Estadual + Copa do Brasil]

A imaturidade do Flamengo
[Ceará 2 x 2 Flamengo]
O Flamengo da Vila Belmiro [Flamengo 3 x 0 Horizonte; Santos 1 x 0 América do México]
A vitória da mediocridade [Flamengo 1 x 1 Fluminense]
A estreia de Ronaldinho Gaúcho [Flamengo 1 x 0 Nova Iguaçu]

COPA DO MUNDO 2010 - Artigos

Palmadas holandesas [Holanda 2 x 1 Brasil] 
Vitória do Brasil é pior para o futebol 
A Copa começa contra a Holanda [Brasil 3 x 0 Chile] 
Em time de cego, Kaká-olho é rei [Brasil 0 x 0 Portugal] 
Viva o deboche 
A seleção Stallone [Brasil 3 x 1 Costa do Marfim]
A inversão do futebol [Brasil 2 x 1 Coreia do Norte]
Contra o talento [A convocação de Dunga]

FLAMENGO 2010

O balé de Montillo [Universidad 2 x 1 Flamengo] 


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O craque de um toque só

[Publicado originalmente no facebook - aqui.]

"A simplicidade", dizia Schopenhauer, "sempre foi uma marca não só da verdade, mas também do gênio".

Todo pensador autêntico, segundo o filósofo alemão, se esforça para dar a seus pensamentos a expressão mais pura, clara, segura e concisa possível.

É assim na filosofia e na arte. É assim também no esporte.

Aqueles que hoje se deslumbram com os malabarismos de Messi, Neymar e companhia nunca entenderão o futebol de Zico - a rigor, o único precursor de Zidane. Mas eu explico, mais uma vez: o que eles fazem (ou tentam fazer) com 15 toques na bola, Zico sempre fez com um só.

Um pensador de fato autêntico, que, como Michelangelo diante da pedra, se esforçava apenas para tirar-lhe o excesso. Cada domínio de bola de Zico era, no mínimo, um drible. Cada drible, um passe. Cada passe, um lançamento. Cada lançamento, uma cobrança de falta. Cada falta, um gol.

Ele estava uma, duas, três, mil etapas à frente dos demais, porque jamais quis chamar a atenção do público para si, mas apenas escrever cada lance da maneira mais pura, clara, segura e concisa possível, dispensando todos os artifícios com que os menos talentosos fingem sê-lo.

E é por este fator, condensador de suas muitas virtudes, que seu exemplo transcende o futebol, o esporte e a arte, para não apenas servir de parâmetro e inspiração para os homens de qualquer torcida, lugar e época, mas para engrandecê-los pelo encanto de sua genial simplicidade.

A estátua erguida na Gávea em homenagem aos seus 60 anos não poderia representar melhor o espírito do Galo.

No momento da glória, afinal, nada mais simples do que correr para o abraço.

Obrigado, Zico, por sempre dividi-la com a gente.

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Nota de rodapé:

Zico, cobrador oficial da seleção brasileira, perdeu o pênalti contra a França na quarta-de-final da Copa do Mundo de 1986 quando tinha acabado de entrar em campo; mas, na disputa que se sucedeu à prorrogação, já no ritmo do jogo, teve a coragem e o talento para bater e converter o seu.

O Brasil será um país de pessoas mais maduras - e menos invejosas - no dia que elas finalmente deixarem suas paixões de lado e reconhecerem o óbvio: até no momento do maior fracasso, Zico deu um exemplo de grandeza humana que nenhum título mundial jamais poderia dar.

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Felipe Moura Brasil é autor do Blog do Pim e só fala bem de quem merece.


Neymar e as consequências de uma escolha [Inglaterra 2 x 1 Brasil]

Nota de Felipe Moura Brasil, em 06/02/2013

Esclareço, pela enésima vez, aos deslumbrados:

O Neymar do Santos e o Neymar da seleção são o mesmo jogador. Ótimo contra zagueiros de várzea, medíocre contra marcadores de verdade. Ou seja: medíocre.

Podia ser melhor? Talvez. Mas escolheu ficar no Brasil. Escolheu ser um ídolo de província [http://www.facebook.com/felipe.m.brasil/posts/10151363485141874]. E a consequência é esta aí.

Simples assim. Não há talento desenvolvido por milagre, posto que milagre é já o talento.


Ídolos de província

[Publicado originalmente no facebook - aqui - em 12 de novembro de 2012]

Se as defesas de Espanha, Holanda e Alemanha fossem iguais à do Palmeiras [ou do Flamengo, ok], eu também veria no ataque do Fluminense uma nova Era para o futebol brasileiro e em Fred um novo Bebeto, um novo Romário.

Mas a falta de cobertura, de responsabilidade, de solidariedade, de inteligência,
de técnica de desarme - de tudo, enfim, que seria necessário para evitar o gol do adversário -, é o fator mais característico e cômico do nosso futebol, que há pelo menos 10 anos nada mais faz senão fabricar ídolos de província, tanto mais criadores de uma ilusão coletiva em relação a sua deles excepcionalidade (desfeita de 4 em 4 anos para surpresa dos provincianos) quanto mais especializados em furar defesas furadas.

Agora que a publicidade garante suas fortunas em território nacional, onde têm também garantida a bajulação da mídia, da torcida e da mulherada, bem como a tolerância com seus excessos alcoólicos e demais fanfarrices, muitos já não veem sequer motivo para arriscar a sorte na Europa, onde tantos falharam em meio a um futebol de verdade.

É o desafio pessoal reprimido em favor da segurança, do comodismo e da esbórnia brasileira, sempre com o incentivo de boa parte dos nossos jornalistas. Basta o jogador declarar amor ao clube e ao país, e pronto: transmuta-se a covardia em desapego material, o abandono dos ideais em gesto nobre de maturidade, a opção pela mediocridade em fidelidade à família, aos amigos, à torcida... à pátria! - aquela mesma que sempre decepcionam quando ela mais precisa de seus talentos desenvolvidos.

No mesmo dia em que o Fluminense ganhou o tetracampeonato brasileiro, Pelé pediu a Neymar, no Domingão do Faustão, que ficasse por aqui com a gente, "entende"? Mas que o maior jogador de todos os tempos (depois de Zico, claro) ficasse por aqui quando ainda existia futebol é coisa bem diversa de Neymar ficar pedalando nas Avenidas Brasil de times "grandes" (ou "enormes") de várzea.

O Brasil, até pouco tempo atrás, era apenas o asilo para ex-ídolos - nacionais e internacionais - já incapazes de acompanhar a qualidade e o ritmo europeus, seja pela idade, pela vida desregrada, ou pelos dois. Mas, como tudo que é Brasil sempre pode piorar, hoje qualquer jogador razoável, de qualquer idade, está satisfeitíssimo em fazer sucesso no asilo - exatamente como o playboy que pega 5 coroas no Baile das Encalhadas e acha que está abalando.

Um país que corrompe assim seus ideais de grandeza será, quando muito, um país de pernas-de-pau.

Um país, enfim, onde até o Fluminense é tetracampeão.

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Felipe Moura Brasil é autor do Blog do Pim e adora recolocar as coisas nos seus devidos lugares.

Por onde Ronaldinho deve sair
por Felipe Moura Brasil (Pim) - Quinta-feira, 31 de Maio de 2012, às 17:22

Espero que o Flamengo pague o que deve a Ronaldinho Gaúcho, e nunca mais o permita no clube, como jamais devia ter permitido.

O maior prejuízo que este sujeito deixa está muito longe de ser o financeiro (ainda que de R$ 40 milhões, como cobra na Justiça).

É, sim, o exemplo de estrelismo, irresponsabilidade, irritabilidade, fanfarrice, mercenarismo, desinteresse pelo futebol e pela busca da perfeição, maquiagem da própria decadência, além daquele cinismo evidente até em suas comemorações forçadas de gol.

Dentro de campo, o que mais fez foi dar as costas aos adversários, parando as jogadas e protegendo a bola até perdê-la. Fora de campo, deu as costas à moral e à tradição rubro-negra, competindo apenas com a atual Diretoria para ver quem segue o caminho mais oposto ao ideal que Zico representa - e sempre representará.

Ronaldinho desde o primeiro dia foi uma fraude completa, que só o deslumbramento bocó da imprensa e da torcida podia aplaudir.

Até pouco tempo atrás, ele esperava "sair pela porta da frente" do clube - mas a verdade é que nem a porta dos fundos lhe é digna.

Assim como Lula, que agora tenta melar o julgamento do mensalão, Ronaldinho deveria é sair pelo fundo da privada, muito embora uma descarga seja insuficiente para arrastar consigo todo o seu legado.

Para respirar aliviado, o Flamengo pós-Ronaldinho - assim como o Brasil pós-Lula - ainda precisará de muitos anos de desinfetante.

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Felipe Moura Brasil é autor do Blog do Pim e foi talvez o único a apontar a farsa desde o começo - AQUI.


A eliminação de Fluminense e Vasco
por Felipe Moura Brasil (Pim) - Quarta-feira, 23 de Maio de 2012, às 23:59

Enquanto o atacante Drogba, do Chelsea, volta até a área para roubar bola no fim dos jogos, Fluminense e Vasco são eliminados quase aos 45' do 2º tempo, em momentos de sono coletivo dos times, em que cada jogador espera que o outro marque por ele. É a diferença básica - e colossal - do futebol europeu para o brasileiro, sobretudo o carioca: o senso de responsabilidade. 

[PS: E esta bola, como tantas outras, eu já tinha cantado aqui [ver pós-escrito do texto abaixo].


Di Matteo não é brasileiro
por Felipe Moura Brasil (Pim) - Quarta-feira, 25 de Abril de 2012, às 10:27

"Retranca" no futebol é como "educação" na cultura: uma síntese que todo mundo usa, com a maior autoridade, pensando ter explicado tudo. Por que o time ganhou? Porque armou uma retranca. Por que perdeu? Porque armou uma retranca. Times ganham, perdem e, sobretudo, arrancam empates porque armam retrancas, assim como países são mais ou menos civilizados "por causa da educação". Mas e daí? Que las hay, las hay. A questão é: por que diabos são boas ou ruins? Burras ou inteligentes? Necessárias ou covardes? Feias ou bonitas?

No Brasil, todo mundo reclama de retranca. É coisa de Zagallo, de Lazaroni, de Dunga, de Joel. Algo compreensível, até: nossas retrancas, normalmente, são uns desastres. Ruins, burras, feias e covardes. Mas daí a achar que todas são como as nossas é puro provincianismo futebolístico. Real Madri e Chelsea aprenderam a jogar contra o Barcelona porque: 1) reconheceram sua superioridade ofensiva, o que, ao contrário do que se pensa, não significa superioridade total; 2) armaram retrancas boas, inteligentes, necessárias e bonitas.

Isso mesmo: bonitas. Há beleza na humildade, no desarme e na cobertura. Há beleza em blocos compactos impedindo craques de serem craques. Há beleza em contra-ataques precisos.

As três entradas de Lampard em Fábregas, além da joelhada por trás e fora do lance de Terry em Alexis Sánchez, que resultou em expulsão, foram lamentáveis, é verdade, mas não apagaram o show de desarme e cobertura do Chelsea de Di Matteo. Uma marcação coletiva inconcebível para o futebol brasileiro, com três, às vezes quatro jogadores cercando Messi quando a bola lhe chegava aos pés. É assim que se marca um bom e veloz driblador: com gente próxima na retaguarda, impedindo os dribles espaçados em fila. O grau de atenção, solicitude, técnica e preparo físico necessário para fazer isso, sem deixar tão livres Xavi, Iniesta e os demais, não é para um time qualquer. É para um time de defensores obstinados e inteligentes, orientados a ocupar os espaços certos.

Se, dentro de campo, existe algum sentido na palavra "comprometimento", tão repetida no Brasil dunguista, é justamente o da responsabilidade individual que cada jogador assume de desempenhar a sua função, incluindo as duas tarefas mais renegadas cá no país dos sonsos: cobrir os companheiros e oferecer-lhes alternativas quando estão com a bola. O Chelsea falhou duas vezes na primeira parte, deixando a zaga no mano-a-mano, e levou dois gols (Busquets e Iniesta) do Barça, o time mais "comprometido" do mundo com a segunda. Em compensação, Ramires - esta exceção nacional - arrancou da cabeça-de-área para o ataque, recebeu belo passe de Lampard e fez um golaço por cobertura antes do intervalo, mostrando que retranca boa também tem alternativas ofensivas.

Como chamar de medíocre ou covarde um treinador que, mesmo sob enorme pressão, com um jogador a menos, substitui um atacante por outro (o marfinense Drogba pelo espanhol Fernando Torres), em vez de reforçar a zaga, como queria Galvão Bueno e como faria qualquer Joel Santana? O pênalti batido por Messi no travessão parece ter apenas renovado a confiança de Di Matteo na extraordinária capacidade defensiva de seu time. Sabendo que Torres (como Drogba) não é um típico atacante brasileiro incapaz de marcar, o treinador confiou nele para dar o primeiro combate, mantendo ainda a possibilidade de gol em contra-ataque rápido, o que acabou de fato acontecendo, com drible no goleiro e tudo, para calar a boca do Galvão, como ele mesmo foi obrigado a admitir.

Aqui é assim: nossos zagueiros são tão ruins, e nossos atacantes tão mimados, que, na hora do sufoco, queremos sempre mais um zagueiro, para compensar em quantidade - ou violência - a falta de consistência geral.

A derrota do Barça para o Chelsea (no placar "agregado") na Liga dos Campeões, assim como para o Real Madri no Campeonato Espanhol, não foi "o triunfo da mediocridade", não, como afirmou Reinaldo Azevedo. Foi, com muita categoria, o triunfo da inteligência obstinada sobre o talento criativo, o que é sempre fundamental para a evolução deste último, desde que não sucumba às lições enviesadas daqueles que se valem do fracasso dos bons para impor a necessidade da sua grosseria (como aconteceu após a eliminação da seleção brasileira da Copa de 1982, embora ela não fosse tão boa quanto se diz. Ver meu artigo: "O Brasil à luz do Barcelona").

O futebol europeu tende a se nivelar por cima, ao contrário do nosso, no qual a disputa diária, hoje, como em toda a "cultura" verde-amarela, é pela taça da baixaria: vale tudo para ver quem é mais grosseiro, sonso, fanfarrão, mercenário e desinteressado de ser e jogar melhor. E quanto mais o futebolês deslumbrado da imprensa encobre essa realidade com expressões vagas ou vazias de sentido (eu nunca vi, por exemplo, um "volume de jogo" meter um golaço), menos conscientes ficam os torcedores, treinadores e jogadores, cada vez menos capazes de entender o que está acontecendo e mais sujeitos a engodos e decepções profundas, a despeito dos indícios mais óbvios, como era o caso de Ronaldinho Gaúcho. (Renato Maurício Prado escreveu "quem diria", ao que devo responder: eu não diria, ora; eu disse.)

A pior de todas as retrancas é sempre a literária, porque entorpece a vida mental de todo mundo.

Para a sorte do Chelsea, e para o bem do futebol, Di Matteo não é brasileiro.

*****

Pós-escrito das 18:40: Kaká entrou no fim, errou tudo como de hábito, perdeu pênalti, e o Real Madri foi eliminado da Liga dos Campeões pelo Bayern (que fará a final contra o Chelsea). Mas, por enquanto, eu ainda admiro Kaká em um ponto: ele fica no banco, passa vergonha, mas não volta para o futebol brasileiro.

Pós-escrito de 5 de maio: O Chelsea de Di Matteo é campeão da Copa da Inglaterra, após derrotar o Liverpool por 2 a 1. A propósito, comento: quando vejo um atacante como Drogba roubando a bola na lateral-direita aos 48 minutos do segundo tempo, penso como é pequeno o futebol brasileiro.

Pós-escrito de 19 de maio: O Chelsea, mesmo sem Ramires, aguentou a pressão do Bayern, em Munique, e conquistou nos pênaltis a Liga dos Campeões. Mais um triunfo da inteligência. A glória - merecida - de Di Matteo.


Ronaldinho, o jogador-notícia
por Felipe Moura Brasil (Pim) - Segunda-feira, 30 de Janeiro de 2012, às 14:06

[Publicado originalmente no facebook - aqui]

O discurso de Patrícia Amorim sobre Ronaldinho é o símbolo desta Era em que o talento deu lugar ao marketing e a busca da perfeição à mediocridade mercenária, sempre com a chancela deslumbrada da imprensa, do povo, da torcida.

Hoje, o conteúdo (jogar futebol, no caso) é o de menos. Importante é ser "notícia". (Importante é receber visita de presidente cocaleiro na Bolívia.) Se "o que segura treinador é resultado", como ela afirmou sobre Luxemburgo na mesma entrevista, o que segura Ronaldinho é algo muito acima disso: o resultado financeiro, claro.

Neste caso, pelo menos, não se pode negar a sinceridade de Patrícia:

"Ronaldinho é isso que todos vimos. Ele é notícia e leva o nome do Flamengo a todos os cantos do mundo. Basta ver que o presidente da Bolívia foi ao hotel onde o Flamengo estava hospedado em Sucre para homenagear Ronaldinho. Nós já somos o time de maior torcida, o mais querido do Brasil e isso só eleva ainda mais o nome do Flamengo no cenário internacional."

Em outras palavras: à estrela, hoje, basta a fama. O resto, quando muito, é função de subalternos.


Crise na Gávea
por Felipe Moura Brasil (Pim) - Quarta-feira, 18 de Janeiro de 2012, às 16:09

[Publicado originalmente no facebook - aqui]

Ronaldinho e Luxemburgo estão em guerra? Ótimo! Que vão embora os dois, junto com Thiago Neves. E se puderem levar a Patricia Amorim, melhor ainda.

Só existe um indivíduo sério na Gávea hoje: chama-se Darío Botinelli. O único interessado em treinar, melhorar e jogar. Não por acaso, um argentino. Precisamos de estrangeiros para resgatar o nosso futebol.

Assistir ao filme "O Ano Rubro-Negro (1981)" e ao Flamengo atual é como ver o Brasil internacional de Tom Jobim e este de Michel Teló.

O Flamengo, como a cultura brasileira, virou um espetáculo deprimente ("bigbrotheriano", eu diria), em que o talento deu lugar ao marketing, a beleza à vulgaridade, a busca da perfeição à mediocridade mercenária.

Zico não quer mais saber do Flamengo, e eis aí mais uma aula do Galo. Torcer por um time de pilantras já não é amor cego pelas cores de um clube; é cumplicidade criminosa ante a sua falência moral e futebolística.



O Brasil à luz do Barcelona
por Felipe Moura Brasil (Pim) - Terça-feira, 20 de Dezembro de 2011, às 12:18

"(...) Contra times de várzea, esse futebol infantilizado não raro soa bonitinho, fofo, alegre - e até moleque. Mas a verdadeira molecagem precisa daquele estofo (...) do qual possa emergir de repente causando a sua graça. Sozinha, (...) ela é só uma bundinha teen à espera de palmadas adultas.
 

As da Holanda – lamento dizer -, chegaram em boa hora."

Sim. Isto foi o que escrevi no artigo "Palmadas holandesas", logo após a eliminação do Brasil na Copa de 2010. Troque Holanda por Barcelona, e temos agora a bundinha teen dos "meninos da Vila" levando palmadas espanholas: 4 a 0 na final do Mundial de Clubes, com mais de 70% da posse de bola. O que mudou de quase 2 anos pra cá? Nada. O que mudará até a Copa de 2014? Nada.

O motivo é simples: o Brasil sempre tira as lições erradas das aulas humilhantes que recebe. Foi assim com a seleção de 1982. Foi assim com a seleção de 2010. Será assim com o Santos de 2011.

Em 1982, tínhamos 1 craque (Zico), 4 bons jogadores (Leandro, Júnior, Falcão e Sócrates) e 6 entre ruins e razoáveis (Valdir Peres, Luisinho, Oscar, Toninho Cerezo, Serginho Chulapa e Éder). O Brasil venceu uma única seleção de porte, a Argentina, e isto porque Telê colocou Batista para marcar Maradona. De resto, passou pela União Soviética com a ajuda do juiz, que ignorou dois pênaltis de Luisinho, e por Escócia e Nova Zelândia - grandes seleções de rúgbi e críquete. Quando Gentile anulou Zico, perdemos para a Itália de goleada, apesar de outra ajuda do juiz, que invalidou o quarto gol italiano, contribuindo para maquiar a humilhação.

De um time limitado, grosseiro, que perdeu feio, jogando mal, criou-se o embuste do time que "perdeu jogando bonito", do qual se tirou a lição enviesada de que tínhamos de jogar feio também. Desde então, a mentalidade reinante no futebol brasileiro cultua a caricatura dos extremos: de um lado, o “craque” poético, que deslumbra a multidão com a plasticidade de suas jogadas individuais; do outro, o “marcador” troglodita, sem o qual o primeiro não teria tamanha liberdade. Um ataca, outro defende (descendo o cacete), e enquanto um faz a sua parte, o outro o observa, isento de maiores obrigações.

Aos "poetas", couberam as posições de atacantes e meias. Aos trogloditas, couberam as linhas de zaga e de volantes. Aos "meios-termos" (nem tão habilidosos, nem tão grandes, porém velozes), restaram as laterais. Consolidava-se assim a cultura do posicionamento distorcido, que não apenas engessa o futebol brasileiro até hoje, desde as peladas e categorias de base, como também o mediocriza e desperdiça. Aqui se formam (o que nossos “professores” imaginam ser) zagueiros, laterais, volantes, meias ou atacantes, em vez de se formarem jogadores de futebol.

Na hora de montar um time de base ou pelada, os piores garantem logo suas posições de defesa, e os melhores é que disputam as demais, ficando de fora (da carreira, inclusive) se não conseguirem se impor. Não passa pela cabeça de ninguém adequar os melhores às posições dos piores, porque a marcação está bem mais associada à grosseria do que à técnica (para o desarme) e à inteligência (para a cobertura). O resultado é um país onde meias e atacantes habilidosos parecem deuses da bola, quando não passam de meninos sem adversários minimamente preparados, deixando-se cada vez mais nivelar por baixo.

Hoje é inconcebível no Brasil um jogador completo, capaz de dominar, tocar, lançar, driblar, marcar e, portanto, assumir outras posições durante o jogo, preenchendo os espaços deixados por seus companheiros. A característica proeminente de cada um, fator determinante de sua respectiva especialidade, tornou-se o requisito único (mesmo que falso) para o exercício da mesma, mutilando talentos, isolando jogadores e impossibilitando atuações conjuntas consistentes. Os esquemas mirabolantes dos nossos “professores” são apenas a tentativa pomposa de contornar as deficiências que eles mesmos criaram, com o reforço da imprensa nacional e da CBF de Ricardo Teixeira.

O Barcelona de Guardiola é o triunfo de 11 jogadores completos. Todos se apresentam. Todos atacam. Todos defendem. Todos marcam. Todos cobrem. Todos se movimentam em blocos compactos. Não há afobação (fora um ou outro delírio de Daniel Alves), porque ninguém precisa resolver o jogo sozinho. Todos sabem que o time encontrará os espaços certos, na hora certa, avançando com força total, sob o comando de Xavi. Todos sabem que marcar exige atenção geral, porque a vantagem no mano-a-mano é sempre de quem vem de frente. Todos sabem que só é possível ter fôlego para tudo isso quando se valoriza a posse de bola. Todos, enfim, sabem jogar futebol.

Se Neymar (anulado por Puyol) e Ganso (preciso e preguiçoso) quiserem realmente aprender, terão de jogar na Europa, como venho dizendo há anos. Não só pela estrutura, mas pela cultura de repúdio à mediocridade. O time da Vila Belmiro só tem os dois, ainda em construção, sendo o resto – como eu já havia escrito aqui (e eu já havia escrito quase tudo...) – “um bando de Elanos, tão medíocres quanto os do Flamengo” ou os da seleção argentina, onde nem Messi faz milagre. Jamais oferecerão o estofo necessário para que seus presumíveis talentos façam a diferença em jogos de verdade.

Como Neymar renovou contrato com o Santos até 2014, resta o aviso: prepare a bundinha, Brasil! As palmadas, dessa vez, virão em domicílio.




Obrigado, Vasco!
por Felipe Moura Brasil (Pim) - Segunda-feira, 05 de Dezembro de 2011, às 14:10 

[Publicado originalmente no facebook - aqui]

Ninguém dá tanta graça ao futebol brasileiro quanto o Vasco. É preciso agradecer.

Num campeonato em que o maior destaque foi a "titibilidade", quem mais poderia nos trazer em seu desfecho uma alegria redentora?

O Vasco nunca nos desaponta. Nunca decepciona. Sempre vem nos lembrar que as certezas existem e podemos ficar tranquilos. Aconteça o que acontecer, ele estará lá.

Mais certo que o grande amor. Mais certo que o melhor amigo. Mais certo que o Natal da família e a festa de Réveillon.

O Vasco é a aplicação futebolística perfeita da teoria de Nash, segundo a qual a segunda mulher mais bonita é sempre mais acessível que a primeira.

"Não procures o que está acima de ti", dizia São Tomás de Aquino. "Não tentar nada acima dos seus limites", recomendava Sertillanges. "You gotta punch your weight", ensinava Rob Gordon em "Alta fidelidade". Por mais que pareça o contrário, o Vasco segue à risca os mandamentos filosóficos, intelectuais e até cinematográficos.

É um clube consciente: sabe exatamente o seu lugar.

Se é possível extrair conhecimento através da análise da repetição dos fenômenos, ninguém pode negar que temos muito a aprender com o Vasco.

Só quem tem um ideal bem definido pode alcançar tamanha constância. Só quem descobre a própria vocação pode reunir forças para manter a regularidade.

Obrigado, Vasco, pelas valiosas lições de vida em todo meio ou fim de ano.

O sentimento de vice não pode parar. 


A pelada como ela é
por Felipe Moura Brasil (Pim) - Quarta-feira, 27 de Julho de 2011, às 23:58

Comentei ao vivo no Twitter o peladão da Vila Belmiro em que o Flamengo, após sair perdendo por 3 a 0, venceu o Santos por 5 a 4, mostrando como tudo pode acontecer neste esporte quando não existem zagueiros em campo. Este jogo merecia - e quiçá ainda mereça - um artigo no Blog do Pim, evidentemente não pela sua qualidade, mas por sua condensação emblemática dos mais frequentes equívocos, estrelismos, farsas e inépcias do futebol elano-brasileiro e de nossa imprensa-ronaldinha. Por enquanto, segue a transmissão completa:

[Pim] Eu com a cabeça na Noruega, e o Santos já furou a sonâmbula zaga do Flamengo, que ainda não sabe quem é o adversário. Gol de Borges.

[Pim] Tomar gol nos primeiros minutos já é vergonhoso. Com um passe de Elano, então...

[Pim] Léo Moura, que dormiu no gol, é desarmado na linha de fundo. Alguém precisa avisar ao Flamengo que o adversário é o Santos.

[Pim] Ronaldinho abre pra bater, mas chuta fraco... E, depois do escanteio, cruza na área, na mão do goleiro. O resto é babação da imprensa.

[Pim] Ronaldinho, mais uma vez, clareia e chuta fraco. Júnior, mais uma vez, o defende, dizendo que não era fácil etc. etc. etc.

[Pim] Gol do Santos, após linda enfiada de Ganso pra Neymar que, no rebote, toca de bicicleta para Borges marcar. Pinta a goleada na Vila!

[Pim] A facilidade com que o Santos chega à área do Flamengo, em toques e lançamentos rápidos, é o retrato dum time jogando contra um bando.

[Pim] A diferença de inteligência entre o time do Santos e o do Flamengo é algo assim como Flaubert para Verissimo...

[Pim] E Deivid perde um gol na cara, para desespero de Luxemburgo - que o escalou.

[Pim] Santos faz "bobinho" na área do Flamengo, cuja zaga está mais perdida que a imprensa brasileira no caso do atirador norueguês.

[Pim] Luiz Antonio chuta em cima do goleiro, e Flamengo perde mais uma chance. E eis... Bem, Neymar faz um gol de placa, desprezando a zaga.

[Pim] Santos 3 x 0 Flamengo, aos 26 minutos do 1º tempo. Neymar driblou a zaga inteira, que está assustadíssima em jogar contra um time bom.

[Pim] E o Santos, solidário e caridoso, dá um gol ao Flamengo. Goleiro solta, zagueiro fura, e Ronaldinho (nessas condições, um craque) faz.

[Pim] Enfim, um gol de verdade do Flamengo! Léo Moura cruza bem e Thiago Neves faz de cabeça. Há esperanças: zaga do Santos também dorme.

[Pim] Thiago Neves desperdiça boa tabela com Ronaldinho. Como chuta mal o time do Flamengo! É isso que dá treinar na Melt...

[Pim] Neymar brinca de driblar o time do Flamengo e é atropelado por Willians na área: pênalti bem marcado.

[Pim] Não, senhoras e senhores: não é só mérito de Neymar esse monte de dribles. É total incompetência do time do Flamengo no desarme.

[Pim] Que cena bisonhamente linda! Elano bate pênalti com cavadinha, Felipe agarra e debocha com embaixadinha... E logo é gol de Deivid!

[Pim] Flamengo empata em 3 a 3 no fim do primeiro tempo, mas não se engane: jogo só é emocionante graças à ruindade das zagas.

[Pim] Jogador que entrega Copa América batendo pênalti pra fora e, depois, dá cavadinha na mão do goleiro merece todos os deboches.

[Pim] Fim de primeiro tempo. Destaque para as embaixadinhas de Felipe, cujo valor cultural é muito maior que o gol de placa de Neymar.

[Pim] Você sabe por que o Elano recuou a bola pro Felipe no pênalti? Porque recuar pro goleiro adversário pode.

[Pim] Agora nós sabemos: na Copa América, Elano também tentou a cavadinha. Mas é que saiu com muita força...

[Pim] Por que os atacantes brasileiros parecem muito melhores do que são de fato? Ora, porque não existe zaga no Brasil.

[Pim] Das peladas às divisões de base, valorizam-se no zagueiro o seu tamanho e a sua cavalice. Nunca a sua técnica de desarme e cobertura.

[Pim] Começa o 2º tempo, meu computador trava, Neymar dribla como quer, faz quarto gol do Santos, e manda Angelim tomar no cu. Boa, Neymar!

[Pim] Melhores chances do Flamengo são pelo jogo aéreo. É triste torcer prum time assim.

[Pim] Luiz Roberto chama de "açucarado" um passe errado de Thiago Neves.

[Pim] Flamengo faz uma incrível triangulação, evidentemente involuntária: um chuta no outro e a bola sobra pra um terceiro... impedido!

[Pim] Gol de Ronaldinho de falta! Bateu rasteiro, contando com o pulo da zaga com "enorme perspicácia e inteligência", segundo Luiz Roberto.

[Pim] Se é só pra bater faltas, sou mais o Pet.

[Pim] Júnior dá a entender até que Ronaldinho estudou o comportamento da barreira do Santos em jogos passados. Não tem limites a bajulação.

[Pim] Cá estou imaginando o Ronaldinho em casa, numa sexta à noite, estudando quantos centímetros a barreira do Santos sai do chão...

[Pim] Placar é 4 a 4 e já se fala numa geração de grande talento do futebol brasileiro. A verdade: não temos zagueiros, senhoras e senhores!

[Pim] Neymar corta Léo Moura e chuta pra fora. Flamengo não se deu conta de que Neymar não pode ficar no mano a mano.

[Pim] E, mais uma vez, Neymar dribla três e chuta pra fora. Se os 3 estivessem juntos, seria melhor.

[Pim] Flamengo vira!, com Thiago Neves deixando Ronaldinho livre pra marcar (e, sim, ele chutou fraco e a bola ainda bateu no zagueiro...).

[Pim] Santos, cansado, abre espaço para o Flamengo, que aproveita como pode: sem brilho, sem inteligência, aos trancos e barrancos.

[Pim] Flamengo ensaia um olé, Thiago Neves dribla, entra sozinho e chuta pra fora. Digo e repito: chuta muito mal o time do Flamengo.

[Pim] A sorte do Flamengo é que Ganso e Neymar cansaram.

[Pim] Willians desarma Neymar!, que já errou passe de letra e caneta. E, noutro lance, Neymar dá chute em Willians! Preciosismo faz mal.

[Pim] Fim de jogo. Santos só tem mesmo Neymar e Ganso: o resto é um bando de Elanos, tão medíocres quanto os do Flamengo. Mas viva Willians!

[Pim] "Que jogo!", "Que jogo!", é o que dirão por aí. E eis todo o futebol brasileiro, ou mais: o Brasil. O país sempre iludido pela emoção.


O cabelo de Diego Maurício resume o futebol brasileiro
por Felipe Moura Brasil (Pim) - Quarta-feira, 20 de Julho de 2011, às 23:58

Comentei ao vivo no Twitter o jogo de ultimate fight em que o Flamengo de Luxemburgo atacou apanhando e o Palmeiras de Felipão defendeu batendo, para tudo acabar num empate em 0 a 0, dias após a patética eliminação do Brasil na Copa América, perdendo 4 pênaltis contra o Paraguai. O resumo do futebol brasileiro não está (só) em Ronaldinho Gaúcho, esta farsa mais protegida pela imprensa que Barack Obama; mas sim, quem diria, nos cabelos de Diego Maurício. Segue a transmissão completa:

[Pim] Palmeiras enche Flamengo de pancada nos primeiros 10 minutos de jogo. É o desarme possível no futebol brasileiro.

[Pim] "Palmeiras tem como característica não deixar o adversário pensar", diz Júnior. Em outras palavras: mete a pancada, ao estilo Felipão.

[Pim] Thiago Neves corta dois e chuta de direita para bela defesa de Marcos. Compensou a bicicleta horrorosa que tentou há alguns minutos.

[Pim] 25 minutos: Por enquanto, Palmeiras é um Paraguai violento; e Flamengo é um Brasil mais disposto. Em suma: a retranca contra um bando.

[Pim] Willians isola a bola em vez de tocar para Thiago Neves, que reclama com raiva. A afobação é um dos maiores pecados do futebol.

[Pim] Angelim, atrasado, derruba Kleber e recebe cartão amarelo justo, ao contrário do que diz José Roberto Wright, comentarista de replay.

[Pim] Ronaldinho Gaúcho, como sempre, erra todos os passes.

[Pim] Luan atropela Renato Abreu - como se fosse necessário - e juiz, enfim, dá um cartão amarelo para o Felipão, digo, Palmeiras.

[Pim] Ronaldinho, mais uma vez, prende a bola, e é, mais uma vez, desarmado.

[Pim] Renato Abreu dá um lançamento longo para... ninguém. Está competindo com Deivid.

[Pim] Deivid erra um domínio de bola dentro da área, e desperdiça bom avanço de Léo Moura. Flamengo tem graves defeitos de fundamento.

[Pim] Renato Abreu homenageia Júnior Baiano, perdendo a bola (no ataque) e dando uma fantástica tesoura voadora - por sorte, no ar.

[Pim] Fim de primeiro round. Destaque para Felipão, que manteve o Palmeiras atacando o Flamengo desde o início (na perna, no rosto etc.).

[Pim] Futebol brasileiro é incapaz de abrir retrancas, porque, para isso, é preciso estratégia e inteligência. E nós só cremos em talentos.

[Pim] @mmoutinho [o escritor Marcelo Moutinho] me diz com humor que "Nem todo time tem um volante q desarma na bola, como o Airton!". Queria comentar, mas: quem é Airton?

[Pim] Reli a escalação e descobri que Airton está em campo, pelo Flamengo. Seu futebol (invisível) é como seu nome: falta o acento.

[Pim] Começa o segundo round. Willians dá um balão, empolga-se, e tenta outro, que resulta patético, como era de se esperar. Tudo normal.

[Pim] Ronaldinho, enfim, acerta um passe, e Renato Abreu desperdiça esse momento único com um chute bisonho pra fora.

[Pim] No primeiro passe relevante de Ronaldinho, Luiz Roberto e Júnior falam dele como se fosse um Ganso. É um país fora da realidade.

[Pim] Willians agora tenta uma caneta... No Brasil, a gente faz piada com o sujeito, e ele realmente acredita que é um craque.

[Pim] Ronaldinho desperdiça outro contra-ataque e, mais uma vez, Luiz Roberto e Júnior o defendem, como se não tivesse opção. Tinha: atacar.

[Pim] Palmeiras chega à área do Flamengo, mas é um time tão ruim, tão sem talento, que até tropeça na bola. E tática ninguém tem no Brasil.

[Pim] Diego Maurício entra no lugar de Deivid e seu cabelo diz tudo: moderno, estiloso e 'fashion', para afetar a personalidade que não tem.

[Pim] Thiago Neves tenta driblar e perde. Ronaldinho erra mais um passe, agora de calcanhar. Flamengo é um misto de afobação e preciosismo.

[Pim] Thiago Neves inova com uma tesoura deslizante e recebe, merecidamente, o terceiro cartão amarelo. Está fora contra o temível Ceará...

[Pim] 28 minutos do 2º tempo. Resumo: em jogo de bando contra bando, pontapé é gol.

[Pim] Willians tenta mais um balão e a bola sai pela lateral. Todos os jogadores do Flamengo querem fazer o difícil sem saber fazer o fácil.

[Pim] Ronaldinho dá chute bisonho. Depois cava uma falta inexistente. Depois bate (mal) sem autorização. Depois bate e Marcos defende. Zzzz.

[Pim] A esperança de que alguém decida o jogo individualmente é, ao mesmo tempo, a prova e a causa de os times brasileiros serem uns bandos.

[Pim] Ronaldinho Gaúcho se adianta na barreira, põe a mão na bola, e também recebe terceiro cartão amarelo. A Melt vai bombar essa semana...

[Pim] Luan isola a bola, após rebote do goleiro Felipe. É preciso, urgentemente, instaurar aqui a baliza em forma de Y do futebol americano.

[Pim] Kleber ignora fair-play e, em vez de devolver a bola após paralisação, tenta fazer o gol, mas erra. Flamengo, que dormia, se revolta.

[Pim] Momento auto-ajuda: nunca espere a atitude gentil do adversário, sem se prevenir para o caso de que ele não a tome.

[Pim] Fim de jogo. Destaque para o cabelo de Diego Maurício, que resume o futebol brasileiro: a firula inútil camuflando o conteúdo ausente.


O Brasil europeu de Maicon
por Felipe Moura Brasil (Pim) - Quarta-feira, 13 de Julho de 2011, às 23:58

Comentei ao vivo no Twitter o jogo em que o Brasil venceu o Equador por 4 a 2, conquistando sua primeira vitória na Copa América 2011 e a classificação para a próxima fase. No primeiro tempo, o lado mais brasileiro da seleção prevaleceu (preguiçoso, apático, omisso). No segundo, felizmente, o lado europeu deu algum sinal de vida (eficiente, preciso, imponente). Quanto mais europeu o futebol brasileiro ficar, melhor. Segue a transmissão completa:

[Pim] O que fazer? Ver Brasil x Equador no SporTV ou "Os Mercenários" no Telecine Pipoca?

[Pim] Filme "Os Mercenários" começa às 22 horas. O Brasil de Ganso e Neymar tem 15 minutos para convencer de que é melhor do que Stallone.

[Pim] Não vi os 2 primeiros jogos do Brasil, mas se Mano precisa que Daniel Alves falhe em 2 gols para ver que Maicon é melhor, Mano é ruim.

[Pim] Inacreditável! A despeito do anunciado, Telecine Pipoca troca "Os Mercenários" por "Cartas para Julieta" e nos obriga a ver o Brasil.

[Pim] Ganso e Neymar demoraram muito para ir jogar no futebol europeu. Se continuarem aqui, vão piorar cada vez mais.

[Pim] Gol de Pato de cabeça no meio de três após cruzamento perfeito de André Santos. Time do Equador dormiu para ajudar o Brasil sonâmbulo.

[Pim] Apático e preguiçoso sem a bola, Brasil de Mano é tão fácil de marcar quanto o Brasil de Dunga. Por sorte, Equador vacilou no gol.

[Pim] Gol do Equador após lançamento do goleiro e tabela na entrada da área. Falha de toda a zaga e frango de Júlio César. Preguiça geral.

[Pim] Enquanto todos quiserem ser Ganso, esta seleção não terá um Ganso. É duro admitir, mas: cadê os Willians?

[Pim] Thiago Silva e Lúcio são incapazes de fechar ângulo dos atacantes. Júlio César fez boa defesa. Vai precisar de muitas pra se redimir.

[Pim] Fim de primeiro tempo - e uma certeza: Stallone teria sido muito melhor que o Brasil.

[Pim] Começa o segundo tempo. Vou reler a escalação do Brasil para lembrar quem está no meio-campo.

[Pim] Enfim, um autêntico gol da dupla Ganso e Neymar, em toques rápidos e precisos, começando com Ramires. Mano deu guaraná no vestiário...

[Pim] Robinho está em campo?

[Pim] Pato cabeceou para fora, após um cruzamento perfeito de Maicon - desses que Daniel Alves nem sonha em dar.

[Pim] Gol de empate do Equador. Mais uma tabela na entrada da área. Mais um corte sem cobertura. Mais um chute de fora. Mais um frango.

[Pim] Gol do Brasil após rebote do goleiro em chute de Neymar. Pato trombou com os zagueiros e fez. Mas quem acha espaço é Neymar.

[Pim] Resumo do Brasil: André Santos e Maicon cruzam bem e acham Pato, que escora pra dentro; Ganso acha Neymar, que cria espaço e chuta.

[Pim] Sobre o lance em que Ganso achou Pato, que cortou bem o zagueiro mas chutou pra fora, apenas um comentário: Pato é afobado e limitado.

[Pim] Gol do Brasil com Maicon arrancando até a linha de fundo e rolando pra Neymar marcar na área. Maicon é o futebol europeu do Brasil.

[Pim] Eficiência e precisão de Maicon contrastam tanto com os lampejos aleatórios de Daniel Alves que Mano só podia estar de brincadeira.

[Pim] Caicedo, do Equador, dá uma caneta em Lucas. Em seguida, Ramires fura um domínio de bola. Pelo que fizeram hoje, ambos mereciam.

[Pim] Lucas erra mais um lançamento, e repito a pergunta: cadê os Willians?

[Pim] André Santos chega à linha de fundo e rola para Fred, que toca sem força para o goleiro. Muito bem no jogo os laterais do Brasil.

[Pim] Juiz anula gol de Robinho, que - pasmem! - estava em campo!

[Pim] Fim de jogo: Brasil 4 x 2 Equador. Em resumo: temos Maicon, André Santos, Ganso e Neymar. O resto é um bando de Daniel Alves.


A imaturidade do Flamengo
por Felipe Moura Brasil (Pim) - Quarta-feira, 11 de Maio de 2011, às 23:58

Comentei ao vivo no Twitter, quase sem querer, o jogo em que o Ceará eliminou o Flamengo da Copa do Brasil com um empate em 2 a 2, uma semana após a vitória de 2 a 1, no Engenhão, que rendeu a primeira vaia da torcida rubro-negra a Ronaldinho Gaúcho. Uma vaia tardia, diga-se, como é de hábito a revelação de qualquer fraude no Brasil. Segue a transmissão:

[Pim] Eis que Ronaldinho Gaúcho acerta seu primeiro passe com a camisa do Flamengo para o belo gol de Thiago Neves. É preciso vaiá-lo mais.

[Pim] Júnior pede que se espere mais antes de vaiar Ronaldinho. Esse medo de criticar, tão típico de comentaristas de TV, é fator de atraso.

[Pim] Mais um belo gol de Thiago Neves, chutando no canto de fora da área. Alguém parece ter avisado ao Flamengo que o adversário é o Ceará.

[Pim] Gol do Ceará em cabeçada após cobrança de falta. Toda a criançada da zaga do Flamengo marcava a bola... Que falta faz um técnico!

[Pim] Ronaldo Angelim é merecidamente expulso, ao contrário do que diz José Roberto Wright. Foi inteiramente no corpo do jogador do Ceará.

[Pim] Ceará empata em chute de dentro da área. Mais uma vez, criançada do Fla marcou a bola; e ainda reclamou de mão, que foi de Willians...

[Pim] Léo Moura e Wanderley perdem dois gols feitos (acertando a trave, dentro da área), e Luiz Roberto exalta a qualidade do jogo.

[Pim] Ronaldinho empurra policial e, quando outro reage, ele, Felipe e Vanderlei partem pra cima dos dois. É polícia contra... Deixa pra lá.

[Pim] Fim de 1º tempo. Destaque para Luiz Roberto, que reclama da polícia. Diria Guy Debord: “A imagem - mais o comentário que a desmente”.

[Pim] A imaturidade do time do Flamengo faz o Ceará parecer a Holanda.

[Pim] Em vez de reclamar de gol legítimo, Flamengo devia era agradecer ao juiz, que ainda deixou de marcar um pênalti pro Ceará no 1º tempo.

[Pim] Modéstia à parte, eu vaiei Ronaldinho desde o 1º dia.

[Pim] Eu me distraí com o Flamengo da Vila Belmiro, que, mesmo sem Ganso, está ganhando do Once Caldas por 1 a 0. Voltarei à dura realidade.

Começa o segundo tempo no Ceará.

[Pim] Resumo do Flamengo: 1 bom jogador (Thiago Neves); 3 medianos (Léo Moura, Willians e Bottinelli), 1 fraude (Ronaldinho) e a criançada.

[Pim] Eu até perdoo os erros de drible e conclusão de Thiago Neves. Fosse ele, eu também não tocaria a bola pra ninguém desse time.

[Pim] Eu nem ia comentar esse jogo, mas a única maneira de assistir a algo tão aborrecido como o Flamengo ou o governo Dilma é comentando.

[Pim] Felipe faz uma bela defesa em belo chute de longe do Ceará. Quem marcava o jogador? Ninguém.

[Pim] Do outro lado, Fierro dá um chute bisonho a gol, mas a bola sai pela... lateral. Quem marcava o jogador? Ninguém.

[Pim] Assinale a opção correta. A) Washington sente cãibras; B) Uóxintom sente câimbras; ou C) Wachintom sente caimbras.

[Pim] Osvaldo, do Ceará, embaixo do gol, isola a bola. Flamengo, cansado fisicamente, abalado emocionalmente, ruim tecnicamente, se arrasta.

[Pim] Geraldo dribla três do Flamengo, mas Washington (olha o gabarito!) também isola a bola.

[Pim] Ronaldinho desperdiça mais um contra-ataque, tocando a bola pra ninguém. Flamengo se despede melancolicamente da Copa do Brasil.

[Pim] 48 minutos e meio, e Flamengo não tem pressa alguma pra bater uma falta.

[Pim] Fim de jogo. Flamengo cerca o juiz para camuflar a verdade: não tem time para qualquer competição nacional.

[Pim] Ronaldo Angelim foi Felipe Melo, Ronaldinho foi Kaká, e o Flamengo foi Brasil, tremendo ante a reação do Ceará holandês. Uuuuuuuuhhhh!



O Flamengo da Vila Belmiro
por Felipe Moura Brasil (Pim) - Quarta-feira, 28 de Abril de 2011, às 23:58

Em transmissão inédita na história do esporte, comentei ao vivo no Twitter o primeiro tempo de Flamengo 3 x 0 Horizonte, pela Copa do Brasil; e o segundo de Santos 1 x 0 América do México, pela Libertadores; no mesmo dia em que o Barcelona vencera o Real Madri, à tarde, por 2 a 0, com 2 gols de Messi. Destaque para mim, claro, que já estou comentando mais jogos que Caio Ribeiro. Eis a transmissão completa:

[Pim] 9 minutos. Ouço assustado que foi gol de Galhardo, corro para a TV, mas o replay logo me esclarece: ele queria cruzar. Ah bom.

[Pim] Botinnelli está em campo, como titular, sinal evidente de que Vanderlei Luxemburgo lê o Blog do Pim.

[Pim] Devia ser proibido haver qualquer rodada do futebol brasileiro no mesmo dia em que o Barcelona de Messi entrou em campo.

[Pim] Renato dá um bom chute de longe para a defesa de Alex, do Horizonte. É uma pena que só consiga chutar quando não tem marcação.

[Pim] Time do Horizonte não consegue acreditar que levou um gol sem querer de Galhardo. Mas podia ser pior: podia ser querendo.

[Pim] Flamengo toca a bola com tanta facilidade que chega até a parecer um time bom. Mas não se engane: lutará pelo 10º lugar no Brasileiro.

[Pim] Botinnelli, em 28 minutos, já jogou melhor que Ronaldinho Gaúcho em meses.

[Pim] Wanderley dá um balão e chuta mal, e Vanderlei dá bronca, dizendo que devia ter tocado. Ele conhece as qualidades de seu jogador.

[Pim] Vanderlei e Wanderley, David e Deivid... Esse time do Flamengo é uma pegadinha técnica, física, emocional e ortográfica.

[Pim] Botinnelli puxa contra-ataque e segura a bola até sofrer falta. Assim como Vanderlei (o treinador), o argentino conhece seus colegas.

[Pim] Botinnelli sofre falta na ponta-esquerda, e depois interrompe contra-ataque adversário na ponta-direita. Já viu Ronaldinho fazer isso?

[Pim] Horizonte, de vez em quando, chega com perigo. Por pura falta de talento dos atacantes, Flamengo não consegue aumentar o placar.

[Pim] Fim do 1º tempo. Destaque para o peixe com arroz integral e legumes, que jantei enquanto comentava o jogo.

[Pim] Messi fez um golaço hoje, atravessando o time do Real Madri, assim como... assim como... assim como quem passa pela zaga do Flamengo.

[Pim] Vejo no intervalo o gol de Ganso contra o América do México, e penso: deve ser bom torcer prum time que tem craque.

[Pim] O replay me comoveu. Como sou um comentarista independente, vou inovar a transmissão esportiva mundial e trocar de jogo no intervalo.

Começa o 2º tempo na Vila Belmiro.

[Pim] Flamengo, portanto, volta a campo vestido de branco e preto, com Neymar e Ganso.

[Pim] Descubro que o falso Flamengo acaba de fazer o segundo gol contra o Horizonte, através de Deivid. Uma notícia do além.

[Pim] Elano, da Copa, está jogando pelo Flamengo da Vila Belmiro, de modo que encontrou um lugar condizente: coadjuvante de Ganso e Neymar.

[Pim] América marca no campo adversário, sem deixar nosso time sair. Elano dá um pisão em Oliveira, mostrando o que aprendeu com Dunga.

[Pim] Neymar deixa mexicano no chão, e rola pra trás, mas ninguém mete o pé. Depois, Ganso e Neymar tabelam de primeira. É bom ser Flamengo!

[Pim] Neymar dribla mais uma vez, é agredido, e voa. É inacreditável que ele e Ganso ainda joguem no futebol de várzea das Américas.

[Pim] Fiquei tão especializado em comentar os jogos do falso Flamengo que, ao assistir a uma partida de futebol, quase não sei o que dizer.

[Pim] Neymar deixa dois pra trás, e toma mais uma rasteira. E pensar que ainda há pouco eu assistia ao Deivid... 

[Pim] Mais uma falta em Neymar. Jogadores do América do México se revezam nas rasteiras. A pena é que Ganso deixa Elano cobrar a falta...

[Pim] Eis que acontece um milagre na Vila Belmiro! Ganso - acredite - erra um passe!

[Pim] Flamengo da Vila Belmiro toca de pé em pé, mas ainda tem dificuldade de concluir. Será que falta o Wanderley?

[Pim] Já são dois marcando o Neymar e, mesmo assim, com falta. Aguardo o confronto Neymar x Willians.

[Pim] Príncipe William, da Inglaterra, extasiado com a elegância de Ganso, acaba de convidá-lo para o casamento real.

[Pim] Neymar toma outra pancada e sai de campo. Jogador do América pisou em sua mão, que é então enfaixada. Até que ele joga fora a faixa...

[Pim] América quer tirar Neymar do jogo na base da pancada; e Ganso na base da provocação. Não. Com Elano, ninguém se preocupa.

[Pim] Aos 44, já são 4 marcando Neymar. Elano, vaiado pela torcida, é substituído, e sai visivelmente insatisfeito. Em suma: tudo no lugar.

[Pim] Finalmente, aos 46, um jogador do América é expulso, após falta em Léo. Juiz deixa claro: no Neymar pode; no Léo, não.

[Pim] Fim de jogo. Com Kaká na reserva do Real Madri nesta tarde, e Elano vaiado e substituído à noite, meio-campo de Dunga tem dia de gala.

[Pim] Flamengo da Vila vence América do México por 1 a 0, jogando o mínimo. Falso Flamengo vence Horizonte por 2 a 0, jogando o seu máximo.

[Pim] Perdão: 3 a 0. Acabo de ver o golaço de Willians, driblando até o goleiro. Está mais do que na hora de vir jogar no Flamengo da Vila.


A vitória da mediocridade
por Felipe Moura Brasil (Pim) - Domingo, 24 de Abril de 2011, às 18:18

Comentei ao vivo no Twitter a semifinal da Taça Rio 2011, na qual o Flamengo venceu o Fluminense por 5 a 4 nos pênaltis, após empate em 1 a 1 no tempo normal. Destaque para o estádio Engenhão, tão preparado para eventos internacionais quanto os aeroportos brasileiros. Eis a transmissão completa:

[Pim] Ronaldinho Gaúcho não vai jogar pelo Flamengo, e fica a pergunta: já jogou?

[Pim] Sem Ronaldinho Gaúcho, aumentam as chances do Flamengo no Fla-Flu.

[Pim] 5 minutos: Renato e Léo Moura arriscam chutes de fora da área. Diguinho e Conca avançam tocando a bola. Meio-campo do Flu é superior.

[Pim] Em enfiada de bola de Fred para Rafael - que cai na saída do goleiro -, fica clara a vulnerabilidade da zaga do Flamengo. Uma baba.

[Pim] Galhardo entra no lugar de Léo Moura, e as chances do Flamengo diminuem de novo. Providencialmente, alguém apaga as luzes do Engenhão!

[Pim] É muito importante que a tomada do Engenhão continue nas mãos de Vanderlei Luxemburgo.

[Pim] Engenhão mostra que está pronto para a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016, quando será palco da modalidade "Gato Mia".

[Pim] Fla-Flu felizmente recomeça, privando-nos de mais episódios de "Paixão do torcedor".

[Pim] Goleiro Felipe reclama da dificuldade de enxergar a bola, e jogo é interrompido de novo. Agora, só volta após o governo Eduardo Paes.

[Pim] Jogo recomeça, e Renato faz um teatro após falta não marcada de Diguinho. Resumo do futebol de Renato: chuta bem, passa mal, atua mal.

[Pim] Gol do Fluminense, apesar de ilegal, mostra o que seria o apagão da zaga do Flamengo, se em algum momento ela tivesse acendido...

[Pim] Thiago Neves, o Conca possível, perde a cabeça e toma seu primeiro amarelo. Willians xinga adversários. E o Flamengo depende dos dois.

[Pim] Felipe defende chute de Fred. Fluminense entra como quer na área do Flamengo.

[Pim] Mais um chute de Fred e já prevejo as manchetes: "Fla sente a falta de Ronaldinho Gaúcho", "Ronaldinho Gaúcho não joga e Fla perde".

[Pim] Fla, enfim, entra na área do Flu com perigo, após enfiada de Thiago Neves para Diego Maurício. Thiago terá, de fato, que fazer mágica.

[Pim] Superioridade técnica do Fluminense é visível no toque de bola. Flamengo é um bando, atrás de uma brecha pra chutar da intermediária.

[Pim] Desarmar sem fazer falta é até uma utopia no futebol de várzea brasileiro. David não deve nem saber que isso é possível.

[Pim] Um time - como o do Flamengo - que apela muito para chutes de fora da área é um time burocrático, sem inteligência e criatividade.

[Pim] Que Thiago Neves, o único com alguma criatividade, também queira ficar dando chutão, é uma amostra do quanto lhe falta para ser Conca.

[Pim] Fim do 1º tempo. Resumo: Fluminense sabe avançar tocando a bola. Flamengo toca pro lado, até achar chato e chutar pro gol. Jogo ruim.

[Pim] Começa o 2º tempo. Fluminense de Conca já chega com facilidade no primeiro lance... Felipe defende falta de Fred e rebote de Mariano.

[Pim] Limitado tecnicamente e ansioso por livrar-se da bola, Galhardo mostra a falta que faz Léo Moura.

[Pim] Comportamentos de Vanderlei Luxemburgo e de seus times revelam a fraude: de um lado, a pose de doutor do futebol; do outro, um bando.

[Pim] Júlio César, do Flu, ganha cartão amarelo após duro carrinho em Galhardo. Que perigo terá visto ele?

[Pim] Fred, absolutamente livre na área do Flamengo, perde mais um gol. Fla é um time de sonsos que marcam a bola. A cara de Luxemburgo.

[Pim] Capaz de enfiar bolas e cruzar na área, Botinnelli deu esperança ao Flamengo. Esperança de um gol sem querer, em algum bate-e-rebate.

[Pim] Gol de cabeça de Thiago Neves após bela levantada de Willians. O Flamengo, eu dizia, depende dos dois. E Bottinelli mostrou o caminho.

[Pim] Diego Maurício entra na área livre e... e... e... Recua a bola para o goleiro... Palmada nele, Vanderlei!

[Pim] Após outra enfiada pra Thiago Neves, fica a pergunta: o que fazia Botinnelli na reserva desse time do Flamengo? Companhia a Vanderlei?

[Pim] Vou lançar a campanha "Troque seu Ronaldinho por um Botinnelli".

[Pim] Todas as jogadas do Flu começam nos pés de... Diego Maurício. E time lembrou que é só tocar a bola, que chega à área do Flamengo.

[Pim] Conca brinca de penetrar na zaga do Flamengo. Futebol brasileiro vai melhorar quando entender que marcação também exige inteligência.

[Pim] Fim de jogo. Ufa. Flamengo salvo por um belo passe de Willians. E pelos erros de conclusão do Fluminense.

[Pim] Os pênaltis serão, agora, a graça forçada de um jogo ruim.

FLU - Fred faz, de pênalti, o que não fez no jogo.
FLA - Renato bate o pênalti como jogou: mal. Flu 1 a 0.
FLU - Souza, que entrou pra bater pênalti, isola a bola "por sobre o gol".
FLA - Deivid, quem diria, cheio de categoria, bate no canto rasteirinho, e faz: 1 a 1.
FLU - Edinho converte para o Flu, no alto. Agora vem Galhardo...
FLA - Galhardo faz. A entrada de Botinnelli pela ponta-direita deu moral a ele... Fez o garoto se preocupar só com a zaga.
FLU - Conca faz, claro: 3 a 2.
FLA - Botinnelli também faz. Ufa: 3 a 3.
FLU - Araújo perde! Grande defesa de Felipe.
FLA - Thiago Neves perde!... Apesar do gol de cabeça, jogou com raiva hoje, e bateu o pênalti nervoso...
FLU - Gum faz: 4 a 3.
FLA - David empata com elegância: 4 a 4. "Eles estão batendo com mais categoria que os especialistas", diz Júnior. Muito bem.
FLU - Felipe defende mais um! É agora.
FLA - Diego Maurício, que começou todas as jogadas do Fluminense no jogo, classifica o Flamengo pra final! Que bela vitória da mediocridade!

[Pim] E pra quem viu este Fla-Flu, mas também gosta de futebol: quarta-feira, às 15:45, Real Madri x Barcelona. Outro esporte, sem dúvida.
por Felipe Moura Brasil (Pim) - Quarta-feira, 2 de Fevereiro de 2011

Isso mesmo: quando me falta assunto (ou tempo), falo de futebol. Comentei ao vivo, no Twitter, Flamengo 1 x 0 Nova Iguaçu, o primeiro jogo do mais novo percussionista da Portela com a camisa rubro-negra. Eis a transmissão completa:

[Pim] Um passe errado, 2 faltas mal batidas e uma rasteira no adversário. Ronaldinho Gaúcho, até aqui, faz o Nova Iguaçu parecer a Holanda.

[Pim] Eu entendo Ronaldinho Gaúcho. Com todo esse caos no Egito, é difícil pensar no Nova Iguaçu...

[Pim] E Thiago Neves, visivelmente, não quer tocar para Ronaldinho Gaúcho! Finalmente, um Flamengo desunido!

[Pim] Marquinhos é o Sneijder do Nova Iguaçu. Se tivesse um Robben a quem servir, já teria furado essa baba da zaga do Flamengo...

[Pim] Ronaldinho, enfim, entra em campo e dá um passe de letra. O campeonato de várzea do Rio de Janeiro vive o seu auge!

[Pim] Ronaldinho pedala, pedala e... erra o passe. Em seguida, erra outro. E agora... Outro. É melhor que jogue só de letra.

[Pim] Ronaldinho olha para um lado, toca para o outro e... Erra. Não é melhor que comece olhando para o mesmo lado?

[Pim] A barriga de Ronaldo, do Corinthians, inflacionou tanto o mercado que ninguém repara na de Ronaldinho Gaúcho. Mas ela está ali.

[Pim] E o juiz marca impedimento de Ronaldinho. Depois, Ronaldinho é desarmado pela zaga do Nova Iguaçu, que não tem Robben, mas tem Kuyt...

[Pim] O goleiro espalma uma falta de Ronaldinho, e a imprensa já prepara as manchetes: "Ronaldinho brilha na estreia".

[Pim] Nova Iguaçu, fechadinho, joga quase como um time europeu. O Flamengo, incapaz de furar a retranca, joga como um time brasileiro...

[Pim] Ronaldinho, anulado pelo Nova Iguaçu, erra mais uma enfiada de bola. Time do Flamengo não tem ideia de como abrir uma retranca.

[Pim] Fim de primeiro tempo. Os marqueteiros de Ronaldinho - os mesmos de Dilma - avisam que ele não vai falar no intervalo. Mas ele fala.

[Pim] Ronaldinho, diria Dilma, foi a "prioridade central" do Flamengo no primeiro tempo. A prioridade secundária, por enquanto, é o gol.

[Pim] Marquinhos, o Sneijder do Nova Iguaçu, dá um balão em Willians, e é como se dissesse: "Só não tô ganhando porque falta o Robben".

[Pim] Começa o segundo tempo no Engenhão, e o destaque continua o mesmo: o belíssimo uniforme laranja fosforescente do Nova Iguaçu.

[Pim] Maldonado e companhia, ao contrário da zaga adversária, não conseguem marcar sem fazer falta. Nova Iguaçu começa a "gostar do jogo"...

[Pim] Wanderley entra no Flamengo e, nem aí para Ronaldinho, chuta a gol. Uma raridade nesse jogo.

[Pim] Botinelli desperdiça um contra-ataque porque resolveu tocar para... Ronaldinho.

[Pim] Willians erra mais um passe para... Ronaldinho.

[Pim] A "prioridade central" continua atrapalhando a "prioridade secundária". Só Wanderley e Thiago Neves já tentaram chutes bisonhos a gol.

[Pim] Ronaldinho dá uma solada grosseira no adversário, e Luiz Roberto diz: "Tá com vontade, o Ronaldinho". O fato: devia ter sido expulso.

[Pim] Flamengo depende de Léo Moura, o único que consegue penetrar na área do Nova Iguaçu. Se chutasse a gol em vez de rolar, seria melhor.

[Pim] Thiago Neves, desaparecido em campo, acaba de perder uma bola "de graça". E, pouco depois, isola um chute... Wanderley é a esperança.

[Pim] Nova Iguaçu, cansado, começa a abrir espaços. Flamengo, exausto, recusa.

[Pim] Léo Moura mostra que está ligado no Twitter e, finalmente, chuta a gol com perigo.

[Pim] Os passes errados no ataque, a afobação dentro da área e os chutes bisonhos a gol por parte do Flamengo lembram o Brasil de Dunga.

[Pim] Gol do Flamengo. E de quem mais poderia ser? Wanderley, o independente, após rebote do goleiro em passe errado de Thiago Neves.

[Pim] Ronaldinho ainda erra um drible antes do fim do jogo, mas a torcida o aplaude loucamente. Um grande incentivo ao seu carnaval.


COPA DO MUNDO 2010 - ÁFRICA DO SUL
Cobertura de Felipe Moura Brasil


Palmadas holandesas [Holanda 2 x 1 Brasil]
por Felipe Moura Brasil (Pim) - Sexta-Feira, 2 de Julho de 2010, às 16:16

Felizmente para o futebol, o Brasil perdeu. A lógica, mais uma vez, saiu vitoriosa – e não serão o estupendo lançamento de Felipe Melo para o gol de Robinho e a falha monumental de Júlio César no primeiro gol holandês que a farão menor. Ela dá margens – ainda que estreitas - para o improvável.

O “domínio” inicial foi só o retrato das limitações brasileiras: impondo-se ante uma Holanda rarefeita, a seleção de Dunga não soube traduzir a posse de bola em oportunidades fartas, muito menos num placar folgado. E o domínio por si só não faz outra coisa senão dar uma falsa sensação de superioridade, enquanto o adversário vai se armando sorrateiramente.

Quem depende de lançamentos de Felipe Melo e Lúcio, ou cabeçadas de Juan, não tem o direito de “gostar do jogo”. Deve odiá-lo, detestá-lo, sentir nojo dele até o fim, na ânsia de mostrar ao mundo que pode atacar sem a sua defesa, assim como pode defender sem o seu ataque. Mas o Brasil não pode. E ainda voltou para o segundo tempo “gostando do jogo”.

As duas maiores provas de conhecer a seleção brasileira já haviam sido dadas pela Holanda. A primeira: ninguém esperava de Felipe Melo mais do que pontapé. A segunda: Robben sabia onde ficava Michel Bastos. E isso foi então o suficiente para provocar a expulsão de um (após colaborar em todos os gols) e a substituição de outro, pendurado com cartão amarelo.

Da mesma forma que o Brasil jogou o mínimo necessário para vencer as demais seleções, a Holanda de Robben, Sneijder e Kuyt jogou o mínimo necessário para vencer o Brasil. Kaká errou tudo, incluindo dessa vez os passes de 2 ou 3 metros; Luís Fabiano – isolado – não viu a cor da jabulani; e Robinho – sem ter com quem jogar – já fez muito marcando seu gol.

Em termos de “fatalidade”, aliás, a maior foi a Holanda ter saído atrás; o que não é lá um grande problema para quem tem ao menos três jogadores de forte personalidade (e bons) a partir do meio-campo. Fosse o Brasil a levar o primeiro, eu já havia dito que ninguém saberia o que fazer. Exagero meu, claro. O Brasil já não sabe o que fazer quando sofre um empate.

Contra times de várzea, esse futebol infantilizado não raro soa bonitinho, fofo, alegre - e até moleque. Mas a verdadeira molecagem precisa daquele estofo de conhecimento e equilíbrio emocional do qual possa emergir de repente causando a sua graça. Sozinha, se não resvala na delinqüência (Felipe Melo), ela é só uma bundinha teen à espera de palmadas adultas.

As da Holanda – lamento dizer -, chegaram em boa hora.


Vitória do Brasil é pior para o futebol
por Felipe Moura Brasil (Pim) - Sexta-Feira, 2 de Julho de 2010, às 13:06

NOTA: Escrevi o texto abaixo antes do jogo contra a Holanda, mas não consegui publicar a tempo. Faço isso agora, 5 minutos após a eliminação do Brasil, sem mexer numa única linha. Sobre o jogo, falarei daqui a pouco. [VER ACIMA.]

Mais do que as vuvuzelas e a jabulani; que os jogos sofríveis da primeira fase; que seleções de quinta categoria nas quartas e até nas semifinais; que os erros grosseiros de arbitragem contra a Inglaterra e a favor da Argentina; que a censura de replays reveladores no telão do estádio e até nas transmissões; e que a falta imperdoável de juízes trancados numa salinha com todos os recursos de TV para validar ou anular lances duvidosos - mais do que tudo isso, a vitória do Brasil sobre a Holanda empobrecerá o futebol.

A Copa terá virado uma espécie de Prêmio Nobel, consagrando a farsa na qual os desavisados mundo afora hão de se espelhar. Qualquer Saramago será um John Coetzee, qualquer Kaká será um Zidane, e cada molequinho que hoje dorme abraçado à sua bola Campeão sonhará em se tornar zagueiro. É assim o triunfo da mediocridade: um atraso sempre estendido para muito além do erguer de uma taça; sobretudo se o espírito de cordeiro e a adolescência voluntária também sobem ao pódio, mostrando a irrelevância de personalidades fortes para as maiores conquistas.

Quem tem uma na seleção brasileira? Qual discípulo de Dunga converte a sua grandeza fora de campo num futebol imponente e inspirador dentro dele, com carisma e desenvoltura? Quem ali pode romper as ordens burocráticas dos esquemas impingidos para então organizar o imponderável? Qual jogador deste elenco é capaz de despertar a admiração inescapável dum homem adulto? O Brasil não tem sequer um Robben, um Sneijder, um Schweinsteiger, um Lahm, um Xavi, um Iniesta, nem mesmo um Tevez, que dirá um Messi. Tem no máximo alguns bons coadjuvantes, que nem nas mãos de Tarantino renderiam um filmaço.

O futebol precisa de ídolos de verdade. Se não forem craques, que ao menos transcendam com um mínimo de personalidade a condição do homem comum. Quando o medíocre é alçado a esse patamar, os parâmetros se rebaixam; os horizontes se apertam; os tetos declinam; e os cérebros passam a andar curvados. O combate cultural precisará de uma força ainda maior para destruir os falsos ídolos que a propaganda e a ignorância deixaram florescer.

Os erros da Fifa tornaram o futebol mais estúpido este ano, mas podem ser corrigidos na próxima Copa. A vitória do Brasil, não. Marcaria gerações para sempre.

A Copa começa contra a Holanda [Brasil 3 x 0 Chile]
por Felipe Moura Brasil (Pim) - Terca-Feira, 29 de Junho de 2010, às 12:48

Tuitadas antes do jogo.

[Pim] Felipe Melo não deve jogar, o que preocupa Dunga. Ou ele bota Josué; ou fecha o estádio, pra ninguém ver como Ramires é superior.

[Pim] Com a possível ausência de Felipe Melo, Kleberson se anima na concentração. Agora, ele é só o terceiro reserva.

[Pim] Elano - muito bem assessorado - não vai jogar; e pode sair consagrado da Copa. Se eu sou empresário dele, também mando ficar de fora.

[Pim] Sem Felipe Melo e Elano, melhor colocar Ramires e Daniel Alves. Seria bom recuar Robinho se o Brasil tivesse mais que Nilmar no banco.

[Pim] Dunga, com senso de realidade (e leitura do Pim), acaba de confirmar Ramires e Daniel Alves. Há chances contra o Chile.

[Pim] Copa do Mundo não combina com segunda-feira.

Texto após o jogo.

Se os 3 a 0 contra o Chile do Marfim do Norte serviram para alguma coisa, foi para mostrar como o Brasil depende de sua dupla de zaga até pra atacar. Nosso jogador mais criativo é Lúcio. O de maior categoria é Juan.

Ramires, que só não é melhor que Felipe Melo em dar pontapé, foi quem fez a mais bela jogada individual, deixando Robinho livre pra marcar o terceiro gol. Só não conteve a ânsia de mostrar a Dunga que também sabe dar porrada, e levou o segundo cartão amarelo.

Daniel Alves fez o que eu havia dito. Participou mais do que Elano, arriscou mais do que Elano, errou mais do que Elano e acertou mais ou menos como Elano; o que na média dá quase um Elano, só que bem mais divertido. É um sujeito com tanta vontade de jogar que ele entrega a bola ao adversário só para roubá-la de novo.

Kaká errou tudo, menos um passe de 3 metros para o bonito gol de Luís Fabiano, driblando o goleiro, após jogada de Robinho. Um gol que só aconteceu porque Juan – de cabeça - abriu o placar (e a seleção chilena), aproveitando escanteio de Maicon. Não se deve esperar de Kaká mais do que isso: um passe de 2 ou 3 metros, quando o outro time vai dar uma voltinha.

O Brasil ainda tem muita dificuldade de furar uma defesa armada; e depende sempre de bola parada ou contra-ataque rápido. Luís Fabiano é bom dentro da área, mas precisa que a bola lhe chegue ali, o que raramente acontece.

Ele não é Romário, que, em 1994, se a bola não chegava, vinha buscá-la, driblava todo mundo e fazia o gol ou deixava Bebeto na cara. Sem a genialidade de Bebeto e Romário, a falta de criatividade do meio-campo pesa em dobro. Sobretudo, contra uma seleção de verdade.

O Brasil veio à Copa do Mundo fazer um único jogo (sexta-feira, contra a Holanda) antes da final. Nunca foi tão curto o caminho rumo ao título. O que está longe de parecer fácil. A não ser por Júlio César, Juan, Lúcio e (vá lá) Luís Fabiano, a seleção holandesa é superior à brasileira. Robben, Kuyt e Sneijder jogam mais que nossos outros sete jogadores juntos.

O jeito é torcer para que não descubram onde fica Michel Bastos.

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Nota sobre o Chile

Para se ter uma ideia do nível da seleção chilena (que chegou às oitavas vencendo Honduras e Suíça por 1 a 0; e perdendo, claro, para a Espanha), a única defesa de Júlio César foi num chute que ia pra fora; e Gilberto Silva - acredite se quiser - acertou todos os passes.


Em time de cego, Kaká-olho é rei [Brasil 0 x 0 Portugal]
por Felipe Moura Brasil (Pim) - Segunda-Feira, 28 de Junho de 2010, às 12:06

Contra Portugal, Dunga sabotou Daniel Alves. O único jogador em campo capaz de superar o titular da vaga [Elano] teve que jogar ao lado de Júlio Baptista e Nilmar. Para quem joga no melhor time do mundo (o Barcelona), ao lado de Messi, é bastante desesperador.

Júlio Baptista, se já é um desastre em sua posição (qualquer uma, menos meia-atacante), fora dela é um deboche à seleção, desses de fazer Lúcio subir ao meio-campo para armar o jogo em seu lugar. Nilmar, por sua vez, é uma criança baixinha e franzina, perdida entre os adultos adversários, como um Josué do ataque.

Não que Daniel Alves tenha alguma qualidade acima do normal. Ele é só um Elano qualquer, com mais objetividade e menos senso de realidade (talvez porque mal acostumado com os companheiros de Barça). Por isso é reserva de Dunga. Porque arrisca passes e lançamentos de que muitas vezes não é capaz, em vez de tocar a bola pro lado e atacar só na boa. Agora já era.

O jogo contra Portugal serviu para mostrar ao mundo que o banco de reservas do Brasil é só uma torcida organizada em área vip. [Que basta dar um pontapé em Kaká, sacrificando algum peão, e tudo ficará mais fácil.] Serviu também, sobretudo, para consagrar Kaká e Robinho como craques (quase levando Elano junto); e, ainda por cima, criativos. De modo que o jogo não apenas deu sono, como fez mal à inteligência do país.

Não levar Ganso e outros jogadores com um mínimo de visão foi um artifício muito bem executado por Dunga. Assim ele pode mostrar os reservas como as únicas opções existentes, e jogar na nossa cara: “Estão vendo? Eu tinha razão! Meu time é o certo!”. Um certo que depende de pedacinho nenhum sair do lugar para ter alguma chance. [A não ser Felipe Melo, este astro do Mortal Kombat, a quem Ramires é infinitamente superior.]

O maior problema nessas circunstâncias é o Brasil começar perdendo uma partida. Se eu sou o técnico adversário, aliás, mando o time inteiro - antes de fechar a retranca - fazer 20 minutos de pressão nas costas de Michel Bastos.

E ele nem precisa estar ajeitando o meião.


Viva o deboche
por Felipe Moura Brasil (Pim) - Terca-Feira, 22 de Junho de 2010, às 18:11

A principal vítima do episódio em que Dunga xingou o repórter Alex Escobar por balançar a cabeça é o senso de humor.

Não é só a Dunga que ele falta. Num turbilhão de reportagens e colunas indignadas, os jornalistas brasileiros fizeram questão de frisar que Escobar não o agredira (ok), não o ofendera (ok), nem lhe dirigira qualquer ironia, deboche ou provocação.

Espera aí. Qual seria o problema de ser irônico, debochado ou provocador? Justificaria aquela reação de troglodita mal-amado vociferando palavrões? Por que reforçar a inocência de alguém atacando gratuitamente um recurso legítimo em qualquer democracia? É o medo de que a massa responda: “Ah, então ele mereceu!”?

Há duas semanas, foi anunciada a aposentadoria do cartunista dinamarquês Kurt Westergaard, de 75 anos, autor da polêmica caricatura (de 2005) em que o profeta Maomé aparecia com um turbante em forma de bomba. Westergaard deixou o Jyllands-Posten, onde trabalhou nos últimos 27 anos, porque há ameaças terroristas contra o jornal e contra ele, sendo que muçulmanos saíram às ruas prometendo entregar sua cabeça.

Por que estou comparando um episódio de terrorismo muçulmano com outro bem menos relevante duma coletiva de Dunga? É simples. A intolerância à divergência pode ter várias consequências – de xingamentos a assassinatos -, mas ela é sempre acentuada por uma profunda aversão ao senso de humor. Quando essa aversão é estimulada até ser aceita e propagada com naturalidade, temos aí o caldo cultural que legitima a barbárie.

Tratar a ironia como uma estupidez que merece ser repudiada só provoca a estupidez exacerbada de cada repúdio; o que provoca, por sua vez, o medo generalizado de ferir suscetibilidades; e, assim, uma sociedade intimidada, acovardada, paralisada, recalcada, cheia de dedos pra tocar em qualquer assunto, porque bastará uma palavra soar apimentada, e todos terão a chancela moral pruma reação agressiva. É evidente que estimular esse medo interessa a muita gente poderosa – e que não cair nele é uma obrigação intelectual básica.

Que jornalistas reclamem da estupidez de Dunga, alegando que a vítima dos palavrões não o ironizou, não deixa – portanto - de ser irônico. Não que Dunga e os jornalistas sejam exatamente fruto um dos outros. Mas, se eu soubesse desenhar, colocaria um turbante-bomba na cabeça de cada um.

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O grande vencedor da Copa

Sem Zidane, o futebol francês é um embuste tão grande quanto o futebol africano (ou o senso de humor brasileiro).


A seleção Stallone [Brasil 3 x 1 Costa do Marfim]
por Felipe Moura Brasil (Pim) - Segunda-Feira, 21 de Junho de 2010, às 13:41

Dunga é melhor sem craques. Dunga é melhor com Elanos. Eles o justificam. As limitações dos Elanos transformam as limitações de Dunga num enviesado senso de realidade.

A vitória de 3 a 1 sobre a Costa do Marfim mostrou que a seleção brasileira é como a beleza de Sylvester Stallone. Isso mesmo: a beleza de Sylvester Stallone. O astro de Rocky e Rambo disse certa vez que não é bonito no sentido clássico. Tem os olhos caídos, a boca torta, os dentes desalinhados e a voz dum “carregador de caixão” mafioso - mas, de alguma maneira, tudo isso junto funciona.

Na seleção de Dunga, os passes sempre errados de Gilberto Silva e Felipe Melo são a boca torta; as cochiladas de Felipe Melo e Michel Bastos [gol de Marfim] e de Maicon e Juan [gol da Coreia] são os dentes desalinhados; a restrição da criatividade de Kaká e Elano a lançamentos de 2 metros ou roladas banais são os olhos caídos; as quedas teatrais de Robinho e os braços de Deus de Luís Fabiano são a voz mafiosa. E, de alguma maneira (engessada, precavida, sem riscos e sem graça), tudo isso junto funciona.

Resta saber se só funciona contra Coreias e Marfins, ou se também contra Argentinas. Em outras palavras, resta saber se o Stallone de Dunga é um Gabe Walker (de Risco total) ou apenas um Kit Latura (de Daylight).

Se um Cobra ou um Falcão, a gente já sabe que não é; um Rocky ou um Rambo, nem com Paulo Henrique Ganso.


A inversão do futebol [Brasil 2 x 1 Coreia do Norte]
por Felipe Moura Brasil (Pim) - Quarta-Feira, 16 de Junho de 2010, às 15:30

O Brasil jogou mal. Foi uma coincidência tão grande quanto a África do Sul ficar no Sul do África.

Jogadores reservas e/ou lesionados jogaram como jogadores reservas e/ou lesionados. Quem joga na Grécia e na Turquia jogou como quem joga na Grécia e na Turquia. Quem não jogou (bem) o ano inteiro jogou como quem não jogou (bem) o ano inteiro. Um meio-campo dependente de um jogador reserva e lesionado jogou como… Bom, você sabe. Trago hoje uma novidade incrível: o futebol não é uma caixinha de surpresas.

Mas, na falta de Ganso, quem pode entrar no lugar de Kaká? Talvez Robinho (com Nilmar no ataque). Menos pela categoria do que pela personalidade. Só ele se sentiu à vontade no campo da desnutrida Coreia do Norte, recuando para distribuir o jogo, até dar um belo passe para o gol de Elano. Normalmente, cobrir alguém significa marcar em seu lugar. Dunga inovou o futebol: agora, cobrir alguém significa criar em seu lugar. Até Juan acertou um lançamento da meia-esquerda para os pés de Felipe Melo, na ponta-direita. A desvantagem de colocar Juan no lugar de Kaká é deixar o único setor de relativa qualidade do Brasil - a zaga - tão capenga quanto um ataque com Luís Fabiano.

Do meio para a frente, a disputa entre quem erra mais e quem aparece menos foi bastante equilibrada. Esta mania de exaltar quem “joga pro time, não pra torcida” ainda nos leva ao sonho dunguista do futebol invisível: aquele onde ninguém aparece em campo. O Brasil quase chegou lá. Com passes de atacante [Robinho] para meio-campo [Elano], como no segundo gol; e de meio-campo [Elano] para lateral [Maicon], como no primeiro, estamos - por enquanto - na etapa do futebol invertido.

O maior problema da seleção é que o gol adversário fica do outro lado.

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Resumo da Copa: Se o Brasil não sabe jogar contra uma retranca, já pode voltar pra casa.


Contra o talento [A convocação de Dunga]
por Felipe Moura Brasil (Pim) - Terca-Feira, 11 de Maio de 2010, às 15:13

Comentei ao vivo no Twitter a convocação oficial da seleção brasileira e a entrevista coletiva de Dunga, que, com sua habitual expressão de contrariedade, só faltou dizer: “Por que vocês jornalistas vêm me falar de talento!? Eu não entendo! Isso aqui é uma seleção. Tem que entrar de tudo! Raça, ruindade, mediocridade… Infelizmente, só podemos levar 23 jogadores - 23! Se a gente pudesse levar 30, digo, 46, eu juro que levava o talento. Eu juro!”.

[Pim] Não entendi. Se o intuito era a "renovação" da seleção, por que Dunga não convocou Caetano Veloso?

[Pim] Kleberson, reserva do Flamengo, é o retrato da seleção de Dunga: 23 ótimos jogadores para entrar no segundo tempo e fechar a retranca.

[Pim] “Uma coisa é clube, outra é seleção” é o argumento mais banana do país. Que “seleção” é essa!? A que disputa amistoso com Honduras?

[Pim] “Pra se levar pruma Copa do Mundo, tem que testar”. Tem nada, Dunga! Tem que levar os melhores. E parar de se dar importância demais.

[Pim] “Comprometimento com a seleção brasileira” - é isso (e só isso) que interessa a Dunga. Futebol é o de menos.

[Pim] Dunga não pode mudar em cima da hora, porque “o que ele vai dizer aos outros”? Ora, Dunga! Você é o técnico! Tem medo de jogador?

[Pim] Dunga dá tanta importância a seu ‘trabalho de 3 anos e meio’, que precisa manter quem está mal; e ignorar as boas revelações.

[Pim] Se o ‘comprometimento’ é alçado à prioridade, o talento - comprometido, em primeiro lugar, com ele mesmo - fica naturalmente de fora.

[Pim] Se o patriotismo é o último refúgio dos canalhas, o ‘comprometimento’ é o último refúgio dos Dungas.

[Pim] “A gente tem que ser feliz com o povo trabalhador brasileiro”!? Adeus, Dilma! Dunga vem aí!

[Pim] E agora Dunga - o grande especialista em África - fala de Mandela… Aonde isso vai parar?

[Pim] Para Dunga, só quem viveu (ditadura, escravidão etc) pode dar opinião. Este é Dunga, fã de Mandela… Terá sido seu parceiro de cela?

[Pim] Finalmente, um jornalista! Uma pergunta! Se Dunga fosse técnico em 58, não levaria Pelé. Futebol é presente. Ganso é o melhor do país.

[Pim] E Dunga, então, fala de Pelé como se ele já fosse, antes da Copa de 58, o Pelé-mito de hoje. Não era, Dunga! Feola não afogou o Ganso.

[Pim] O pastor Jorginho, entre patriotices e demagogias, nos conclama a ‘acreditar’ na seleção. Mas desde quando seleção é crença, Jorginho?

[Pim] “Às vezes a gente perde um soldado, mas tem que vencer a guerra”!? Quando sai, afinal, o livro de auto-ajuda de Dunga? Eu quero!

[Pim] “A seleção brasileira é bem maior do que a gente pensa”. Sem dúvida, Dunga! Sem dúvida.

[Pim] Para Dunga, não basta decidir jogo em 10 segundos. Tem que ver os 90 minutos do jogador. O ‘comprometimento’ de bater lateral, talvez.

[Pim] Grafite, para Dunga, mostrou ‘comprometimento’ em 27 minutos de 1 amistoso. Já o talento, ah, “tem que ver os 90 minutos do jogador”.

[Pim] E agora Dunga insinua haver dinheiro por trás do lobby a favor de Ganso e Neymar. O talento lhe é sempre um detalhe insuficiente.

[Pim] Seleção, enfim, é reunir os melhores, mesmo que não se aturem, que não treinem, que nunca tenham sido ‘testados’. O resto é Dunguismo.

[Pim] O Brasil estréia na Copa 3 dias após o Dia dos Namorados. É o último teste de Dunga para avaliar o "comprometimento" dos jogadores.


O balé de Montillo [Universidad 1 x 2 Flamengo]
por Felipe Moura Brasil (Pim) - Sexta-Feira, 21 de Maio de 2010, às 01:32

Em prévia da Copa do Mundo, comentei ao vivo no Twitter o jogo Universidad de Chile 1 x 2 Flamengo, quarta-de-final da Libertadores, que resultou na eliminação do time rubro-negro e, portanto, no encerramento do primeiro semestre esportivo mundial. [O Flamengo perdera o primeiro jogo por 3 x 2, no Maracanã]. O jogador Walter Montillo, da Universidad do Chile não é um Ganso, mas fez um balé no time do Flamengo - onde, aliás, tem vaga até no lugar do Bruno. Eis os comentários:

Antes do jogo.

[Pim] Hoje tem Flamengo - e já cantava Sandy: “Depois de tanto caminhar/ Depois de quase desistir/ Os mesmos pés cansados/ Voltam pra você”.

[Pim] Terá Kleberson sua noite de Ganso? Ou o grande (ou melhor, o único) meia-armador do Flamengo será mais uma vez seu lateral Léo Moura?

[Pim] Até aqui, o Flamengo revolucionou o futebol, com o extraordinário esquema 4-0-2.

[Pim] A arquibancada está muito perto do gol, o gramado está muito ruim, e a bola está muito redonda; mas o Flamengo é um só - e pode mais.

[Pim] O Globo: “Em cada fio de cabelo rubro-negro, Vágner [Love] carrega o DNA do Flamengo”. Qualquer tinta guache hoje é material genético.

[Pim] Na falta da chuva, muito boa a idéia de apagar metade da luz do estádio. Quanto mais nivelado por baixo o jogo, melhor pro Flamengo.

[Pim] A maior conquista do futebol brasileiro este ano foi a Rádio Globo - do verdadeiro Garotinho, José Carlos Araújo - estrear na FM 89.3.

[Aqui começou o jogo; e, aos poucos, eu decidi (precisei) transmiti-lo.]

[Pim] A transmissão pelo rádio está chegando muito antes da TV. Aviso a todos que já está 2 x 0 Flamengo.

[Estava 0 x 0.]

[Pim] Descobri o talento de Vágner Love: ficar na primeira trave no escanteio adversário. Foi sua melhor participação até agora.

[Pim] Para um time que ganhou o primeiro jogo de 4 x 0, o Flamengo está muito bem.

[Pim] Depois deste carrinho grotesco, eu teria expulsado Juan.

[Pim] Adriano também acaba de descobrir sua melhor função: tirar bolas de cabeça da área do Flamengo.

[Pim] Mais uma vez, Vágner Love tira de cabeça na primeira trave. É fantástica a dupla de zaga rubro-negra: Vágner Love & Adriano!

[Pim] 30 minutos, e nenhum sinal de futebol. Só faltas e chutes pra fora. Júnior diz que, por enquanto, a coisa está dando certo. Que coisa?

[Pim] Montillo chutou a bola no travessão de Bruno. É o único em campo que já descobriu onde fica o gol. Espero que não conte aos colegas.

[Pim] O Rogério precisa dizer ao Adriano que jogar recuado não significa que não pode chutar pro gol.

[Pim] Léo Moura descontou o chute no travessão. É o único do Flamengo que descobriu onde fica o gol. Espero que conte aos colegas do ataque.

[Pim] Que gol extraordinariamente… coerente! Adriano dá uma bicicleta louca e Vágner Love cabeceia no susto. Que dupla de zaga inspirada!

[Pim] Intervalo de jogo, e devo lembrar: Adriano e Vágner Love jogam melhor com a cabeça - ou de costas. Sugiro levantarem mais a bola.

[Pim] Torcedores atiram pedras, e Angelim comenta: “É o que acontece nesses países onde as pessoas não têm cultura.” Angelim lê o Pim.

[Pim] Pouco antes do gol, Juan sofreu uma falta de 3 jogadores ao mesmo tempo. E, na arte de fazer falta, os 3 juntos não chegaram a 1 Juan.

[Pim] O jogo podia estar 2 x 0 se Vágner Love soubesse chutar. Aos 2 minutos, teve a melhor chance do jogo. Sugiro mirar no bandeirinha.

[Pim] É verdade que Toró, Kleberson, Willians e Michael fecharam bem o meio-campo no primeiro tempo. Fecharam para a defesa e para o ataque.

[Pim] Rogério armou o time do Flamengo pra jogar fechadinho, com paciência. Parece-me menos uma estratégia do que uma falta de alternativa.

[Pim] Começa o segundo tempo, com Pet no lugar de Michael. Há chances de o meio-campo abrir a porta para o ataque.

[Pim] Juan cruza e Vágner Love cabeceia pra fora. Rogério, no banco, começa a ler o Twitter.

[Pim] Pet dá uma caneta e chuta pra fora de esquerda. É o único no Flamengo que joga com a tal ‘objetividade’.

[Pim] Dois jogadores da Universidad batem cabeça na área do Flamengo. O sujeito que apagou a luz comemora.

[Pim] Segundo tempo mais aberto, com bolas na área dos dois lados. Agora Bruno espalma e Juan tira. A emoção começou. O futebol, não.

[Pim] Neste jogo cheio de suruba na área, é fundamental um jogador que saiba chutar de fora. Como faz falta o Ganso no time do Flamengo!

[Pim] Adriano dá uma bela cabeçada para boa defesa do goleiro da Universidad. Rogério, firme no Twitter!

[Pim] Lamento dizer isso, mas quando a bola cai no zagueiro David, do Flamengo, é sempre um frio na espinha. Na dele e na nossa.

[Pim] Atenção, Rogério! Diga ao Juan que, em vez de cruzar, role a bola para o Pet na entrada da área. Mande o Pet chutar. Ou sofrer falta.

[Pim] Juan e Pet já estão mais próximos, mas não conseguem dar prosseguimento à jogada. Falta movimentação de Love e Adriano. E isso é duro.

[Pim] 23 minutos do 2º tempo: Universidad acorda, Flamengo dá espaço, e Montillo é um perigo. No intervalo, contou aos colegas onde é o gol.

[Pim] A demora na reposição das bolas, desde o início do jogo, mostra que o verdadeiro 12º jogador de um time não é a torcida. É o gandula.

[Pim] E Montillo, então, deixa Juan na saudade e, com espaço de sobra pra pensar, faz um golaço por cobertura de fora da área. É triste.

[Pim] Com 1 x 1, aos 30 minutos, e Montillo jogando em cima de Juan, o cartão vermelho é uma questão de tempo. Sorte que falta pouco.

[Pim] Ao invés de Juan e Pet; Léo Moura rola de calcanhar pra Adriano, que faz belo gol. A emoção aumenta. E o futebol, muito tarde, começa.

[Pim] Pet deu uma bola linda, na entrada da área, pra Juan, que - por um momento - me lembrou Zinho, rodando e rodando, sem sair do lugar.

[Pim] O único jogador do Flamengo com moral de partir pra cima e arriscar a jogada individual é Léo Moura, infelizmente um lateral.

[Pim] 43 minutos: Pet joga longe do ataque; Adriano não assume responsabilidade; e o Flamengo depende de que os laterais avancem loucamente.

[Pim] Vinícius Pacheco dribla dentro da área, e quer tocar a bola! Não chuta pro gol esse time - é muita união! É “comprometimento” demais!

[Pim] Em vez de Juan, Willians então é expulso. O Flamengo agora depende de um gol de Bruno.

[Pim] Vinícius Pacheco dribla na área, pode fazer o gol no último lance e, em vez de chutar, cava falta. Não podia cair! Nem que fosse.

[Pim] O jogo acabou. Love foi expulso. Todos vão falar de pênalti não marcado. Pode até ter sido; azar. Mas Pacheco tinha é que fazer o gol.

[Pim] O Flamengo está fora da Libertadores. E está por um motivo óbvio: não tem um Montillo no time.

[Pim] Seria mesmo ridículo o Flamengo ser campeão sem um grande jogador de meio-campo. Sem craque, faz-se até um Brasil. Nunca um Flamengo.
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